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Liberdade Religiosa: Resistência das religiões de matriz africana

ComCausa participa do VIII Seminário Liberdade Religiosa Democracia e Direitos Humanos

A ComCausa vai participar da Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que neste ano promove o VIII Seminário Liberdade Religiosa, Democracia e Direitos Humanos. O encontro reúne mesas temáticas para discutir liberdade religiosa, pluralidade, disputas de poder e o papel da comunicação na relação entre religiões e o Estado. A programação divulgada prevê abertura às 14h e três mesas de debate ao longo da tarde, com foco em política e democracia, religiões no campo dos direitos e religiões nos meios de comunicação. A organização e a condução das atividades estão atribuídas a representantes do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e docentes da UFRJ, segundo o texto de divulgação enviado à reportagem. O material de divulgação aponta que, apesar de a liberdade religiosa ser garantida por lei, ela não se concretiza de forma igual para todas as crenças no Brasil. O texto destaca ainda um “crescimento significativo” de casos de intolerância religiosa nos últimos anos, com menção ao Rio de Janeiro como um dos territórios onde o problema tem se evidenciado. O seminário se propõe a responder a esse cenário por meio do diálogo inter-religioso e da análise de como a religião se relaciona com a política e com o sistema de direitos ao longo da história do país, além de discutir como essas disputas aparecem na mídia. Mesa 1 (14h20 às 15h20) – Política, Religiões e DemocraciaA proposta é debater lutas por liberdade, diversidade e pluralidade religiosa, com foco em grupos religiosos marginalizados e no diálogo inter-religioso. Mesa 2 (15h30 às 16h40) – Religiões no Campo dos DireitosO objetivo é analisar relações de poder construídas historicamente no Brasil entre religiões e políticas no campo dos direitos. Mesa 3 (16h50 às 17h40) – Religiões nos meios de comunicaçãoO debate pretende examinar como relações de poder entre religião e política se expressam na comunicação e como isso influencia conflitos entre movimentos e instituições religiosas no Estado brasileiro. A responsabilidade pelo seminário, conforme o material divulgado, é de: Prof. Dr. Babalaô Ivanir dos Santos (CEAP/UFRJ) – fundador do CEAP e docente do PPGHC/UFRJProf. Ms. Ele Semog (CEAP) – presidente do CEAPMarcelo Santos (CEAP) – diretor executivo do CEAPProfa. Dra. Mariana Gino (CEAP/UFRJ) – diretora executiva adjunta do CEAP e docente do Departamento de Ciência Política da UFRJ A Constituição Federal assegura a liberdade de crença e de culto, e a legislação brasileira prevê punições para práticas discriminatórias. Ainda assim, o texto de divulgação chama atenção para obstáculos concretos enfrentados por religiões historicamente discriminadas, especialmente em um contexto de polarização e avanço de conservadorismos, como descreve o próprio material. Iniciativas como a Semana Nacional e o seminário buscam fortalecer redes de proteção, ampliar informação e produzir encaminhamentos para instituições públicas e privadas, sobretudo quando a intolerância se manifesta em serviços, escolas, ambientes de trabalho e espaços de convivência. Serviço Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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ComCausa realiza encontro com parceiros em 20 de janeiro para planejar novo ciclo de ações territoriais a partir de março

A ComCausa – Defesa da Vida realiza no dia 20 de janeiro, na sede no Rio de Janeiro, um encontro com parceiros para organizar o planejamento de um novo ciclo de atuação territorial, com execução prevista a partir de março. A reunião tem como foco alinhar prioridades, consolidar rede, definir método e pactuar um calendário de ações contínuas voltadas para favelas, periferias, Baixada Fluminense, municípios da Região Metropolitana e territórios do interior do estado. O encontro integra o contexto mais amplo da Operação Periferia Viva, uma linha de atuação que parte de uma constatação objetiva: em uma cidade marcada por desigualdades persistentes e por pressões constantes sobre a vida cotidiana, não basta “ter boas intenções”. O território precisa de coordenação, corresponsabilidade, capacidade de