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Seminário Integração no Setembro Amarelo reúne especialistas e premia projetos municipais de prevenção

Seminário Integração no Setembro Amarelo reúne especialistas e premia projetos municipais de prevenção

Na tarde desta sexta-feira, 26 de setembro de 2025, o Auditório Sylvia Bisaggio da Universidade Unisuam, em Bonsucesso, foi palco de um encontro que reafirmou a urgência do cuidado com a saúde mental e da valorização da vida. Promovido pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Especial de Integração Metropolitana, o seminário “Integração no Setembro Amarelo – Políticas Públicas de Prevenção e Cuidado” reuniu gestores públicos, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes da sociedade civil em um diálogo direto sobre prevenção ao suicídio. Conduzido pela secretária Cynthia Felix, o evento destacou a importância de uma ação integrada entre os municípios da Região Metropolitana. “Precisamos unir esforços para que as políticas de saúde mental deixem de ser apenas discursos e se transformem em práticas permanentes. Prevenir o suicídio é salvar vidas e garantir dignidade”, afirmou. Conhecimento e prática em diálogo O seminário contou com a contribuição de especialistas de diferentes áreas. O psiquiatra Hugo Fagundes, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, apresentou a experiência da rede psicossocial da capital, mostrando como o atendimento multiprofissional é fundamental no acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico. De Nilópolis, o secretário de Esporte e Lazer Paulo Roberto Moraes reforçou o papel das práticas esportivas e culturais na prevenção, principalmente entre jovens. Já o médico Silas Ferreira, do CAPS de Maricá, detalhou os desafios diários do atendimento direto à população, alertando para a necessidade de ampliar equipes e recursos. O neurocientista Tiago Garcia trouxe reflexões sobre os impactos sociais e econômicos do suicídio, lembrando que cada vida perdida rompe não apenas uma trajetória pessoal, mas também laços familiares e comunitários. A especialista em Psiquiatria e Saúde Mental Silvia Carvalho, representante da Liga de Saúde Mental da Unisuam, destacou o papel da universidade na formação de profissionais preparados para lidar com situações complexas de sofrimento emocional. Premiação de boas práticas municipais Um dos momentos mais celebrados do encontro foi a premiação de projetos municipais de prevenção, reconhecendo iniciativas que unem inovação, acolhimento e impacto social: Acolhe – Duque de CaxiasVoltado para o apoio psicossocial, o projeto fortalece a rede de acolhimento local e cria canais de apoio para quem precisa pedir ajuda. Despertar Amanhecer: Onde o Corpo se Move – Prefeitura de ItaboraíA iniciativa utiliza atividades físicas e culturais como ferramentas de cuidado, mostrando que o movimento do corpo é também movimento da mente e da vida. Esporte Salva – NilópolisUm programa que aposta no esporte como caminho de prevenção, inclusão e esperança para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Esses projetos simbolizam que a prevenção passa por múltiplas frentes — saúde, educação, esporte, cultura — e que cada município pode contribuir com soluções adaptadas à sua realidade. A urgência do Setembro Amarelo De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, sendo esta a terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, o Ministério da Saúde registra cerca de 12 mil mortes anuais, número que vem crescendo na última década. O lema da campanha de 2025, “Se precisar, peça ajuda!”, ecoou em todas as falas do seminário como um convite a quebrar tabus, enfrentar preconceitos e reforçar que pedir apoio é um gesto de coragem. Compromisso coletivo O seminário mostrou que prevenir o suicídio é um esforço que exige cooperação entre governos, profissionais de saúde, universidades e sociedade civil. Mais do que um encontro acadêmico, o evento se consolidou como um ato coletivo de esperança e compromisso com a valorização da vida. “Quando reconhecemos projetos que salvam vidas e damos voz a profissionais comprometidos, mostramos que a prevenção é possível e que cuidar da saúde mental deve ser prioridade em qualquer política pública”, resumiu a secretária Cynthia Felix ao encerrar o encontro. O jornalista da Adriano Dias, fundador da ComCausa Defesa da Vida, que estave no evento, registrou: “Quando o poder público abre espaço para ouvir a sociedade e valorizar práticas que salvam vidas, como vimos neste seminário, temos a certeza de que prevenir o suicídio é possível. Saúde mental não pode ser apenas campanha de setembro, precisa ser prioridade permanente de todas as políticas públicas.” Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Saúde, médico

