Destaque

Saúde, médico

SUS faz 35 anos e inspira o projeto ComuniSaúde da ComCausa

No dia 19 de setembro de 1990, o Brasil dava um passo histórico com o nascimento oficial do Sistema Único de Saúde (SUS), regulamentado pela Lei nº 8.080. Desde então, a política pública se consolidou como um dos maiores sistemas de saúde do mundo, referência pela universalidade e pelo atendimento gratuito a toda a população. Trinta e cinco anos depois, o SUS segue sendo não apenas um direito conquistado, mas também inspiração para iniciativas locais que buscam ampliar o acesso à saúde em territórios marcados por vulnerabilidades sociais. Na Baixada Fluminense, a ComCausa desenvolve o projeto ComuniSaúde, uma ação que nasce da experiência comunitária e tem como objetivo conscientizar sobre o direito ao atendimento básico, promover saúde mental e fortalecer redes comunitárias em favelas e periferias. A iniciativa se conecta diretamente aos princípios do SUS, como universalidade, integralidade e equidade, adaptando-os às realidades locais onde as carências de infraestrutura e de acesso ainda são desafios diários. O ComuniSaúde atua em três frentes principais. A primeira é a informação, orientando moradores sobre o funcionamento do sistema público e seus direitos de acesso a consultas, exames e programas de prevenção. A segunda é a valorização da saúde mental, com rodas de conversa, oficinas e atividades culturais que ajudam a reduzir estigmas e ampliar o cuidado com o bem-estar emocional. A terceira é o fortalecimento de redes comunitárias, criando pontes entre associações de moradores, lideranças locais e serviços de saúde para garantir que as demandas cheguem de forma organizada às instâncias públicas. A proposta dialoga com a essência do SUS, que surgiu da mobilização popular na Constituinte de 1988, quando a sociedade reivindicou saúde como direito universal. Criado no contexto de redemocratização, o sistema veio para superar as desigualdades históricas do país, oferecendo desde vacinação até tratamento de doenças complexas. Seus princípios fundamentais – universalidade, integralidade, equidade, descentralização e participação social – permanecem como guia para políticas públicas e para projetos locais como o ComuniSaúde. Apesar dos avanços, o SUS ainda enfrenta grandes desafios, como o subfinanciamento, a desigualdade regional no atendimento, a carência de infraestrutura em algumas áreas e problemas de gestão. Na Baixada Fluminense, esses obstáculos são sentidos de forma intensa, já que muitas comunidades vivem em áreas periféricas, distantes de equipamentos de saúde e com alta demanda por serviços. É nesse cenário que o ComuniSaúde ganha relevância ao atuar como elo entre a população e o sistema público. O projeto também reforça conquistas importantes alcançadas pelo SUS, como a redução da mortalidade infantil, o acesso universal ao tratamento de HIV/AIDS e os programas de vacinação em massa, reconhecidos internacionalmente. Na prática, iniciativas como o ComuniSaúde ampliam a capacidade de mobilização da sociedade civil para que esses direitos não fiquem apenas no papel, mas se tornem realidade cotidiana. Ao completar 35 anos, o SUS reafirma sua importância como um dos maiores legados da democracia brasileira. O fortalecimento do financiamento, da gestão e da infraestrutura é essencial para o futuro do sistema. Ao mesmo tempo, ações como o ComuniSaúde demonstram que a transformação também começa no território, onde moradores, coletivos e organizações se unem para defender o que está na essência do SUS: saúde como direito de todos e dever do Estado. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Foto Sérgio Silva Ponte Jornalismo - Religião

Liberdade Religiosa: A intolerância religiosa no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense

