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Calor Rio de Janeiro

ComuniSaúde alerta grupos de risco após Rio registrar nove das dez maiores temperaturas do país

O estado do Rio de Janeiro enfrentou uma das segundas-feiras mais quentes do ano e concentrou nove das dez maiores temperaturas registradas no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Diante do cenário de calor extremo, a ComuniSaúde emitiu alerta especial para os grupos de risco, reforçando cuidados urgentes para evitar agravamentos de saúde. A maior temperatura do país foi registrada em Seropédica, na Baixada Fluminense, onde os termômetros chegaram a 41°C. O calor intenso também atingiu Niterói, que marcou 40,5°C, além de diversos pontos da capital e da Região Metropolitana, como Vila Militar, Marambaia, Galeão, Santa Cruz e Jacarepaguá. De acordo com a Climatempo, esta terça-feira (13) segue com sol forte e temperaturas elevadas em todo o estado, sem previsão de alívio significativo. Para a ComCausa, o cenário exige atenção redobrada do poder público e da população, especialmente em áreas com menor acesso à água potável, ventilação adequada e serviços de saúde. Alerta da ComuniSaúde aos grupos de risco A ComunaSaúde destaca que idosos, crianças, gestantes, pessoas com deficiência, trabalhadores expostos ao sol e pacientes com doenças crônicas — como problemas cardíacos, respiratórios, renais e diabetes — estão mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo. Entre as principais recomendações estão:– Hidratação frequente, mesmo sem sede, priorizando água potável;– Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h;– Reduzir esforços físicos e atividades ao ar livre;– Manter ambientes ventilados ou sombreados sempre que possível;– Atenção aos sinais de alerta, como tontura, confusão mental, fraqueza, dor de cabeça intensa, náuseas e desmaios, que exigem atendimento médico imediato. A entidade reforça que o calor extremo não é apenas um desconforto, mas um risco real à saúde pública, especialmente para populações em situação de vulnerabilidade social. O episódio evidencia a urgência de políticas de adaptação climática, ampliação do acesso à água, fortalecimento da atenção básica e ações de Defesa da vida. O aumento das temperaturas no Rio reacende o debate sobre mudanças climáticas e justiça social, mostrando que seus impactos recaem de forma mais dura sobre quem já enfrenta desigualdades históricas. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Rede Saúde nas favelas

Rede Saúde nas Favelas: Instituto Dom

Com foco na redução das desigualdades sociais e econômicas, uma iniciativa brasileira vem gerando impacto social positivo ao atuar diretamente em comunidades periféricas e em situação de vulnerabilidade. Desde 2020, o projeto transforma ideias em ações concretas, promovendo educação, geração de renda e crescimento econômico sustentável. O trabalho começou com o apoio a microempreendedores de periferias, oferecendo capital semente e acompanhamento inicial. Ao longo dos anos, a atuação se expandiu e hoje inclui metodologias próprias, capacitação técnica, educação empreendedora e uma plataforma de ensino estruturada. A organização conta ainda com credenciamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e parcerias estratégicas, mantendo governança e profissionalismo na execução de projetos. Entre os principais eixos de atuação está o Apoio Empreendedor, que reúne educação empreendedora, microcrédito, mentorias, networking, educação ambiental e suporte emocional e mental. A Assistência Social atende famílias em situação de insegurança alimentar e emergências recorrentes no Brasil, garantindo acesso a necessidades básicas. O Apoio Emocional também ocupa papel central, com atendimentos individuais e coletivos voltados à saúde mental de pessoas e famílias em contextos de alta vulnerabilidade social. Já a Capacitação Juvenil prepara jovens para o primeiro emprego, inserção no mercado de trabalho e geração de renda, ampliando perspectivas de futuro. A Educação Ambiental integra palestras e formações sobre sustentabilidade, uso consciente dos recursos naturais e os princípios dos 3Rs. Além disso, a organização desenvolve Projetos Customizados, com flexibilidade para atender empresas, fundações e instituições interessadas em investimentos sociais e ambientais alinhados às ODS e às práticas de ESG. Atualmente, a iniciativa soma mais de cinco anos de atuação, com dezenas de parcerias realizadas e projetos que impactam diretamente jovens e adultos, especialmente mulheres negras em situação de vulnerabilidade social e econômica. Entre os destaques estão projetos como Dom de Empreender, que combina capacitação, capital semente e mentorias; Mulheres Digitais, em parceria com a OIT e a Microsoft Philanthropies; e Empreenda seu Futuro, voltado a adolescentes de 15 a 17 anos. Com olhar voltado para o futuro, a organização pretende ampliar seu alcance e multiplicar o impacto social, reforçando seu compromisso com a Defesa da vida, a inclusão produtiva e a transformação de realidades. Empresas interessadas em responsabilidade social e ESG podem entrar em contato para desenvolver ações conjuntas. Comunicação e presença digital E-mail: contato@institutodom.org.br Telefone: 21 99206-5468 Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco  atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade. Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas. Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde. Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Rede Saúde nas favelas