execução e continuidade. Para a ComCausa, o desafio é construir uma forma de trabalho que não dependa de improviso, de “momentos” ou de “comoção”, mas de estrutura, rotina e presença. Do encontro à execução: transformar articulação em plano operacional A reunião do dia 20 marca um passo decisivo: transformar articulação em plano de trabalho, com responsabilidades claras, metas viáveis, instrumentos de acompanhamento e fluxos de comunicação que garantam coesão entre os atores envolvidos. Em vez de iniciativas isoladas, a proposta é construir um desenho coletivo capaz de manter o esforço no tempo, registrar aprendizados e sustentar resultados, fortalecendo a rede a partir de compromissos práticos. A ComCausa entende que uma política territorial consistente — inclusive quando envolve iniciativas comunitárias e parcerias diversas — só ganha força quando há coordenação real: quando os atores sabem o que fazer, quando o território tem ferramentas para registrar e acompanhar o que acontece e quando existe clareza sobre continuidade. Em outras palavras, a vida nas periferias não pode depender de improviso. Precisa de rede organizada, método compartilhado e capacidade de execução. Três frentes integradas para dar escala sem perder o chão do território A proposta é organizar o ciclo 2026 em frentes integradas, pensadas para dar escala ao trabalho sem perder a ancoragem territorial — e, principalmente, para conectar Rio, Baixada, outros municípios da Região Metropolitana e interior em uma lógica de cidadania viva, em que a periferia não é “anexo”, mas parte central da cidade e da agenda pública. A lógica por trás dessas frentes é simples e exigente: reconhecer que os territórios têm dinâmicas próprias, mas enfrentam desafios comuns — e que a atuação precisa ser simultaneamente local (presença, escuta, rede concreta) e sistêmica (articulação, fluxos, incidência, continuidade). Não se trata de “criar mais um projeto”, e sim de consolidar uma forma de trabalho capaz de permanecer, acompanhar e entregar. Nesse desenho, a comunicação entra como infraestrutura — não como “divulgação”. É comunicação para coordenar rede, registrar evidências, dar transparência, ampliar circulação de informação útil e sustentar continuidade. Quando a informação circula com responsabilidade, a rede se fortalece, as ações deixam de ficar invisíveis e o território ganha mais condições de exigir resposta e resultado. Promoção através da comunicação: parceria e serviço ao território A ComCausa reforça que promover ações por meio da comunicação é prestar serviço ao território. O objetivo é contribuir ampliando a visibilidade do que já existe, conectando iniciativas, fortalecendo fluxos entre atores e oferecendo suporte para que ações tenham continuidade. A comunicação, nesse ciclo, será tratada como ferramenta prática: divulgar agendas e oportunidades com clareza; organizar rotinas de informação entre parceiros; registrar processos e entregas; valorizar boas práticas e soluções locais; e produzir conteúdo em coautoria, com atribuição correta e respeito às lideranças e iniciativas de base. A lógica é simples: quando a rede se comunica melhor, ela trabalha melhor — e quando o território registra e acompanha o que faz, ele ganha força para sustentar resultados e cobrar o que precisa funcionar. A partir de fevereiro: método e compromisso público Com a organização iniciando em fevereiro e execução prevista a partir de março, a ComCausa estrutura o ciclo em movimentos que funcionam como método e compromisso público: A ComCausa enfatiza que esses verbos não são “etapas burocráticas”: são o que permite que a política territorial deixe de ser apenas reativa e passe a ser coerente, monitorável e efetiva. Quando o território tem capacidade técnica e comunicacional, ele não apenas relata o problema — ele ajuda a organizar a solução, acompanha a execução e ganha mais força para exigir resultado. Rede que soma rede: aproximação com a Rede 146 Vezes Favela (Fiocruz) Como parte da estratégia de rede para 2026, a ComCausa pretende intensificar a relação com a Rede 146 Vezes Favela (Fiocruz), buscando sinergia com as ações planejadas, ampliando cooperação e alinhando metodologias onde houver convergência — especialmente no que diz respeito a cuidado, proteção territorial e fortalecimento