Datas importantes

Dia da Lei Maria da Penha

Dia da Lei Maria da Penha

Promulgada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha (11.340/06) é considerada um divisor de águas na luta pelo enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Inspirada pela história da farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes — vítima de duas tentativas de feminicídio pelo então marido e protagonista de uma denúncia internacional contra o Estado brasileiro — a lei se tornou símbolo de resistência, proteção e justiça. A legislação estabelece mecanismos de prevenção, assistência e repressão à violência baseada em gênero, cumprindo compromissos assumidos pelo Brasil em tratados internacionais. Em 18 anos de vigência, a lei evoluiu para acompanhar os novos desafios e formas de violência, com foco na proteção urgente, no acolhimento integral das vítimas e na responsabilização dos agressores. Quem está protegido pela lei A proteção da Lei Maria da Penha se estende a todas as mulheres, incluindo cisgêneras e transgêneras, envolvidas em relações: O texto contempla, portanto, uniões homoafetivas ou heteroafetivas, fortalecendo o combate à violência como uma questão de direitos humanos. Tipos de violência reconhecidos A lei tipifica cinco formas de violência contra a mulher (Art. 7º): Essa definição ampla reforça que violência doméstica não é apenas física, mas inclui danos emocionais, sociais e econômicos. Medidas protetivas rápidas e eficazes Um dos principais avanços da lei é a previsão de medidas protetivas de urgência, que podem ser determinadas pelo Judiciário em até 48 horas. Essas medidas incluem: O descumprimento das medidas é considerado crime autônomo, com pena de 3 meses a 2 anos de detenção. Como buscar ajuda Mulheres podem registrar ocorrência e solicitar medida protetiva em Delegacias da Mulher (DEAMs) — ou em qualquer delegacia, onde não houver unidades especializadas. O processo pode seguir diretamente pelo Judiciário. A Central de Atendimento à Mulher – 180 funciona 24h e é gratuita. Outros canais incluem o 153 (Guarda Municipal com Patrulha Maria da Penha), CREAS/CRAS e unidades de saúde, que devem oferecer atendimento humanizado e emitir relatórios médicos. Avanços recentes A legislação foi fortalecida com normas complementares: Realidade e desafios Apesar dos avanços legais, o Brasil ainda enfrenta altos índices de violência contra a mulher. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023), uma mulher é vítima de feminicídio a cada 7 horas. Em 63% dos casos, o agressor é alguém com quem a vítima tinha vínculo íntimo. Os maiores desafios são a interiorização dos serviços, a falta de DEAMs 24h, a integração de dados e o monitoramento eletrônico efetivo de agressores reincidentes. Saiba mais sobre a Maria da Penha A Lei que protege as mulheres contra a violência recebeu o nome de Maria da Penha em homenagem à farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes. Com muita dedicação e senso de justiça, ela mostrou para a sociedade a importância de se proteger a mulher da violência sofrida no ambiente mais inesperado, seu próprio lar, e advinda do alvo menos previsto, seu companheiro, marido ou namorado. Em 1983, Maria da Penha recebeu um tiro de seu marido, Marco Antônio Heredia Viveiros, professor universitário, enquanto dormia. Como sequela, perdeu os movimentos das pernas e se viu presa em uma cadeira de rodas. Seu marido tentou acobertar o crime, afirmando que o disparo havia sido cometido por um ladrão. Após um longo período no hospital, a farmacêutica retornou para casa, onde mais sofrimento lhe aguardava. Seu marido a manteve presa dentro de casa, iniciando-se uma série de agressões. Por fim, uma nova tentativa de assassinato, desta vez por eletrocussão que a levou a buscar ajuda da família. Com uma autorização judicial, conseguiu deixar a casa em companhia das três filhas. Maria da Penha ficou paraplégica. No ano seguinte, em 1984, Maria da Penha iniciou uma longa jornada em busca de justiça e segurança. Sete anos depois, seu marido foi a júri, sendo condenado a 15 anos de prisão. A defesa apelou da sentença e, no ano seguinte, a condenação foi anulada. Um novo julgamento foi realizado em 1996 e uma condenação de 10 anos foi-lhe aplicada. Porém, o marido de Maria da Penha apenas ficou preso por dois anos, em regime fechado. Em razão deste fato, o Centro pela Justiça pelo Direito Internacional (CEJIL) e o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), juntamente com a vítima Maria da Penha, formalizaram uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Órgão Internacional responsável pelo arquivamento de comunicações decorrentes de violação de acordos internacionais. Paralelamente, iniciou-se um longo processo de discussão através de proposta elaborada por um Consórcio de ONGs (ADVOCACY, AGENDE, CEPIA, CFEMEA, CLADEM/IPÊ e THEMIS). Assim, a repercussão do caso foi elevada a nível internacional. Após reformulação efetuada por meio de um grupo de trabalho interministerial, coordenado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal, a proposta foi encaminhada para o Congresso Nacional. Transformada a proposta em Projeto de Lei, realizaram-se durante o ano de 2005, inúmeras audiências públicas em Assembleias Legislativas das cinco Regiões do País, contando com a intensa participação de entidades da sociedade civil. O resultando foi a confecção de um “substitutivo” acordado entre a relatória do projeto, o Consórcio das ONGs e o Executivo Federal, que resultou na sua aprovação no Congresso Nacional, por unanimidade. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Dia Nacional da Saúde

