O anúncio dos vencedores do Prêmio Periferia Viva 2025, da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, confirmou uma conquista histórica para o Rio de Janeiro: seis organizações que integram o Plano Integrado de Saúde nas Favelas foram oficialmente selecionadas na categoria dedicada a experiências de base comunitária em saúde, entre elas está a ComCausa., que foi a décima na escolha nacional e a segunda da região sudestes. A escolha reafirma o protagonismo das iniciativas populares que, há anos, constroem caminhos próprios de cuidado, solidariedade e Defesa da Vida dentro dos territórios periféricos.
A iniciativa, coordenada pela Fiocruz, é uma articulação comunitária que reúne organizações locais, coletivos territoriais, grupos religiosos, iniciativas de direitos humanos, equipamentos de base e lideranças das favelas. Criado a partir da realidade concreta dos territórios, o plano constrói uma estratégia conjunta de cuidado em saúde, desenhada e executada pela própria comunidade. Não se trata de um programa governamental tradicional: é uma construção horizontal e colaborativa, que organiza ações, produz diagnósticos, propõe soluções e depois dialoga com o poder público para fortalecer o SUS nos territórios de favela.
Dentro desse ecossistema, destaca-se a Rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, uma articulação inédita que integra universidades, instituições científicas e coletivos de base. Essa aliança reúne o saber acadêmico — representado por, alpem da Fiocruz, o IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco — e o saber vivido das comunidades, criando um modelo de cooperação sem precedentes em escala, profundidade e impacto.
A premiação reconhece justamente essa confluência: ciência e território operando juntos, lado a lado, para produzir políticas inovadoras e estratégias eficazes de saúde popular.
Uma rede de organizações selecionadas
O Plano Integrado de Saúde nas Favelas não é uma iniciativa isolada. Ele é fruto de uma constelação de organizações que atuam diariamente no cuidado da população. Seis delas foram selecionadas pelo Periferia Viva 2025:
- Ponto de Luz Coletivo
- CEM Serra Misericórdia
- Quilombo Dona Bilina
- Mulheres da Parada / CEDAPS
- S.O.S. Ilharga de Oficial
- ComCausa – Defesa da Vida
Na prática, o prêmio funciona como um carimbo nacional de reconhecimento, mostrando que essas instituições, juntas, se tornaram referência em saúde comunitária periférica, direitos humanos e Defesa da Vida.
Plano integrado: saúde que nasce do território
O plano surgiu após lideranças comunitárias identificarem o conjunto de vulnerabilidades que marca o cotidiano das favelas: ausência de postos de saúde suficientes, dificuldade para realizar exames, saneamento precário, violência armada, racismo institucional e políticas públicas inadequadas ou inexistentes.
A resposta foi coletiva. As organizações passaram a articular: ações de cuidado direto, vigilância popular em saúde, apoio psicossocial, proteção social, mobilização e educação comunitária, comunicação popular,integração com agentes do SUS, e estratégias culturais e espirituais de acolhimento.
O plano materializa uma concepção ampliada de saúde — que inclui dignidade, segurança, memória, identidade e pertencimento.
Um marco para 2025 – e um ponto de partida
Para as organizações contempladas, o Periferia Viva 2025 é um marco que consolida anos de trabalho muitas vezes invisibilizado, realizado com poucos recursos e sob condições adversas. Ao mesmo tempo, representa um ponto de partida: amplia visibilidade, abre portas para novas parcerias e fortalece ações de saúde comunitária e Defesa da Vida.
Ao iluminar o Plano Integrado de Saúde nas Favelas e todas as instituições que o compõem, o prêmio envia uma mensagem inequívoca: a defesa da vida nas periferias não é acessória — é central para qualquer projeto de país justo e democrático. Num Brasil marcado por desigualdades, filas, mortes evitáveis e ausência de políticas territoriais, o recado das favelas do Rio é claro: quando a periferia se organiza, pensa e age coletivama com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Mais do que a vitória isolada de um projeto, o resultado reconhece uma rede inteira de iniciativas populares, articuladas em torno de um mesmo plano, que têm em comum a defesa da vida, o cuidado cotidiano nos territórios e a construção de novas formas de política pública a partir da periferia.
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.

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