Datas importantes

Dia de Iemanjá

Dia de Iemanjá

O Dia de Iemanjá, comemorado em 2 de fevereiro, é uma das datas mais simbólicas das religiões de matriz africana no Brasil. A celebração reúne milhares de pessoas em praias de todo o país, com oferendas, rezas, música e expressões de fé que unem religiosidade, cultura popular e identidade afro-brasileira. Conhecida como a Rainha do Mar, Iemanjá é um orixá cultuado principalmente no Candomblé e na Umbanda, associada à proteção maternal, fertilidade, acolhimento e força feminina. Seu nome vem do iorubá Yèyé omo ejá, que significa “mãe cujos filhos são como peixes”. Além do dia 2 de fevereiro, em algumas regiões e tradições, Iemanjá também é homenageada em 8 de dezembro, em sincretismo com Nossa Senhora da Conceição. Devoção, sincretismo e resistência A origem da devoção a Iemanjá está nos povos iorubás da África Ocidental. No Brasil, sua celebração ganhou força com a diáspora africana e com a resistência religiosa dos povos escravizados. Durante o período colonial, Iemanjá foi sincretizada com figuras do catolicismo, como Nossa Senhora dos Navegantes e Nossa Senhora da Conceição, numa forma de manter os cultos afro sob repressão religiosa. A data de 2 de fevereiro se consolidou no século XX, principalmente em Salvador (BA), quando pescadores passaram a oferecer presentes para pedir proteção, fartura e boas marés. Como Iemanjá é celebrada As homenagens variam por região, mas geralmente incluem: O ponto mais tradicional é no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, que recebe a maior celebração do país. Há festas também em cidades como Rio de Janeiro, Recife, São Paulo, Porto Alegre e em diversos municípios litorâneos. Respeito ambiental e espiritual Com a crescente consciência ambiental, muitas casas e coletivos têm incentivado práticas sustentáveis nas oferendas, como: “Cuidar do mar também é cuidar de Iemanjá” — esse é o recado que une fé e responsabilidade ecológica. Mais que fé: cultura, identidade e presença Em muitas cidades, o Dia de Iemanjá marca também a abertura simbólica do ciclo do Carnaval, especialmente em Salvador e no Rio de Janeiro. A festa reforça a presença das religiões afro-brasileiras no espaço público, celebra a diversidade e traz à tona o poder da cultura como forma de resistência e espiritualidade. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Fiocruz recebe evento em celebração ao Dia Estadual da Saúde nas Favelas - Arquivo ComCausa

Boletim Saúde nas Favelas pede SUS com favelas no centro do cuidado em janeiro de 2026