ComuniSaúde fortalece redes comunitárias e valoriza profissionais da saúde nas favelas da Baixada Fluminense

O projeto ComuniSaúde, desenvolvido pela ComCausa, tem como objetivo central fortalecer o acesso à saúde básica e ampliar o cuidado com a saúde mental nas favelas da Baixada Fluminense. A iniciativa atua diretamente dentro das comunidades, com rodas de conversa, articulação entre moradores e agentes de saúde, ações educativas e escuta qualificada, promovendo a conscientização sobre os direitos à saúde e a importância de uma rede de apoio comunitária. A ação reconhece que o trabalhador da saúde é peça-chave na construção de um sistema de saúde eficaz. Presentes em postos de saúde, hospitais, ambulatórios, escolas e no cotidiano das famílias, esses profissionais enfrentam uma rotina de desafios para garantir a promoção, prevenção, tratamento e reabilitação da saúde da população. O projeto valoriza e apoia essa atuação, incentivando a aproximação entre os serviços de saúde e os territórios populares. Na Baixada Fluminense, onde o acesso ao atendimento básico ainda é um obstáculo para muitos moradores, a presença do ComuniSaúde representa uma ponte entre o SUS e as comunidades. Ao mesmo tempo, contribui para o fortalecimento da confiança nas equipes de saúde da família e dos agentes comunitários, responsáveis por levar informação, acolhimento e escuta até os lares mais vulneráveis. Além de destacar a importância dos serviços públicos de saúde, o projeto chama atenção para o papel central dos profissionais que atuam na linha de frente. Médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, assistentes sociais e tantos outros trabalhadores compõem uma equipe diversa, que atua de forma interdisciplinar para oferecer um cuidado integral. Esses profissionais não apenas tratam doenças, mas também promovem hábitos saudáveis, orientam sobre prevenção e acompanham os pacientes em seu processo de cura e autonomia. O ComuniSaúde também reforça a importância do cuidado com a saúde mental, frequentemente negligenciado em contextos de alta vulnerabilidade. A iniciativa promove rodas de escuta, oficinas e encontros com psicólogos populares, que ajudam a comunidade a lidar com estigmas, sofrimento emocional e os efeitos do racismo estrutural e da violência urbana. Para os profissionais de saúde, o projeto atua como uma rede de apoio, reconhecendo o peso emocional do ofício e a sobrecarga vivida por quem lida diariamente com sofrimento humano, decisões urgentes e condições precárias de trabalho. Em um cenário marcado por longas jornadas, escassez de recursos e crescente demanda, iniciativas como o ComuniSaúde se tornam essenciais para oferecer suporte coletivo, promover diálogo entre serviço e população, e valorizar esses trabalhadores. A saúde pública também enfrenta o desafio de acompanhar os avanços tecnológicos. A digitalização de prontuários, o uso de telemedicina e a integração com plataformas digitais impõem aos profissionais a necessidade constante de atualização. Mesmo assim, é no vínculo humano, na escuta e no cuidado presencial que se sustenta a essência do trabalho em saúde, especialmente nos territórios onde a presença do Estado ainda é frágil. O ComuniSaúde reafirma o compromisso com a defesa da vida, promovendo não apenas o acesso a serviços, mas também o fortalecimento de vínculos comunitários e o protagonismo popular na construção de políticas públicas. Ao reconhecer o valor dos profissionais de saúde e ampliar os espaços de cuidado nas periferias, o projeto mostra que a saúde começa pelo território, pela escuta e pelo respeito à dignidade de cada pessoa. Seja ao mobilizar um mutirão de orientação, acolher um morador em sofrimento ou facilitar o diálogo entre comunidade e posto de saúde, o ComuniSaúde atua como catalisador de mudanças concretas, promovendo saúde com humanidade e justiça social na Baixada Fluminense. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Gratificação Faroeste: Quando a morte virou critério de bônus na segurança pública do Rio