Rede Saúde nas Favelas: Grupo de Estudos Integrais Demetrius (GEID)

Idealizado em 1956, a partir de comunicações mediúnicas recebidas em reuniões familiares na Tijuca, o Grupo Espírita Irmão Demétrius (GEID) construiu uma trajetória marcada pela fé, pela caridade e pelo compromisso social. O movimento nasceu na residência da família Ramasine, no Rio de Janeiro, e ganhou forma ao longo das décadas com base nos ensinamentos espirituais que orientaram seus fundadores. Em 1989, graças ao empenho de Lais Vasseur Ramasine, de seu filho Horácio Ramasine e de um grupo de amigos, o GEID se constituiu oficialmente. A sede passou a funcionar no terraço da casa da família, na Ilha do Governador, consolidando o trabalho que já se desenvolvia de forma contínua e voluntária. Definido como um grupo espírita cristão universalista, o GEID difunde os ensinamentos de Jesus, Allan Kardec e Ramatís. Essa proposta se expressa também em seu símbolo, que une o círculo, o triângulo e a cruz, representando a integração entre Oriente e Ocidente e o fortalecimento do universalismo espiritual na chamada Nova Era. Como instituição espírita-cristã, o GEID mantém atividades voltadas à assistência social e espiritual, além de estudos sistemáticos do Evangelho e da doutrina espírita. O trabalho acontece diariamente e conta com o envolvimento direto de voluntários e beneficiários que acreditam na transformação moral e social por meio da prática da caridade. Ao assumir um papel integrador em prol da cidadania, o Grupo Espírita Irmão Demétrius se posiciona como espaço de acolhimento, aprendizado e desenvolvimento do amor ao próximo. Seu propósito é claro: ser um foco de luz para aqueles que, muitas vezes desinformados, sofrem diante das ilusões da vida material. Comunicação e presença digital E-mail: atendimento@geid.org.br Telefone: 21 3396-0374 Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco  atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade. Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas. Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde. Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Prêmio Periferia Viva 2025

ComCausa é uma das 25 assessorias técnicas do Brasil selecionadas no Prêmio Periferia Viva

