Adriano Dias

Movimento pelo Aeroparque promoverá campanha para alcançar 30 mil assinaturas até Dia da Baixada

Há poucos meses se iniciou um movimento que vem ganhando corpo em Nova Iguaçu e ampliando seu alcance pela Baixada Fluminense: a proposta de transformar o antigo Aeroclube no Aeroparque de Nova Iguaçu. A articulação estabeleceu uma campanha de assinaturas com meta pública de 30 mil apoios até 30 de abril, data em que se celebra o Dia da Baixada Fluminense, escolhida como marco simbólico para afirmar que a proposta tem relevância regional e pode atender, na prática, moradores de diferentes cidades do entorno. No centro do debate está a requalificação da área do antigo Aeroclube — fundado em 1942 e interditado em 2004 — a partir de uma ideia objetiva: transformar um território hoje subutilizado em um parque público de escala metropolitana, capaz de integrar esporte, cultura, lazer e educação ambiental, sem apagar o legado aeronáutico que faz parte da memória urbana de Nova Iguaçu. A proposta entende que preservar a história não significa manter o espaço paralisado; significa incorporá-la ao futuro do território, com uso público, acessível e permanente. Ao colocar o Dia da Baixada como horizonte, o movimento reforça uma leitura que ultrapassa o limite municipal: a Baixada Fluminense precisa de infraestrutura urbana voltada ao bem-estar coletivo, com mais áreas verdes, espaços de convivência e equipamentos públicos que promovam saúde, encontro e pertencimento. Um parque metropolitano, nessa escala, pode se tornar referência para toda a região, oferecendo um destino de uso social qualificado e contribuindo para uma cidade mais integrada. A campanha ocorre por meio de um abaixo-assinado na plataforma Change.org, com link divulgado nos canais de comunicação do movimento. Uma pauta urbana de alcance regional Para o movimento, o Aeroparque é uma resposta concreta a um problema recorrente da Baixada Fluminense: a carência de grandes espaços públicos qualificados e de áreas verdes capazes de atender às demandas de saúde urbana, lazer e convivência. A lógica do parque metropolitano, defendem os articuladores, é justamente ampliar o benefício para além de Nova Iguaçu, tornando o equipamento urbano um destino de uso público também para municípios vizinhos, com impacto direto na qualidade de vida. A mobilização argumenta que a requalificação do território pode “virar a chave” no debate urbano: substituir um grande vazio ocioso por um espaço de encontro e cuidado coletivo, capaz de receber atividades esportivas, ações culturais, educação ambiental e iniciativas comunitárias em rede. O que é o abaixo-assinado e como participar A campanha de assinaturas acontece por meio de um abaixo-assinado online, hospedado na plataforma Change.org, que apresenta a proposta de criação do Aeroparque e convoca apoios. O movimento informa que a mobilização seguirá de forma permanente até 30 de abril, com mutirões de divulgação e ações em rede. A decisão de estabelecer uma meta pública de 30 mil assinaturas, segundo a mobilização, tem dois objetivos principais: dar visibilidade ao tamanho do apoio social necessário para pautar o tema de maneira consistente e afirmar o caráter regional da proposta, ancorando a reta final no Dia da Baixada Fluminense (30/04), data reconhecida e celebrada por instituições públicas e municípios da região. Memória aeronáutica e requalificação do território O antigo Aeroclube é apontado como um marco histórico da cidade e da região: foi referência na formação de pilotos e integra a memória urbana de Nova Iguaçu. Registros históricos indicam que a interdição, em 2004, ocorreu por questões de manutenção e segurança. Na visão do movimento, preservar esse legado não significa manter o território parado, mas incorporar a história como parte viva do projeto do parque, com sinalização, roteiros educativos e ações culturais de memória. O vídeo acima é um registro da Associação de Desenvolvimento Econômico e Social da Baixada Fluminense (ADESBF). Mais do que uma cena pontual, o material ajuda a situar a importância histórica e simbólica do território do antigo Aeroclube e reforça o debate sobre seu futuro: a requalificação de uma área hoje subutilizada para assumir uma função urbana permanente, voltada ao bem-estar coletivo, ao lazer, à cultura, ao esporte e à educação ambiental, preservando a memória aeronáutica que marcou a trajetória do local e da cidade. Onde assinar: pelo link do abaixo-assinado na plataforma Change.org, sendo divulgado também pela ComCausa Defesa da Vida e o PortalC3 na bio do Instagram do Portal C3. _______________ | Imagem de capa: Internet | Imagem de capa: Capítulo DeMolay São João nº 253, ilustrativo Portal C3 | Texto original: RedeDh.org.br Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Mães de Filhos e Filhas Desaparecidos