Nos anos 1990, o Estado do Rio de Janeiro implementou uma política de premiação em dinheiro a policiais civis, militares e bombeiros que alcançassem determinados “resultados operacionais”. Oficialmente, a ideia era valorizar atos de bravura e estimular a apreensão de armas e a prisão de criminosos de alta periculosidade. Na prática, porém, a bonificação acabou associada diretamente ao aumento da letalidade policial — e recebeu o apelido de “gratificação faroeste” da imprensa e de entidades de direitos humanos. A base legal da bonificação O arranjo nasceu em 8 de novembro de 1995, no governo de Marcello Alencar, com o Decreto nº 21.753, que criou a “premiação em pecúnia por Mérito Especial”. O bônus variava de 50% a 150% do salário do servidor, podendo ser concedido por ato do governador após proposta das chefias. Em 1997, o Decreto 23.577 reduziu o piso da premiação para 10%, mantendo o teto em 150%. Nos anos seguintes, diversos decretos ajustaram valores ou concederam gratificações a casos específicos. Mas em 1998, a Alerj aprovou a Lei nº 2.993 proibindo o pagamento vinculado a mortes em confronto e revogando a lógica que sustentava a bonificação. Em 2000, o Decreto nº 26.249 fez a revogação expressa do decreto original de 1995, encerrando juridicamente o programa. Como funcionava na prática Na prática, a chamada “gratificação faroeste” se traduzia em um sistema de prêmios financeiros oferecidos a policiais que apresentassem determinados tipos de resultados em operações de segurança pública. Esses resultados eram entendidos, à época, como expressões de eficiência operacional e de “bravura”, mas na prática estavam fortemente ligados à lógica do confronto armado. Entre os critérios que mais frequentemente resultavam em bonificação estavam as mortes de suspeitos em supostos confrontos, registradas oficialmente como “autos de resistência”. Esse dispositivo jurídico-administrativo servia para classificar casos em que indivíduos teriam morrido em decorrência de troca de tiros com policiais, dispensando inicialmente uma investigação criminal aprofundada. Assim, cada ocorrência desse tipo podia ser convertida em pontuação positiva para as unidades ou equipes envolvidas. Outro critério amplamente utilizado era a apreensão de armas de grosso calibre, especialmente fuzis e metralhadoras, cuja circulação em comunidades e no crime organizado já era, nos anos 1990, um dos maiores desafios enfrentados pelo Estado. A captura desses armamentos era vista como sinal inequívoco de eficiência, e, portanto, motivo para a concessão da gratificação. Havia ainda a possibilidade de premiar prisões de lideranças criminosas ou de pessoas consideradas de “alta periculosidade”. Nesses casos, o argumento oficial era o de que a neutralização de figuras-chave do tráfico ou de quadrilhas armadas produzia efeito direto na segurança da população, justificando o pagamento adicional aos policiais responsáveis. O processo não era automático: cada concessão dependia de relatórios formais, homologação das chefias imediatas e, por fim, de validação pela própria Secretaria de Segurança. Contudo, críticos apontavam que a fragilidade dos mecanismos de controle e a ausência de fiscalização externa permitiam que mortes em circunstâncias obscuras fossem facilmente transformadas em “resultados premiáveis”. Para organizações de direitos humanos, juristas e parte da imprensa, o modelo criava um incentivo perverso: transformar a letalidade em moeda de recompensa. Assim, a política pública, em vez de valorizar a preservação da vida e a investigação qualificada, acabava estimulando condutas que distorciam os protocolos de uso progressivo da força, multiplicavam os riscos de execuções extrajudiciais e alimentavam uma espiral de violência que marcou a década de 1990 no Rio de Janeiro. Críticas e denúncias de abusos Desde a sua criação, a gratificação por “mérito especial” foi vista como uma política de alto risco institucional. Pesquisas do CESeC/UCAM, do ISER e de organismos internacionais como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch denunciaram que o pagamento de bônus em casos de confronto armado representava uma distorção grave: transformava a morte em critério de eficiência. A política incentivava diretamente a letalidade policial, provocava a subnotificação de execuções como “autos de resistência” e comprometia a independência das perícias e da cadeia de custódia. Além disso, não havia mecanismo de auditoria externa que pudesse dar transparência ao processo de concessão, já que a decisão ficava restrita às chefias e à Secretaria de Segurança. Um levantamento apresentado à própria Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) à época mostrou que 64% dos laudos cadavéricos de casos premiados tinham sinais claros de execução: tiros na nuca, pelas costas ou à curta distância. Esse dado foi decisivo para a aprovação da lei que extinguiu a gratificação no fim da década de 1990. Números da letalidade Estudos de Ignacio Cano e outros pesquisadores indicam que os anos 1990 foram marcados por picos históricos de “autos de resistência” no Rio de Janeiro. As mortes decorrentes de ação policial cresceram de maneira significativa justamente no período em que vigorou a bonificação. Mais tarde, as estatísticas oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) confirmaram esse cenário: a letalidade policial seguiu em patamares elevados até o início dos anos 2000, demonstrando que a herança deixada por essa política se refletiu por anos na lógica de enfrentamento armado adotada pelas forças de segurança. Fim e legado A chamada “gratificação faroeste” foi extinta pela Lei nº 2.993/1998, aprovada pela Alerj, e em 2000 houve a revogação expressa do decreto que a instituíra. Apesar do fim formal, o apelido permaneceu como símbolo de uma política de confronto e ainda hoje é usado para criticar tentativas de vincular gratificações a ações letais. Especialistas alertam que esse modelo de incentivo não reduz a violência, mas agrava os riscos tanto para a população civil quanto para os próprios policiais, que ficam expostos a emboscadas e represálias ao serem pressionados a buscar confrontos armados como forma de “resultado”. O retorno do faroeste em 2025 No dia 23 de setembro de 2025, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou novamente um dispositivo semelhante, que prevê o pagamento de bônus de 10% a 150% do salário a policiais civis que “neutralizarem” criminosos em operações ou realizarem apreensões de armamento pesado. A proposta foi incluída por meio de emendas parlamentares ao projeto de reestruturação

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15a edicao Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

Liberdade Religiosa: Caminhar juntos é a mais profunda forma de defender a vida

Em um país atravessado por desigualdades históricas, preconceitos estruturais e violências que, muitas vezes, se repetem como marcas em nossas trajetórias, a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa surge, desde 2008, como um gesto carregado de significados. Não se trata apenas de reunir pessoas em uma avenida famosa do Rio de Janeiro. Trata-se de uma resposta coletiva e simbólica diante de um contexto que insiste em negar o direito elementar de viver plenamente a própria fé. A Caminhada é, antes de tudo, um grito de vida. É o ato público que recorda ao Brasil que cada templo queimado, cada guia arrancada do pescoço de uma criança, cada ameaça dirigida a uma mãe ou pai de santo, não é apenas uma agressão isolada: é uma tentativa de retirar do outro o direito de existir. Por isso, defender a liberdade religiosa é inseparável da defesa da vida. A vida que insiste em resistir Desde a chegada dos primeiros povos africanos escravizados, que mantiveram suas tradições espirituais mesmo sob o chicote, até os povos indígenas que foram perseguidos por suas cosmologias próprias, a liberdade religiosa no Brasil é marcada pela resistência. Não há como falar de pluralidade espiritual sem reconhecer que ela se construiu no enfrentamento de séculos de violência e tentativa de apagamento. E essa história não é passado. Ela se reatualiza no presente, quando o Disque 100 registra mais de 2,4 mil denúncias de intolerância religiosa apenas em 2024, um crescimento de quase 70% em relação ao ano anterior. No estado do Rio de Janeiro, epicentro dessa