João Oscar

Programa 146x Favela

Programa 146x Favela reforça articulação com parceiros durante encontro na Maré

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio da coordenação do programa 146x Favela, promoveu no dia 30 de junho, uma nova e estratégica reunião de articulação com parceiros institucionais e comunitários no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. O encontro, que aconteceu na parte da tarde, foi realizado na Escola Municipal Teotônio Vilela, localizada na Rua Manoel Falcão A Maranhão, s/n — em frente ao Bloco 161 do Conjunto Esperança, atrás do campus Fiocruz Maré e terminou com uma festa junina no comércio em frente ao colégio. A atividade integrou a agenda de reunião de coordenações da Rede do programa 146x Favela, reunindo representantes de coletivos comunitários, organizações da sociedade civil, agentes populares de saúde, unidades básicas, escolas, pesquisadores e lideranças locais. A articulação — conduzida diretamente pela Fiocruz — é parte fundamental do esforço para consolidar uma das maiores experiências de integração comunitária em saúde pública do estado. Durante o encontro, foram reafirmados os compromissos com a continuidade e expansão da rede, além de debatidas estratégias para ampliar a presença em favelas e periferias não só do Rio de Janeiro, mas em todo território nacional em que a FioCruz estiver presente, fortalecer os mecanismos de escuta popular e garantir acesso universal à saúde com base na equidade e na participação social. A coordenadora do programa destacou a importância de manter o protagonismo comunitário no centro da construção: “Esse encontro reafirma que a saúde se faz com as pessoas nos seus territórios, com escuta, com troca e com respeito às realidades locais. A Rede Saúde na Favela é resultado de uma construção coletiva que valoriza o SUS, a vida e o protagonismo comunitário.” Ao final, os participantes reafirmaram a necessidade de ampliar o investimento em políticas públicas permanentes voltadas para a saúde nas favelas, e reforçaram o papel fundamental da Rede Saúde na Favela como instrumento de fortalecimento do SUS e dos vínculos comunitários nos territórios. O Plano 146x Favelas, reúne instituições como Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco , entre outras, se consolidou como uma das maiores redes de saúde comunitária do país, atuando em frentes de vigilância popular, assistência, educação, mobilização e garantia de direitos nas periferias do Rio de Janeiro. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Programa 146x Favela reforça articulação com parceiros durante encontro na Maré Read More »

Adriano Dias ComCausa entrevista Tv Brasil

Rádio Tropical Web Brasil desponta no cenário digital e recebe Adriano Dias nesta quinta-feira (03)

A recém-inaugurada Rádio Tropical Web Brasil já desponta como uma das principais novidades da comunicação digital brasileira. Com uma programação eclética, envolvente e de alta qualidade, a emissora vem conquistando uma audiência fiel e engajada. Mais do que entreter, a Rádio Tropical tem se consolidado como uma plataforma de valorização da arte, da cultura e do pensamento crítico, abrindo espaço para vozes plurais e iniciativas transformadoras. Com transmissão 24 horas por dia, a programação reúne música brasileira de diferentes vertentes, entrevistas com artistas, debates sobre temas sociais e conteúdos que expressam a diversidade e a complexidade do país. Focada na produção independente e na democratização da informação, a rádio se firma como um verdadeiro espaço de resistência cultural e inovação comunicacional. Participação de Adriano Dias, da ComCausa Nesta quinta-feira, 3 de julho, a partir das 15h, a emissora receberá a participação especial de Adriano Dias, fundador da ComCausa. Com uma trajetória marcada pela defesa da juventude, da cultura periférica e pela luta por memória e justiça para vítimas da violência, Adriano levará ao programa um olhar crítico e propositivo sobre os desafios sociais do Brasil contemporâneo. Durante a entrevista, Adriano falará sobre os principais projetos da ComCausa, com destaque para o Programa Acolher, que completa 20 anos de existência. A iniciativa oferece apoio a familiares de pessoas desaparecidas ou vítimas de violência letal no estado do Rio de Janeiro, sendo referência na articulação entre sociedade civil e poder público em defesa dos direitos humanos. Outro tema da conversa será o processo de tombamento da Rua Ceará, em Madureira, como patrimônio histórico-cultural do Rio de Janeiro. A rua é símbolo da resistência artística e do rock alternativo carioca desde os anos 1990. A entrevista também abordará a mobilização em torno da Lei Melissa Campos, proposta de alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) após o feminicídio brutal ocorrido dentro de uma escola. O projeto, impulsionado por familiares da vítima, propõe mudanças nas medidas socioeducativas aplicadas a adolescentes autores de crimes hediondos. Em um momento de crescente polarização no país, Adriano discutirá os desafios de se debater segurança pública com responsabilidade social e foco na justiça. A participação pode ser acompanhada ao vivo pelo site oficial da emissora e pelas redes sociais da Rádio Tropical Web Brasil. Para quem acredita na cultura, na memória e na comunicação como forças para a transformação social, esta será uma conversa essencial e inspiradora. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Rádio Tropical Web Brasil desponta no cenário digital e recebe Adriano Dias nesta quinta-feira (03) Read More »