A intolerância religiosa no Brasil é uma violação de direitos humanos que persiste com gravidade alarmante, especialmente contra praticantes de religiões de matriz africana. No estado do Rio de Janeiro — e de forma ainda mais intensa na Baixada Fluminense — o fenômeno assume contornos de perseguição sistemática. Os números mais recentes, aliados aos relatos das comunidades, revelam que a liberdade religiosa, garantida pela Constituição de 1988, continua sendo desrespeitada de forma estrutural e violenta, alimentada pelo racismo religioso, pela desinformação, pela ausência de políticas públicas efetivas e pela expansão de territórios dominados por grupos armados. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o canal Disque 100 contabilizou 2.400 denúncias de intolerância religiosa apenas em 2024 — um crescimento de 66,8% em relação a 2023. O estado do Rio de Janeiro responde por 40% das denúncias nacionais, sendo o epicentro da intolerância no Brasil. O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), por sua vez, registrou 2.976 ocorrências relacionadas à intolerância religiosa em 2023, entre elas 34 casos de ultraje a culto religioso. Em 2024, o cenário agravou-se, com 39 registros de ultraje a culto e 33 tipificações formais de intolerância religiosa, reforçando a tendência de escalada da violência. A Zona Norte do Rio, com 21 registros, e a Zona Oeste, com 15, concentram grande parte das denúncias — ambas regiões marcadas por alta densidade populacional, presença expressiva de terreiros e intensa atuação de milícias e facções.  Na Baixada Fluminense, o medo cala vítimas Na Baixada Fluminense, a situação da intolerância religiosa é ainda mais dramática e preocupante. Embora haja uma notória escassez de dados oficiais segmentados por município, organizações como a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e diversas lideranças comunitárias vêm denunciando, de forma consistente, uma verdadeira onda de violações sistemáticas contra praticantes de religiões de matriz africana. Casos emblemáticos se multiplicam em diferentes cidades da região: em Belford Roxo, terreiros foram incendiados e sacerdotes foram expulsos de suas comunidades; em Duque de Caxias, mães de santo relataram ter recebido ameaças de morte para que encerrassem suas atividades religiosas; em São João de Meriti, templos foram depredados por agentes ainda não identificados; em Nova Iguaçu, jovens adeptos foram agredidos fisicamente ao saírem de sessões espirituais; e em Queimados, crianças foram hostilizadas dentro de escolas apenas por utilizarem guias religiosas. Essas práticas de violência, cada vez mais recorrentes, são frequentemente atribuídas a grupos armados que controlam parte desses territórios e impõem o que se tem chamado de “limpeza religiosa” — ou seja, a proibição explícita da prática de cultos afro-brasileiros, a destruição de altares, a queima de objetos sagrados e a expulsão forçada de lideranças espirituais das comunidades. Trata-se de um quadro alarmante que associa intolerância, racismo religioso, repressão cultural e domínio armado, revelando um grave déficit de proteção do Estado em áreas já marcadas por histórica vulnerabilidade social. Intolerância no ambiente escolar Crianças e adolescentes de religião de matriz africana também enfrentam um ambiente hostil nas escolas. Muitos estudantes são