Dia Nacional da Saúde ComuniSaúde da ComCausa promove saúde e redes comunitárias na Baixada Fluminense

No dia 5 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional da Saúde, data criada para conscientizar a população sobre a importância da educação sanitária e da adoção de hábitos que promovam um estilo de vida saudável. A data foi escolhida em homenagem ao médico e sanitarista Oswaldo Gonçalves Cruz, nascido em 5 de agosto de 1872, um dos principais responsáveis pelo combate a epidemias como febre amarela, peste bubônica e varíola no país. Este ano, a ocasião ganha destaque especial na Baixada Fluminense com as ações do projeto ComuniSaúde, da ComCausa – Defesa da Vida, voltado para conscientizar comunidades sobre o acesso ao atendimento básico de saúde, promover cuidados com a saúde mental e fortalecer as redes comunitárias em favelas e periferias. O ComuniSaúde atua em parceria com lideranças locais, escolas, associações e coletivos, levando informações sobre prevenção de doenças, importância das consultas periódicas e encaminhamentos para a rede pública de saúde. Além disso, o projeto oferece rodas de conversa, oficinas e atendimentos psicossociais para estimular o cuidado com a mente, entendendo que saúde não se limita à ausência de enfermidades, mas está ligada ao bem-estar integral. Segundo Adriano Dias, coordenador da ComCausa, o foco é tornar a informação acessível e prática:“Não basta falar sobre saúde, é preciso chegar junto, ouvir as necessidades de cada comunidade e criar soluções com base na realidade local. O ComuniSaúde é sobre prevenção, acolhimento e fortalecimento coletivo.” O trabalho também busca integrar as redes de apoio já existentes, fortalecendo vínculos entre moradores, agentes comunitários de saúde e organizações sociais. Em áreas onde o acesso a serviços médicos é limitado, a articulação entre esses atores é fundamental para identificar demandas, evitar agravamento de quadros clínicos e promover ações preventivas. O Dia Nacional da Saúde, instituído pela Lei nº 5.352 de 1967, reforça que ser saudável envolve múltiplos fatores: alimentação equilibrada, hidratação adequada, prática regular de atividade física, lazer, descanso e saúde emocional. Esse entendimento está no cerne das ações do ComuniSaúde, que busca inspirar mudanças de hábitos e oferecer ferramentas para que a população possa reivindicar seus direitos na área da saúde. Ao conectar a história de Oswaldo Cruz, símbolo da luta sanitária no Brasil, com o trabalho atual em comunidades vulneráveis, o ComuniSaúde reafirma que promover saúde é também promover cidadania, participação popular e justiça social. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Agosto-Lilas

Agosto Lilás: mês de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher

A campanha “Agosto Lilás” é uma iniciativa nacional voltada para a conscientização e combate à violência contra a mulher, realizada anualmente durante o mês de agosto. O principal objetivo da campanha é sensibilizar a sociedade sobre a importância de combater a violência doméstica e familiar, além de promover a divulgação da Lei Maria da Penha. Ao longo de todo o mês, são promovidas ações educativas, palestras, seminários e eventos que buscam informar a população sobre os direitos das mulheres e os mecanismos legais disponíveis para protegê-las. A cor lilás, que dá nome à campanha, é símbolo da luta contra a violência de género e serve como um lembrete visual do compromisso de toda a sociedade com essa causa. Além de ações de sensibilização, o “Agosto Lilás” também foca no fortalecimento das redes de apoio e nos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência, incentivando-as a denunciar casos de agressão e a buscar ajuda. A campanha, que ocorre em diversas cidades brasileiras, é uma oportunidade para reforçar o papel do poder público, das organizações não governamentais e da sociedade civil na proteção e defesa dos direitos das mulheres. Lei Maria da Penha Dirija Como uma Mulher A campanha “Dirija Como uma Mulher”, parte do “Rock ComCausa & Cidadania”, é inspirada em uma iniciativa francesa que promove um trânsito mais seguro e consciente. Lançada durante as celebrações do 30º aniversário do Maxambomba Moto Clube, na Baixada Fluminense, a campanha visa incentivar uma direção mais cautelosa e segura, desafiando o estereótipo de que homens são melhores motoristas. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Latina e Caribenha

Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Latina e Caribenha

Apesar de constituírem 53% da população brasileira, as pessoas negras ainda enfrentam grandes desafios para eliminar desigualdades e discriminações. Com cerca de 97 milhões de indivíduos, esse grupo majoritário continua sub-representado em diversas esferas da sociedade, incluindo o Legislativo, Executivo, Judiciário, mídia, entre outras. Quando o recorte é feito por gênero, o abismo de representatividade se torna ainda mais profundo. A presença de mulheres negras em posições de poder e decisão é particularmente baixa, tornando cada ascensão um motivo de celebração e reconhecimento da luta constante por igualdade. A Fundação Cultural Palmares (FCP-MinC) destacou que o racismo ainda é uma realidade presente no Brasil. As demandas do movimento negro começaram a ganhar mais espaço na agenda política a partir da década de 2000. A criação do Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010) foi um marco significativo, servindo como base para a implementação de políticas públicas, como as cotas em concursos públicos e universidades, que buscam reduzir e reparar as desigualdades raciais. Em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas em Santo Domingo, na República Dominicana, foi criada a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas. Nesse encontro, também foi estabelecido o dia 25 de julho como o Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. O feminismo negro tem se destacado como uma voz crucial na luta por direitos e reconhecimento. No Brasil, a Lei nº 12.987/2014 instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrado também em 25 de julho. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola do século XVIII, que assumiu a liderança de sua comunidade após a morte de seu companheiro. Sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, até que em 1770, o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho, resultando na morte ou aprisionamento de seus habitantes. Assim como Tereza de Benguela, inúmeras outras mulheres negras desempenharam papéis fundamentais na nossa história. Com trabalhos exemplares e perseverança, elas deixaram um legado que merece ser reverenciado. Entre essas mulheres destacam-se Antonieta de Barros, Aqualtune, Theodosina Rosário Ribeiro, Benedita da Silva, Jurema Batista, Leci Brandão, Chiquinha Gonzaga, Ruth de Souza, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Maria Filipa, Maria Conceição Nazaré (Mãe Menininha de Gantois), Luiza Mahin, Lélia Gonzalez, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Mãe Stella de Oxóssi, Mãe Beata e Zeelândia Cândido, filha do marinheiro João Cândido, entre tantas outras. A celebração dessas figuras históricas e a visibilização de suas contribuições são fundamentais para a emancipação das mulheres negras no Brasil. Cada vitória, cada espaço conquistado, é uma conquista coletiva que honra a memória e o legado dessas mulheres. A luta por igualdade e justiça continua, e a resistência das mulheres negras é um exemplo poderoso de força e determinação. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Padre-Ezequiel-Ramin