Bernardo-Boldrini-ComCausa

Dia da Lei menino Bernardo

A lei nº 13.010, mais conhecida como Lei Menino Bernardo, foi sancionada no dia 26 de junho de 2014 pela então presidenta Dilma e alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados sem o uso de castigos físicos, de tratamento cruel ou degradante. A legislação, representa um avanço do Brasil para estimular a educação de crianças e adolescentes sem o uso de violência. Além disso, a Lei Menino Bernardo determina a capacitação adequada de profissionais que atuam no atendimento a crianças e adolescentes, para que eles atuem de forma eficaz na prevenção, identificação e enfrentamento de todas as formas de violência. A lei foi criada em memória do menino Bernardo, que foi brutalmente assassinado pelo próprio pai em 2014, após sofrer anos de maus-tratos e abusos. A partir dessa tragédia, foi criada a campanha “Não Bata, Eduque”, que inspirou a aprovação da Lei Menino Bernardo. Entre as principais determinações da lei, está a proibição de qualquer forma de violência física ou psicológica contra crianças e adolescentes, inclusive palmadas, beliscões, puxões de cabelo e outros tipos de punição corporal. A lei também estabelece que a educação deve ser baseada no diálogo, no respeito mútuo e na valorização da dignidade da pessoa humana. Além disso, a lei prevê que os pais, responsáveis, professores e demais pessoas encarregadas de cuidar de crianças e adolescentes devem receber orientações e informações sobre formas de educação não violenta e sobre os riscos da violência física e psicológica. Cabe ressaltar que o descumprimento da Lei Menino Bernardo pode resultar em medidas protetivas e em sanções penais, como multa e até mesmo a perda do poder familiar. Quem foi o menino Bernardo O nome da lei é uma homenagem ao caso de Bernardo Boldrini, menino de 11 anos assassinado por superdosagem de medicamentos em abril de 2014, na cidade de Três Passos (RS). Os acusados do crime, pai e madrasta do menino e dois amigos do casal, foram condenados à prisão em março de 2019. Segundo as investigações da polícia, Bernardo era uma vítima constante de tratamentos cruéis e degradantes por parte do pai e da madrasta e já havia procurado ajuda para denunciar as ameaças que sofria. Relembre o caso: O que diz a Lei Menino Bernardo: Educação sem violênciaO castigo físico é qualquer ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente, que normalmente resulta em sofrimento ou lesão. Já o tratamento cruel ou degradante é qualquer forma cruel de tratar a criança ou o adolescente que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize. ATENDIMENTO A CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIATão importante quanto promover uma educação sem violência e inibir a prática de castigos físicos e tratamento degradante, é investir na capacitação e formação continuada de profissionais que atuam no atendimento de crianças e adolescentes – profissionais da saúde, professores, educadores, assistentes sociais, conselheiros tutelares, órgãos de segurança pública, Sistema de Justiça e todos os agentes que atuam na proteção dos direitos da criança e do adolescente. A Lei Menino Bernardo determina o desenvolvimento das competências necessárias à prevenção, à identificação de evidências, ao diagnóstico e ao enfrentamento de todas as formas de violência contra crianças e adolescentes. O governo federal, os estados e todos os municípios brasileiros devem atuar de forma integrada na elaboração de políticas públicas que coíbam o uso de castigo físico ou de tratamento cruel e promovam formas não violentas de educação de crianças e de adolescentes. As principais ações públicas nesse sentido são: a promoção de campanhas educativas sobre o tema ‘Educação sem Violência’; a integração de todos os órgãos da rede de proteção da infância e o incentivo às práticas de resolução pacífica de conflitos que envolvam violência contra a criança e o adolescente. Ajude a promover os direitos de meninas e meninos e enfrentar todos os tipos de violência. Em caso de suspeita de violação de direitos de crianças e adolescentes, denuncie pelo Disque 100, baixe o aplicativo Proteja Brasilou procure o Conselho Tutelar mais próximo de sua casa. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Dia da Lei menino Bernardo Read More »

