Datas importantes

Setembro Amarelo

Setembro Amarelo

O mês de setembro é marcado pelo movimento internacional conhecido como “Setembro Amarelo”, dedicado à conscientização e prevenção do suicídio. No entanto, você sabia que esse importante movimento teve início nos Estados Unidos, em 1994, quando um jovem chamado Mike Emme, apelidado de “Mustang Mike”, cometeu suicídio? Mike Emme era um talentoso jovem de 17 anos que ficou conhecido por restaurar um icônico automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Seu trabalho minucioso e apaixonado lhe rendeu o apelido que o tornaria conhecido. No entanto, por trás dessa fachada de habilidades e paixões, Mike enfrentava sérios problemas psicológicos, que nem seus pais nem seus amigos conseguiram identificar a tempo de evitar sua tragédia pessoal. Foi durante o doloroso velório de Mike Emme que uma iniciativa comovente de prevenção ao suicídio começou a tomar forma. Uma cesta foi colocada no local, repleta de cartões decorados com fitas amarelas, cada um deles trazendo a mensagem poderosa: “Se você precisar, peça ajuda.”. Esses cartões, criados como uma homenagem a Mike, acabaram por se tornar o estopim para um movimento internacional de conscientização e prevenção ao suicídio. A mensagem presente nos cartões chegou às mãos de pessoas que realmente precisavam de apoio e incentivou diálogos sobre saúde mental e a importância de buscar ajuda quando necessário. Em decorrência dessa triste história, o laço amarelo foi adotado como símbolo da luta contra o suicídio em todo o mundo. Todas as pessoas podem ajudar Neste mês de campanha, é primordial ter em mente que, caso você ou alguém que faça parte do seu círculo esteja enfrentando dificuldades sérias ou pensando em suicídio, buscar auxílio é de importância vital. O acompanhamento por um profissional de psicologia, juntamente com o apoio da família e dos amigos, desempenha um papel de grande relevância tanto na recuperação quanto na prevenção dessas situações. Uma importante organização que oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio é o Centro de Valorização à Vida (CVV). O CVV presta assistência voluntária e gratuita através de telefone, e-mail e chat 24 horas por dia, todos os dias da semana. Mais importante ainda, o serviço é sigiloso, garantindo que os indivíduos possam falar abertamente sobre seus sentimentos e dificuldades. Se você ou alguém que você conhece está precisando de ajuda, não hesite em entrar em contato com o CVV através do site www.cvv.org.br. A prevenção ao suicídio é uma responsabilidade de todos nós, e é fundamental estender a mão para aqueles que precisam de apoio. O Setembro Amarelo nos lembra da importância dessa missão, em memória de Mike Emme e de todas as vidas que foram perdidas para o suicídio. Mike era um rapaz de 17 anos muito habilidoso que restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como “Mustang Mike”. Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte. No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem “Se você precisar, peça ajuda.”. A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio. Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo. Se pensar em suicídio busque ajuda É importante que as pessoas que estejam passando por momentos de crise busquem ajuda. O ideal é um acompanhamento psicológico, além do apoio da família e dos amigos. Para isso, é essencial que as pessoas consigam falar sobre o que sentem. Se você estiver com sérios problemas e chegar a considerar o suicídio, pode procurar ajuda entrando em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV). Esse é um projeto que fornece apoio emocional e prevenção do suicídio. Através de telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias da semana, eles atendem de forma voluntária e gratuita todos que precisam conversar. O serviço é totalmente sigiloso. O site do CVV é www.cvv.org.br | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado anualmente em 29 de agosto, é uma data de extrema importância no calendário de lutas pelos direitos humanos no Brasil. Criada em 1996 durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), organizado pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ), esta data marca o início de uma mobilização intensa por visibilidade e reconhecimento das mulheres lésbicas na sociedade brasileira. A criação do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica nasceu da necessidade de dar voz a uma parcela da população que enfrenta múltiplas camadas de discriminação. As mulheres lésbicas não só enfrentam a homofobia e a lesbofobia, mas também a misoginia, uma discriminação histórica enraizada no machismo estrutural da sociedade. A data tem como principal objetivo destacar essas lutas e promover a visibilidade das lésbicas, garantindo que suas demandas e direitos sejam reconhecidos e respeitados. A luta pela visibilidadeO movimento lésbico no Brasil tem uma trajetória de resistência que ultrapassa as barreiras do preconceito. Em 2003, um novo marco foi estabelecido com a consagração do dia 19 de agosto como o Dia Nacional do Orgulho Lésbico, em homenagem à ativista Rosely Roth, falecida naquele ano. Rosely foi uma das líderes da ocupação do Ferro’s Bar em São Paulo, em 1983, um ato de protesto contra a lesbofobia e em defesa do direito de expressar e debater a sexualidade lésbica. O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado em 29 de agosto, não é apenas uma data comemorativa, mas um lembrete constante da luta por igualdade e respeito. A criação desta data reflete a importância de se combater a lesbofobia e o machismo em todas as suas formas, garantindo que as mulheres lésbicas tenham seu lugar de fala e seus direitos plenamente reconhecidos na sociedade. É um dia para lembrar, refletir e, acima de tudo, continuar a luta por um mundo mais justo e igualitário para todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Chacina-de-Vigario-Geral-Corpos-de-moradores-mortos-por-policiais-em-1993-—-Foto-Marcia-FolettoAgencia-O-GLOBO