Cinelândia recebe nesta terça (15) a Confraternização de Natal com famílias de desaparecidos

Nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, das 9h às 13h, as escadarias da Câmara dos Vereadores, na Cinelândia (Centro do Rio), recebem a Confraternização de Natal – Luz de Esperança, atividade que marca o encerramento anual do Encontro Mensal em Prol dos Desaparecidos. A ação reúne familiares, redes de apoio e organizações parceiras em um momento público de memória, acolhimento e mobilização. A iniciativa integra uma caminhada contínua de resistência e cuidado promovida por familiares — principalmente mães — que seguem buscando justiça, verdade e políticas públicas diante do desaparecimento de seus filhos e filhas. O Encontro Mensal é organizado pelas Mães Virtuosas do Brasil e Mães Braços Fortes, com apoio da ComCausa – Defesa da Vida, que atua ao lado das famílias na defesa de direitos, no fortalecimento de redes e na visibilidade responsável dessa pauta. Um encerramento que não significa pausa Apesar do caráter simbólico de fim de ano, a Confraternização reafirma que a mobilização não pode ser interrompida. As famílias destacam que o desaparecimento é uma violação de direitos que exige política pública permanente, com protocolos de busca imediata e investigação, integração de informações entre órgãos, atendimento humanizado e apoio psicossocial contínuo para familiares. “Quando uma pessoa desaparece, não desaparece só um corpo: desaparece a paz de uma casa inteira. O que essas mães constroem aqui, mês após mês, é uma rede de cuidado que o poder público precisa reconhecer, fortalecer e transformar em política permanente — com busca imediata, acolhimento digno e respostas reais. A Luz de Esperança é memória, mas é também cobrança de justiça e compromisso com a vida”, afirma Adriano Dias, coordenador de ações da ComCausa – Defesa da Vida ComCausa retoma o Acolher: Desaparecidos e o Acolher: Memória e Justiça Durante a atividade desta terça, a ComCausa reforça que vai retomar, de maneira sistemática, duas frentes estruturantes do seu trabalho: Acolher: Desaparecidos e Acolher: Memória e Justiça — com continuidade, calendário e presença territorial. A retomada será organizada a partir de encontros periódicos com familiares, em rodas de conversa e espaços de escuta qualificada, fortalecendo vínculos e construindo encaminhamentos práticos e incidência pública. A proposta dialoga com a trajetória do Programa Acolher, que reúne ações de acolhimento e apoio, orientação e encaminhamentos, articulação institucional e construção de memória coletiva. Varais da Memória: presença pública para impedir o apagamento Além das rodas e encontros, a retomada prevê ações na rua com Varais da Memória — intervenções públicas que reúnem imagens, nomes, relatos e mensagens, transformando o luto em presença social e ampliando a visibilidade responsável dos casos, sem revitimização. Os Varais também serão articulados com informações úteis e caminhos de orientação, conectando memória, acolhimento e mobilização em diálogo com a rede de serviços e com as instituições responsáveis por protocolos de busca e investigação. Memoriais virtuais: histórias preservadas e orientação permanente Outro eixo central será o fortalecimento de memoriais virtuais, ampliando o acervo de memória e informação de modo acessível, curado e responsável. A iniciativa busca preservar histórias, organizar registros e oferecer orientação permanente às famílias — reforçando que memória, nesse contexto, também significa proteção, prevenção e incidência social. Encontros no início de 2026 na Baixada Fluminense Como parte do planejamento para o início de 2026, as organizações confirmam que os encontros de janeiro, fevereiro e março serão realizados na Baixada Fluminense, ampliando a presença territorial da mobilização e fortalecendo o vínculo direto com famílias e redes comunitárias que vivenciam o impacto cotidiano dessa violação de direitos. A decisão de levar os primeiros atos do ano para a Baixada reforça a necessidade de descentralizar a agenda pública e aproximar o debate de onde a ausência e a busca por respostas atravessam a vida comunitária de forma cotidiana. Desaparecimento exige política pública permanente As famílias reafirmam que é urgente transformar a pauta em compromisso de Estado, com o fortalecimento de protocolos de busca imediata e investigação, integração de bancos de dados e fluxos entre órgãos, atendimento humanizado nos registros e delegacias, apoio psicossocial contínuo e transparência sobre procedimentos e atualizações dos casos. A mobilização chama atenção para o fato de que o desaparecimento precisa ser enfrentado com prioridade, orçamento, treinamento de equipes e uma rede institucional que não jogue a responsabilidade de buscar respostas exclusivamente sobre os ombros das mães. Luz de Esperança: memória como mobilização Neste período do ano, a Luz de Esperança ganha ainda mais força simbólica. É o gesto coletivo que transforma o luto em presença pública, o silêncio em palavra e a ausência em exigência de justiça. Em cada foto erguida, em cada nome lembrado, as famílias reafirmam que ninguém desaparece sozinho quando existe memória organizada, acolhimento e luta coletiva. Serviço Confraternização de Natal – Luz de EsperançaEncerramento do Encontro Mensal em Prol dos DesaparecidosOrganização: Mães Virtuosas do Brasil e Mães Braços FortesApoio: ComCausa – Defesa da VidaData: 16/12/2025 (terça-feira)Horário: 9h às 13hLocal: Escadarias da Câmara dos Vereadores – Cinelândia (Centro do Rio) _______________ | Colaborou na matéria: João Bernardo Dias | Texto original: RedeDH.org.br | Imagem de capa: ilustrativa Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________