hipertensão e diabetes

ComCausa leva ComuniSaúde às favelas da Baixada em ação no Dia Nacional do Diabetes

No dia 26 de junho é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, uma data voltada à conscientização sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença que atinge milhões de brasileiros. Este ano, a data ganha destaque especial nas favelas da Baixada Fluminense com o lançamento do projeto ComuniSaúde, uma iniciativa da ComCausa – Defesa da Vida em parceria com secretarias municipais de saúde e instituições comunitárias locais. O ComuniSaúde surge como uma resposta direta à precariedade no acesso à saúde nas periferias, e tem como foco três pilares: ampliar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e fortalecer as redes comunitárias de cuidado. A primeira fase de implementação ocorre nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, onde o envolvimento da população será essencial para mapear demandas e garantir ações inclusivas e eficazes. O lançamento, realizado em alusão ao Dia Nacional do Diabetes, reforça o compromisso com o combate às doenças crônicas e à promoção de direitos sociais básicos. Em um território onde o atendimento especializado é escasso e a circulação de informação é limitada, campanhas de base como o ComuniSaúde tornam-se fundamentais para salvar vidas. Entendendo o diabetes: uma doença silenciosa e perigosa O diabetes é uma doença crônica caracterizada pela incapacidade do corpo de produzir ou utilizar adequadamente a insulina, o hormônio que regula a glicose no sangue. Quando mal controlada, pode levar a complicações graves, como cegueira, infarto, AVC, insuficiência renal e amputações. Os principais tipos são: Sinais de alerta e prevenção Sintomas comuns do tipo 1 incluem urina frequente, sede intensa, perda de peso e fadiga. Já no tipo 2, os sinais podem ser mais sutis, como infecções recorrentes, visão embaçada, formigamento nas extremidades e demora na cicatrização de feridas. A prevenção passa por uma alimentação equilibrada, prática de atividades físicas regulares, controle do estresse e acompanhamento médico. A detecção precoce pode evitar complicações graves e melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes. ComuniSaúde: prevenção e cuidado coletivo O projeto ComuniSaúde aposta na mobilização comunitária, escuta ativa e articulação com agentes públicos e lideranças locais para garantir que a saúde seja tratada como direito e não privilégio. As ações do projeto incluem: Informação como ferramenta de mudança A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) também participa da mobilização nacional, oferecendo vídeos e conteúdos gratuitos sobre prevenção e tratamento do diabetes na plataforma Diabetes Play, ao longo do mês de novembro. Embora o teste de risco para diabetes tipo 2 esteja disponível on-line, ele não substitui o diagnóstico médico. Caso a pessoa esteja em grupo de risco, deve procurar um profissional de saúde para avaliação e acompanhamento. Informações úteis ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é um projeto que tem como missão ampliar a conscientização sobre o direito à saúde, promovendo a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) e de todos os profissionais que atuam nessa rede pública essencial. A iniciativa fortalece redes comunitárias, especialmente em territórios periféricos e favelas, ao facilitar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e realizar campanhas educativas e de esclarecimento para toda a população. Por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais, o ComuniSaúde busca tornar o conhecimento sobre saúde mais acessível, construindo pontes entre moradores e os serviços públicos de saúde. Como parte de seu compromisso com a defesa dos direitos da população, o projeto disponibiliza um canal de atendimento via telefone para orientação, mediação de conflitos relacionados à saúde pública e busca de exigibilidade junto aos órgãos competentes, sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