A ComCausa – Defesa da Vida foi selecionada entre as 25 assessorias técnicas reconhecidas pelo Prêmio Periferia Viva, em uma chamada nacional do Ministério das Cidades, consolidando um marco de alcance político e institucional: o território volta a ser entendido não apenas como “destino” de política pública, mas como fonte de conhecimento aplicado, capaz de qualificar métodos, orientar decisões e construir respostas concretas para desafios que, historicamente, foram tratados com improviso, distância e baixa escuta. A própria existência do Prêmio — e, especialmente, a escolha de uma categoria voltada a assessorias técnicas — merece destaque. Ao abrir espaço para iniciativas capazes de organizar processos e fortalecer redes, o Ministério das Cidades e a Secretaria Nacional de Periferias contribuem para um reposicionamento essencial: reconhecer que as soluções produzidas nas periferias e favelas não são “casos isolados”, mas inteligência pública que pode inspirar, orientar e melhorar a efetividade das ações do Estado. Para compreender o significado dessa seleção, é preciso olhar para a estrutura de governo e para o modo como a política pública se organiza no Brasil. A política pública nasce de diretrizes e instrumentos que passam por ministérios e secretarias, se expressam em programas, editais e ações, e precisam “descer” até o cotidiano das cidades — onde, de fato, a vida acontece. O que o Prêmio Periferia Viva faz, ao reconhecer assessorias técnicas, é afirmar um princípio fundamental: as periferias e favelas não são apenas cenário da desigualdade; são também laboratório de soluções e inteligência pública, e devem ser tratadas como parte ativa do desenho e da implementação. A seleção confirma a maturidade de um trabalho que a ComCausa vem realizando há anos: comunicação cidadã, articulação de redes, mobilização territorial e incidência pública, com foco na proteção de pessoas e no fortalecimento de caminhos concretos de direitos. Para a organização, a relevância da conquista está menos no “título” e mais no que ele exige: transformar reconhecimento institucional em capacidade real de organizar ações, ampliar alcance, qualificar entregas e produzir resultados verificáveis, com transparência e compromisso com o território. “Não é um prêmio para a gente celebrar de longe. É um compromisso público. Quando a periferia é reconhecida como assessoria, o recado é direto: o território tem competência, tem método e tem direito de orientar o que funciona para proteger vidas”, afirma Adriano Dias, da ComCausa. A ComCausa destaca que a categoria de assessorias técnicas aponta para iniciativas capazes de apoiar processos essenciais à política pública: organizar informações, fortalecer redes, qualificar fluxos e garantir que ações periféricas tenham visibilidade, continuidade e resultados verificáveis. Isso é decisivo porque a política pública, muitas vezes, falha não por falta de “discurso”, mas por falta de método operacional: quem faz o quê, por onde começa, como registra, como conecta serviço, como reduz ruído, como garante que o território não seja tratado como etapa descartável. Nesse mesmo sentido, dentro da estrutura viabilizada pelo Prêmio, a organização informa que vai intensificar a relação com a Rede 146 Vezes Favela (Fiocruz) — articulada em rede com parceiros — fortalecendo cooperação e intercâmbio de experiências de forma orgânica e coerente com as entregas do ciclo. A ComCausa entende que ampliar diálogo e sinergia com redes de referência fortalece a capacidade territorial de produção de informação, articulação e incidência — três dimensões sem as quais a política pública tende a perder chão. A seleção reforça uma tese que a ComCausa repete em sua atuação cotidiana: direitos não podem depender do acaso. Precisam de rede, método e presença. E é justamente esse salto — do improviso para a organização — que a ComCausa assume como responsabilidade desta nova fase, dentro do espírito da Operação Periferia: a periferia como sujeito político e técnico na Defesa da Vida. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Violência contra mulher

Masculinismo no Brasil: o ecossistema que transforma ressentimento em ideologia, audiência e ataque político