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Violência contra mulher

Ondas de feminicídio nos últimos dias escancaram emergência permanente no Brasil

Casos brutais que chocaram o país se somam a uma curva de violência que cresce há anos e atinge, principalmente, mulheres negras em territórios mais vulneráveis. Nos últimos dias, o Brasil acordou, de novo, com notícias difíceis de suportar: mulheres assassinadas ou quase mortas por parceiros e ex-parceiros em situações de extrema crueldade. Em discurso em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou episódios recentes — o homem que descarregou duas pistolas contra a companheira; o que matou a mulher grávida e incendiou a casa onde estavam os filhos; o caso da mulher atropelada e arrastada por aproximadamente um quilômetro, que sobreviveu, mas teve as duas pernas amputadas. “Essa semana…” virou expressão recorrente em telejornais, programas de variedades e redes sociais. No plenário do Senado, a senadora Professora Dorinha lamentou “vários casos de feminicídio nos últimos dias” e cobrou uma reação urgente do país. Na TV aberta, Ana Maria Braga chorou ao comentar uma tentativa de feminicídio e três assassinatos de mulheres em poucos dias: “Nos últimos dias parece que o negócio piorou… As notícias são cada vez mais frequentes e aterrorizantes”. A sensação de que há uma “onda” de feminicídios não é apenas percepção: os dados oficiais mostram que a violência letal contra mulheres é uma emergência contínua — e que o que estoura na mídia em determinados momentos apenas dá rosto e nome a um padrão que se repete há anos. Uma tragédia que se repete nos números O 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em julho de 2025, mostra que 1.492 mulheres foram assassinadas por feminicídio em 2024 — o maior número desde que o crime passou a ser registrado oficialmente. Foram ainda 3.870 tentativas de feminicídio, um aumento de cerca de 19% em relação a 2023. O Mapa da Segurança Pública, divulgado pelo governo federal, aponta que, em 2024, o país registrou, em média, quatro feminicídios por dia. Desde 2020, o número absoluto de casos cresce ano a ano: 1.355 vítimas em 2020, 1.359 em 2021, 1.451 em 2022, 1.449 em 2023 e 1.459 em 2024. Os dados mais recentes, referentes a 2025, reforçam a escalada. Levantamento do Observatório da Mulher contra a Violência, do Senado, mostra que 718 feminicídios foram registrados apenas no primeiro semestre de 2025. Já informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgadas pela imprensa especializada em raça e gênero, indicam que, de janeiro a setembro de 2025, mais de 2,7 mil mulheres foram vítimas de feminicídio — das quais 1.075 foram mortas —, representando aumento de cerca de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. Quando se amplia o recorte temporal, o quadro é ainda mais contundente. Segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher – RASEAM 2025, elaborado pelo Ministério das Mulheres, entre 2015 e 2024 foram registradas 11.650 ocorrências de feminicídio no Brasil, além de outras 29.659 mortes violentas de mulheres classificadas como homicídio doloso ou lesão corporal seguida de morte. Somadas, são 41.309 mulheres mortas em dez anos. Em outras palavras: a sucessão de casos que vem à tona “nesses últimos dias” não