obrigados a esconder símbolos de fé, como guias ou patuás, e sofrem bullying de colegas e até de profissionais da educação. Apesar da Lei 10.639/2003, que obriga o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, há resistência por parte de professores, gestores escolares e redes de ensino em aplicar a legislação. A falta de formação específica e o preconceito institucionalizado tornam as escolas espaços de perpetuação da intolerância. Casos documentados por ONGs revelam que em Queimados, uma escola pública impediu que um aluno com guia de Oxalá participasse de uma apresentação cívica. Em Caxias, um professor de história foi advertido por abordar a cosmovisão iorubá em aula. Esses episódios são mais comuns do que se imagina — mas raramente são denunciados. Subnotificação: o silêncio imposto pelo medo Um dos fatores que agravam a situação é a subnotificação dos casos. Muitas vítimas não registram ocorrência por medo de represálias ou descrença nas instituições. Em regiões sob controle do tráfico ou da milícia, buscar apoio do poder público pode significar risco de vida. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI-RJ), embora seja referência nacional, sofre com limitações orçamentárias e de pessoal. O atendimento é centralizado na capital, dificultando o acesso para moradores da Baixada. Além disso, a ausência de centros de referência regionais para atendimento de vítimas de intolerância religiosa contribui para a invisibilização do problema.  Terreiros: resistência, acolhimento e identidade Diante desse cenário, os terreiros se firmam como quilombos contemporâneos — espaços de espiritualidade, cultura, solidariedade e resistência. Mais do que templos religiosos, são pontos de cultura, centros de acolhimento a jovens, cozinhas solidárias, espaços de cura coletiva e de preservação da memória ancestral. Cada xirê é um ato político. Cada cântigo entoado ao som dos atabaques é uma afirmação de identidade. Cada obrigação feita na mata ou nas águas é resistência viva contra um sistema que tenta silenciar as vozes negras da espiritualidade. Na Baixada, há centenas de casas de axé atuando em comunidades periféricas, enfrentando não só o preconceito, mas também a fome, a violência, o desemprego e o abandono do Estado. Defender esses espaços é defender a democracia e os direitos humanos. A leitura política da ComCausa Para a ComCausa Defesa da Vida, defender as religiões de matriz africana significa enfrentar diretamente o racismo estrutural que atravessa a sociedade. Não se trata apenas de garantir formalmente o direito ao culto, mas de assegurar que nenhum terreiro seja fechado pela violência, nenhuma criança seja humilhada por sua fé e nenhuma tradição seja silenciada pelo preconceito. É urgente que o poder público implemente políticas de proteção a templos e comunidades de axé, com protocolos de segurança intersetoriais, ações educativas em escolas e investigações céleres que responsabilizem os agressores. Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa A ComCausa Defesa da Vida inicia, realiza esta Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa, um movimento de sete dias dedicado a partilhar reflexões históricas, apresentar dados e mobilizar a sociedade em favor do respeito à diversidade de crenças. De forma simples e comprometida, buscamos contribuir para a conscientização e