Memória: Padre Ezequiel Ramin mártir da caridade

Nascido em 9 de fevereiro de 1953, em Pádua (Itália), padre Ezequiel Ramin, foi brutalmente assassinado quando voltava de uma missão de paz, no dia 24 de julho de 1985. Juntamente com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cacoal (Rondônia), ele foi falar a colonos ameaçados de despejo para que não partissem para o conflito. Enquanto voltava para casa, o carro em que viajava foi alvejado por tiros. Até hoje os mandantes do crime não foram presos. Ezequiel Ramin, missionário católico comboniano, ingressou no postulantado dos missionários combonianos em Florença (Itália). Depois foi para um noviciado dos combonianos em Venegono. Depois foi enviado para a Inglaterra para estudar inglês e, a seguir, para Chicago (Estados Unidos), onde permaneceria até 1979. Em 1980, foi ordenado em Pádua, e permaneceria na Itália até ser enviado para o Brasil, antes de chegar, partilhou: “Ainda não sei aonde irei, porém estou contente com o fato de partir. É uma coisa mais forte do que eu.” em 1983. Depois de alguns meses em Brasília, onde estudou português e a realidade da sociedade e da Igreja brasileira, foi enviado para a comunidade de combonianos em Cacoal. Na região, encontrou uma acentuada situação de desigualdade social decorrente da ausência de reforma agrária e uso da violência pelos grandes latifundiários, que grilavam terras para ampliar suas propriedades. Desse modo, colocou-se ao lado dos indígenas e pequenos trabalhadores rurais na luta pelo direito à terra, ao trabalho e à vida digna. Em suas missas sempre falava contra as desigualdades e as ameaças de morte que sofria. Emoção e Devoção: A História por Trás do ‘Pai Nosso dos Mártires’, uma Ode à Coragem” Em uma comovente celebração realizada dias após a trágica morte do Padre Ezequiel Ramin, uma bela e tocante melodia ecoou pelos corações dos fiéis presentes. Essa canção especial é conhecida como o “Pai Nosso dos Mártires” e foi composta pelo Padre Cireneu Kuhn, em homenagem ao seu colega caído. Padre Ezequiel Ramin, que ganhou reconhecimento por sua luta em defesa dos mais desfavorecidos, foi brutalmente assassinado, deixando a comunidade católica em luto profundo. Foi durante esse período de dor e perda que Padre Cireneu Kuhn encontrou inspiração para criar uma música que capturasse a essência do espírito corajoso e abnegado do colega falecido. A história por trás do “Pai Nosso dos Mártires” foi compartilhada pelo próprio Padre Cireneu em um documentário dedicado à memória do Pe. Ezequiel Ramin, intitulado “Pe. Ezequiel Ramin, mártir da opção pelos pobres”. Esse emocionante documentário revela detalhes sobre a vida e o legado do corajoso padre que se colocou ao lado dos mais necessitados, enfrentando adversidades e perigos em sua missão humanitária. Na gravação, Pe. Cireneu conta como a composição ganhou vida. Inspirado pela dedicação incansável de Pe. Ezequiel e com o intuito de perpetuar sua memória, o músico padre colocou seus sentimentos em acordes e versos, criando o “Pai Nosso dos Mártires”. A melodia transmite a sensação de esperança e coragem diante das adversidades, e as letras reverberam a devoção à causa dos pobres e marginalizados. A comoção causada pelo canto foi palpável na celebração em que foi entoado pela primeira vez. Fiéis choraram e rezaram, honrando a memória de Pe. Ezequiel e encontrando consolo nas palavras e notas musicais que expressavam a importância de sua missão na busca por justiça social. Hoje, o “Pai Nosso dos Mártires” continua a ressoar nos corações daqueles que conhecem a história inspiradora de Pe. Ezequiel Ramin. Essa comovente ode à coragem e à solidariedade permanece como um testemunho vivo do impacto que um indivíduo dedicado pode ter na luta pelos direitos humanos e na defesa dos mais vulneráveis em nossa sociedade. Pai nosso, dos pobres marginalizadosPai nosso, dos mártires, dos torturados.Teu nome é santificado naqueles que morrem defendendo a vida,Teu nome é glorificado, quando a justiça é nossa medidaTeu reino é de liberdade, de fraternidade, paz e comunhãoMaldita toda a violência que devora a vida pela repressão. Queremos fazer Tua vontade, és o verdadeiro Deus libertador,Não vamos seguir as doutrinas corrompidas pelo poder opressor. Pedimos-Te o pão da vida,O pão da segurança,O pão das multidões.O pão que traz humanidade,Que constrói o homem em vez de canhões Perdoa-nos quando por medo ficamos calados diante da morte,Perdoa e destrói os reinos em que a corrupção é a lei mais forte.Protege-nos da crueldade,Do esquadrão da morte,Dos prevalecidosPai nosso revolucionário,Parceiro dos pobres,Deus dos oprimidosPai nosso, revolucionário,Parceiro dos pobres,Deus dos oprimidos Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Ariano Suassuna

