João Oscar

Rede de Mães de Familiares Vítima de violência da Baixada Fluminense

Documentário emociona estudantes em roda de conversa no Colégio Estadual Rubens Farrulla em Meriti

Nesta semana, o Colégio Estadual Rubens Farrulla, localizado em Coelho da Rocha, São João de Meriti, vivenciou uma tarde marcada por emoção, escuta e conscientização com a exibição do documentário “Desova”. A atividade, realizada no dia 11 de junho, reuniu estudantes, professores, convidados e ativistas em uma roda de conversa sobre as marcas da violência de Estado e os desaparecimentos forçados que continuam a assombrar a Baixada Fluminense. A ação foi realizada pelo Observatório Fluminense de Pesquisa da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em conjunto com o Fórum Grita Baixada, com apoio institucional da direção do colégio, representada pela diretora Chris Pereira, e da equipe pedagógica, especialmente da orientadora educacional Maria Cristina e do professor Alexandre Pires. Juntos, garantiram um ambiente acolhedor, seguro e propício para o diálogo com a comunidade escolar. Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a participação de Ilsimar de Jesus, da Rede de Mães Vítimas da Violência da Baixada e também integrante da Pesquisa como articuladora local do território de São João de Meriti, que emocionou a todos ao compartilhar sua trajetória de dor e resistência após o assassinato de seu filho, Vitor Hugo, que foi aluno do próprio Colégio Rubens Farrulla. Sua presença ressignificou o espaço escolar, transformando-o em território de memória e luta. A roda de conversa também contou com a presença da socióloga e pesquisadora Jaqueline de Sousa Gomes, da UFRRJ, que desde 2021 integra a pesquisa “Mapeamento Exploratório sobre Desaparecimentos e Desaparecimentos Forçados em municípios da Baixada Fluminense – RJ”, a pesquisadora também atuou como organizadora do livro “Desaparecimentos Forçados: Vidas Interrompidas na Baixada Fluminense” publicado em 2023 pela editora Autografia, o livro apresenta os resultados da pesquisa e todo o processo de investigação sobre o tema dos desaparecimentos forçados na Baixada Fluminense. Na roda de conversa, sua fala trouxe uma leitura crítica sobre as práticas de ocultação de corpos por parte do Estado, destacando o papel das mães como guardiãs da memória, da verdade e da dignidade, além de apresentar o projeto de pesquisa que o grupo de pesquisadores da UFRRJ desenvolve. Durante o debate, Adriano Dias, fundador da ComCausa, realizou uma exposição sobre o panorama dos desaparecimentos na Baixada Fluminense, com base nas experiências cotidianas acompanhadas pela organização. Abordou a falta de políticas públicas específicas, a ausência de protocolos efetivos e a urgência na criação de equipamentos públicos voltados à busca de pessoas desaparecidas e à responsabilização do Estado. “A Baixada Fluminense concentra um número expressivo de desaparecimentos no estado do Rio de Janeiro. Muitos casos seguem sem investigação adequada, aprofundando o sentimento de abandono e impunidade entre os familiares”, destacou Adriano. O documentário “Desova”, dirigido por Laís Dantas e realizado pela Quiprocó Filmes, com apresentação do Fórum Grita Baixada e do Observatório Fluminense da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que retrata o vazio deixado pelas vítimas da violência de Estado e o esforço contínuo de suas mães para manter viva a memória dos filhos. Mais do que um registro audiovisual, o filme é um grito por justiça — sobre o que fica, sobre o que o rio leva e sobre a dor que não se cala. “Desova” teve sua estreia internacional no 12º Festival Internacional de Cine Político – FICIP, em Buenos Aires, em maio de 2023, levando o Prêmio de Melhor Filme na Competição Oficial Internacional de Curtas-metragens e também foi selecionado para o 19° Brésil en Mouvements, 3ª Semana do Cinema Negro de BH e para a VI Mostra SESC de Cinema. Filmado na região do KM 32, em Nova Iguaçu, além de localidades próximas, “Desova” apresenta dados alarmantes sobre o problema, traz depoimentos de mães que se organizaram em coletivos e em grupos de arteterapia para lidar com a dor da ausência, além de depoimentos de pesquisadores e estudiosos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que desenvolvem pesquisas focadas no assunto. A atividade deixou marcas profundas nos estudantes. Muitos expressaram indignação, empatia e desejo de mudança, reforçando que a escola pode — e deve — ser um espaço de formação cidadã, enfrentamento das injustiças e fortalecimento da juventude como agente de transformação social. Foi mais do que um evento educativo. Foi um momento de memória, denúncia e esperança por um futuro diferente na Baixada Fluminense. Livro sobre desaparecimento forçado na Baixada Foi lançado pela Livraria Folha Seca, no centro do Rio, o livro Desaparecimento Forçado: Vidas Interrompidas na Baixada Fluminense, fruto da pesquisa desenvolvida pelo Fórum Grita Baixada e pelo Observatório Fluminense, vinculado à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A publicação traz à tona um dos temas mais dolorosos e invisibilizados da segurança pública brasileira: a prática sistemática de desaparecimentos forçados. O livro mapeia diferentes dinâmicas de desaparecimento na região da Baixada Fluminense, identificando como autores grupos armados diversos — que incluem agentes de segurança do Estado, milicianos e traficantes. A pesquisa analisa dados do Disque-Denúncia e do Instituto de Segurança Pública (ISP), expondo a brutalidade com que corpos e vidas são apagados, tanto fisicamente quanto das estatísticas oficiais. O livro Desaparecimento Forçado: Vidas Interrompidas na Baixada Fluminense já está disponível para aquisição na Livraria e Edições Folha Seca. Mais do que uma leitura, trata-se de um documento de denúncia e de resistência, que desafia o esquecimento e cobra ações concretas para enfrentar esse tipo de violência. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Padre João Bosco Penido Burnier: mártir da Ditadura Militar