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Minerva Ink e ComCausa alinham ações no Rock Festival de Nova Iguaçu Vem Meu Igual Cuida dos manos Cuida das minas

Minerva Ink e ComCausa alinham ações no Rock Festival de Nova Iguaçu

Em encontro realizado no estúdio Minerva Ink, a ComCausa – Defesa da Vida consolidou uma articulação que resultou na confirmação de um espaço no estande do estúdio durante o Nova Iguaçu Rock Festival. O local também será base para a campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”, proposta pela ComCausa. A presença da Minerva Ink no festival representa a vitória de uma mobilização espontânea que ganhou força ao longo de 2025. Como resultado desse movimento, a hashtag #MinervaNoRockFestival, criada pelos próprios apoiadores, tornou-se uma das mais comentadas no perfil oficial do festival — um indicativo expressivo do engajamento popular e da força simbólica dessa articulação coletiva. Artistas, clientes e simpatizantes reivindicaram nas redes sociais a participação oficial do estúdio no evento, evidenciando a potência da cena underground da Baixada Fluminense e sua capacidade de organização em torno da valorização da arte periférica. Agora, com a confirmação do estande, a Minerva leva para dentro do festival o que sempre defendeu do lado de fora: identidade, criatividade e pertencimento. Para fortalecer ainda mais esse papel, buscou na ComCausa uma parceira com experiência em campanhas sociais e atuação comunitária. Festival seguro: ComCausa promove campanha no evento junto à Minerva Ink Durante o festival, a ComCausa realizará a campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”, que terá sua primeira ativação em um festival de rock. A iniciativa busca promover o cuidado mútuo, a prevenção de violências e o fortalecimento da convivência respeitosa em eventos culturais. Adriano Dias, fundador da ComCausa, destacou que a inspiração para a campanha nasceu da canção “Meu Igual”, da banda Cólera — um clássico do punk nacional que ecoa o espírito de união, resistência e solidariedade: “Sozinho não dá, vem meu igual; seja qualquer cor, de onde for, somos um só”. Com linguagem leve, direta e inclusiva — resumida na máxima “respeito é base” —, a campanha se dirige ao público, artistas, produção e equipes de apoio, incentivando a prática da solidariedade e da atenção coletiva como garantia de que todos possam curtir com segurança. A proposta prevê também uma campanha de comunicação de convocação para o festival, vinculada aos portais RedeDH e PortalC3, além das redes sociais da ComCausa – Defesa da Vida, Rock ComCausa e da própria Minerva Ink. No dia do festival, também serão distribuídos materiais de conscientização da campanha. Serviços do estande Minerva Ink no Rock Festival de Nova Iguaçu 2025 O estande do Minerva Ink oferecerá ao público com Tatuagens (flash tattoos) com artes exclusivas e venda de produtos relacionados. Já a ComCausa utilizará esses serviços como base de sensibilização da campanha, integrando arte e cidadania. Cada experiência no estande — da tatuagem à aquisição de produtos — estará acompanhada de mensagens e materiais que reforçam os eixos centrais da campanha: respeito mútuo, cuidado coletivo e combate à violência em ambientes culturais. Enquanto o público participa das atividades, será convidado a refletir sobre a importância da convivência segura, com distribuição de materiais educativos, divulgação de canais de denúncia e rodas de conversa rápidas sobre direitos humanos e cultura da paz. Saiba mais sobre o Nova Iguaçu Rock Festival O Rock Festival de Nova Iguaçu 2025 acontecerá no dia 5 de outubro de 2025, domingo, a partir das 14h, no Espaço de Eventos da Dutra, no Rio de Janeiro. Os ingressos já estão disponíveis no site e no aplicativo da Ingresse. Serão dois palcos no Rock Festival de Nova Iguaçu 2025. No Rock Legends, o destaque é a estreia da banda norte-americana The Calling, além de nomes consagrados como Os Paralamas do Sucesso, que celebram 40 anos de carreira, CPM 22, Raimundos, Detonautas e Fresno. No Rock Stars, quem comanda são as bandas que marcaram gerações: Strike, DiBobe, Darvin, Hevo 84 e Debrix, mesclando pop punk, reggae, rock alternativo e influências do hard rock. Assim, o Rock Festival de Nova Iguaçu 2025 se firma como uma grande celebração da música alternativa, mas também como espaço de afirmação de identidades, valorização da periferia e fortalecimento da cultura da paz e da defesa da vida. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Liberdade Religiosa: Resistência das religiões de matriz africana