ComCausa leva ComuniSaúde às favelas da Baixada em ação no Dia Nacional do Diabetes Read More »

Dia dos direitos humanos Julgamento Chacina

ComCausa completa 20 anos do Programa Acolher no apoio de famílias de vítimas da violência e desaparecimentos

Em 2025, a ComCausa completa duas décadas da institucionalização do Programa Acolher, um dos projetos mais emblemáticos da organização no enfrentamento à violência letal e ao desaparecimento forçado de pessoas, especialmente nas periferias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Mais do que um projeto, o Acolher representa uma política de escuta, cuidado e resistência, atuando diretamente no acolhimento de familiares de vítimas — em especial mães e pais enlutados, majoritariamente negros na região da Baixada, que concentra os índices mais altos de homicídios e desaparecimentos no estado. Raízes no território e escuta sensível como ponto de partida A história do Acolher começa muito antes de sua formalização. Desde os anos 1980, em meio às primeiras mobilizações populares contra a violência policial na Baixada Fluminense, integrantes da futura ComCausa já atuavam na relação com famílias atingidas pela brutalidade estatal. A partir desse envolvimento direto e contínuo com os territórios, surgiu a percepção de que não bastava denunciar a violência — era necessário permanecer ao lado das famílias, acompanhar seus lutos, dar visibilidade às vítimas e pressionar por justiça. O ponto de inflexão ocorreu em 1996, com o assassinato do menino Maicon, de apenas dois anos, morto por um disparo policial na porta de casa em Acarí. A ComCausa iniciou ali um acompanhamento que se mantém até hoje, mesmo décadas após o crime. O caso foi o primeiro movimento o que mais tarde se tornaria o método Acolher: uma escuta qualificada e emocionalmente comprometida com a permanência, com a reconstrução de vínculos sociais esfacelados e com a luta pelo direito à memória e à verdade. A tragédia da Chacina da Baixada e a formalização do Acolher A formalização do programa se deu em 2005, após a Chacina da Baixada, quando 29 pessoas foram assassinadas e 30 baleadas por policiais militares em Nova Iguaçu e Queimados, no maior massacre da história recente do estado do Rio de Janeiro. Naquele momento, diversas instituições, entre elas a ComCausa, em articulação com a Diocese de Nova Iguaçu e outras entidades, atuaram no acolhimento das famílias, organizando mutirões jurídicos, promovendo rodas de escuta e cuidado e cobrando responsabilização das autoridades. Diante da brutalidade e do abandono institucional, tornou-se evidente a necessidade de transformar aquela experiência em um programa estruturado. Assim nasceu oficialmente o Programa Acolher, estruturado a partir de um modelo de atuação baseado em sete eixos integrados de cuidado e resistência. Expansão nacional e internacional do método Entre 2006 e 2014, o Acolher se consolidou como uma política viva de cuidado e articulação territorial. Nesse período, a ComCausa passou a acompanhar a Rede de Familiares Vítimas da Violência, participou de audiências públicas, fóruns nacionais e internacionais sobre violência letal, segurança pública e desaparecimentos forçados. Também integrou, entre 2013 e 2014, a Comissão Nacional da Verdade, contribuindo especificamente com os casos de desaparecimentos. Em 2013, enquanto Centro de Referência em Direitos Humanos vinculado à Presidência da