Padre João Bosco Penido Burnier: mártir da Ditadura Militar

O padre João Bosco Penido Burnier, jesuíta e defensor dos direitos humanos, foi assassinado em 12 de outubro de 1976 por um policial militar, enquanto defendia duas mulheres que estavam sendo torturadas em uma delegacia de Ribeirão Cascalheira, Mato Grosso. Burnier estava acompanhado do bispo Pedro Casaldáliga quando chegou à delegacia. Antes de ser baleado na nuca, ele foi agredido com um soco e uma coronhada. Burnier, membro do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dedicava-se ao trabalho pastoral junto a camponeses e indígenas, denunciando violências cometidas por latifundiários e agentes públicos. Seu assassinato aumentou a tensão entre a ditadura militar e a hierarquia católica, que denunciou o crime durante as missas dominicais. A reação ao crime desencadeou protestos de estudantes em várias universidades. Em dezembro de 2009, a Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de João Bosco Penido Burnier. A ata da Comissão Especial para os Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça, publicada no “Diário Oficial da União”, afirma que Burnier “morreu por causas não naturais em dependências policiais por ter participado ou ter sido acusado de participação em atividades políticas”. O policial que atirou no padre nunca foi processado, pois o regime considerou o fato um acidente. Pedro Casaldáliga, então bispo de São Félix do Araguaia (MT), testemunhou o homicídio e relata que Burnier teve uma grande discussão com os policiais, ameaçando denunciá-los na Justiça antes de ser agredido e morto. Após a missa de sétimo dia pela morte do padre, a população de Ribeirão Cascalheira realizou uma procissão até a delegacia, arrombou as portas e libertou os presos. Posteriormente, foi construída uma igreja no local, apesar da oposição da polícia. Burnier nasceu em 11 de junho de 1917 em Juiz de Fora, sendo o quinto de nove irmãos, dos quais dois também se dedicaram à vida religiosa, incluindo Vicente Burnier, o primeiro sacerdote surdo do Brasil. Formado em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, onde foi ordenado padre em 1946, Burnier destacou-se por sua atuação em defesa dos índios e foi membro do Cimi, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nos últimos anos de vida, Burnier trabalhou como missionário em Diamantino (MT), onde cuidava de membros das etnias Bakairi e Xavante, cujas línguas conhecia e falava. Seu legado é lembrado em escolas e organizações de defesa dos direitos humanos que levam seu nome em Minas Gerais e Mato Grosso. Além disso, sua vida e martírio são tema de livros, como “Martírio do padre João Bosco Penido Burnier”, de dom Pedro Casaldáliga, e “Mártir pela justiça”, do padre Pedro Américo Maia. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil

O objetivo da data é alertar a comunidade em geral e os diferentes núcleos do governo sobre a realidade do trabalho infantil, uma prática que se mantém corriqueira em diversas regiões do Brasil e do mundo. Esta data foi criada por iniciativa da Organização Internacional do Trabalho, uma agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), em 2002. Centenas de milhões de crianças estão nesse exato momento trabalhando, e não estão usufruindo de seus direitos à educação, saúde e lazer. No Dia Mundial contra o Trabalho Infantil se relembra que esses direitos estão sendo negligenciados em muitos países. A principal arma contra o trabalho infantil é a intensa sensibilização civil contra a exploração das crianças e adolescentes, que constitui uma grave violação aos direitos humanos fundamentais. De acordo com dados da UNICEF, estima-se que aproximadamente 168 milhões de crianças sejam vítimas de trabalho infantil em todo o mundo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, cerca de 20 em cada 100 crianças começam a trabalhar a partir dos 15 anos. No Brasil, por exemplo, diversas campanhas e programas que visam erradicar o trabalho infantil são divulgados nesta data, seja através do Ministério do Trabalho ou de outros órgãos da sociedade civil. Calcula-se que três milhões de crianças trabalhem nas mais diversas atividades como venda de produto em semáforos, serviços domésticos e no campo. Dados do IBGE de 2015 revelam que 80 mil crianças de 5 a 9 anos trabalhavam no país; um dado alarmante. Trabalho infantil atinge menor nível desde 2016 mas ainda afeta 1,6 milhão no Brasil O Brasil registrou em 2023 o menor número de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil desde 2016. Segundo dados da PNAD Contínua, são 1,607 milhão de jovens nessa condição — uma queda de 14,6 % em relação a 2022, quando o número era de 1,881 milhão. Isso representa 4,2 % da faixa etária, também o menor percentual da série histórica recente. Apesar do avanço, o cenário ainda é alarmante: 586 mil desses jovens atuam em condições perigosas, como exposição a produtos tóxicos, riscos físicos ou jornadas excessivas. Essa é considerada uma das piores formas de trabalho infantil e representa 41 % do total — ainda que em queda de 22,5 % em relação ao ano anterior. A maioria dos casos envolve adolescentes de 16 a 17 anos, que somam 55,7 % do total. Também é marcante a desigualdade de gênero: cerca de 65 % dos trabalhadores infantis são meninos. Crianças mais novas, entre 5 e 13 anos, representam uma menor fatia, mas 65,7 % delas estão em atividades perigosas, o que aumenta a gravidade da situação nessa faixa. Geograficamente, as regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de trabalho infantil, enquanto Minas Gerais e São Paulo lideram em números absolutos, com 214 mil e 197 mil crianças e adolescentes, respectivamente. O governo federal mantém ações como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), que combina benefícios sociais à exigência de frequência escolar. A fiscalização do Ministério do Trabalho, entre 2023 e 2025, retirou mais de 6 mil crianças de atividades ilegais. Ainda assim, especialistas alertam que os desafios estruturais — como pobreza, evasão escolar e trabalho informal — exigem ações contínuas e políticas públicas robustas. A tendência de queda desde 2016 foi interrompida em 2022, com leve aumento, mas retomou o declínio em 2023. A melhora recente mostra que intervenções bem direcionadas podem funcionar, porém o número absoluto — ainda superior a 1,6 milhão — evidencia que a luta contra o trabalho infantil está longe do fim. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Sequestro ao ônibus 174

Memória: Caso do sequestro ao ônibus 174

Em 12 de junho de 2000, o Rio de Janeiro parou diante de uma tragédia transmitida ao vivo: o sequestro do ônibus da linha 174 por Sandro Barbosa do Nascimento, um jovem de 22 anos, morador de rua e sobrevivente da Chacina da Candelária. O episódio, que durou cerca de cinco horas, terminou com a morte da refém Geisa Firmo Gonçalves e, minutos depois, com a asfixia de Sandro dentro da viatura da Polícia Militar. Sandro embarcou no coletivo no Jardim Botânico com um revólver calibre 38 e anunciou o assalto. Cercado pela polícia, deu início ao sequestro de dez mulheres que ficaram sob sua mira. Em meio ao pânico, escreveu no interior do ônibus com batom: “Ele vai matar geral às seis horas” — frase que correu as redes televisivas e entrou para o imaginário nacional. A operação policial terminou em desastre. Ao sair do ônibus com Geisa como escudo humano, Sandro foi alvejado por disparos da PM. Um dos tiros atingiu o queixo da refém, e ela ainda foi baleada três vezes por ele. Imobilizado em seguida, Sandro morreu asfixiado dentro da viatura, cercado por policiais que ignoraram os protocolos básicos de contenção e socorro. O Brasil assistiu ao vivo ao desfecho brutal de uma história que, para muitos, já havia começado trágica. Sandro perdeu a mãe aos seis anos — assassinada na sua frente — e, desde então, mergulhou na invisibilidade social. Sem escolaridade, morador de rua, usuário de drogas e institucionalizado por anos, ele personificava o abandono de toda uma geração. A repercussão nacional foi imediata e intensa. O caso expôs erros graves de abordagem policial e forçou a reavaliação de protocolos de resgate de reféns. Como resposta, foi criado o Grupamento de Intervenção Tática (GIT), com foco em situações de crise. A linha de ônibus, estigmatizada, foi renumerada diversas vezes. Mais do que um evento policial, o caso do ônibus 174 virou símbolo da falência das políticas públicas voltadas à infância, segurança e inclusão. Inspirou o premiado documentário Ônibus 174, de José Padilha (2002), e o longa Última Parada 174, de Bruno Barreto (2008). Ambas as obras ajudam a entender a dimensão humana e estrutural da tragédia. O sequestro de Sandro não foi apenas um surto de violência. Foi o grito desesperado de alguém que viveu à margem desde sempre, ignorado por instituições, invisível para a sociedade — até o dia em que forçou todos a olharem para ele. | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Violência - Criança - Mulher