Liberdade Religiosa: Resistência das religiões de matriz africana

A trajetória das religiões de matriz africana no Brasil é uma narrativa de resistência contínua diante de séculos de perseguição. Desde o período colonial, povos africanos escravizados e seus descendentes foram obrigados a ocultar seus rituais, demonizados pela Igreja oficial e criminalizados pelo Estado. Ainda no início do século XX, mães e pais de santo eram presos sob a acusação de “curandeirismo” ou “charlatanismo”, e terreiros eram invadidos e saqueados pela polícia. A marca desse processo permanece até os dias atuais: a intolerância religiosa contra tradições afro-brasileiras segue como uma das expressões mais violentas do racismo estrutural no país. Apesar de a Constituição Federal de 1988 reconhecer a liberdade religiosa como cláusula pétrea, o Brasil registra anualmente centenas de casos de intolerância religiosa. No Disque 100, somente em 2024, foram registradas 2,4 mil denúncias de ataques relacionados à fé, um crescimento de 66,8% em relação a 2023. Desse total, quase 40% tiveram origem no estado do Rio de Janeiro, onde os principais alvos foram comunidades de matriz africana. No Rio de Janeiro, o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) contabilizou, em 2023, quase 3 mil ocorrências criminais que podem estar associadas à intolerância religiosa. Dentro desse conjunto, 34 foram enquadradas como ultraje a culto religioso. Em 2024, o número subiu: foram 39 registros de ultraje a culto e 33 tipificados como intolerância religiosa. Os dados mostram ainda que, no município do Rio, a Zona Norte concentrou 21 casos e a Zona Oeste outros 15, territórios marcados pela vulnerabilidade social e pela presença de grupos armados, que impõem limites à atuação dos terreiros. A situação é ainda mais grave na Baixada Fluminense. Relatórios de entidades civis e denúncias públicas indicam que cidades como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, Queimados e São João de Meriti estão entre as mais afetadas. Foram relatados episódios de terreiros incendiados em Belford Roxo, casas de axé depredadas em Nova Iguaçu, ameaças diretas a sacerdotes em Caxias e até crianças constrangidas em escolas públicas de Queimados por usarem guias ou colares de sua tradição religiosa. Já em 2019, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI-RJ) apontava que cerca de 200 casas de axé haviam sido atacadas na capital e na região metropolitana. Essa série histórica comprova que o fenômeno não é episódico, mas estrutural, e que se agrava em territórios de maior vulnerabilidade. Limpeza religiosa e silêncio forçado Em diversas comunidades da Baixada, líderes religiosos relatam pressões de traficantes e milicianos que impõem uma espécie de “limpeza religiosa”, proibindo práticas afro-brasileiras e exigindo o fechamento de terreiros. Esse quadro de violência territorializada impede muitas vítimas de registrarem ocorrência, por medo de represálias. Por isso, os números oficiais representam apenas uma fração da realidade — o chamado sub-registro. Função comunitária dos terreiros Diante da crescente perseguição e das tentativas de silenciamento, os terreiros reafirmam, com vigor e dignidade, sua condição histórica de espaços de resistência cultural, espiritual e social. Cada casa de axé se ergue como um verdadeiro quilombo espiritual, guardando em suas paredes, cantos e ritos a memória ancestral dos