Memória: Chacina de Vigário Geral

Na noite de 28 de agosto de 1993, durante a madrugada de domingo, um grupo de policiais militares se encontrava na Praça do Catolé do Rocha, a cerca de 200 metros da favela de Vigário Geral, preparados para extorquir o grupo criminoso que controlava o tráfico na região. Havia informações de que uma carga de cocaína de 67 kg seria entregue aos traficantes naquela noite. Por volta das 9 horas da noite, quatro dos policiais foram mortos, já com o dinheiro em mãos, ao entrarem no carro da polícia e serem alvejados por disparos de arma de fogo. Flávio Pires da Silva, conhecido como Flávio Negão na época, com 24 anos, era o chefe do tráfico de drogas em Vigário Geral e liderou o ataque que resultou na morte dos policiais José Santana, Luis Mendonça, Irapuan Caetano e do Sargento Aílton Ferreira dos Santos, que caiu para fora da viatura. O sargento era considerado um dos líderes do grupo conhecido como “Cavalos Corredores” do 9º Batalhão da Polícia Militar, localizado em Rocha Miranda. O criminoso utilizou um fuzil AR-15, considerado um artigo de luxo naquela época entre os traficantes, e teria atraído os policiais para uma emboscada, modificando a rota de chegada da droga na favela. O atentado também teria sido motivado pela morte, no ano anterior, de um irmão do traficante, que foi assassinado pela Polícia Militar. Represaria pelos assassinatos Após os assassinatos, a vingança começou a ser planejada durante o enterro do Sargento Ailton. Policiais, ex-policiais, bombeiros e informantes se uniram para realizar um ataque no dia seguinte, em 29 de agosto. Mais de cinquenta homens encapuzados iniciaram o ataque por volta das 23 horas. Na comunidade, havia um clima de apreensão após o atentado, mas, por outro lado, a vitória do jogo da seleção brasileira, que garantiu a classificação para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, trouxe uma sensação de normalidade. Assim, após o jogo, muitos moradores foram dormir e outros saíram para comemorar. Os membros do grupo de extermínio se dividiram em três. Cinco homens passaram pela Praça Córsega em um Santana verde metálico e mataram um rapaz que estava em uma motocicleta, identificado como Fábio. Em seguida, incendiaram a moto e se encontraram com outros indivíduos na Praça do Catolé do Rocha, onde os policiais haviam sido mortos na noite anterior. No local, incendiaram também cinco trailers que vendiam cachorro-quente e refrigerantes. Em seguida, os homens encapuzados, armados com metralhadoras, fuzis e granadas, adentraram a favela pela Rua Antônio Mendes, em frente à passarela sobre a linha do trem que a conecta à Parada de Lucas. Curiosamente, naquela noite, não havia uma Guarnição do BOPE como era de costume. Um dos grupos entrou no Bar do Caroço, de propriedade do aposentado Joacir, na Rua Antônio Mendes, interrompendo a euforia dos presentes pela vitória da seleção. Eles exigiram documentos dos presentes, mas, mesmo com todos apresentando, saíram do local, lançaram uma bomba dentro do bar e começaram a atirar. Joacir foi atingido e