A Rede Saúde nas Favelas defendeu que o cuidado produzido nas favelas deve ser tratado como eixo estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS). A rede sustenta que favelas não são apenas lugares onde “falta saúde”, mas territórios onde a saúde é construída e sustentada diariamente por redes comunitárias. A proposta se conecta ao debate sobre a Política Nacional de Cuidados, ao afirmar que reconhecer o cuidado como direito e responsabilidade coletiva exige que a política pública aconteça no território. Para a Rede, quando a universalidade é pensada de forma abstrata, sem considerar as favelas como parte do planejamento, o risco é reforçar uma universalidade formal — que diz atender “a todos”, mas não alcança quem mais precisa. Do serviço ao cuidado A Rede defende ampliar o entendimento de saúde para além das unidades formais. No texto, o cuidado nas favelas aparece como prática cotidiana sustentada por mulheres, lideranças, coletivos, agentes comunitários e organizações locais, que conectam saúde com alimentação, renda, educação popular, apoio psicossocial e proteção comunitária. A pergunta que a rede devolve ao poder público é direta: como o Estado se relaciona com o cuidado que já existe, em vez de agir como se ele não existisse? Nessa visão, fortalecer a saúde nas favelas não se resume a aumentar consultas ou fazer campanhas pontuais. A Rede aponta para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e do cuidado integral em diálogo com a vida real do território, reconhecendo iniciativas comunitárias — como cozinhas comunitárias, ações de segurança alimentar, agroecologia, rodas de conversa e ações de saúde mental — como parte de um ecossistema que já produz bem-estar e pode orientar políticas mais efetivas. Justiça territorial como condição do SUS A Rede insiste numa tese central: não há cuidado universal sem justiça territorial. Quando serviços, equipamentos e decisões não se organizam a partir do território — e do que o território já faz —, o sistema tende a responder tarde e de forma fragmentada. A organização também rebate a leitura de que investir nas favelas seria “assistencialismo”. Para a Rede, é estratégia de saúde pública: o cuidado que se produz nas favelas impacta a cidade inteira e fortalece o SUS quando reconhecido, apoiado e integrado às redes formais. Cartografia do Cuidado para enxergar e planejar A Cartografia do Cuidado como ferramenta para tornar visível o que a política pública frequentemente ignora: quem cuida, onde cuida, em que condições, e quais vazios de atenção permanecem ao redor. A cartografia aparece como instrumento de incidência e planejamento, ao materializar a distância entre promessas e entregas do Estado. A proposta também trata práticas comunitárias como tecnologias sociais — conhecimento acumulado, com método e capacidade de organização — e não como “improviso”. Território definindo prioridades Organizações do território indiquem prioridades para a agenda pública, especialmente em períodos de debate eleitoral, quando a saúde pode virar promessa genérica e distante do cotidiano. Entre os temas citados, aparecem demandas como segurança e soberania alimentar, médico de família, farmácia acessível, compromisso institucional contínuo, além de saúde da mulher, primeira infância e vacinação. Para a Rede, isso mostra que a agenda de saúde nas favelas é ao mesmo tempo clínica, social e territorial — e não cabe em ações isoladas. Falhas e responsabilidades apontadas A Rede afirma que reconhecer a potência das redes comunitárias não significa transferir a elas a responsabilidade por garantir direitos. O texto cobra presença permanente do Estado, orçamento, integração entre áreas (saúde, assistência social, educação, segurança alimentar e mobilidade) e reconhecimento dos saberes locais na governança. Em síntese, a Rede Saúde nas Favelas defende uma reorganização do planejamento do SUS a partir de um princípio simples: o cuidado nas favelas já existe, é coletivo e cotidiano — e precisa ser tratado como parte da estrutura do sistema, não como exceção. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Imagem de capa ilustrativa. 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Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Neste 27 de janeiro, o mundo relembra uma das maiores tragédias da história da humanidade: o Holocausto. A data marca a libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, em 1945, pelas tropas soviéticas, e homenageia os milhões de mortos pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945). Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto tem como objetivo manter viva a lembrança do genocídio promovido pela Alemanha Nazista e reforçar o compromisso global com os direitos humanos. O que foi o Holocausto Sob o comando de Adolf Hitler, o regime nazista perseguiu e exterminou sistematicamente grupos considerados “indesejáveis” ou “inferiores”. Entre os primeiros alvos estavam pessoas com deficiência e opositores políticos. Com o tempo, a perseguição se estendeu a judeus, negros, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová e outros grupos marginalizados. A estimativa é de que mais de seis milhões de judeus foram assassinados, segundo o Museu do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM). Além disso, cerca de cinco milhões de outras pessoas também foram mortas nos campos de concentração, campos de extermínio e guetos. Auschwitz: símbolo da barbárie O campo de Auschwitz-Birkenau, na Polônia ocupada, tornou-se o principal centro de extermínio do nazismo. Mais de 1,1 milhão de pessoas morreram ali, a maioria judeus. A libertação do campo em 27 de janeiro de 1945 revelou ao mundo a extensão do horror nazista. A data foi escolhida como símbolo da resistência e da memória histórica — não apenas para homenagear os mortos, mas também para alertar sobre os riscos do antissemitismo, racismo, autoritarismo e negação da história. Educação e memória como formas de resistência A criação da data internacional foi formalizada pela Resolução 60/7 da Assembleia Geral da ONU, aprovada em 1º de dezembro de 2005. O documento também condena qualquer negação do Holocausto e incentiva os países a desenvolverem programas educativos sobre o tema. A UNESCO, braço da ONU para educação, ciência e cultura, considera a memória do Holocausto essencial para o fortalecimento dos direitos humanos e da paz mundial. Iniciativas educativas e memoriais têm sido criadas em diversos países, inclusive no Brasil, para garantir que as novas gerações conheçam e reflitam sobre essa página sombria da história. Antissemitismo e negacionismo persistem Apesar dos esforços internacionais, o antissemitismo e o negacionismo ainda são desafios contemporâneos. Casos de discurso de ódio, vandalismo a memoriais e revisionismo histórico seguem preocupando autoridades e organizações de direitos humanos. “O Holocausto não começou com câmaras de gás, mas com palavras de ódio e discriminação”, alerta o secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem publicada no site oficial da organização (un.org). Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Celebrado em 21 de janeiro, o Dia Mundial da Religião foi criado em 1949 pela fé Bahá’í com o objetivo de promover o respeito, o diálogo inter-religioso e a convivência pacífica entre todas as crenças. A data convida à reflexão sobre o papel das religiões na promoção da paz e da bondade — princípios comuns à maioria das tradições espirituais. No Brasil, a mesma data também marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 11.635/2007, como forma de reconhecer os impactos da violência motivada por discriminação religiosa e reforçar a luta por liberdade de culto e crença, direito garantido pela Constituição Federal. A memória de Mãe Gilda O marco brasileiro tem um nome e uma história: a Iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, na Bahia. Em janeiro de 2000, após ser atacada publicamente por intolerância contra religiões de matriz africana, acusada de charlatanismo e ver sua casa e comunidade atacadas, Mãe Gilda faleceu vítima de um infarto. Seu caso se tornou símbolo da luta por dignidade, reparação e respeito às religiões afro-brasileiras, que ainda enfrentam altos índices de preconceito, ataques e criminalização simbólica no país. Tolerância é compromisso coletivo A data reforça que o respeito às diferenças religiosas é um valor essencial à democracia. No entanto, as estatísticas de denúncias de intolerância religiosa crescem ano após ano no Brasil. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, as religiões de matriz africana estão entre as mais atingidas por discursos de ódio, discriminação e violência, seja em espaços públicos, escolas, igrejas, redes sociais ou instituições. O Dia da Religião, por sua vez, convida à construção de pontes e ao reconhecimento de que nenhuma fé deve ser motivo de perseguição. Criado pela comunidade Bahá’í — religião monoteísta fundada no século XIX na antiga Pérsia —, a proposta é lembrar que todas as religiões verdadeiras compartilham princípios de amor, justiça e harmonia. Por liberdade de crença e respeito mútuo O Brasil é um país oficialmente laico, o que significa que o Estado não deve adotar ou privilegiar nenhuma religião. Mas ser laico não significa ser contra a fé — significa proteger igualmente todas elas. Respeitar a fé do outro é parte do compromisso com os direitos humanos e com a Defesa da Vida em todas as suas dimensões, incluindo a espiritualidade. Combater a intolerância religiosa é reconhecer que o direito de crer — ou não crer — é inegociável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Memória: morte do poeta Thiago de Mello