povos africanos escravizados e transmitindo, com zelo, os saberes e valores que atravessaram séculos de opressão. Mais do que simples templos religiosos, os terreiros cumprem um papel essencial na vida das comunidades em que estão inseridos: são centros comunitários vivos e atuantes, onde se partilham alimentos, se oferecem apoios em situações de vulnerabilidade, se acolhem crianças e jovens em atividades educativas e se preservam, com cuidado e devoção, cantos, danças, ritmos e tradições orais que integram o vasto patrimônio cultural brasileiro. O toque do atabaque, a dança dos orixás, o xirê coletivo, as oferendas nas matas, rios e encruzilhadas, o gesto de colocar uma guia no pescoço de uma criança — nada disso é apenas expressão ritualística, mas sim ato político de afirmação da identidade, da memória e da dignidade de um povo. Em um contexto de racismo religioso estrutural, cada manifestação da fé afro-brasileira é, por si só, um gesto de resistência concreta e necessária. A leitura política da ComCausa Para a ComCausa Defesa da Vida, defender as religiões de matriz africana significa enfrentar diretamente o racismo estrutural que atravessa a sociedade. Não se trata apenas de garantir formalmente o direito ao culto, mas de assegurar que nenhum terreiro seja fechado pela violência, nenhuma criança seja humilhada por sua fé e nenhuma tradição seja silenciada pelo preconceito. É urgente que o poder público implemente políticas de proteção a templos e comunidades de axé, com protocolos de segurança intersetoriais, ações educativas em escolas e investigações céleres que responsabilizem os agressores. Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa A ComCausa Defesa da Vida inicia, realiza esta Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa, um movimento de sete dias dedicado a partilhar reflexões históricas, apresentar dados e mobilizar a sociedade em favor do respeito à diversidade de crenças. De forma simples e comprometida, buscamos contribuir para a conscientização e convidar todas as pessoas a se unirem à 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que acontecerá no próximo domingo (21/09), na Praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Reconhecida como um dos maiores atos públicos do país em prol do respeito à pluralidade de fé, a Caminhada, organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), chega à sua 18ª edição com o lema “Pelos meus, pelos seus, pelos nossos, eu vou!”. O evento reúne lideranças religiosas de diferentes tradições, militantes de direitos humanos, artistas, educadores, coletivos culturais e representantes do poder público Ao longo da semana, serão publicadas matérias especiais, que estarão disponíveis no Portal C3 e na Rede DH da ComCausa, além de conteúdos exclusivos nas redes sociais da instituição, ampliando o alcance da mobilização e convidando toda a sociedade a participar desta caminhada coletiva em defesa da liberdade religiosa. ServiçoEvento: 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade ReligiosaData: Domingo, 21 de setembro de 2025Horário: 10h às 17hConcentração: Posto 5 (Avenida Atlântica, em frente aos números 3.628 e 3.604, esquina com a Rua Sá Ferreira)Saída: 13hEncerramento: Praça do Lido, Posto 2Estrutura: Trios elétricos, tenda, banheiros químicos, aguadeiros, ambulâncias, carrinhos elétricos e posto de verificação de pressão arterial Imagem de capa ilustrativa