faleceu imediatamente. O serralheiro José dos Santos também morreu no balcão, o enfermeiro Guaracy caiu no salão, o ferroviário Adalberto e o metalúrgico Cláudio foram mortos no depósito, e Paulo César foi assassinado em um corredor sem saída. O motorista Paulo Roberto cambaleou e caiu morto no banheiro, em cima do eletricista Jady, que foi atingido no peito, mas sobreviveu. Ubirajara levou um tiro na coxa, assim como Jady, fingiu-se de morto e conseguiu sobreviver. Na casa 13 da Rua Antônio Mendes, oito pessoas da mesma família foram mortos. Era quase meia-noite quando o grupo atravessou a rua e invadiu uma casa, que posteriormente ficou conhecida como “Casa da Paz”. Naquela residência vivia uma família que havia chegado da igreja poucos minutos antes. Pertencia ao vigia Gilberto e sua esposa Jane, que estavam dormindo abraçados com a nora Rúbia e as filhas Lúcia e Lucinéia, no quarto, quando foram despertados pelo som das explosões e dos tiros. Na sala, outros filhos do casal dormiam no sofá. Luciano implorou para não ser morto, alegando ser trabalhador, mas lhe pediram os documentos, ele mostrou e, em seguida, foi executado. Lucinete tombou perto da porta da casa, e Luciene foi estuprada antes de morrer. Na casa havia quatro crianças, uma delas era Núbia, neta de Gilberto e Jane, com dez anos na época. Os assassinos seguiram percorrendo ruas e becos, executando qualquer pessoa que encontrassem pela frente. O gráfico Cleber estava a caminho de casa, lhe pediram os documentos, ele mostrou e foi morto. Em seguida, mataram Hélio, um metalúrgico desempregado. O mecânico Edmilson, sua esposa e suas duas filhas estavam voltando da casa da mãe dele, onde haviam pegado uma marmita para o dia seguinte, pois o gás havia acabado. Ao entrarem em casa, os policiais o chamaram, ele se aproximou e foi imediatamente morto. Ao todo, foram 21 mortos sem antecedentes criminais ou qualquer ligação com o tráfico de drogas. Entre as vítimas estavam o estudante Fábio Pinheiro Lau, de 17 anos, o metalúrgico Hélio de Souza Santos, de 38 anos, Joacir Medeiros, de 69 anos, o enfermeiro Guaracy Rodrigues, de 33 anos, o serralheiro José dos Santos, de 47 anos, Paulo Roberto Ferreira, de 44 anos, motorista, o ferroviário Adalberto de Souza, de 40 anos, o metalúrgico Cláudio Feliciano, de 28 anos, Paulo César Soares, de 35 anos, o gráfico Cléber Alves, de 23 anos, Clodoaldo Pereira, de 21 anos, Amarildo Baiense, de 31 anos, o mecânico Edmilson Costa, de 23 anos, o vigia Gilberto Cardoso dos Santos, de 61 anos, o casal Luciano e Lucinéia, de 24 e 23 anos, respectivamente. Também foram executados Dona Jane, de 58 anos, sua nora Rúbia, de 18 anos, o marido e a filha Lúcia, de 33 anos. No local, perderam a vida também Luciene, prestes a completar 16 anos, e Lucinete, de 27 anos. O dia seguinte da chacina No dia seguinte, a atrocidade foi exposta, causando revolta entre os moradores. Armados com paus e pedras, eles impediram a entrada dos policiais na

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Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua

Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua

Hoje, 19 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, em memória ao “Massacre da Sé” de 2004, quando sete pessoas foram brutalmente assassinadas e outras oito ficaram gravemente feridas enquanto dormiam na Praça da Sé, em São Paulo. Esse evento marcou o início da mobilização de grupos da população em situação de rua, que culminou na criação do Movimento Nacional da População de Rua, em uma luta contínua pela garantia de direitos. A Política Nacional para a População em Situação de Rua, estabelecida pelo Decreto nº 7.053 de 23 de dezembro de 2009, define essa população como um grupo heterogêneo que enfrenta pobreza extrema, vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a ausência de moradia convencional. Esses indivíduos utilizam espaços públicos e áreas degradadas como locais de moradia e sustento, de forma temporária ou permanente, além de abrigos para pernoite ou moradia provisória. O decreto prevê o acesso amplo e seguro aos serviços e programas das políticas públicas de saúde, educação, previdência, assistência social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda. No entanto, esses direitos ainda não se concretizam plenamente no cotidiano dessa população. Segundo o Conselho de Direitos Humanos da ONU, a situação de rua é uma crise global de direitos humanos que exige uma resposta urgente. Desde 2020, a ComCausa intensificou sua atuação ao lado de movimentos de apoio à população em situação de rua. A observação direta nas ações de campo se somou a levantamentos públicos — como o Censo de População em Situação de Rua da Prefeitura do Rio (2022) e dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (2023) — indicando crescimento expressivo do fenômeno, com municípios registrando quase a duplicação do número de pessoas vivendo nas ruas entre 2018 e 2023 (Cadastro Único). No município do Rio de Janeiro, segundo estudos do governo federal, trata-se do segundo maior contingente do país. O perfil predominante é o de homens negros adultos, muitas vezes atravessados por desemprego, rompimentos familiares e dependência química. Entre recortes relevantes: Quanto à origem, 38% nasceram no próprio município, 57% em outros municípios e 5% em outros países. Nas frentes em que a ComCausa atuou recentemente, é recorrente a presença de pessoas vindas de cidades da Região Metropolitana do Rio que, mesmo mantendo algum vínculo familiar, permanecem temporariamente nas ruas do centro. Vulnerabilidades, violências e invisibilidade A vida nas ruas expõe a riscos permanentes. Mulheres, pessoas LGBTQIA+ — em especial mulheres trans —, crianças na primeira infância, idosos e pessoas com transtornos mentais e dependências químicas são alvos preferenciais de diferentes violências. A invisibilidade social funciona como violência estrutural: desumaniza, estigmatiza e dificulta o acesso a serviços. Iniciativas como “Ruas Visíveis”, no plano federal, apontam para a necessidade de segmentar e qualificar o atendimento, sem perder de vista a resiliência e o potencial de cada pessoa — dimensão essencial para apoiar processos reais de reinserção social. Por que as abordagens estáticas fracassam A experiência de campo mostra limites de modelos centrados apenas em demanda espontânea e atendimento fixo. Equipes e serviços precisam ser móveis, ir aonde as pessoas estão e acompanhar os deslocamentos — que ocorrem por medo de coerção, busca de trabalho/renda, conflitos, redes de apoio ou ausência de recursos para acessar serviços. Acolhimento ativo, orientação qualificada e acompanhamento até os equipamentos públicos (municipais e estaduais) ampliam significativamente a adesão e os resultados. Gargalos de gestão e coordenação Persistem preconceitos que deslegitimam políticas voltadas às pessoas em situação de rua e as rotulam como “caras” ou “impopulares”. A isso se soma a ausência de mapeamento, fluxo unificado e articulação estável entre agentes públicos e privados. Na Região Metropolitana e em diversos territórios do estado do Rio de Janeiro — Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Petrópolis, Queimados, Seropédica, São Gonçalo, São João de Meriti, Tanguá, Cachoeiras de Macacu e Rio Bonito — falta uma rede integrada que conecte assistência social, saúde (incluindo saúde mental), educação, trabalho e renda, habitação e segurança cidadã a organizações da sociedade civil e apoiadores privados. Quando a resposta é deslocar o problema Medidas como remoções para outras áreas, sem acolhimento e sem plano de acompanhamento, apenas maquiam a situação. Elas não enfrentam conflitos familiares, parentalidade, dependência química, sofrimento mental e barreiras econômicas que bloqueiam mobilidade social. O resultado é a manutenção do ciclo de rua e a reprodução de estigmas e violações. Panorama nacional e impactos recentes A população em situação de rua é heterogênea, mas majoritariamente masculina e negra. Em São Paulo, a prefeitura apontou 24.344 pessoas vivendo nas ruas (janeiro de 2020), números contestados por movimentos sociais que estimam patamar maior. No plano nacional, estimativas do IPEA de 2016 (101.854 pessoas) foram superadas pela crise socioeconômica e pelos impactos da pandemia de Covid-19, que ampliaram desemprego, fome e rupturas de vínculos, acelerando o crescimento do fenômeno. O que precisa mudar A posição e a prática da ComCausa A ComCausa tem reforçado, desde 2020, ações de acolhimento ativo, orientação e encaminhamento a serviços públicos, além de articulação com redes comunitárias e pastorais sociais. Nosso compromisso é com políticas que saiam do papel, valorizem a autonomia e reconheçam o protagonismo de quem viveu — ou ainda vive — a realidade das ruas. Lutar contra a invisibilidade é também reconhecer capacidades, histórias e direitos. Nesta data, renovamos o chamado: políticas públicas com orçamento, equipes na rua, fluxos intersetoriais pactuados e participação social efetiva. Pessoas em situação de rua são sujeitos de direitos — e o Estado tem o dever de garanti-los. Massacre da Sé: | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Memória Caso Patrícia Aciolli