é um desvio da curva — é a própria curva. Cor, idade e território: quem são as vítimas Os levantamentos mostram que o feminicídio no Brasil tem cor, idade e CEP. O 19º Anuário detalha o perfil: Ou seja, o feminicídio está profundamente ligado à violência doméstica e às desigualdades de raça, gênero e território. Organizações que atuam em territórios historicamente deixados para trás — favelas, periferias urbanas, áreas rurais precarizadas — relatam que a violência letal é apenas a ponta de um iceberg de agressões físicas, psicológicas, patrimoniais e sexuais. No cenário global, relatório conjunto da ONU Mulheres e do UNODC aponta que, em 2024, 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares — o equivalente a 137 vítimas por dia, uma mulher assassinada por alguém da própria família a cada dez minutos. A situação brasileira se insere, assim, em uma crise mundial de violência de gênero — com agravantes próprios de um país marcado por racismo estrutural, desigualdade extrema e períodos recentes de forte cultura armamentista. “Nos últimos dias…”: picos de visibilidade, não de violência A expressão “nos últimos dias” aparece repetidamente em discursos e notas de repúdio: Esse recorte temporal ajuda a nomear a dor do momento, mas não pode mascarar a realidade: o que muda, de um dia para o outro, não é o número de mulheres mortas — é o nível de atenção pública. Em muitos casos que ganham repercussão nacional, descobrem-se depois registros anteriores de ameaça, agressão, perseguição, pedidos de medida protetiva ou relatos de que a mulher já denunciava o agressor. Relatórios como o RASEAM e o Anuário mostram que a violência começa muito antes do feminicídio: com controle, humilhações, isolamento, violência psicológica e, muitas vezes, estupro conjugal — tornando-se letal quando a mulher tenta romper a relação ou alcançar autonomia econômica. Falhas estruturais na proteção às mulheres Análises de observatórios de gênero e entidades de direitos humanos apontam gargalos recorrentes: Entidades ligadas à educação vêm denunciando que a violência de gênero atravessa escolas e universidades. Casos como o assassinato de duas mulheres em uma instituição de ensino técnico no Rio, citado em mobilizações recentes, mostram que o machismo letal não está restrito ao espaço doméstico. Reação da sociedade civil e o compromisso com a Defesa da Vida Enquanto o poder público tenta estruturar respostas, redes de mulheres, coletivos feministas, movimentos negros e entidades de direitos humanos seguem na linha de frente — especialmente em territórios vulneráveis. Projetos locais de formação em gênero e masculinidades, rodas de conversa, campanhas comunitárias e redes emergenciais de apoio tentam oferecer o que o Estado muitas vezes não garante a tempo: escuta, acolhimento, orientação jurídica, apoio material e proteção imediata. Organizações como a ComCausa – Defesa da Vida reforçam que o feminicídio não pode ser tratado apenas como “caso de polícia”, mas como tema de política pública estrutural — envolvendo educação, saúde, assistência, cultura, comunicação e participação comunitária. Mais que estatística: o que está

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Fiocruz recebe evento em celebração ao Dia Estadual da Saúde nas Favelas - Arquivo ComCausa