comunitário. A organização entende que essa aproximação fortalece a Operação Periferia Viva: mais rede, mais inteligência coletiva, mais capacidade de execução. Em um Rio atravessado por urgências simultâneas, consolidar laços com redes que acumulam experiência e presença territorial também significa ampliar o potencial de agir com base em evidências, reduzir vulnerabilidades e sustentar ações no tempo. Próximos passos O encontro do dia 20 de janeiro será dedicado ao alinhamento do desenho operacional: prioridades, responsabilidades, calendário, método e rotinas de comunicação entre os parceiros. A execução, prevista a partir de março, parte do princípio de que Defesa da Vida se faz com rede organizada, presença territorial e compromisso com continuidade — e que aquilo que não é planejado com seriedade tende a falhar justamente onde falhar custa mais caro. Prêmio Periferia Viva A ComCausa – Defesa da Vida foi selecionada entre as 25 assessorias técnicas reconhecidas pelo Prêmio Periferia Viva, em uma chamada nacional do Ministério das Cidades, consolidando um marco de alcance político e institucional: o território volta a ser entendido não apenas como “destino” de política pública, mas como fonte de conhecimento aplicado, capaz de qualificar métodos, orientar decisões e construir respostas concretas para desafios que, historicamente, foram tratados com improviso, distância e baixa escuta. Imagem de capa ilustrativa  Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore

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Parkinson, saúde, idosa

ComuniSaúde: Dia Nacional do Enfermo reforça direitos acolhimento e proteção social

Adoecer muda o ritmo da vida. Interrompe o trabalho, afeta a renda, impõe deslocamentos, expõe fragilidades e, não raro, faz a pessoa enfrentar um segundo problema além dos sintomas: a dificuldade de ser atendida com respeito, rapidez e orientação. O Dia Nacional do Enfermo, lembrado em 14 de janeiro, é citado em diversas iniciativas públicas e comunitárias como uma data criada no início dos anos 2000 para chamar atenção à humanização do cuidado e à necessidade de ambientes e práticas mais acolhedores para quem está doente. A ComCausa – Defesa da Vida reforça que esse debate não é “comemoração”: é alerta.“A doença não pode virar sentença social. Cuidado é acesso, é informação e é respeito — inclusive quando a pessoa chega fragilizada, com medo, em dor ou em sofrimento psíquico”, afirma Adriano Dias, pela ComCausa – Defesa da Vida. Saúde é direito, não favor A base legal é objetiva: a Constituição Federal determina que a saúde é direito de todos e dever do Estado, com acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação.A Lei nº 8.080/1990 organiza o Sistema Único de Saúde (SUS) para regular e executar ações e serviços de saúde em todo o território nacional. Na vida real, isso significa que, quando alguém adoece, o sistema precisa funcionar como rede — e não como uma sequência de portas fechadas. Acolher sem julgamento: o que isso quer dizer na prática “Humanizar” não é enfeite: é método. A Política Nacional de Humanização (HumanizaSUS) aposta na inclusão de usuários, trabalhadores e gestores na produção do cuidado e na forma de organizar o trabalho em saúde. Isso vale especialmente para o primeiro contato: escuta, orientação e encaminhamento correto. Em serviços de urgência, a classificação de risco existe para priorizar por gravidade — e não por ordem de chegada — e não deve ser usada como mecanismo de exclusão ou constrangimento. É também um direito. A Portaria nº 1.820/2009, que dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde, reforça princípios como atendimento humanizado, acesso e não discriminação. Onde buscar cuidado: UBS, UPA, CAPS e SAMU (o “mapa do básico”) Uma das piores violências contra quem adoece é a desorientação: “vai pra lá”, “volta amanhã”, “isso não é aqui”. Para enfrentar esse problema, o ComuniSaúde organiza um guia direto: UBS (Unidade Básica de Saúde) — quando você precisa de acompanhamentoA Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada do SUS e o centro de comunicação com a rede: acompanhamento de sintomas, consultas, vacinação, controle de doenças crônicas, encaminhamentos, renovação de receitas e cuidado contínuo. UPA 24h — quando é urgência, mas