realidade, quase 40% dos casos do país se concentram — com a Baixada Fluminense e as periferias da capital figurando como os territórios mais atingidos. Ali, os números se transformam em rostos: terreiros queimados em Belford Roxo, sacerdotes ameaçados em Caxias, crianças humilhadas em escolas de Queimados e Nova Iguaçu. Diante desse cenário, afirmar a liberdade de fé não é uma questão apenas espiritual ou cultural. É uma questão vital. Significa garantir que pessoas possam existir sem medo. Significa sustentar o direito de viver sem que sua crença seja motivo de exclusão, violência ou morte. Caminhar juntos como resposta O gesto de caminhar juntos, na Avenida Atlântica, torna-se um antídoto contra a tentativa de dividir e silenciar. Quando mais de 100 mil pessoas se reúnem em Copacabana, não estão apenas marchando: estão dizendo ao país que a vida floresce na coletividade, e que só é possível resistir ao ódio fortalecendo laços de solidariedade. Ali, lado a lado, estão tradições distintas: candomblecistas, umbandistas, evangélicos, católicos, judeus, muçulmanos, budistas, espíritas, povos indígenas, wiccanos, ciganos e tantas outras expressões de fé. Cada um com seus símbolos, cânticos e rituais. Mas todos, sem exceção, unidos por uma mensagem maior: ninguém deve caminhar sozinho quando se trata de defender a vida. A intolerância religiosa busca isolar, fragmentar, expulsar. A Caminhada responde com aproximação, encontro e convivência. Ela transforma o espaço público em um quilombo espiritual contemporâneo, onde a diversidade não é apenas tolerada, mas celebrada. Defesa da vida como princípio ético e político A ComCausa Defesa da Vida entende que não há democracia sólida sem liberdade religiosa, e não há liberdade religiosa sem defesa da vida. Esse princípio deve orientar não apenas discursos, mas práticas concretas de Estado e sociedade: políticas de proteção aos terreiros, protocolos escolares contra o bullying religioso, formação de profissionais de segurança e de saúde, campanhas públicas de valorização da diversidade espiritual. Mas a Caminhada vai além da cobrança política. Ela é também um ato pedagógico. Ensina, de maneira simples e potente, que a vida se defende coletivamente. Cada passo é uma lição: pais que levam filhos para conhecer tradições diversas; jovens que marcham de mãos dadas com idosos; artistas que cantam sobre os orixás, sobre Jesus, sobre Alá, sobre Jeová, sobre Buda, sobre as forças da natureza. Ali, em cada gesto de convivência, está a prova viva de que defender a vida é aprender a conviver com o outro. O futuro é coletivo O Brasil precisa urgentemente compreender que a defesa da vida não pode ser delegada a poucos, nem restrita a uma única crença. Ela só será plena quando cada cidadão se sentir parte de uma comunidade maior, em que diferenças não se transformam em muros, mas em pontes. A Caminhada em Copacabana é a materialização desse futuro desejado. Ela prova, a cada ano, que é possível ocupar o mesmo espaço sem que a diversidade seja motivo de conflito. Ao contrário: quando caminhamos juntos, mostramos que a democracia é forte, que a vida é inviolável e que a espiritualidade é plural. ServiçoEvento: 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade ReligiosaData: Domingo, 21 de setembro de 2025Horário: 10h às 17hConcentração: Posto 5 (Avenida Atlântica, em frente aos números 3.628 e 3.604, esquina com a Rua Sá Ferreira)Saída: 13hEncerramento: Praça do Lido, Posto 2Estrutura: Trios elétricos, tenda, banheiros químicos, aguadeiros, ambulâncias, carrinhos elétricos e posto de verificação de pressão arterial Imagem de capa ilustrativa Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Respeito religião

Liberdade Religiosa: Brasil plural e a diversidade de suas crenças