República, a ComCausa foi uma das instituições coordenadoras do Fórum Mundial de Direitos Humanos, ocasião em que sistematizou práticas e propôs a publicação de um manual metodológico de atendimento a vítimas de chacinas. Com isso, a atuação extrapolou os limites da Baixada Fluminense e passou a contribuir com políticas públicas em outros territórios do país. A emergência dos desaparecimentos forçados e a resposta do Acolher Embora tenha se estruturado inicialmente com foco na violência letal, o Acolher passou, nos últimos dez anos, a incorporar com mais força os casos de desaparecimento forçado. O crescimento exponencial desses registros — com destaque para a Baixada Fluminense — fez com que a ComCausa ampliasse seus protocolos de atendimento. Segundo dados do ISP-RJ (2025), apenas em 2024 a Baixada concentrou 1.841 desaparecimentos, o que representa 30,4% do total do estado, apesar de responder por menos de um quarto da população fluminense. Municípios como Belford Roxo chegaram a registrar 92 desaparecimentos por 100 mil habitantes — um índice alarmante, agravado pela inexistência de uma delegacia especializada de paradeiros na região. A sanção da Lei 13.812/2019, que instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, impulsionou a reformulação dos protocolos do Acolher. Desde então, a ComCausa tem buscado atuar ativamente na articulação entre familiares e autoridades públicas, além de colaborar com a estruturação de canais de denúncia, memória e incidência institucional sobre o tema. A dor do luto parental como agenda pública Nos últimos anos, o Acolher também avançou no reconhecimento do luto parental como uma questão de política pública. A partir da convivência e escuta com grupos como o Mães Sem Nome, a ComCausa passou a tratar com maior profundidade o tema, estruturando grupos permanentes de acolhimento e elaborando propostas legislativas voltadas à reparação e ao cuidado com famílias enlutadas. Em 2025, essa atuação foi oficialmente reconhecida pela sanção da Lei 15.139/2025, que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental. Esse reconhecimento representa um marco para uma política pública integrada, que atua desde a escuta individual até a incidência institucional. Próximos passos: laboratório intermunicipal e formação de multiplicadores Para o ciclo 2025–2026, a ComCausa projeta a criação de um Laboratório Intermunicipal de Boas Práticas, com apoio de universidades públicas e instituições da assistência social. A proposta inclui a formação de 40 multiplicadores, entre gestores públicos e lideranças comunitárias, a publicação de um Manual Metodológico de Acolhimento, a atualização do banco de dados digital de vítimas e o protocolo de minutas legislativas em câmaras municipais da Baixada Fluminense. O plano também prevê a consolidação de um banco de dados unificado e seguro de vítimas e famílias acompanhadas — ferramenta estratégica para a formulação de políticas de reparação, combate à impunidade e monitoramento da violência institucional. A presença que esiste ao esquecimento Para Adriano Dias, fundador da ComCausa e idealizador do Programa Acolher, a força do programa está na permanência. “O que nos move é o compromisso com a presença na ausência. Quando o Estado falha, é preciso garantir que as memórias não desapareçam junto com os corpos. A justiça, para essas famílias, começa pelo reconhecimento de sua dor como uma dor pública