Memória: Caso Patrícia Aciolli

No final do dia 12 de agosto de 2011, Patrícia Lourival Acioli retornava de carro do fórum de São Gonçalo, onde trabalhava, para sua casa no bairro de Piratininga, em Niterói. Ao chegar em sua residência, foi assassinada por dois policiais militares. Como juíza, Patrícia reprimia o crime organizado e, principalmente, policiais corruptos. Ela foi morta na porta de casa, no dia 12 de agosto de 2011, por homens de capacetes que estavam de tocaia. Os assassinos usaram pistolas calibre .40 e .45, de uso restrito da PM e das Forças Armadas. Apesar de estar sob ameaça de morte, Patrícia não estava com escolta policial quando foi abordada. Na época, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, descreveu o ato como “um ataque ao governo brasileiro e à democracia” e ordenou uma investigação pela Polícia Federal. O então governador Sérgio Cabral Filho prometeu uma investigação rigorosa do caso. O assassinato repercutiu em todo o Brasil e no exterior. As investigações, conduzidas pelo Delegado Felipe Ettore e pelo Comissário José Carlos Guimarães da Divisão de Homicídios do Estado do Rio de Janeiro, concluíram que o assassinato de Patrícia foi cometido por policiais militares insatisfeitos com sua atuação em relação a um grupo de agentes que atuava em São Gonçalo praticando homicídios e extorsões. Todos os PMs envolvidos eram acusados de participação em grupos de extermínio e suspeitos de corrupção. Em seu enterro, estiveram presentes desembargadores, juízes, promotores e advogados de diversas áreas. Entre as 450 pessoas que compareceram ao Cemitério de Maruí, no Barreto, em São Gonçalo, estavam, além de amigos e familiares, moradores da cidade que foram impactados pelas decisões da juíza ao longo dos 11 anos em que esteve à frente da 4ª Vara Criminal. Entre eles, Tereza Cristina Escola de Faria, mãe de um jovem assassinado em 2008 por um tenente da PM em São Gonçalo. A última vez que Tereza viu Patrícia foi na quarta-feira anterior ao crime. Na véspera, a juíza havia condenado o policial responsável pela morte do filho de Tereza. Ela comentou: “Ela sempre abriu as portas para mim. Não tem gente em São Gonçalo que não conheça a doutora Patrícia”. Patrícia começou sua carreira como defensora pública, atuando na Baixada Fluminense. Em 1992, ingressou na magistratura, e em 1997 foi transferida para a 38ª Vara Cível. A transferência ocorreu após ela ter obrigado o governo estadual a adequar o Instituto Padre Severino aos preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente. A juíza Patrícia havia sido casada duas vezes, primeiro com um advogado e depois com o cabo da PM Marcelo Poubell. Ela deixou três filhos, incluindo o filho do primeiro casamento, que ela criava junto com duas meninas. Descrita como idealista, Patrícia ficou conhecida pelas sentenças contra integrantes de grupos de extermínio, milicianos e policiais envolvidos em crimes. Ela era impulsiva e, em audiências, costumava exigir silêncio ou pedir que advogados de defesa e defensores deixassem