O Brasil carrega em sua formação social um dos mosaicos religiosos mais complexos e vibrantes do mundo. Essa diversidade é fruto de séculos de encontros, tensões e resistências, desde a chegada dos colonizadores portugueses, a diáspora africana, a presença milenar dos povos indígenas e as ondas de imigração europeia, árabe e asiática que marcaram os séculos XIX e XX. O Censo 2022 do IBGE evidencia esse cenário: o catolicismo, que já foi quase absoluto na sociedade brasileira, reúne hoje 56,7% da população; as igrejas evangélicas cresceram de maneira acelerada e já representam 26,9% dos fiéis; enquanto o grupo dos “sem religião” chega a 9,3% — sendo que, dentro desse segmento, muitos se identificam como ateus, agnósticos ou espiritualistas não vinculados. Além desses blocos majoritários, milhões de pessoas seguem tradições afro-brasileiras, espíritas, orientais, islâmicas, judaicas, indígenas e novos movimentos sincréticos, compondo uma verdadeira cartografia da fé. Cristianismo: hegemonia em mudança A história do cristianismo no Brasil é inseparável da colonização. O catolicismo foi a religião oficial até a Constituição de 1891, quando ocorreu a separação entre Igreja e Estado. Hoje, embora ainda majoritário, o catolicismo perdeu espaço. Em 1872, no primeiro recenseamento do Império, mais de 99% da população se declarava católica. Já em 2010, o índice havia caído para 64,6% e, em 2022, chegou a 56,7%. O crescimento evangélico é o dado mais marcante da virada religiosa contemporânea. Em 1980, apenas 6,6% dos brasileiros se declaravam evangélicos; em 2000, esse número chegou a 15,4%; em 2010, saltou para 22,2%; e, em 2022, já alcança 26,9%. As projeções do próprio IBGE indicam que, em menos de 15 anos, evangélicos e católicos devem se equilibrar numericamente. Esse crescimento é puxado principalmente pelas igrejas pentecostais e neopentecostais, como a Assembleia de Deus, a Universal do Reino de Deus, a Mundial do Poder de Deus e a Igreja Internacional da Graça. Esse avanço é visível sobretudo em periferias urbanas do Sudeste, Nordeste e Norte, onde os templos evangélicos proliferam como espaços de acolhimento espiritual e comunitário. Nas regiões Sul e Centro-Oeste, o protestantismo histórico (batistas, presbiterianos, luteranos, metodistas) ainda conserva presença relevante, ligada em parte às colônias de imigração alemã e ao enraizamento comunitário dessas igrejas. Religiões de matriz africana: fé, resistência e perseguição O Brasil é o país com maior população negra fora da África, e a presença das tradições afro-brasileiras molda sua identidade espiritual. O candomblé e a umbanda são expressões religiosas reconhecidas como patrimônios culturais imateriais, mas também alvo de uma das formas mais persistentes de intolerância no país: o racismo religioso. Estados como Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, São Paulo e Rio Grande do Sul concentram o maior número de terreiros, mas a diversidade vai além: o Tambor de Mina (MA/PA), o Xangô (PE/AL), o Batuque (RS), a Jurema Sagrada (Nordeste) e práticas híbridas como o Omolokô e o Candomblé de Caboclo revelam o pluralismo dessas tradições. Apesar do reconhecimento oficial, os dados revelam um quadro alarmante. O Disque 100, canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos, registrou em 2024 mais de 2,4 mil queixas de intolerância religiosa, um aumento de 66,8% em relação a 2023. Quase 40% dessas ocorrências tiveram origem no estado do Rio de Janeiro, e a maioria dos alvos foram comunidades de matriz africana. No Rio de Janeiro, o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) contabilizou em 2023 quase 3 mil ocorrências criminais relacionadas a intolerância religiosa, com 34 casos tipificados como ultraje a culto religioso. Em 2024, os registros subiram para 39 ultrajes e 33 ocorrências formalmente identificadas como intolerância religiosa. A distribuição intraurbana é reveladora: 21 casos na Zona Norte e 15 na Zona Oeste, áreas marcadas por vulnerabilidade social e pela presença de grupos armados. Na Baixada Fluminense, a situação é ainda mais grave. Relatórios de organizações de direitos humanos apontam que Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, Queimados e São João de Meriti estão entre os municípios com mais episódios de perseguição. Houve terreiros incendiados em Belford Roxo, casas de axé depredadas em Nova Iguaçu, ameaças diretas a sacerdotes em Caxias e crianças constrangidas em escolas públicas de Queimados por usarem guias religiosas. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI-RJ) já havia apontado, em 2019, que cerca de 200 casas de axé foram atacadas somente na capital e região metropolitana. Esse histórico comprova que não se trata de fenômeno isolado, mas estrutural, e que se reproduz há décadas. Povos indígenas e espiritualidade originária Mais de 300 povos indígenas brasileiros mantêm suas práticas espirituais vivas, baseadas na relação com a natureza, no culto aos ancestrais e na coletividade. Do xamanismo amazônico às práticas de rezas e benzimentos no Nordeste, essas tradições resistem apesar de séculos de perseguição e tentativas de catequização forçada. As práticas indígenas são especialmente fortes no Norte (Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Acre) e no Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul), mas também estão presentes em territórios do Maranhão, Bahia e Nordeste. A pajelança e os rituais coletivos representam não apenas espiritualidade, mas também resistência cultural e afirmação identitária, fundamentais para a luta contemporânea dos povos originários pela terra e pela preservação ambiental. Novos movimentos religiosos brasileiros O Brasil também produziu religiões próprias, nascidas de processos de sincretismo e resistência. As religiões ayahuasqueiras — como o Santo Daime, a União do Vegetal e a Barquinha — nasceram na Amazônia e hoje têm templos em todo o país, especialmente em capitais do Sudeste e Sul. O espiritismo kardecista, de origem francesa, encontrou no Brasil terreno fértil: segundo o IBGE, somos o país com o maior número de espíritas do mundo, com destaque para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Os centros espíritas atuam tanto na dimensão espiritual quanto em atividades de caridade, reforçando seu papel social. Tradições orientais, judaicas e islâmicas A imigração japonesa do início do século XX trouxe o budismo, a Seicho-No-Ie, a Igreja Messiânica Mundial, a Perfect Liberty e o Tenrikyō, hoje concentrados principalmente em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O hinduísmo e as filosofias indianas chegaram por

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Liberdade Religiosa

Liberdade Religiosa: juventude e educação como fronteiras da resistência

O Brasil vive um momento em que a defesa da liberdade religiosa se coloca não apenas como herança histórica, mas como tarefa urgente para a construção de um futuro mais justo. Segundo o Censo 2022 do IBGE, quase 23% da população brasileira tem até 29 anos — ou seja, estamos diante de mais de 47 milhões de jovens. É nessa parcela que repousa a responsabilidade de sustentar os valores da convivência plural, do respeito às diferenças e da resistência contra o avanço da intolerância. A juventude brasileira, em sua diversidade social e cultural, é herdeira de uma história marcada por perseguições, mas também por reinvenções. E, ao mesmo tempo, é protagonista da luta contemporânea que liga passado e futuro. Se a liberdade de crença foi conquistada como cláusula pétrea da Constituição de 1988, é nos corpos e nas vozes de crianças e adolescentes que se decide, hoje, se esse direito será preservado ou corroído pelo preconceito. O peso dos números: intolerância contra crianças e adolescentes Os dados recentes reforçam a gravidade do cenário. Em 2024, o Disque 100 recebeu 2,4 mil denúncias de intolerância religiosa, um salto de 66,8% em relação a 2023. Entre esses casos, quase 30% tiveram como vítimas crianças e adolescentes, a maioria em escolas e espaços educativos. Isso significa que uma em cada três denúncias de intolerância religiosa no Brasil tem como alvo pessoas em idade escolar. Trata-se de um alerta contundente: o preconceito está se reproduzindo em ambientes que deveriam ser espaços de proteção e de formação cidadã. O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) registrou, apenas em 2023, quase 3 mil ocorrências criminais ligadas à intolerância religiosa, com 34 casos formalmente tipificados como ultraje a culto. Em 2024, os registros aumentaram para 39 ultrajes e 33 ocorrências de intolerância religiosa. As zonas Norte e Oeste da capital, além da Baixada Fluminense, concentram a maior parte dos casos, espelhando a sobreposição entre desigualdade socioespacial, ausência de políticas públicas e presença de grupos armados. A Baixada Fluminense como território de risco Na Baixada Fluminense, os números ganham rostos e histórias. Pesquisas da UFRRJ e da UFF apontam que o racismo religioso é uma das formas mais recorrentes de discriminação sofrida por jovens na região. Em cidades como Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, Queimados e São João de Meriti, crianças relatam esconder suas identidades religiosas por medo de retaliação. Casos de terreiros incendiados, casas de axé depredadas, sacerdotes ameaçados e estudantes constrangidos em escolas públicas são cada vez mais comuns. Essa violência, muitas vezes, é potencializada por grupos criminosos que tentam impor uma “limpeza religiosa” em territórios vulnerabilizados. Em 2022, a própria DECRADI-RJ (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) já havia mapeado cerca de 200 casas de axé atacadas somente na capital e região metropolitana. Esse histórico mostra que não se trata de fenômeno episódico, mas de uma perseguição estrutural, que atravessa décadas e se reinventa no presente. Educação: campo de disputa e de esperança Apesar dos avanços legais — como a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, e a Lei 11.645/2008, que incluiu a cultura indígena —, a realidade nas escolas ainda está distante do ideal. Relatórios do MEC de 2022 mostram que apenas 37% das escolas públicas aplicam integralmente os conteúdos previstos nessas leis. Isso significa que milhões de estudantes crescem sem contato com narrativas que valorizem a contribuição afro-indígena para a formação do Brasil, alimentando a ignorância que sustenta o preconceito. A escola, que deveria ser lugar de acolhimento e diálogo, em muitos casos se converte em espaço de exclusão e reforço de estigmas. Mas é justamente nesse terreno que se ergue a resistência. Núcleos de educação antirracista em Nova Iguaçu e Duque de Caxias têm mostrado caminhos concretos: rodas de leitura sobre cultura africana, oficinas de percussão, aulas públicas de história afro-brasileira e formação de professores comprometidos com a diversidade. Essas iniciativas indicam que a educação pode ser fronteira da resistência, desde que acompanhada de políticas públicas estruturadas. Cultura e redes: a juventude fala por si Fora da sala de aula, os jovens encontram na cultura e nas redes sociais ferramentas de enfrentamento. O rap, o funk consciente, as batalhas de slam, os saraus periféricos e os coletivos audiovisuais transformaram-se em palcos de denúncia contra o racismo religioso. Movimentos como o “Juventude de Axé” articulam terreiros e coletivos culturais, promovendo a autoestima e a visibilidade positiva das tradições afro-brasileiras. Para essa juventude, cantar, rimar ou filmar não é apenas arte: é ato político, é resistência, é defesa da liberdade de fé como direito humano inegociável. O papel da ComCausa A ComCausa Defesa da Vida entende que juventude e educação são as linhas de frente na luta pela liberdade religiosa. Proteger jovens significa proteger o futuro da democracia brasileira. “A juventude é guardiã do futuro da democracia. Quando uma criança é impedida de expressar sua fé, não é apenas ela que sofre: é toda a sociedade que se empobrece”. A organização defende políticas públicas que vão além da repressão penal: protocolos escolares contra bullying religioso, formação de educadores para o respeito à diversidade, campanhas permanentes de conscientização e fortalecimento de núcleos comunitários de proteção. O objetivo é claro: que cada escola, da Baixada Fluminense ao interior do Brasil, seja território de convivência, respeito e cidadania. Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa A ComCausa Defesa da Vida inicia, realiza esta Semana ComCausa pela Liberdade Religiosa, um movimento de sete dias dedicado a partilhar reflexões históricas, apresentar dados e mobilizar a sociedade em favor do respeito à diversidade de crenças. De forma simples e comprometida, buscamos contribuir para a conscientização e convidar todas as pessoas a se unirem à 18ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que acontecerá no próximo domingo (21/09), na Praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Reconhecida como um dos maiores atos públicos do país em prol do respeito à pluralidade de fé, a Caminhada, organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), chega à sua 18ª edição com o lema “Pelos meus, pelos seus, pelos nossos, eu vou!”. O evento reúne lideranças religiosas

Liberdade Religiosa: juventude e educação como fronteiras da resistência Read More »