não necessariamente hospitalAtende situações que não podem esperar a UBS, como febre persistente, falta de ar importante, dores intensas, crise hipertensiva, cortes e fraturas suspeitas. Funciona 24 horas por dia, todos os dias. CAPS — quando o sofrimento psíquico é intensoOs Centros de Atenção Psicossocial são serviços públicos de saúde mental, abertos à comunidade, que acolhem pessoas em intenso sofrimento psíquico, inclusive em situações relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas, com foco no cuidado contínuo e na reinserção comunitária. SAMU 192 — quando é emergênciaServiço gratuito, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, que orienta por telefone e envia equipe móvel quando necessário. Quando a doença vira problema de renda: benefícios e proteção social Adoecer também pode significar risco de colapso financeiro — e isso faz parte do cuidado. INSS — Benefício por Incapacidade Temporária (auxílio-doença)Pode ser solicitado pelo serviço oficial Solicitar Auxílio por Incapacidade Temporária, via Meu INSS ou pelo telefone 135. BPC — Benefício de Prestação ContinuadaDestinado a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência em situação de baixa renda, conforme critérios oficiais definidos pelo governo federal. Medicamentos — Farmácia PopularO Ministério da Saúde informa a ampliação da gratuidade do elenco de medicamentos do programa e orienta o acesso pela rede credenciada. Tratamento Fora de Domicílio (TFD)Previsto em norma nacional para casos em que o tratamento necessário exige deslocamento para outro município ou estado, quando não houver oferta adequada no local de residência. O compromisso territorial: informação pública que vira cuidado No ComuniSaúde, a aposta é simples e estratégica: informação certa, na hora certa, evita agravamentos, reduz a peregrinação por serviços e fortalece a rede comunitária de proteção. A ComCausa – Defesa da Vida vai intensificar, de forma orgânica, sua articulação com a Rede 146 Vezes Favela (Fiocruz), fortalecendo a circulação de informação pública, a educação em saúde e a cultura do acolhimento no território — porque dignidade no cuidado também é política pública. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. 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Dia Internacional das mulheres

Violência contra as mulheres: a lei que obriga o Brasil a “enxergar” melhor para proteger

Em um país onde a violência contra as mulheres atravessa casas, ruas, relações e instituições, a diferença entre reação tardia e proteção real muitas vezes começa em algo que parece frio, técnico e distante da vida cotidiana: dado confiável, integrado, analisado e publicado com regularidade. Foi nessa direção que o Brasil deu um passo relevante em janeiro de 2026, com a sanção da Lei nº 15.336, de 8 de janeiro de 2026, que altera a Política Nacional de Dados e Informações relacionadas à Violência contra as Mulheres (PNAINFO) para determinar a publicação periódica de relatórios do Registro Unificado de Dados e Informações sobre Violência contra as Mulheres — com divulgação a cada dois anos, em meio eletrônico, nos termos do regulamento e respeitadas as restrições legais de publicidade. O que muda na prática: do registro disperso ao retrato que orienta política pública Na prática, a lei empurra o Estado para um ponto que costuma ser o calcanhar de Aquiles das políticas públicas: a capacidade de transformar registros dispersos em um retrato consistente, capaz de orientar planejamento, correção de rota e controle social. Porque a violência não aparece inteira em um único balcão. Ela pode começar como atendimento na saúde, virar ocorrência policial, medida protetiva, acolhimento na assistência, processo na Justiça — e, se esses pedaços não conversam entre si, o país passa a enxergar apenas fragmentos do problema, respondendo tarde, gastando energia no improviso e deixando vazios onde deveria existir proteção contínua. É por isso que a exigência do relatório bienal tem peso: ela não “resolve” a violência por decreto, mas cria uma obrigação de método — e método, nesse tema, é parte da proteção. “Sem dados integrados, você não tem diagnóstico”: as aspas de Adriano Dias Para Adriano Dias, da ComCausa – Defesa da Vida, o valor desse tipo de norma está em tirar a pauta