Plano Integrado leva saúde a 1 milhão de moradores de favelas

Em cinco anos de atuação contínua, o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro deixou de ser apenas uma resposta emergencial à pandemia e se firmou como uma das experiências mais robustas de promoção da saúde em favelas e periferias do país. Prestes a completar esse primeiro ciclo, a iniciativa celebra um marco simbólico e político de grande peso: mais de 1 milhão de pessoas já foram diretamente impactadas por ações que vão da segurança alimentar à saúde mental, passando por educação popular, vigilância comunitária e tecnologias sociais criadas e aperfeiçoadas nos próprios territórios. Esse balanço será apresentado no encontro “Favelizar a Saúde: 5 anos de parceria Alerj–Fiocruz”, marcado para o dia 5 de dezembro, às 12h30, na Arena Cultural Dicró, no Parque Ari Barroso, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro – uma escolha de local que, por si só, carrega o simbolismo de uma região ainda marcada pelo trauma de operações policiais e pela perda de 121 vidas em confrontos recentes. O Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio nasce de uma articulação inédita entre organizações comunitárias e instituições científicas de destaque nacional, como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco, em parceria com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Pensado inicialmente no contexto da pandemia de Covid-19, o Plano foi concebido como um grande laboratório vivo de tecnologias sociais, no qual as soluções em saúde não são formuladas de forma distante dos problemas, mas emergem diretamente do cotidiano dos becos, vielas, lajes e casas dos territórios historicamente mais deixados para trás. Em vez de enxergar as favelas apenas como espaços de carência e vulnerabilidade, a iniciativa reconhece esses lugares como centros de produção de conhecimento, cuidado e inovação, capazes de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) “de baixo para cima”, a partir da experiência concreta das comunidades. Números que revelam a dimensão da experiência e o cenário de desigualdade Em apenas cinco anos, o Plano apoiou 146 projetos de saúde integral, alcançando 175 favelas e periferias espalhadas por 33 municípios do estado e destinando mais de R$ 20 milhões para ações locais, com aportes que variam de R$ 50 mil a R$ 500 mil para cada iniciativa. Esse conjunto de ações atingiu diretamente mais de 1 milhão de pessoas – cerca de 5,8% de toda a população fluminense –, o que dá a medida da capilaridade e da relevância do programa. Esses resultados se tornam ainda mais significativos quando são colocados ao lado dos dados da Síntese de Indicadores Sociais de 2024, do IBGE, que mostram que duas em cada dez pessoas no estado do Rio de Janeiro ainda vivem abaixo da linha da pobreza, com renda inferior a R$ 694. É justamente essa população, concentrada em favelas e periferias – territórios vulneráveis específicos e populações “mais deixadas para trás” –, que o Plano coloca no centro das ações, reforçando que política pública de saúde, para ser efetiva, precisa dialogar com desigualdades concretas e enfrentar diretamente a pobreza, o racismo estrutural, a violência e a exclusão histórica. Cozinhas comunitárias: combater a fome como política de saúde e defesa da vida Um dos eixos mais visíveis e simbolicamente fortes do Plano são as cozinhas comunitárias e as iniciativas de segurança e soberania alimentar instaladas em diversas favelas e periferias do estado. Ao longo desse período, os recursos destinados pelo Plano possibilitaram garantir alimentação digna para aproximadamente 250 mil famílias, com a distribuição de mais de 600 toneladas de alimentos e o preparo de cerca de 200 mil refeições servidas diretamente nas comunidades. Mais do que pontos de oferta de comida, essas cozinhas se transformaram em espaços de cuidado ampliado, onde se cruzam ações de mobilização, escuta ativa, formação, orientação sobre direitos e construção de redes de solidariedade. Em muitos casos, são nesses espaços que moradores encontram apoio diante da fome, do desemprego, do luto e das sucessivas crises econômicas e sanitárias, evidenciando que alimentar, nas favelas, é também uma forma concreta de fazer política de saúde e de afirmar a defesa da vida. Agroecologia, quintais produtivos e a saúde que passa pela relação com o território Outro pilar central do Plano são as ações de agroecologia e sustentabilidade, responsáveis por cerca de 30% dos projetos apoiados. Nessas iniciativas, hortas comunitárias surgem em encostas antes abandonadas, quintais produtivos ganham vida em áreas adensadas, viveiros se multiplicam e cozinhas de aproveitamento integral ensinam a utilizar alimentos de forma mais completa e saudável. Tudo isso compõe uma rede que articula saúde, território, alimentação saudável, meio ambiente e economia solidária. Ao incentivar práticas agroecológicas em territórios densamente urbanizados, o Plano reforça que falar de saúde nas favelas não é apenas tratar de hospitais e postos de atendimento, mas também de saneamento básico, qualidade da água, acesso a alimentos saudáveis, áreas verdes, clima e direito ao território, numa visão de justiça socioambiental que coloca a vida cotidiana das comunidades no centro da pauta. Educação popular, comunicação comunitária e juventudes que comunicam para salvar vidas Cerca de 40% das iniciativas apoiadas pelo Plano se dedicam à educação popular em saúde, à formação de multiplicadores e à comunicação comunitária. A partir dessas experiências, nascem cartilhas, podcasts, vídeos, rádios comunitárias, perfis em redes sociais, campanhas digitais e materiais educativos que traduzem temas considerados complexos – como Covid longa, dengue, tuberculose, saúde mental, direitos sexuais e reprodutivos – para uma linguagem direta, acessível e conectada ao dia a dia das favelas. Jovens comunicadores e comunicadoras populares se formam como sujeitos políticos e técnicos, produzindo conteúdos que disputam narrativas, combatem a desinformação e fortalecem a confiança no SUS, especialmente em momentos de crise. Ao transformar a comunicação em ferramenta de cuidado e de mobilização, o Plano mostra que “comunicar para salvar vidas” não é apenas uma frase de efeito, mas um método de trabalho em territórios historicamente mais deixados para trás. Mulheres negras na linha de frente da cultura de cuidados e da defesa da vida Os dados do Plano confirmam aquilo que a história das favelas já revela há décadas: a centralidade das mulheres,