Em 14 de janeiro de 2022, o Brasil se despediu de Thiago de Mello (1926–2022), poeta, tradutor e uma das vozes mais reconhecidas da literatura amazonense. Ele morreu aos 95 anos, em Manaus, deixando uma obra que atravessou fronteiras, foi traduzida para mais de 30 idiomas e permanece atual por um motivo simples e profundo: Thiago escreveu com a coragem de quem compreendia a palavra como responsabilidade histórica. Nascido em Barreirinha (AM), Thiago de Mello projetou a Amazônia para o mundo sem folclorizar o território. Fez o oposto: tratou a floresta como centro moral do país — um lugar onde a vida se reinventa, mas também onde a violência econômica e política deixa marcas profundas. Por isso, sua poesia nunca foi mera “paisagem”: foi denúncia, afeto e compromisso. Um poema que virou lei moral: Os Estatutos do Homem (1964) Entre seus textos mais lidos e citados, Os Estatutos do Homem ocupa um lugar singular. Escrito em abril de 1964, no ambiente de ruptura institucional e repressão imposto ao país após o golpe militar, o poema funciona como um manifesto em forma de “ato institucional permanente”. Trata-se de uma ironia consciente que vira a lógica do autoritarismo do avesso e decreta, em versos, direitos fundamentais como a verdade, a vida, a justiça e a liberdade. O que faz esse poema permanecer não é apenas sua beleza literária, mas sua utilidade pública. Ele circula em escolas, leituras coletivas, movimentos culturais e rodas de conversa como um lembrete permanente de que nenhum país se sustenta sem dignidade — e de que o cotidiano também precisa de princípios. Chile, diplomacia cultural e o diálogo latino-americano Thiago de Mello viveu intensamente a dimensão internacional da cultura brasileira. Atuou em funções ligadas à diplomacia e manteve vínculos profundos com o Chile, país onde consolidou laços marcantes, incluindo a amizade com Pablo Neruda — símbolo do diálogo literário e político da América Latina no século XX. Sua trajetória foi atravessada pela repressão: enfrentou prisão e exílio durante a ditadura militar, vivendo em diferentes países. Essa experiência não o afastou do Brasil real; ao contrário, reforçou seu compromisso com os direitos humanos, a democracia e a paz como valores que não pertencem a uma época específica, mas a qualquer sociedade que pretenda permanecer humana. “Faz escuro, mas eu canto”: a esperança como disciplina Poucos versos da poesia brasileira alcançaram tamanha força pública quanto “Faz escuro, mas eu canto”. A frase tornou-se um modo coletivo de dizer que a realidade pode ser dura — mas que desistir não é uma opção. Trata-se de uma esperança que não nega a noite; apenas se recusa ao silêncio. Em 2021, o poeta foi homenageado em ação do Governo do Amazonas, com artistas de diferentes segmentos reunidos para a leitura do poema, reafirmando o caráter popular, coletivo e vivo de seu legado. Floresta como urgência: Mormaço na Floresta e a denúncia da destruição Thiago de Mello foi também um poeta da ecologia quando isso ainda não era consenso. Em Mormaço na Floresta, ele denuncia a destruição ambiental como resultado de escolhas políticas e econômicas — e não como acidente inevitável. O poema traz imagens contundentes: águas que apodrecem, pássaros que silenciam, espécies que desaparecem, uma “pele verde” rasgada pela ganância. Há, nesse gesto, uma lição que não envelhece: defender a floresta é defender gente, futuro e soberania. A palavra de Thiago não romantiza a Amazônia; ela alerta, cobra e responsabiliza. Reconhecimento: academia e Jabuti Thiago de Mello foi membro da Academia Amazonense de Letras e recebeu, em 2018, o reconhecimento de Personalidade Literária do Prêmio Jabuti, pelo conjunto de sua obra. O prêmio registra algo essencial: um autor regional pode ser universal quando escreve com verdade — e quando sua arte não foge do mundo, mas entra nele. Por que essa memória importa para a ComCausa – Defesa da Vida Para a ComCausa – Defesa da Vida, lembrar Thiago de Mello é reafirmar que cultura e direitos humanos não são temas paralelos. São parte da mesma infraestrutura da vida: a capacidade de uma sociedade nomear injustiças, produzir sentido e proteger o que é comum. Na poesia, na floresta, na denúncia e na esperança, Thiago nos deixou um método: quando a noite aperta, a resposta não é a indiferença — é organização, palavra, memória e compromisso. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Museu-Nacional-de-Belas-Artes