Feminicídios e estupros crescem no Brasil em 2024 revela Mapa da Segurança Pública

O Brasil voltou a registrar alta nos casos de violência contra a mulher em 2024, segundo dados do Mapa da Segurança Pública 2025, divulgado nesta quarta-feira (11) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O relatório mostra que, enquanto homicídios em geral e crimes patrimoniais recuaram, os feminicídios e estupros bateram recordes. Os feminicídios, que haviam caído no ano anterior, voltaram a subir e chegaram ao maior número da série histórica: 1.459 mulheres foram assassinadas por motivo de gênero em 2024 — média de quatro vítimas por dia. A Região Centro-Oeste lidera com a maior taxa: 1,87 feminicídios a cada 100 mil mulheres, acima da média nacional de 1,34. Outro dado alarmante foi o número de estupros, que alcançou 83.114 casos no país — o maior volume dos últimos cinco anos. Isso representa 227 vítimas por dia, sendo 86% mulheres e meninas. São Paulo lidera em números absolutos, com 15.989 casos. Em proporção populacional, os maiores índices foram registrados em Rondônia (87,73), Roraima (84,68) e Amapá (81,96). As lesões corporais seguidas de morte, outro indicador de violência extrema, também aumentaram, afetando homens e mulheres. Apesar da piora nos índices de violência de gênero, o mapa também apresenta queda em outros tipos de crimes: Apesar dos avanços pontuais na segurança pública, os dados reforçam a urgência de políticas públicas mais eficazes para a proteção das mulheres, o fortalecimento das delegacias especializadas, a ampliação da rede de acolhimento e campanhas de prevenção à violência de gênero. Feminicídios voltam a crescer no Rio de Janeiro Após registrar queda em 2023, o estado do Rio de Janeiro voltou a ver os números de feminicídio crescerem em 2024. De acordo com o Mapa da Segurança Pública 2025, foram 107 casos, contra 99 no ano anterior — um aumento de aproximadamente 8%, equivalente a uma mulher assassinada a cada 17 horas. O perfil das vítimas segue refletindo desigualdades históricas: 62% eram mulheres negras, a maioria com idades entre 30 e 59 anos, e 85% foram mortas dentro de suas próprias casas. Em 80% dos casos, os autores dos crimes eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Esse crescimento no número de feminicídios ocorre em um cenário nacional igualmente preocupante. O Brasil registrou 1.859 feminicídios consumados em 2024, alta de 6,4% em relação a 2023. No Rio, os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) mostram que entre janeiro e abril de 2024, foram 38 feminicídios consumados, aumento de 11,7% em comparação com o mesmo período de 2023. As tentativas de feminicídio também subiram drasticamente: de 105 para 152, um aumento de 44,8%. Avanços e desafios nas políticas públicas Em resposta ao avanço da violência, o Rio de Janeiro implementou uma série de ações preventivas e estruturantes: Apesar dessas ações, os dados mostram que a violência contra mulheres segue em alta e exige reforço nas estratégias de prevenção, investimento na rede de proteção e políticas mais eficazes para enfrentar a cultura do machismo e do controle sobre os corpos femininos. Indicadores principais (RJ) Indicador Valor Feminicídios em 2023 99 casos Feminicídios em 2024 107 casos Aumento percentual +8% Média de ocorrência 1 a cada 17h Vítimas negras 62% Ocorrência dentro da residência 85% Autores parceiros/ex-parceiros 80% Baixada Fluminense concentra quase um terço dos feminicídios do Rio A Baixada Fluminense segue como uma das regiões mais letais para mulheres no estado do Rio de Janeiro. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e de organizações como o DMJ Racial e o Observatório de Favelas apontam que, em 2020, a Baixada respondeu por 34% de todos os feminicídios registrados no estado, com 77 casos — sendo a maior parte das vítimas mulheres negras, com idades entre 30 e 59 anos. Mais da metade dos crimes ocorreram dentro da casa da vítima (52%) e, em 73% dos casos, os autores foram companheiros ou ex-companheiros. A letalidade tem cor, território e gênero definidos: cerca de 87% das mulheres assassinadas eram negras. Apesar de uma leve redução nos números absolutos nos anos seguintes, a concentração da violência permaneceu alta: entre 2022 e 2023, a Baixada Fluminense seguiu representando aproximadamente 24% dos feminicídios do estado, com cerca de 26 casos por ano — o que significa um aumento de 67% em relação ao ano anterior (2021). Municípios mais afetados Os dados mostram que três municípios se destacam negativamente no ranking regional: Município Estimativa de casos por ano Proporção dos feminicídios da Baixada Duque de Caxias 6 casos 23% Belford Roxo 5 casos 19% Nova Iguaçu 4 casos 17% Esses números refletem uma combinação perigosa de desigualdade social, ausência de políticas públicas consistentes, e baixa efetividade no combate à violência doméstica em regiões periféricas. A urgência por políticas estruturais Frente ao cenário alarmante, organizações como a ComCausa, o Observatório de Favelas e diversas redes de apoio vêm pressionando o poder público por ações efetivas. As principais reivindicações incluem: A Baixada Fluminense, historicamente marginalizada, continua sendo palco de tragédias que poderiam ser evitadas com ações firmes, presença do Estado e uma política de defesa da vida que considere gênero, raça e território. Casos recentes de feminicídio e tentativa de feminicídio na Baixada Fluminense Nova Iguaçu (outubro de 2024) A farmacêutica Daiane da Silva Santos, 29 anos, sofreu uma tentativa de feminicídio com mais de 25 facadas, desferidas pelo ex-companheiro em plena via pública. Ela permanece em estado grave; o agressor foi detido e enfrentava medida protetiva. Duque de Caxias (fevereiro de 2025) Uma policial civil foi baleada gravemente pelo ex-namorado — também policial — em frente à DEAM. O suspeito morreu durante o confronto; a inspetora permanece em estado gravíssimo. Duque de Caxias (janeiro de 2025) Um militar da Marinha matou a tiros a ex-esposa, Elaine de Andrade Silva, 30 anos, por ciúmes. Após o assassinato, ele se suicidou. O crime chocou a comunidade do bairro São Bento. Belford Roxo (janeiro de 2025) O ex-marido, Valdenir da Silva Almeida, afirmou que Ilines teria se suicidado, o ex-marido foi preso, e a família denuncia que Ilines já havia registrado medidas protetivas por agressões anteriores a investigação conclui que Ilinês Valesca tirou

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O-corpo-de-Marcelle-Julia-Araujo-da-Silva-foi-visto-por-algumas-pessoas-que-acionaram-a-PM-—-Foto-Reproducao