Há um fenômeno em expansão no Brasil que, embora ainda seja pouco nomeado no debate público cotidiano: o masculinismo. Não se trata de uma simples “conversa sobre homens” nem de uma discussão neutra sobre identidade masculina. Em suas formas mais visíveis, o masculinismo funciona como movimento reativo: organiza redes, produz narrativa e difunde uma visão de mundo que coloca mulheres em condição de subalternidade, tratando igualdade de gênero como ameaça, e o feminismo como inimigo a ser derrotado. Uma das pesquisas que sistematizam esse cenário é a tese de doutorado “Masculinismo: misoginia e redes de ódio no contexto da radicalização política no Brasil”, defendida por Bruna Camilo de Souza Lima e Silva na PUC Minas, em março de 2023. O resumo oficial do trabalho é explícito: o objetivo é compreender a atuação de grupos masculinistas no Brasil, suas relações com a extrema direita e a influência desses discursos na esfera política — com atenção especial às eleições de 2018 e ao período do governo Bolsonaro. Assunto que publicamos há época. O texto de apresentação da tese vai além de uma descrição genérica. Ele caracteriza os masculinistas como indivíduos que reproduzem “discursos e práticas de ódio contra as mulheres”, defendendo superioridade masculina nas esferas cultural, política, econômica e social, e coloca o masculinismo dentro de um vocabulário maior que inclui misoginia, extrema direita, fascismo, ciberativismo e o papel da desinformação. Essa é a chave para entender por que o tema importa. O masculinismo não é apenas uma opinião atravessada por machismo; é uma infraestrutura de produção de sentido — e, cada vez mais, uma infraestrutura de produção de dinheiro e de poder simbólico. Ele se alimenta de frustrações reais e inseguranças subjetivas (afetivas, econômicas, identitárias), mas as organiza em um destino ideológico: “o problema são elas”. E, quando a política do ressentimento encontra a mecânica das plataformas, o resultado costuma ser previsível: mais engajamento, mais radicalização, mais assédio. Do conceito ao cotidiano digital: como o masculinismo se apresenta (e por que ele recruta) Do conceito ao cotidiano digital, o masculinismo contemporâneo no Brasil quase nunca se apresenta com o nome que realmente o descreve. Ele raramente se anuncia como misoginia, não chega dizendo “ódio às mulheres” ou “superioridade masculina”, porque sabe que, em muitos ambientes, isso ainda geraria rejeição imediata. Em vez disso, ele se disfarça em formatos familiares, de aparência útil e até “neutra”, e é justamente por essa camuflagem que circula com tanta facilidade. Surge como autoajuda masculina, com promessas de melhora pessoal e frases de efeito que apelam ao orgulho ferido — “melhore sua vida”, “se imponha”, “se valorize” — e, ao mesmo tempo, planta a ideia de que o mundo estaria conspirando contra homens “de verdade”. Aparece também como manual de relacionamento, vendido como orientação prática, mas construído sobre generalizações e desconfiança — “como lidar com mulheres”, “como evitar ‘esse tipo’ de mulher” —, reduzindo pessoas a categorias e transformando a convivência afetiva em campo de batalha. Em muitas portas de entrada, vem embalado como conteúdo sobre sucesso, status e dominância, com expressões como “homem de alto valor”, “mentalidade”, “postura”, “liderança”, “dominância”, criando a impressão de que existe uma fórmula objetiva para “vencer”, desde que o homem recupere controle e que a mulher seja recolocada no lugar de objeto a ser administrado, avaliado ou punido. E, quando precisa escapar da crítica, assume a forma mais eficiente de todas para o ambiente digital: humor e provocação, onde o insulto vira “brincadeira”, o ataque vira “piada”, a crueldade vira “sinceridade”, e qualquer contestação pode ser rebaixada a “mimimi” — um mecanismo retórico que desqualifica a vítima e protege o agressor. Nessa arquitetura, o recrutamento não costuma ser imediato; ele é gradual, por camadas, como um corredor de portas que se abrem uma após a outra. Primeiro, oferece pertencimento: uma comunidade que acolhe frustrações e dá sensação de tribo, com linguagem própria, memes, códigos e a promessa de que “aqui você vai entender o que ninguém te contou”. Depois, oferece explicação total do mundo: tudo passa a caber numa narrativa simples, que transforma a complexidade das relações e da vida social em uma história com vilões e mocinhos. Por fim, oferece controle: a promessa de que, se o homem seguir o roteiro, ele volta a mandar, volta a “se respeitar”, volta a “ser homem” — e, muitas vezes, isso significa impor regras, punir comportamentos, vigiar, desconfiar, dominar. O passo decisivo acontece quando a frustração individual — rejeição, insegurança, medo de abandono, precariedade econômica, ressentimento social — é convertida em tese coletiva: “homens são vítimas”, “mulheres se beneficiam”, “o feminismo oprime”. A partir daí, a ideia de igualdade deixa de ser vista como princípio democrático e passa a ser rebatizada como ameaça; a autonomia das mulheres vira “excesso”; direitos viram “privilégios”; e a vida comum é reorganizada por uma lógica de disputa permanente. Isso não é um traço exclusivo do Brasil. A ONU Mulheres descreve a chamada machosfera como uma rede de comunidades que afirma tratar de dificuldades enfrentadas por homens — namoro, boa forma, paternidade, autoestima —, mas que frequentemente promove conselhos e atitudes nocivos e compartilha oposição ao feminismo, sustentando a falsa ideia de que homens seriam “vítimas” do cenário social e político atual. O que acontece no Brasil, porém, é que essa lógica ganha um motor adicional: ela se mistura com guerra cultural, com a polarização e com uma linguagem política que transforma igualdade em ameaça e proteção de direitos em “privilégio”. Nesse encontro, o masculinismo deixa de ser apenas um conjunto disperso de conteúdos e passa a funcionar como ecossistema: ele alimenta identidade de grupo, cria inimigos fixos, reforça ressentimento como virtude e, em muitos casos, normaliza a misoginia a ponto de ela deixar de parecer “desvio” e passar a ser entendida como sinal de pertencimento, coragem ou autenticidade. Masculinismo como “ciberativismo”: a estratégia de expansão em rede A tese de Bruna Camilo chama atenção para a dimensão organizativa: os dados analisados incluem postagens e comentários em blogs, fóruns, grupos de aplicativos de mensagens, além de entrevistas. E o resumo aponta um aspecto decisivo: os grupos