o tribunal. Durante seu período como juíza criminal de São Gonçalo, mandou para a prisão mais de 60 policiais. Patrícia era respeitada dentro da própria polícia. Os autores do crime foram presos e condenados. O tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, então comandante do 7º BPM (São Gonçalo) na época do crime, foi condenado a 36 anos de prisão por ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em dezembro de 2013. A sentença foi mantida em segunda instância três anos depois. Após vários recursos, foi confirmada por unanimidade pelos desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio no dia 16 de março de 2019. Cláudio Luiz cumpriu pena em várias unidades prisionais do país e está preso na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. O oficial foi expulso da PM, mas o processo administrativo ficou parado por cinco anos. Somente em maio de 2012, ele foi beneficiado por uma decisão da desembargadora Gizelda Leitão, que determinou a interrupção do processo até que houvesse o julgamento em segunda instância. O procedimento só foi retomado em fevereiro de 2017. Além do tenente-coronel Cláudio Luiz, a Justiça condenou o tenente Daniel Santos Benitez Lopez e nove praças: o sargento Charles de Azevedo Tavares; os cabos Alex Ribeiro Pereira, Jeferson de Araújo Miranda, Sammy dos Santos Quintanilha Cardoso, Sérgio Costa Júnior, Carlos Adílio Maciel Santos, Jovanis Falcão Junior; e os soldados Junior Cezar de Medeiros e Handerson Lents Henriques da Silva. Em 2012, a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro criou o Prêmio Juíza Patrícia Acioli de Direitos Humanos. A premiação, em homenagem à magistrada, é aberta ao público de todo o país e visa promover a cidadania, defendendo o direito à vida, à liberdade, ao respeito, à igualdade e à segurança. Em sua homenagem, o Fórum Regional de Alcântara, da comarca de São Gonçalo, foi nomeado Fórum Juíza Patrícia Lourival Acioli, assim como o presídio de São Gonçalo. filha da juíza Patrícia Acioli fala sobre o assassinato da mãe, dez anos depois A estudante de direito Ana Clara Acioli se lembra com detalhes da manhã do dia 11 de agosto de 2011. Ela queria ir ao trabalho com a mãe, a juíza Patrícia Acioli. Aos 12 anos, ela atravessava alguns problemas e havia acordado muito angustiada. “Desde pequena, minha mãe permitia que a gente faltasse na aula para acompanhá-la no fórum, contanto que o resultado nas provas fosse o melhor”, lembra. “Naquele dia, ela disse: ‘Não’. Mais tarde, liguei para dar boa noite e ela falou: ‘Eu te amo o dobro do que você falar. Nunca se esqueça disso’. Fui dormir e, logo depois, minha irmã Maria Eduarda [que tinha apenas 10 anos] me acordou chorando. Eram os tiros. Começamos a rezar. Foram 21 disparos contra a mãe de Ana Clara, Maria Eduarda e Mike na porta da casa da família, em Piratininga, bairro nobre de Niterói, na região metropolitana do Rio. Ela morreu na hora. Titular da 4ª vara criminal de São Gonçalo, Patrícia Acioli tinha 47 anos e era conhecida pelo combate às milícias.