do terreno do ruído e colocá-la no território da responsabilidade verificável. “Quando o Estado não organiza a informação, ele organiza a impunidade e o atraso da resposta. A Lei 15.336 obriga o país a olhar para o que acontece, com periodicidade e com análise, e isso muda o nível do debate público”, afirma, em fala preparada para a campanha. Na avaliação dele, a lei toca em um ponto sensível: a distância entre a realidade vivida e a resposta institucional. “A violência contra a mulher não pode depender de como um órgão registrou, de como outro arquivou, de como cada lugar chamou a mesma coisa por nomes diferentes. Sem dados integrados e publicados, você não tem diagnóstico; sem diagnóstico, você não tem política pública; e sem política pública, você tem repetição do dano”, completa. A PNAINFO e o Registro Unificado: por que a lei fortalece a engrenagem A lei sancionada altera a Lei nº 14.232/2021, que instituiu a PNAINFO, justamente para garantir que o Registro Unificado — alimentado por órgãos estaduais e municipais de atendimento à mulher, incluindo estruturas como polícias e sistema de Justiça — não seja apenas um repositório técnico, mas base para relatórios públicos capazes de orientar políticas. Ao exigir relatório a cada dois anos, o país reduz a chance de “apagões” estatísticos e amplia a capacidade de comparar ciclos, identificar tendências, apontar gargalos e cobrar providências: onde a rede de proteção falha, onde a subnotificação é mais grave, onde faltam portas de entrada, onde o atendimento não se sustenta e onde a prevenção precisa ser reforçada. Transparência sem exposição: dado como cuidado, não como vitrine O ponto central é que a norma fala em relatório com análise — e isso muda tudo. Não basta despejar números; é preciso transformar números em leitura pública, sem expor vítimas, sem violar sigilos, sem produzir revitimização. A lei deixa isso explícito ao condicionar a divulgação às regras e restrições de publicidade previstas na legislação. Adriano Dias insiste que, nesse campo, transparência é sinônimo de cuidado — e não de exposição. “Dado, nesse assunto, é vida. A gente precisa de informação para proteger, não para expor. O que se publica tem que ser suficiente para orientar política pública e permitir controle social, sem transformar sofrimento em vitrine”, diz. Para ele, o efeito esperado da medida é prático: com relatórios regulares, a sociedade consegue acompanhar se o Estado está avançando ou patinando, e as redes territoriais conseguem qualificar a cobrança. “Quando você publica e analisa de forma periódica, fica mais difícil fingir que não viu. E fica mais possível cobrar o que interessa: serviço funcionando, fluxo de proteção, prevenção, resposta rápida e responsabilização”, completa. ComCausa e a parceria com a ONU: evidências, prevenção e compromisso público É nesse ponto que a ComCausa – Defesa da Vida conecta o debate legal à sua atuação pública e ao seu compromisso de parceria internacional. A organização vem estruturando ações alinhadas ao sistema ONU no Brasil, com destaque para o UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), reforçando uma premissa que deveria orientar toda política de proteção: não existe enfrentamento sustentável sem evidência — e evidência exige dados consistentes, integrados e com visibilidade pública responsável. “A Lei 15.336 aponta exatamente para isso ao obrigar o Estado a organizar a informação, porque prevenção e cuidado também passam por saber onde, como e por que a violência está acontecendo”, afirma Adriano Dias, em fala preparada para divulgação. Um degrau importante: periodicidade, análise e controle social Na lógica da campanha, o recado é direto: o Brasil não precisa apenas de mais indignação — precisa de capacidade institucional para agir com precisão e continuidade. A Lei nº 15.336/2026 não é “a solução”, mas é um degrau importante porque estabelece um compromisso verificável com periodicidade, análise e transparência responsável, criando melhores condições para políticas públicas que possam ser cobradas, ajustadas e comparadas ao longo do tempo. Ao colocar o foco na qualidade dos dados e na publicação regular de relatórios, o país dá um passo para reduzir a distância entre o que acontece com as mulheres na vida real e o que o Estado consegue, de fato, enxergar — e enfrentar. Leia também | Fale