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Rede Saúde nas favelas

Rede Saúde nas Favelas: Grupo Cultura Urbana

O Instituto Cultura Urbana nasceu da força coletiva de artistas, educadores e moradores das comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro, que apostam na cultura, na educação e no esporte como caminhos reais de transformação social. A história começa em 2009, quando o ator e produtor cultural Fabrício Silvestre passou a ministrar, de forma voluntária, uma oficina de teatro em uma igreja no bairro da Taquara, em Jacarepaguá. O envolvimento e o entusiasmo dos participantes deram origem ao Grupo Teatral Taquara (GTT), que rapidamente se consolidou como referência cultural na região. O grupo passou a ocupar importantes equipamentos culturais de Jacarepaguá, como a Lona Cultural Jacob do Bandolim, o Teatro Firjan Sesi e o Centro Cultural Professora Dyla Sylvia de Sá, ampliando o acesso da população periférica à produção artística. Com o crescimento das atividades, o GTT expandiu sua atuação para as comunidades do Jordão e Curupaiti, a convite de lideranças comunitárias. Oficinas de teatro, audiovisual, artesanato e circo passaram a ser oferecidas com o apoio de artistas e voluntários comprometidos com o fortalecimento da cultura local. O impacto positivo das ações evidenciou a necessidade de uma estrutura mais sólida, levando à fundação do Instituto Cultura Urbana, em 2011. Desde então, o Instituto construiu uma trajetória marcada pela atuação em rede e pelo fortalecimento da juventude periférica. Ao longo dos anos, ampliou suas frentes de trabalho com projetos como o Cultura que Transforma, que oferece oficinas de teatro, dança afro, percussão, capoeira, artesanato e canto; o Jovens Campeões, voltado para atividades esportivas; o Jovens Visando o Futuro, com ações socioeducativas; e o PraEllas, que promove o empoderamento feminino por meio do esporte. Durante a pandemia de Covid-19, o Instituto Cultura Urbana reafirmou seu compromisso com a defesa da vida ao lançar a campanha Todos pelas Comunidades. A iniciativa mobilizou toneladas de alimentos e garantiu a entrega de cestas básicas para centenas de famílias atendidas pelos projetos e moradores da região, enfrentando de forma direta a insegurança alimentar. A ação abriu caminho para novas parcerias estratégicas. Entre elas, a Rede 146 x Favela – Plano Integrado de Saúde Integral nas favelas cariocas; a Rede Gerando Falcões, com os projetos Jovem Falcão e Academia do Emprego; o Programa Missão em Foco, do Itaú Social, que oferece investimento institucional, formações e ferramentas de monitoramento; além da Rede Esporte pela Mudança Social, com o projeto Esporte na Rua. Mais recentemente, o Instituto passou a integrar a Rede Colaborativa EMpower Brasil, fundação global que atua em 15 países na capacitação de jovens. Atualmente, o Instituto Cultura Urbana está presente em três comunidades de Jacarepaguá e atua nas áreas de cultura, esporte, educação, comunicação, empregabilidade e geração de renda. Seu crescimento reflete o engajamento de voluntários, apoiadores e parceiros que compartilham o compromisso de transformar realidades e ampliar oportunidades nas periferias do Rio de Janeiro. Comunicação e presença digital E-mail: contato@culturaurbana.org.br Telefone: (21) 2135-5517 Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco  atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade. Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas. Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde. Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança. 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