Memória: o dia em que o Brasil transformou patrimônio em política pública

Há datas que não servem apenas para lembrar um acontecimento. Elas ajudam a explicar como um país escolhe aquilo que merece permanecer: o que será cuidado, protegido, transmitido às próximas gerações — e o que, por omissão, pode se perder. 13 de janeiro de 1937 é uma dessas datas que organizam a memória nacional. Naquele dia, o Brasil deu um passo decisivo para transformar a preservação cultural em política pública, criando uma estrutura institucional para proteger bens históricos e artísticos. E, no mesmo marco legal, o Rio de Janeiro ganhou um símbolo dessa virada: o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), oficialmente criado em 13/01/1937 e inaugurado no ano seguinte. O resultado é um gancho histórico raro, direto e muito atual: museus e patrimônio como direito. Não se trata de uma ideia abstrata, nem de uma “homenagem genérica” ao passado. É um fato com data, contexto e consequência — e é exatamente por isso que funciona tão bem como campanha: porque permite falar de cultura como parte da vida concreta, da cidade real e da cidadania cotidiana. Quando o patrimônio vira Estado: a Lei nº 378/1937 e a criação do SPHAN Para entender por que 13 de janeiro de 1937 é tão importante, é preciso olhar para o cenário da época. O Brasil dos anos 1930 passava por uma reorganização institucional profunda, com reformas administrativas que buscavam centralizar e estruturar áreas estratégicas do Estado. Nesse contexto, foi sancionada a Lei nº 378, de 13 de janeiro de 1937, que reorganizou o então Ministério da Educação e Saúde e, entre outras medidas, criou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Esse ponto muda tudo. A criação do SPHAN não foi um detalhe burocrático: foi uma virada de chave. A partir dali, o país afirma, por norma, que “patrimônio histórico e artístico” não pode depender de ações isoladas, de vontades passageiras ou de iniciativas que se apagam quando muda a gestão. Patrimônio passa a exigir estrutura permanente, com dever público, método e continuidade. Em outras palavras: o Brasil começa a dizer, formalmente, que preservar cultura é responsabilidade institucional — e não apenas “boa intenção”. É desse berço histórico que, ao longo do tempo, se consolida a trajetória que desemboca no IPHAN, hoje reconhecido nacionalmente como referência quando o tema é tombamento, proteção e salvaguarda de bens culturais. O “manual” da preservação: o Decreto-Lei nº 25/1937 e o tombamento A Lei cria a casa. Mas nenhuma política pública se sustenta só com a existência de um órgão: ela precisa de instrumentos claros para funcionar na prática. Ainda em 1937, o Brasil estabeleceu um dos pilares jurídicos da preservação cultural: o Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que organizou a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional e consolidou o tombamento como mecanismo central de salvaguarda. É por isso que 1937 costuma ser tratado como um “ano-síntese” do patrimônio no Brasil: não é apenas o ano de criação de uma estrutura. É o ano em que nasce a política e em que se define o instrumento que faz a política operar. A preservação deixa de ser uma ideia e vira procedimento, critério, decisão administrativa, proteção formal — com efeitos práticos sobre a cidade, os acervos e a memória coletiva. Capanema, Mário de Andrade e a ideia de patrimônio como projeto de país Toda política pública tem uma dimensão técnica — e tem também uma dimensão simbólica. No caso do patrimônio, essa dimensão simbólica é central. Há registros de que o projeto inicial do serviço foi redigido por Mário de Andrade, em 1936, a convite do então ministro Gustavo Capanema. Isso ajuda a compreender o tamanho do debate naquele período: não era “só” administração. Era uma discussão sobre identidade, memória, repertório e formação cultural. Esse detalhe importa porque desmonta um erro comum: o de achar que patrimônio é apenas “pedra e cal”, “prédio antigo” ou “coisa de elite”. Patrimônio é também escolha coletiva, disputa de memória, reconhecimento do que merece permanecer como referência pública. É a forma como um país se enxerga no espelho do tempo — e como decide quais histórias não podem desaparecer. O Rio no centro do marco: o MNBA criado em 13/01/1937 e inaugurado em 1938 No mesmo dia em que o Brasil cria o SPHAN, o texto legal registra a criação do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA). Um ano depois, em 1938, o museu é inaugurado, consolidando o Rio de Janeiro como endereço decisivo de um projeto cultural nacional — e reforçando que a memória artística não é um detalhe “decorativo” da história: ela é parte do que organiza a ideia de país. O MNBA não nasce apenas como um prédio com quadros. Ele nasce como instituição pública, com responsabilidade sobre acervos, repertório, pesquisa, formação de público e preservação de coleções. E a própria localização, no centro do Rio, na região da Cinelândia, reforça sua vocação urbana: é a arte ocupando o coração simbólico da cidade, próxima de outros equipamentos que moldaram, por décadas, o imaginário cultural e político do país. Há ainda um gesto de coerência histórica que chama atenção: em 1973, o edifício do MNBA é tombado pelo IPHAN. Ou seja: o museu não é apenas guardião de patrimônio — ele se torna patrimônio. E isso mostra, de maneira quase didática, como a política pública criada naquele ciclo histórico passou a reconhecer e proteger aquilo que a própria nação construiu como referência. Museu e patrimônio como direito: o que essa data revela sobre cidadania Falar de museu e patrimônio como direito é, antes de tudo, recusar a ideia de que cultura é luxo. Em um país desigual, existe a tentação permanente de tratar cultura como “extra”, como algo secundário, algo que só pode vir depois. Mas o que 13 de janeiro de 1937 ensina é o oposto: o Brasil, naquele momento, reconheceu que preservar referências coletivas é assunto de Estado — e isso tem tudo a ver com cidadania. Na prática, esse direito aparece de formas muito concretas: Direito à memóriaSem

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