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ComCausa lança campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas” contra assédio e violência em eventos culturais

A ComCausa – Defesa da Vida lançará a campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”, uma iniciativa que nasce da necessidade urgente de enfrentar o assédio e a violência em ambientes culturais, especialmente em shows e festivais de grande porte, onde milhares de pessoas se reúnem para celebrar a música e a arte, mas onde, infelizmente, ainda se registram situações recorrentes de agressões, constrangimentos e violações de direitos. A proposta da campanha é clara: reforçar a cultura do cuidado coletivo e da convivência respeitosa. A ComCausa reconhece que o ambiente dos grandes festivais, embora seja espaço de celebração, também expõe vulnerabilidades específicas. Mulheres, pessoas LGBTQIA+, adolescentes e pessoas em situação de embriaguez ou sob efeito de drogas estão entre os grupos mais afetados por assédio sexual, violências físicas e psicológicas, bem como pela negligência diante de situações de risco. A campanha busca, portanto, despertar a consciência coletiva de que a responsabilidade pela segurança não é apenas da organização do evento ou das forças policiais, mas de todas as pessoas presentes. O lema “respeito é base” traduz essa proposta de forma simples e direta: cada indivíduo deve estar atento, solidário e comprometido em agir diante de qualquer situação de violência. Contexto e números preocupantes Casos de assédio e violência em festivais e shows não são exceção, mas uma realidade documentada por pesquisas e levantamentos. Em 2023, a ONG Think Olga divulgou um estudo apontando que 97% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio em espaços públicos, entre eles shows, festas e transportes coletivos. Esse dado, por si só, revela a dimensão estrutural do problema. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública trouxe números igualmente preocupantes: apenas em 2022 foram registrados mais de 62 mil casos de estupro no Brasil, a maioria contra mulheres e adolescentes, e muitos desses episódios ocorreram em contextos de lazer e entretenimento, quando a vítima está mais vulnerável. No cenário internacional, os dados confirmam a gravidade da questão. Um levantamento conduzido no Reino Unido revelou que 53% das mulheres jovens já sofreram assédio em festivais de música. A partir dessa constatação, alguns organizadores passaram a adotar medidas específicas, como áreas exclusivas de acolhimento feminino e protocolos de resposta rápida. Outras pesquisas globais também indicam que a cada três mulheres, uma relata ter sofrido alguma forma de assédio em eventos culturais de grande porte. Além disso, registros de violência homofóbica e transfóbica em shows e baladas reforçam que o problema é interseccional e atinge múltiplas identidades sociais. Esses números evidenciam a urgência de campanhas educativas como a proposta pela ComCausa, que se colocam não apenas como ações pontuais, mas como estratégias permanentes de transformação cultural. Ações práticas durante o Rock Festival A proposta prevê também uma campanha de comunicação de convocação para o Rock Festival de Nova Iguaçu 2025, vinculada aos portais RedeDH e PortalC3, além das redes sociais da ComCausa – Defesa da Vida, Rock ComCausa e da própria Minerva Ink. No dia do festival, também serão distribuídos materiais de conscientização da campanha. Durante os dias do festival, a campanha ganhará corpo no estande da Minerva Ink, estúdio parceiro que se somou à ComCausa para transformar arte em instrumento de cidadania. No local, o público encontrará flash tattoos, camisetas, souvenires e artes exclusivas, que estarão integrados a ações de conscientização. Cada interação será acompanhada de mensagens educativas, materiais impressos, informações sobre canais de denúncia e orientações sobre como agir diante de situações de assédio ou violência. Um chamado coletivo Segundo Adriano Dias, fundador da ComCausa, a campanha foi inspirada na canção “Meu Igual”, da banda Cólera, um clássico do punk nacional que traduz em poesia a ideia de união e resistência: “Sozinho não dá, vem meu igual; seja qualquer cor, de onde for, somos um só”. Para ele, a letra simboliza exatamente o que se espera em eventos culturais: que ninguém se sinta sozinho diante da violência, que todos possam contar com a força coletiva. “Queremos que cada pessoa que vá a um show ou festival sinta que não está sozinha. Que existe uma rede de cuidado e solidariedade pronta para enfrentar o assédio e as violências. Nosso objetivo é que o rock, a música e a cultura sejam espaços de liberdade e não de medo”, destacou Dias. Um marco no enfrentamento às violências Com a campanha “Vem Meu Igual – Cuida dos manos / Cuida das minas”, a ComCausa reforça sua missão histórica de unir direitos humanos, arte e cidadania em defesa da vida. A iniciativa não apenas alerta para a gravidade do problema, mas também oferece caminhos práticos de mobilização, colocando o público como protagonista da mudança. Mais do que uma campanha, trata-se de um convite coletivo: cuidar uns dos outros é a verdadeira base de qualquer celebração cultural. Imagem de capa ilustrativa | Rua Ceará Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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15a edicao Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