Caso Marcelle Julia de 18 anos é encontrada morta após desaparecer na Pavuna

A jovem Marcelle Julia Araújo da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta neste sábado (14) na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, três dias após seu desaparecimento. A principal linha de investigação da Polícia Civil apontou para feminicídio.  Marcelle desapareceu no dia 11 de junho, após sair de casa de bicicleta à noite para encontrar o suspeito, conhecido como “Xao”, dono de um food truck de yakisoba. Imagens de câmeras de segurança mostram a jovem entrando na casa dele, no Jardim América, e não saindo mais. No dia seguinte, ele aparece empurrando um carrinho de feira — onde, segundo a polícia, estava o corpo da vítima, mais tarde deixado em outra residência na comunidade Beira Rio. Segundo relatos da família, o suspeito prometeu a Marcelle uma cesta de Dia dos Namorados. O encontro teria sido uma armadilha. “As amigas disseram que ele tinha obsessão por ela, mas ela nunca quis nada. Era só amiga”, contou Cláudia Luciana, tia-avó da vítima. O corpo foi achado pela cunhada, que acionou a Polícia Militar. A Delegacia de Homicídios da Capital realizou perícia no local e segue com as diligências. O Instituto Médico-Legal aguarda laudos para determinar a causa da morte, mas o corpo não apresentava marcas de tiros ou facadas. Parte dele foi mutilado por cães, segundo os peritos. Cunhada encontra corpo de jovem desaparecida Após o Dia dos Namorados, a jovem Marcelle Julia Araújo da Silva, de apenas 18 anos, desapareceu misteriosamente em São Paulo. Sem respostas e com o silêncio angustiante do telefone, sua família entrou em desespero. No entanto, foi a determinação de sua cunhada, Layssa Oliveira, de 24 anos, que mudou o rumo dessa história trágica. Sem apoio inicial das autoridades, Layssa iniciou por conta própria uma investigação. Amigas de Marcelle revelaram que a jovem havia saído para encontrar o comerciante chinês Zhaohu Qiu, conhecido como Xau, de 35 anos, durante a madrugada. Movida pela intuição e pelo afeto, Layssa procurou imagens de câmeras de segurança nas proximidades da residência do homem. As gravações não mostravam Marcelle, mas revelavam algo perturbador: Xau empurrando um carrinho de supermercado coberto com uma lona azul. A imagem levantou um alerta imediato. Layssa suspeitou que algo terrível havia acontecido — e infelizmente, ela estava certa. O corpo de Marcelle foi encontrado sob a lona, encerrando de forma brutal a angústia da busca e revelando um crime que chocou a comunidade. O caso gerou comoção nas redes sociais. A hashtag #JustiçaPorMarcelle reúne depoimentos emocionados de amigos e internautas revoltados com a brutalidade do crime. “Foi tudo friamente calculado, com crueldade. Até quando mulheres vão morrer por dizer ‘não’?”, publicou uma usuária no X. Marcelle sonhava em ser influenciadora digital e tinha planos de começar um curso de design de sobrancelhas este ano. O enterro está previsto para esta segunda-feira (16), no Cemitério de Irajá, ainda sem horário confirmado. Preso em São Paulo dono de trailer Zhaohu Qiu, de 35 anos, conhecido como Xau, principal suspeito de ter cometido o feminicídio de Marcelle Júlia Araújo da Silva, de apenas 18 anos. Ele era dono de um trailer de yakisoba na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde mantinha relação com jovens e promovia festas. A prisão foi resultado de uma operação conjunta das polícias civis do Rio e de São Paulo. Marcelle desapareceu na madrugada do último dia 12 de junho. Após dias de busca por familiares e amigas, seu corpo foi encontrado em uma casa em obras pertencente ao suspeito, onde cães da raça pit bull devoravam parte dos restos mortais. A localização do corpo só foi possível graças ao esforço da família, que obteve imagens de câmeras de segurança mostrando a jovem entrando na casa de Xau e, horas depois, o suspeito saindo com um carrinho coberto por uma lona azul, semelhante à que foi encontrada envolvendo o corpo. Confissão por mensagem Segundo o depoimento de uma testemunha à Polícia Civil, Xau confessou o crime por mensagem de texto, enviada a uma pessoa com quem já havia se relacionado. A mensagem, revelada durante as investigações, confirmou o envolvimento do suspeito no desaparecimento e na ocultação do cadáver. Além do conteúdo da mensagem, imagens de vigilância ajudaram a consolidar os indícios que levaram à identificação e prisão do acusado fora do estado, em um caso que mobilizou a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Alívio com a prisão O crime causou comoção na região da Pavuna e gerou revolta nas redes sociais, onde vizinhos e conhecidos da jovem exigiam justiça. Marcelle foi enterrada nesta segunda-feira, e, ao final do sepultamento, familiares expressaram alívio com a prisão do acusado. “A gente está aliviada. Entregamos nas mãos de Deus, mas também montamos uma força-tarefa entre amigos e familiares. Passamos todas as informações para a polícia. Com isso, conseguimos encontrá-lo”, declarou Dayana Azzer, tia da jovem. Violência extrema e feminicídio O caso de Marcelle é mais um entre tantos que evidenciam o aumento dos casos de feminicídio e violência extrema contra mulheres no estado do Rio e em todo o país. A brutalidade do crime — que incluiu ocultação de cadáver e a devoração do corpo por cães — reforça a urgência de ações efetivas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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