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Violência contra mulher

Ondas de feminicídio nos últimos dias escancaram emergência permanente no Brasil

Casos brutais que chocaram o país se somam a uma curva de violência que cresce há anos e atinge, principalmente, mulheres negras em territórios mais vulneráveis. Nos últimos dias, o Brasil acordou, de novo, com notícias difíceis de suportar: mulheres assassinadas ou quase mortas por parceiros e ex-parceiros em situações de extrema crueldade. Em discurso em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou episódios recentes — o homem que descarregou duas pistolas contra a companheira; o que matou a mulher grávida e incendiou a casa onde estavam os filhos; o caso da mulher atropelada e arrastada por aproximadamente um quilômetro, que sobreviveu, mas teve as duas pernas amputadas. “Essa semana…” virou expressão recorrente em telejornais, programas de variedades e redes sociais. No plenário do Senado, a senadora Professora Dorinha lamentou “vários casos de feminicídio nos últimos dias” e cobrou uma reação urgente do país. Na TV aberta, Ana Maria Braga chorou ao comentar uma tentativa de feminicídio e três assassinatos de mulheres em poucos dias: “Nos últimos dias parece que o negócio piorou… As notícias são cada vez mais frequentes e aterrorizantes”. A sensação de que há uma “onda” de feminicídios não é apenas percepção: os dados oficiais mostram que a violência letal contra mulheres é uma emergência contínua — e que o que estoura na mídia em determinados momentos apenas dá rosto e nome a um padrão que se repete há anos. Uma tragédia que se repete nos números O 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em julho de 2025, mostra que 1.492 mulheres foram assassinadas por feminicídio em 2024 — o maior número desde que o crime passou a ser registrado oficialmente. Foram ainda 3.870 tentativas de feminicídio, um aumento de cerca de 19% em relação a 2023. O Mapa da Segurança Pública, divulgado pelo governo federal, aponta que, em 2024, o país registrou, em média, quatro feminicídios por dia. Desde 2020, o número absoluto de casos cresce ano a ano: 1.355 vítimas em 2020, 1.359 em 2021, 1.451 em 2022, 1.449 em 2023 e 1.459 em 2024. Os dados mais recentes, referentes a 2025, reforçam a escalada. Levantamento do Observatório da Mulher contra a Violência, do Senado, mostra que 718 feminicídios foram registrados apenas no primeiro semestre de 2025. Já informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgadas pela imprensa especializada em raça e gênero, indicam que, de janeiro a setembro de 2025, mais de 2,7 mil mulheres foram vítimas de feminicídio — das quais 1.075 foram mortas —, representando aumento de cerca de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. Quando se amplia o recorte temporal, o quadro é ainda mais contundente. Segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher – RASEAM 2025, elaborado pelo Ministério das Mulheres, entre 2015 e 2024 foram registradas 11.650 ocorrências de feminicídio no Brasil, além de outras 29.659 mortes violentas de mulheres classificadas como homicídio doloso ou lesão corporal seguida de morte. Somadas, são 41.309 mulheres mortas em dez anos. Em outras palavras: a sucessão de casos que vem à tona “nesses