Liberdade Religiosa: Origem da Caminhada de Copacabana e raízes históricas

A ComCausa – Defesa da Vida abre a Semana pela Liberdade Religiosa reafirmando que essa conquista não é apenas letra na Constituição, mas resultado da resistência histórica de populações negras, indígenas e movimentos sociais, que enfrentaram o preconceito e forjaram a pluralidade espiritual que hoje caracteriza o Brasil. A liberdade religiosa no Brasil é fruto de um processo histórico marcado por resistência e lutas sociais. Durante o período colonial, as práticas espirituais de povos indígenas e africanos foram violentamente reprimidas, enquanto o catolicismo era imposto como religião oficial. Mesmo diante da perseguição, comunidades resistiram, reinventando rituais e transmitindo saberes que sobreviveram até hoje. Com a Constituição de 1824, a discussão sobre liberdade de culto surgiu de forma tímida e restrita. Em 1891, a separação entre Igreja e Estado garantiu o direito formal ao livre exercício da fé, ainda que as práticas cotidianas de intolerância persistissem. Foi somente em 1988, com a Constituição Cidadã, que a liberdade religiosa se consolidou como cláusula pétrea — um direito fundamental inalienável, equiparado aos pilares da democracia e da dignidade humana. A história da Caminhada de Copacabana A Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa nasceu em 2008, quando ataques contra adeptos de religiões de matriz africana no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, expuseram com brutalidade a persistência da intolerância no país. Em resposta, lideranças de diversas tradições  decidiram ocupar o espaço público para afirmar que a fé é um direito humano inegociável. Desde sua primeira edição, realizada na Praia de Copacabana, a Caminhada se transformou em um dos maiores atos inter-religiosos do mundo, reunindo representantes de candomblé, umbanda, católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos, budistas, hare krishnas, wiccanos, ciganos, mórmons e inúmeros outros grupos espirituais, além de militantes dos direitos humanos e da diversidade cultural. Estrutura da edição de 2025 No domingo, 21 de setembro, a Praia de Copacabana será palco da 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP). Reconhecido como o maior evento inter-religioso do Brasil, o ato ocorre sempre no terceiro domingo de setembro e se consolidou como símbolo de resistência, união e democracia. No próximo domingo, 21 de setembro, a concentração começará às 10h no Posto 5, com apresentações culturais e falas de representantes de diferentes tradições. A caminhada terá início às 13h, percorrendo a Avenida Atlântica até a Praça do Lido, encerrando-se às 17h com o encontro cultural “Cantando a Gente se Entende”, que une vozes e ritmos para afirmar a diversidade como melodia da liberdade. A estrutura contará com trios elétricos, tenda de apoio, banheiros químicos, ambulâncias, aguadeiros e carrinhos elétricos, garantindo segurança e conforto para os milhares de participantes. Segundo o Prof. Dr. Ivanir dos Santos, fundador da CCIR, a caminhada é um chamado coletivo para a construção de uma sociedade mais plural e humana. “A intolerância religiosa e o racismo ainda são os maiores desafios sociais e políticos da contemporaneidade. O evento projeta luz e reflexões para o fortalecimento das bases democráticas”, afirma. Mais do que um ato público, a Caminhada é memória, resistência e futuro. É a materialização de um Brasil onde todas as tradições têm espaço, onde nenhuma fé deve ser perseguida e onde a democracia só se fortalece quando a espiritualidade do outro é respeitada. Assim, a ComCausa inicia sua Semana pela Liberdade Religiosa, lembrando que cada passo em Copacabana é um tributo às lutas passadas e um compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, plural e humana. Ao longo da semana, serão publicadas matérias especiais, que estarão disponíveis no Portal C3 e na Rede DH da ComCausa, além de conteúdos exclusivos nas redes sociais da instituição, ampliando o alcance da mobilização e convidando toda a sociedade a participar desta caminhada coletiva em defesa da liberdade religiosa. ServiçoEvento: 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade ReligiosaData: Domingo, 21 de setembro de 2025Horário: 10h às 17hConcentração: Posto 5 (Avenida Atlântica, em frente aos números 3.628 e 3.604, esquina com a Rua Sá Ferreira)Saída: 13hEncerramento: Praça do Lido, Posto 2Estrutura: Trios elétricos, tenda, banheiros químicos, aguadeiros, ambulâncias, carrinhos elétricos e posto de verificação de pressão arterial Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa A ComCausa Defesa da Vida inicia, nesta segunda-feira (15/09), a Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa, um movimento de sete dias dedicado a partilhar reflexões históricas, apresentar dados e mobilizar a sociedade em favor do respeito à diversidade de crenças. De forma simples e comprometida, buscamos contribuir para a conscientização e convidar todas as pessoas a se unirem à 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que acontecerá no próximo domingo (21/09), na Praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Reconhecida como um dos maiores atos públicos do país em prol do respeito à pluralidade de fé, a Caminhada, organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), chega à sua 18ª edição com o lema “Pelos meus, pelos seus, pelos nossos, eu vou!”. O evento reúne lideranças religiosas de diferentes tradições, militantes de direitos humanos, artistas, educadores, coletivos culturais e representantes do poder público Ao longo da semana, serão publicadas matérias especiais, que estarão disponíveis no Portal C3 e na Rede DH da ComCausa, além de conteúdos exclusivos nas redes sociais da instituição, ampliando o alcance da mobilização e convidando toda a sociedade a participar desta caminhada coletiva em defesa da liberdade religiosa. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

Liberdade Religiosa: Origem da Caminhada de Copacabana e raízes históricas Read More »