ComCausa completa 20 anos do Programa Acolher no apoio de famílias de vítimas da violência e desaparecimentos Read More »

Memória: Nascimento do Marinheiro João Cândido o Almirante Negro

João Cândido Felisberto, popularmente conhecido como Marinheiro João Cândido ou Almirante Negro, foi um oficial da marinha brasileira e líder da Revolta da Chibata em 1910. A Revolta da Chibata foi uma revolta entre os militares da marinha brasileira que foram submetidos a duras punições, inclusive açoitamento com chicote, por parte de seus superiores. João Cândido nasceu em 24 de junho de 1880, na Encruzilhada do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil. Ele ingressou na Marinha do Brasil e serviu como marinheiro em vários navios de guerra, testemunhando em primeira mão a disciplina brutal e os maus tratos dos homens alistados. As duras punições, principalmente as chicotadas, o levaram a liderar uma revolta contra a Marinha em novembro de 1910. O uso da chibata como castigo na Marinha brasileira já havia sido abolido em um dos primeiros atos do regime republicano, o decreto número 3, de 16 de novembro de 1889, assinado pelo presidente marechal Deodoro da Fonseca. Todavia, o castigo cruel continuava de fato a ser aplicado, a critério dos oficiais da Marinha de Guerra do Brasil. Num contingente de 90% de negros e mulatos, centenas de marujos continuavam a ter seus corpos retalhados pela chibata, como no tempo da escravidão. Entre os marinheiros, insatisfeitos com os baixos soldos, com a má alimentação e, principalmente, com os degradantes castigos corporais, crescia o clima de tensão. Até que menos de uma semana após a posse do marechal Hermes da Fonseca, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes foi punido a 21 de novembro com 250 chibatadas, aplicadas na presença de toda a tripulação do Encouraçado Minas Gerais, na capitânia da nova Esquadra, e que não se interromperam nem mesmo com o seu desfalecimento, conforme noticiado pelos jornais da época. Este fato antecipou a data programada de 25 para 22 de novembro de 1910. Seria na noite deste dia porque o comandante do navio Minas Gerais, o Capitão João Batista das Neves dormiria fora do navio, e então os marujos tomariam posse das armas, dominariam os oficiais em seus camarotes, e teriam o controle do navio mãe e depois de todos os demais que estavam na Bahia da Guanabara. Entretanto o comandante Batista das Neves voltou mais cedo do que eles esperavam, e um marinheiro mais descontrolado partiu para cima do oficial de serviço, pois não queria mais o adiamento da revolta. O comandante ouve os barulhos, assim como os outros oficiais e todos vêm para o convés. Mesmo aconselhado pelo marinheiro Bulhões a se abrigar, Batista das Neves diz que não sairia de bordo do navio, insistindo em tentar fazer os marinheiros formarem e obedecerem às suas ordens. Os marinheiros, já muito exaltados, ao ver que o comandante feriu um dos marinheiros, começam a jogar objetos nele, e por fim um marinheiro dá-lhe um tiro na cabeça. Morrem no Minas Gerais, além do comandante, mais dois oficiais e três marinheiros (da patente de sargento para baixo, na simplificação usual). Durante os combates, morrem mais um oficial e um marinheiro no navio Bahia, sob responsabilidade do marinheiro Francisco Martins, e um oficial no navio São Paulo, sob responsabilidade do marinheiro Manoel Nascimento. Terminado o confronto, e diante da gravidade da situação, com a morte do comandante e outros oficiais, João Cândido, que havia participado das reuniões conspiratórias, cujo chefe era Vitalino José Ferreira, é indicado pelos demais líderes como o comandante-em-chefe de toda a esquadra revoltada, inicialmente composta por seis navios, e depois concentrando as guarnições em quatro, entre eles os dois encouraçados fabricados na Inglaterra, considerados os mais potentes do mundo à época: Minas Gerais e São Paulo. Sob a liderança de João Cândido, a revolta começou no cruzador blindado Minas Gerais, ancorado na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Os amotinados assumiram o controle do navio e exigiam o fim do uso de castigos corporais na Marinha. Eles também pediram melhores condições de vida, melhor alimentação e anistia para os envolvidos na revolta. A revolta estendeu-se a outros navios e a liderança de João Cândido ganhou o apoio de marinheiros e civis. O governo brasileiro foi obrigado a negociar com os amotinados e, no final, suas demandas foram atendidas. A prática da flagelação foi abolida e algumas melhorias foram feitas nas condições de trabalho e vida dos marinheiros. Apesar do sucesso inicial da revolta, João Cândido e outros líderes do movimento enfrentaram perseguições e foram posteriormente presos. João Cândido foi acusado de motim e passou vários anos na prisão. Após sua libertação, ele lutou para encontrar um emprego e viveu na pobreza durante grande parte de sua vida. Nos anos posteriores, o reconhecimento do papel de João Cândido na Revolta da Chibata cresceu, e ele se tornou um símbolo de resistência contra a injustiça no Brasil. Em 2008, mais de 90 anos após a revolta, o governo brasileiro reconheceu oficialmente o papel de João Cândido e concedeu-lhe a promoção póstuma ao posto de tenente. Discriminado e perseguido pela Marinha até o final da vida, recolheu-se no município de São João de Meriti, onde aproximou-se da Igreja Metodista. Passou mal em casa e foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, na capital do Rio de Janeiro, onde morreu em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos, vítima de câncer. Seu legado permanece significativo, pois é lembrado como um líder corajoso que lutou pelos direitos dos marinheiros alistados e contribuiu para a abolição dos castigos corporais na Marinha do Brasil. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Memória: Nascimento do Marinheiro João Cândido o Almirante Negro Read More »