Memória: Morte Ariano Suassuna

Ariano Suassuna faleceu no Recife, no dia 23 de julho de 2014, decorrente das complicações de um AVC hemorrágico. Ariano Vilar Suassuna nasceu no Palácio da Redenção, na cidade de Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, em 16 de junho de 1927. Escritor brasileiro foi poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, professor e advogado. “O Auto da Compadecida”, sua obra-prima, foi adaptada para a televisão e para o cinema. Sua obra reúne, além da capacidade imaginativa, seus conhecimentos sobre o folclore nordestino. Em 1989, foi eleito para a cadeira n.º 32 da Academia Brasileira de Letras. Em 1993, foi eleito para a cadeira n.º 18 da Academia Pernambucana de Letra e em 2000, ocupou a cadeira n.º 35 da Academia Paraibana de Letras. Filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, na época, governador da Paraíba, e de Rita de Cássia Dantas Villar, foi o oitavo dos nove filhos do casal. Passou os primeiros anos de sua infância na fazenda Acahuan, no município de Sousa, no sertão do Estado. Durante a Revolução de 1930, seu pai, ex-governador da Paraíba e então deputado federal, foi assassinado por motivos políticos, no Rio de Janeiro. Em 1933, a família muda-se para Taperoá, no sertão da Paraíba, onde Ariano iniciou seus estudos primários. Teve os primeiros contatos com a cultura regional assistindo às apresentações de mamulengos e os desafios de viola. Em 1938, a família muda-se para a cidade do Recife, Pernambuco, onde Ariano entra para o Colégio Americano Batista, em regime de internato. Em 1943 ingressa no Ginásio Pernambucano, importante colégio do Recife. Sua estreia na literatura se deu nas páginas do Jornal do Commercio, em 1945, com o poema “Noturno”. Em 1946 ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, junto com Hermilo Borba Filho, entre outros. Em 1947 escreve sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. No ano seguinte escreve Cantam as Harpas de Sião. Em 1950 conclui o curso de Direito. Dedicou-se à advocacia e ao teatro. Em 1955, Ariano escreve a peça O Auto da Compadecida, que se enquadra na tradição medieval dos Milagres de Nossa Senhora e, em que, numa história mais ou menos profana, o herói em dificuldades apela para Nossa Senhora. Em estilo simples, o humor e a sátira unem-se num tom caricatural, porém com sentido moralizante. Ariano traz uma visão cristã sem se aprofundar em discussões teológicas, denunciando o preconceito, a corrução e a hipocrisia. No dia 11 de setembro de 1956 estreia a peça no Teatro Santa Isabel. No ano seguinte a peça é levada para o Rio de Janeiro e apresentada no 1.º Festival de amadores nacionais. A partir de 1956, Ariano Suassuna passa a dar aulas de Estética na Universidade Federal de Pernambuco e abandona a advocacia. Em 1957 casa-se com Zélia de Andrade Lima, com quem teve cinco filhos. Permanece como professor até 1994, quando se aposenta, porém em 2008 volta a dar aulas na UFPE, no curso de Letras, ministrando a cadeira de Estética. Em 1970, Ariano Suassuna cria e dirige o Movimento Armorial, com o objetivo de realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares. Mais do que um movimento, o armorial buscava ser um preceito estético que partia das ideias de que é preciso criar a partir de elementos realmente originais da cultura popular do país, como os folhetos de cordel, os cantadores, as festas populares, entre outros aspectos. Em 1971, Ariano Suassuna publica “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta”, com mais de 700 páginas, que demorou dez anos para ser concluído. No relato do personagem “Quaderna”, utiliza elementos de cordel, da epopeia, do romance de cavalaria, das tradições populares e do mito de Dom Sebastião, para construir uma farsa que transita entre o popular e o erudito ao mesmo tempo. No ano seguinte recebe o Prêmio de Ficção Nacional, conferido pelo Ministério de Educação e Cultura. O local que serviu de inspiração para a obra está localizado na divisa de Pernambuco e Paraíba no município de São José do Belmonte a 474 quilômetros do Recife. Desde 1993, sempre no último final de semana do mês de maio, acontece a tradicional “Cavalgada à Pedra do Reino” quando centenas de pessoas saem da cidade e vão em direção às pedras. Quando era secretário de cultura de Pernambuco, o escritor idealizou o espaço “Ilumiara Pedra do Reino” que conta com vários totens em torno das duas pedras gigantes. Existem também 16 esculturas de personagens do episódio “Sabastianista” do romance. Ariano Suassuna escreveu 15 livros entre romances e poesias e 18 peças de teatro. Suas obras A Mulher Vestida de Sol, Romance d’A Pedra do Reino e O Auto da Compadecida foram transformadas em séries e filmes. Em 1989, Ariano foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em 1990 assumiu a cadeira nº. 32. Em 1995, Ariano assume a Secretaria Estadual de Cultura, no governo de Miguel Arraes. As aulas-espetáculos se tornam um projeto de governo para difundir no Estado e no Brasil a cultura Pernambucana. Ariano recebia inúmeros convites para realizar “aulas-espetáculos” em várias partes do país, quando, com seu estilo próprio e seus “causos” imaginativos, deixava o público encantado. Em 2007, Ariano Suassuna assumiu a Secretaria Especial de Cultura do Estado de Pernambuco, convidado por Eduardo Campos. No segundo mandato do governador, Ariano passou a integrar a Assessoria Especial do governo do Estado. Além de dar aulas-espetáculo, Ariano vinha trabalhando na obra “O Jumento Sedutor”, que começou a escrever em 1981. Também fazia as ilustrações do livro e dizia que estava tentando, pela primeira vez, fundir seu romance com teatro e poesia. 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