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DebatePapo ComCausa – Defesa da Vida sobre a Agenda do Cairo acontece nesta quinta em sua sede no Rio

A ComCausa – Defesa da Vida realiza, nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, um DebatePapo presencial dedicado à Agenda do Cairo (ICPD) — o marco internacional adotado em 1994 que reposicionou o debate global sobre população e desenvolvimento ao colocar direitos humanos, igualdade de gênero, saúde, escolhas e dignidade no centro das políticas públicas. O encontro será realizado na sede do Rio e transmitido nas redes sociais, e integra a agenda pública da organização de promover reflexão qualificada, mobilização cidadã e fortalecimento de redes de proteção e cuidado no território. A proposta do DebatePapo é direta: tirar a Agenda do Cairo do “lugar distante” dos grandes documentos internacionais e trazê-la para a vida real — para as perguntas que atravessam o cotidiano de quem vive os efeitos das desigualdades, das violências e das barreiras de acesso a serviços públicos. Em vez de um debate abstrato, a ComCausa – Defesa da Vida quer discutir o que o Cairo exige quando a gente traduz a teoria em prática: quais direitos precisam ser garantidos, quais serviços precisam funcionar, quais redes precisam estar de pé e quais mudanças sociais precisam ser sustentadas no tempo. O que é a Agenda do Cairo e por que ela ainda é assunto de 2026 A chamada Agenda do Cairo é o nome pelo qual ficou conhecido o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (ICPD), realizada no Egito de 5 a 13 de setembro de 1994, com participação de 179 governos. A adoção do Programa de Ação em 13 de setembro de 1994 consolidou uma virada de paradigma: desenvolvimento deixou de ser visto apenas como meta econômica ou demográfica e passou a ser cobrado como direito efetivo, medido por acesso real a serviços, por igualdade e por proteção da vida. O UNFPA, agência da ONU que atua globalmente com a agenda da ICPD, destaca esse ponto como central: o Programa de Ação foi “marcante” justamente por reconhecer saúde e direitos reprodutivos, além do empoderamento de mulheres e da igualdade de gênero, como pilares de programas de população e desenvolvimento. Ao longo dos anos, a agenda ganhou processos de seguimento e reafirmação. Um marco importante é a Resolução 65/234 da Assembleia Geral da ONU (22 de dezembro de 2010), que trata do seguimento “além de 2014” e reforça a continuidade do Programa de Ação. Por que a ComCausa – Defesa da Vida está puxando esse debate agora Para a ComCausa – Defesa da Vida, falar de Cairo em 2026 é falar de uma pergunta que não sai do território: o direito existe apenas no papel ou ele chega onde a vida acontece? O DebatePapo parte do reconhecimento de que, quando a vida é atravessada por violência, desigualdade e desproteção, não adianta um “discurso bonito” — é preciso rede, método e compromisso público. Por isso, o encontro vai tratar a Agenda do Cairo como uma lente para discutir desafios atuais, como: -Prevenção de violências e fortalecimento de redes de proteção;-Cuidado e acesso a serviços, com acolhimento e continuidade, não apenas respostas pontuais;-Igualdade de gênero e enfrentamento de desigualdades que estruturam risco e vulnerabilidade;-Juventudes e normas sociais: o que precisa mudar para reduzir danos e ampliar responsabilidade coletiva. Parceria com a ONU: Agenda do Cairo no território, com compromisso público O DebatePapo também se conecta à parceria institucional da ComCausa – Defesa da Vida com o sistema ONU no Brasil, via UNFPA e ONU Brasil, no marco de iniciativas alinhadas à Agenda do Cairo. A ideia, aqui, não é usar a ONU como “selo”, mas como horizonte de responsabilidade: metas internacionais só têm sentido quando viram ação concreta, linguagem pública útil, prevenção e cuidado de verdade. O próprio ciclo internacional do Cairo reforça essa linha de urgência. No marco do ICPD+25, por exemplo, o UNFPA registra que a Nairobi Summit (12–14 de novembro de 2019) foi co-convocada pelos governos do Quênia e da Dinamarca e pelo UNFPA justamente para acelerar a implementação do Programa de Ação, reunindo governos, ONU, sociedade civil e redes de juventudes. É a mesma lógica que orienta o DebatePapo: compromisso sem aceleração vira atraso; direito sem rede vira promessa. O que esperar do DebatePapo A proposta do encontro é combinar memória, contexto e prática, com linguagem acessível e foco territorial. Em vez de uma palestra “para especialistas”, a ComCausa – Defesa da Vida quer uma conversa pública que ajude a responder perguntas como: O que a Agenda do Cairo muda quando o tema é segurança, cuidado e dignidade no cotidiano? Que tipo de rede (comunitária e institucional) faz o direito “parar de escorregar” e virar acesso real? Como comunicar direitos de forma que vire orientação prática e caminho de proteção? Como articular homens e juventudes em pautas de responsabilização e prevenção, sem simplificação e sem moralismo? Convite O DebatePapo do dia 15 de janeiro de 2026 é um chamado para quem entende que direitos humanos não são um capítulo separado da vida — são a própria condição para que a vida seja vivida com segurança, cuidado e dignidade. A ComCausa – Defesa da Vida convida ativistas, comunicadores, educadores, pesquisadores, coletivos, organizações parceiras e moradores interessados a acompanharem o encontro e a ajudarem a manter esse debate em circulação pública, com seriedade e compromisso. Serviço DebatePapo — ComCausa – Defesa da Vida | Agenda do Cairo (ICPD)Data: 15 de janeiro de 2026Local: Sede do Rio Robne (Rio de Janeiro) com transmissão nas redes sociaisEntrada/inscrição e horário: a ComCausa – Defesa da Vida informará nos seus canais oficiais (site e redes). Imagem de capa ilustrativa. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Agenda do Cairo: o pacto de 1994 que colocou direitos no centro do desenvolvimento — e parceria da ComCausa – Defesa da Vida com a ONU

Cairo, Egito, setembro de 1994. Em um mundo ainda acostumado a tratar “população” como número, projeção e meta, a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD/ICPD) produziu um deslocamento histórico: a vida humana deixou de ser apenas “indicador” e passou a ser reconhecida como direito, com autonomia, igualdade, saúde e dignidade no centro do debate global. O resultado desse encontro foi o Programa de Ação do Cairo — mais conhecido como Agenda do Cairo — adotado por 179 governos e reconhecido como um marco por romper com a lógica demográfica e afirmar uma agenda centrada nas pessoas. A partir dali, o mundo passou a ter um documento-referência que, na prática, responde a uma pergunta essencial: o que significa “desenvolver” um país quando a vida de parte da população continua atravessada por desigualdade, violências, falta de acesso a serviços e ausência de proteção? A Agenda do Cairo responde com uma tese simples e exigente: desenvolvimento real é aquele que se mede pela capacidade de garantir direitos, reduzir desigualdades e oferecer cuidado efetivo, especialmente para mulheres, meninas, adolescentes e juventudes. É nesse horizonte — o de transformar princípio em prática pública — que a ComCausa – Defesa da Vida situa sua atuação e, agora, reafirma seu alinhamento à Agenda do Cairo por meio de uma parceria com o sistema ONU no Brasil, via UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), para estruturar iniciativas de fortalecimento institucional e ação territorial conectadas à Agenda do Cairo e à Agenda 2030. O que é a Agenda do Cairo? A Agenda do Cairo não é uma frase de efeito e tampouco um “tema” isolado. Ela é um Programa de Ação que consolidou, no cenário internacional, a ideia de que políticas públicas precisam articular: -Direitos humanos como base;-Igualdade de gênero como condição de desenvolvimento;-Saúde sexual e reprodutiva como direito e como serviço público a ser garantido com qualidade e acesso;-Proteção e atenção a adolescentes e jovens;-Educação, informação e autonomia como fundamentos de escolhas livres e trajetórias mais seguras. O próprio texto do Programa de Ação, em edições publicadas no âmbito da ONU/UNFPA, é explícito ao destacar a mudança de paradigma: em vez de perseguir “metas demográficas”, a política deve se orientar pelas necessidades, aspirações e direitos de cada pessoa — e pelo enfrentamento de desigualdades como medida real de progresso. As datas que ancoram a Agenda do Cairo Para registro institucional, cronologia, calendário editorial e referência histórica, a Agenda do Cairo tem marcos objetivos: 5 a 13 de setembro de 1994 — realização da ICPD no Cairo, Egito. 