últimos dias” não é um desvio da curva — é a própria curva. Cor, idade e território: quem são as vítimas Os levantamentos mostram que o feminicídio no Brasil tem cor, idade e CEP. O 19º Anuário detalha o perfil: Ou seja, o feminicídio está profundamente ligado à violência doméstica e às desigualdades de raça, gênero e território. Organizações que atuam em territórios historicamente deixados para trás — favelas, periferias urbanas, áreas rurais precarizadas — relatam que a violência letal é apenas a ponta de um iceberg de agressões físicas, psicológicas, patrimoniais e sexuais. No cenário global, relatório conjunto da ONU Mulheres e do UNODC aponta que, em 2024, 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares — o equivalente a 137 vítimas por dia, uma mulher assassinada por alguém da própria família a cada dez minutos. A situação brasileira se insere, assim, em uma crise mundial de violência de gênero — com agravantes próprios de um país marcado por racismo estrutural, desigualdade extrema e períodos recentes de forte cultura armamentista. “Nos últimos dias…”: picos de visibilidade, não de violência A expressão “nos últimos dias” aparece repetidamente em discursos e notas de repúdio: Esse recorte temporal ajuda a nomear a dor do momento, mas não pode mascarar a realidade: o que muda, de um dia para o outro, não é o número de mulheres mortas — é o nível de atenção pública. Em muitos casos que ganham repercussão nacional, descobrem-se depois registros anteriores de ameaça, agressão, perseguição, pedidos de medida protetiva ou relatos de que a mulher já denunciava o agressor. Relatórios como o RASEAM e o Anuário mostram que a violência começa muito antes do feminicídio: com controle, humilhações, isolamento, violência psicológica e, muitas vezes, estupro conjugal — tornando-se letal quando a mulher tenta romper a relação ou alcançar autonomia econômica. Falhas estruturais na proteção às mulheres Análises de observatórios de gênero e entidades de direitos humanos apontam gargalos recorrentes: Entidades ligadas à educação vêm denunciando que a violência de gênero atravessa escolas e universidades. Casos como o assassinato de duas mulheres em uma instituição de ensino técnico no Rio, citado em mobilizações recentes, mostram que o machismo letal não está restrito ao espaço doméstico. Reação da sociedade civil e o compromisso com a Defesa da Vida Enquanto o poder público tenta estruturar respostas, redes de mulheres, coletivos feministas, movimentos negros e entidades de direitos humanos seguem na linha de frente — especialmente em territórios vulneráveis. Projetos locais de formação em gênero e masculinidades, rodas de conversa, campanhas comunitárias e redes emergenciais de apoio tentam oferecer o que o Estado muitas vezes não garante a tempo: escuta, acolhimento, orientação jurídica, apoio material e proteção imediata. Organizações como a ComCausa – Defesa da Vida, que atuam historicamente na Baixada Fluminense e periferias do Rio de Janeiro, reforçam que o feminicídio não pode ser tratado apenas como “caso de polícia”, mas como tema de política pública estrutural — envolvendo

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Periferia Viva 2025 reconhece instituições da Rede de Saúde das Favelas do Rio em premiação nacional

