A jovem Marcelle Julia Araújo da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta neste sábado (14) na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, três dias após seu desaparecimento. A principal linha de investigação da Polícia Civil apontou para feminicídio. 

Marcelle desapareceu no dia 11 de junho, após sair de casa de bicicleta à noite para encontrar o suspeito, conhecido como “Xao”, dono de um food truck de yakisoba. Imagens de câmeras de segurança mostram a jovem entrando na casa dele, no Jardim América, e não saindo mais. No dia seguinte, ele aparece empurrando um carrinho de feira — onde, segundo a polícia, estava o corpo da vítima, mais tarde deixado em outra residência na comunidade Beira Rio.

Segundo relatos da família, o suspeito prometeu a Marcelle uma cesta de Dia dos Namorados. O encontro teria sido uma armadilha. “As amigas disseram que ele tinha obsessão por ela, mas ela nunca quis nada. Era só amiga”, contou Cláudia Luciana, tia-avó da vítima.

O corpo foi achado pela cunhada, que acionou a Polícia Militar. A Delegacia de Homicídios da Capital realizou perícia no local e segue com as diligências. O Instituto Médico-Legal aguarda laudos para determinar a causa da morte, mas o corpo não apresentava marcas de tiros ou facadas. Parte dele foi mutilado por cães, segundo os peritos.

Cunhada encontra corpo de jovem desaparecida

Após o Dia dos Namorados, a jovem Marcelle Julia Araújo da Silva, de apenas 18 anos, desapareceu misteriosamente em São Paulo. Sem respostas e com o silêncio angustiante do telefone, sua família entrou em desespero. No entanto, foi a determinação de sua cunhada, Layssa Oliveira, de 24 anos, que mudou o rumo dessa história trágica.

Sem apoio inicial das autoridades, Layssa iniciou por conta própria uma investigação. Amigas de Marcelle revelaram que a jovem havia saído para encontrar o comerciante chinês Zhaohu Qiu, conhecido como Xau, de 35 anos, durante a madrugada.

Movida pela intuição e pelo afeto, Layssa procurou imagens de câmeras de segurança nas proximidades da residência do homem. As gravações não mostravam Marcelle, mas revelavam algo perturbador: Xau empurrando um carrinho de supermercado coberto com uma lona azul.

A imagem levantou um alerta imediato. Layssa suspeitou que algo terrível havia acontecido — e infelizmente, ela estava certa. O corpo de Marcelle foi encontrado sob a lona, encerrando de forma brutal a angústia da busca e revelando um crime que chocou a comunidade.

O caso gerou comoção nas redes sociais. A hashtag #JustiçaPorMarcelle reúne depoimentos emocionados de amigos e internautas revoltados com a brutalidade do crime. “Foi tudo friamente calculado, com crueldade. Até quando mulheres vão morrer por dizer ‘não’?”, publicou uma usuária no X.

Marcelle sonhava em ser influenciadora digital e tinha planos de começar um curso de design de sobrancelhas este ano. O enterro está previsto para esta segunda-feira (16), no Cemitério de Irajá, ainda sem horário confirmado.

Preso em São Paulo dono de trailer

Zhaohu Qiu, de 35 anos, conhecido como Xau, principal suspeito de ter cometido o feminicídio de Marcelle Júlia Araújo da Silva, de apenas 18 anos. Ele era dono de um trailer de yakisoba na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde mantinha relação com jovens e promovia festas. A prisão foi resultado de uma operação conjunta das polícias civis do Rio e de São Paulo.

Marcelle desapareceu na madrugada do último dia 12 de junho. Após dias de busca por familiares e amigas, seu corpo foi encontrado em uma casa em obras pertencente ao suspeito, onde cães da raça pit bull devoravam parte dos restos mortais. A localização do corpo só foi possível graças ao esforço da família, que obteve imagens de câmeras de segurança mostrando a jovem entrando na casa de Xau e, horas depois, o suspeito saindo com um carrinho coberto por uma lona azul, semelhante à que foi encontrada envolvendo o corpo.

Confissão por mensagem

Segundo o depoimento de uma testemunha à Polícia Civil, Xau confessou o crime por mensagem de texto, enviada a uma pessoa com quem já havia se relacionado. A mensagem, revelada durante as investigações, confirmou o envolvimento do suspeito no desaparecimento e na ocultação do cadáver.

Além do conteúdo da mensagem, imagens de vigilância ajudaram a consolidar os indícios que levaram à identificação e prisão do acusado fora do estado, em um caso que mobilizou a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Alívio com a prisão

O crime causou comoção na região da Pavuna e gerou revolta nas redes sociais, onde vizinhos e conhecidos da jovem exigiam justiça. Marcelle foi enterrada nesta segunda-feira, e, ao final do sepultamento, familiares expressaram alívio com a prisão do acusado.

“A gente está aliviada. Entregamos nas mãos de Deus, mas também montamos uma força-tarefa entre amigos e familiares. Passamos todas as informações para a polícia. Com isso, conseguimos encontrá-lo”, declarou Dayana Azzer, tia da jovem.

Violência extrema e feminicídio

O caso de Marcelle é mais um entre tantos que evidenciam o aumento dos casos de feminicídio e violência extrema contra mulheres no estado do Rio e em todo o país. A brutalidade do crime — que incluiu ocultação de cadáver e a devoração do corpo por cães — reforça a urgência de ações efetivas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.

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