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Memória: caso Eloáh Passos

Memória: caso Eloáh Passos

Na tarde de 12 de agosto de 2023, no Morro do Dendê, Ilha do Governador, a rotina de uma família foi atravessada por um disparo de fuzil. Eloáh da Silva dos Santos, de apenas cinco anos, brincava no quarto quando foi atingida no peito. Do lado de fora, policiais militares realizavam uma operação. Pouco depois, a menina chegava sem vida ao Hospital Municipal Evandro Freire. No mesmo episódio, um jovem de 17 anos também morreu. O choque se espalhou pelas vielas da comunidade. Moradores afirmam que não havia troca de tiros no momento do disparo. No dia seguinte, a revolta se transformou em protesto: ônibus foram incendiados e a notícia da morte de Eloáh ganhou as manchetes nacionais. Cinco dias para a perícia Somente no dia 17 de agosto, cinco dias após o crime, a Delegacia de Homicídios da Capital e a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) conseguiram realizar a perícia na casa onde Eloáh foi baleada. As autoridades alegaram “cenário complicado” para justificar o atraso. Para familiares e defensores de direitos humanos, a demora comprometeu a coleta de provas essenciais. As imagens que falaram por si Durante meses, o caso parecia mais um a se perder na burocracia das investigações sobre letalidade policial no Rio de Janeiro. Mas, em junho de 2024, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deu um passo decisivo: analisou imagens de mais de dez câmeras corporais usadas por policiais na operação. Os laudos balísticos e periciais apontaram para uma arma específica — um fuzil Colt calibre 5,56, usado pelo 3º sargento André Luiz de Oliveira Muniz. Os registros mostravam que o policial efetuou disparos na direção do Morro do Dendê sem que houvesse confronto armado no momento. A denúncia: nove disparos e um alvo inocente Em novembro de 2024, a 1ª Promotoria de Investigação Penal Especializada ofereceu denúncia contra André Luiz. O documento, amplamente repercutido na imprensa, detalhava que o PM realizou nove disparos com o Colt 5,56, assumindo o risco de atingir moradores. A peça também destacou que Eloáh estava dentro de casa, brincando, quando foi atingida. O MPRJ pediu o afastamento do sargento de operações externas como medida cautelar. Para os promotores, o caso não era um erro de percurso: era um ato que afrontava regras de uso da força e de preservação da vida. Do inquérito ao tribunal Em fevereiro de 2025, a 4ª Vara Criminal da Capital recebeu a denúncia e transformou o policial em réu. O processo segue em andamento. Não há, até o momento, previsão de julgamento. O caso reacende um debate antigo no Rio: como responsabilizar agentes do Estado quando a vítima é uma criança e a cena do crime é uma comunidade sob constante ação policial. Um caso entre muitos A morte de Eloáh não é isolada. Desde 2019, pelo menos outras nove crianças foram mortas por disparos em operações policiais no Rio, segundo levantamentos de organizações da sociedade civil. O caso também expõe falhas na investigação rápida e eficaz de mortes decorrentes de intervenção policial, reforçando demandas pela ampliação do uso de câmeras corporais e pela reformulação de protocolos de atuação. A luta por justiça Para a família de Eloáh, cada audiência será uma nova ferida. A mãe da menina, apoiada por organizações de direitos humanos, afirma que não quer que sua filha seja mais um nome em estatísticas. Quer respostas, justiça e garantias de que outras crianças não tenham o mesmo destino. O Morro do Dendê, cenário de resistência cultural e comunitária, carrega agora também a memória de uma menina de sorriso tímido que sonhava em ser professora. Sua história passou a ser contada nas ruas, nas redes e, inevitavelmente, nos tribunais — onde se decidirá se a morte de Eloáh terá um culpado reconhecido ou se ficará perdida entre tantos inquéritos inconclusos. Quando a infância é interrompida pela bala O Caso Eloáh se insere em uma lista dolorosa de vidas interrompidas por disparos em operações policiais no Rio: Segundo a Rede de Observatórios da Segurança e o Fogo Cruzado, entre 2019 e 2024, pelo menos nove crianças foram mortas em circunstâncias similares no estado. O eco das mães A dor e a luta dessas famílias ecoam em movimentos como Mães de Manguinhos, Mães da Maré e Mães de Maio, que mantêm os nomes das vítimas vivos na memória pública e pressionam por justiça. Esses coletivos denunciam não só a violência letal, mas também a morosidade e a impunidade que costumam seguir esses crimes. Entre protocolos e realidade Apesar de normas nacionais e internacionais sobre uso progressivo da força, o uso de armas de fogo em áreas densamente povoadas segue sendo prática recorrente no Rio. Especialistas apontam que é urgente: Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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