O anúncio dos vencedores do Prêmio Periferia Viva 2025, da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, confirmou uma conquista histórica para o Rio de Janeiro: seis organizações que integram o Plano Integrado de Saúde nas Favelas foram oficialmente selecionadas na categoria dedicada a experiências de base comunitária em saúde, entre elas está a ComCausa., que foi a décima na escolha nacional e a segunda da região sudestes. A escolha reafirma o protagonismo das iniciativas populares que, há anos, constroem caminhos próprios de cuidado, solidariedade e Defesa da Vida dentro dos territórios periféricos. A iniciativa, coordenada pela Fiocruz, é uma articulação comunitária que reúne organizações locais, coletivos territoriais, grupos religiosos, iniciativas de direitos humanos, equipamentos de base e lideranças das favelas. Criado a partir da realidade concreta dos territórios, o plano constrói uma estratégia conjunta de cuidado em saúde, desenhada e executada pela própria comunidade. Não se trata de um programa governamental tradicional: é uma construção horizontal e colaborativa, que organiza ações, produz diagnósticos, propõe soluções e depois dialoga com o poder público para fortalecer o SUS nos territórios de favela. Dentro desse ecossistema, destaca-se a Rede Saúde da Favela,  atualmente denominada 146x Favela, uma articulação inédita que integra universidades, instituições científicas e coletivos de base. Essa aliança reúne o saber acadêmico — representado por, alpem da Fiocruz, o IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco  — e o saber vivido das comunidades, criando um modelo de cooperação sem precedentes em escala, profundidade e impacto. A premiação reconhece justamente essa confluência: ciência e território operando juntos, lado a lado, para produzir políticas inovadoras e estratégias eficazes de saúde popular. Uma rede de organizações selecionadas O Plano Integrado de Saúde nas Favelas não é uma iniciativa isolada. Ele é fruto de uma constelação de organizações que atuam diariamente no cuidado da população. Seis delas foram selecionadas pelo Periferia Viva 2025: Na prática, o prêmio funciona como um carimbo nacional de reconhecimento, mostrando que essas instituições, juntas, se tornaram referência em saúde comunitária periférica, direitos humanos e Defesa da Vida. Plano integrado: saúde que nasce do território O plano surgiu após lideranças comunitárias identificarem o conjunto de vulnerabilidades que marca o cotidiano das favelas: ausência de postos de saúde suficientes, dificuldade para realizar exames, saneamento precário, violência armada, racismo institucional e políticas públicas inadequadas ou inexistentes. A resposta foi coletiva. As organizações passaram a articular: ações de cuidado direto, vigilância popular em saúde, apoio psicossocial, proteção social, mobilização e educação comunitária, comunicação popular,integração com agentes do SUS, e estratégias culturais e espirituais de acolhimento. O plano materializa uma concepção ampliada de saúde — que inclui dignidade, segurança, memória, identidade e pertencimento. Um marco para 2025 – e um ponto de partida Para as organizações contempladas, o Periferia Viva 2025 é um marco que consolida anos de trabalho muitas vezes invisibilizado, realizado com poucos recursos e sob condições adversas. Ao mesmo tempo, representa um ponto de partida: amplia visibilidade, abre portas para novas parcerias e fortalece ações de saúde comunitária e Defesa da Vida. Ao iluminar o Plano Integrado de Saúde nas Favelas e todas as instituições que o compõem, o prêmio envia uma mensagem inequívoca: a defesa da vida nas periferias não é acessória — é central para qualquer projeto de país justo e democrático. Num Brasil marcado por desigualdades, filas, mortes evitáveis e ausência de políticas territoriais, o recado das favelas do Rio é claro: quando a periferia se organiza, pensa e age coletivama com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade. Mais do que a vitória isolada de um projeto, o resultado reconhece uma rede inteira de iniciativas populares, articuladas em torno de um mesmo plano, que têm em comum a defesa da vida, o cuidado cotidiano nos territórios e a construção de novas formas de política pública a partir da periferia. Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

Periferia Viva 2025 reconhece instituições da Rede de Saúde das Favelas do Rio em premiação nacional Read More »