13 de setembro de 1994 — o Programa de Ação é adotado por aclamação. 22 de dezembro de 2010 — a Assembleia Geral da ONU aprova a Resolução 65/234, sobre o seguimento do Programa de Ação (um marco importante para a continuidade e revisão do compromisso internacional). 22 de setembro de 2014 — sessão especial ligada ao processo de seguimento “ICPD Beyond 2014”, realizada sob resoluções da ONU que tratam dessa continuidade. Essas datas importam porque deixam claro que o Cairo não ficou “congelado” em 1994: ele foi sendo reafirmado, revisitado e reposicionado como referência de política e de responsabilização pública. Por que esse debate volta com força: o Cairo como “bússola” quando a vida está em risco A Agenda do Cairo permanece atual por um motivo muito concreto: ela fala de vida cotidiana, não de abstração. Em diferentes países, inclusive no Brasil, a distância entre o direito e o acesso real ainda aparece de forma dura: falta de informação clara, serviços que não acolhem, fluxos que não funcionam, desigualdades que se acumulam e violências que se repetem. Nessa realidade, a Agenda do Cairo funciona como bússola porque estabelece um padrão de cobrança: se a política pública existe, ela precisa chegar; se o direito é reconhecido, ele precisa ser garantido; se há compromisso, ele precisa produzir resultado verificável. A parceria com a ONU no Brasil: o papel do UNFPA e o edital alinhado à Agenda do Cairo No Brasil, o UNFPA tem atuado com chamadas públicas e estratégias de fortalecimento institucional de organizações da sociedade civil, entendendo que OSCs são parte decisiva da engrenagem de proteção e de promoção de direitos — especialmente em territórios onde o acesso ao Estado é mais difícil e a violência encontra mais brechas. Um marco recente dessa estratégia foi o lançamento, em 24 de novembro de 2025, do Edital de Fortalecimento Institucional de Organizações da Sociedade Civil – Grants, apresentado pelo UNFPA Brasil como iniciativa alinhada ao mandato do UNFPA e aos princípios da CIPD (Agenda do Cairo). Segundo o UNFPA, o edital prevê investimento de cerca de R$ 600 mil para apoiar até oito organizações, com aproximadamente R$ 75 mil por instituição, voltados especificamente ao fortalecimento institucional (processos internos, equipes, consultorias, equipamentos, comunicação, planejamento, governança e metodologias). O edital explicita também as áreas temáticas prioritárias, conectadas diretamente à Agenda do Cairo: prevenção de gravidez na adolescência, educação integral em sexualidade, prevenção de uniões precoces, promoção de masculinidades positivas e não violentas, redução da mortalidade materna, impactos populacionais das mudanças climáticas e comunicação estratégica para mudança social. No documento oficial da chamada (PDF), o UNFPA reforça que essa modalidade não é para “executar um projeto pontual”, mas para fortalecer a capacidade organizacional de produzir impacto com consistência e continuidade, dentro do Programa de País 2024–2028 do UNFPA Brasil. ComCausa – Defesa da Vida: adesão à Agenda do Cairo e parceria com a ONU para agir no território É nesse contexto que entra a ComCausa – Defesa da Vida. Segundo publicações institucionais da própria ComCausa, a organização foi selecionada em um processo alinhado à Agenda do Cairo e à Agenda 2030 para estruturar o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, em articulação com o UNFPA (ONU) e comunicação associada ao campo ONU no Brasil. Essa parceria é relevante não apenas como chancela institucional, mas porque indica uma direção de método: trabalhar masculinidades como política de prevenção — não no sentido superficial de “campanha comportamental”, mas como campo estratégico para reduzir violências, reorganizar convivências e fortalecer responsabilidade pública. A própria chamada do UNFPA coloca “masculinidades positivas e não violentas” como uma das áreas prioritárias no eixo de aceleração da Agenda do Cairo no Brasil. Em linguagem direta: quando o UNFPA diz que masculinidades são agenda estratégica, ele está reconhecendo que

Agenda do Cairo: o pacto de 1994 que colocou direitos no centro do desenvolvimento — e parceria da ComCausa – Defesa da Vida com a ONU Read More »