Adriano Dias

Black Pantera Rock ComCausa Npssa Gente Negra

Nossa Gente Negra: ‘Perpétuo’ do Black Pantera reflete sobre o ciclo que retorna e resiste

O Nossa Gente Negra, criado pela ComCausa, parte de um princípio simples e, ao mesmo tempo, profundamente político: memória é defesa da vida. Mais do que olhar para trás em busca de datas e nomes, a iniciativa entende a memória negra como território de disputa simbólica e concreta — um campo onde se afirmam existências, se enfrentam apagamentos e se constroem horizontes de futuro. Desde 2020, trata a memória como instrumento de reconhecimento e pertencimento, ferramenta de enfrentamento ao racismo, base para a educação em direitos humanos e ponto de partida para que novas gerações se reconheçam como protagonistas, e não como figurantes, da história. É nesse contexto que, em 2025, o projeto volta seus refletores para uma banda que, há mais de uma década, faz do rock pesado uma trincheira: o Black Pantera. A edição 2025 do dedicada ao trio mineiro, articula comunicação, música e direitos humanos para mostrar que o grito da negritude também ecoa em guitarras distorcidas, rodas de mosh e palcos lotados. Entre as canções escolhidas para análise, “Perpétuo”, faixa-título do álbum lançado pela banda, desponta como um dos eixos simbólicos da campanha Nossa Gente Negra, em poucos minutos, a música condensa dimensões históricas, espirituais e políticas da experiência negra, operando como uma verdadeira aula em forma de som. É um manifesto sobre ancestralidade, reencarnação, racismo estrutural e a centralidade da cultura preta no mundo contemporâneo. A canção como aula, rito e manifesto O refrão, cantado logo no início, repete a ideia de que “estamos sempre, sempre voltando / todo mundo já foi preto um dia”, funciona como mantra e chave interpretativa. De saída, sugere que a história da negritude é marcada por ciclos: de opressão, resistência, retomada e reinvenção. Nada é linear, nada é completamente encerrado — a cada geração, velhas estruturas se reconfiguram e velhas lutas reaparecem com novas faces. Ao mesmo tempo, o verso abre espaço para outras camadas de leitura. A partir da ciência, lembra que a humanidade surge no continente africano; logo, a origem comum é negra. Do ponto de vista da formação social do Brasil, aponta para a forte presença de ascendência africana na população, muitas vezes negada ou embranquecida pelos discursos oficiais. E, em uma chave espiritual, especialmente em tradições que admitem a reencarnação, sugere que todos, em alguma existência, já podem ter experimentado a condição de ser preto. O efeito é duplo: constrói orgulho para quem se reconhece nessa história e provoca quem insiste em negá-la. A música devolve à sociedade uma pergunta incômoda: como é possível negar a centralidade da negritude em um país e em um mundo que, em diferentes níveis, nascem, se organizam e se transformam a partir da experiência africana e afro-diaspórica? Atlântico Negro: a travessia como cicatriz aberta Logo no iniciou, em um dos trechos mais contundentes, “Perpétuo” desloca a atenção para o oceano. Ao falar de um “continente-mãe” e de um “Atlântico” que assiste a uma travessia impiedosa, transformada em “um oceano inteiro de agonia”, a banda ativa o que pesquisadores e pensadores chamam de Atlântico Negro: esse espaço geográfico e simbólico marcado pelo sequestro de milhões de africanos escravizados. Não se trata apenas de mencionar a escravidão como dado histórico, mas de enquadrar o Atlântico como grande cemitério de corpos negros, como ferida que não foi cicatrizada. A música faz o que muitas vezes a historiografia tradicional evita: dá forma, densidade e dor a números que, nos livros, aparecem como estatísticas. Ao transformar a travessia forçada em imagem de horror permanente, “Perpétuo” lembra que as consequências desse processo seguem presentes nas estruturas de hoje: nas taxas de homicídio que atingem desproporcionalmente jovens negros, nas desigualdades de renda, na marginalização de territórios inteiros, na violência policial que escolhe e seleciona alvos. O oceano de agonia, portanto, não é apenas o do passado: ele se estende em rios de sangue contemporâneos como vimos recentemente no Rio de Janeiro. Essa leitura ganha ainda mais força quando pensamos no Cais do Valongo (foto de capa), na região portuária do Rio de Janeiro, temática com a qual a ComCausa se envolve há alguns anos. O local é reconhecido como o principal ponto de chegada de pessoas africanas escravizadas nas Américas e foi tombado como patrimônio da diáspora africana no Estado do Rio de Janeiro, além de ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Ali, onde hoje se pisa pedra e calçamento, estiveram corpos acorrentados, leilões, adoecimentos e mortes. O que a arqueologia revelou no chão do Valongo é justamente a materialização desse Atlântico de agonia em território brasileiro: ossos, fragmentos, marcas que ligam diretamente o porão dos navios ao presente da cidade. Ao convocar a imagem do oceano como cicatriz aberta, “Perpétuo” também nos obriga a olhar para esses lugares concretos — como o Cais do Valongo — não apenas como sítios históricos, mas como espaços de memória, disputa política e responsabilidade coletiva. A pergunta que desmonta o mito da “naturalidade” Outro ponto central da letra é a pergunta: “Tantos passos me precedem / Quem fez desse o meu lugar? / Pois já estive aqui antes / Deixa eu me reencontrar”, antecedida pela percepção de que muitos passos precedem o sujeito que canta. A interrogação tem força de denúncia: não se trata de aceitar que seja “natural” que pessoas negras estejam mais presentes nas periferias, nos subempregos, nas estatísticas de encarceramento ou entre os assassinados. A canção, ao questionar “quem fez desse o meu lugar”, obriga a olhar para a estrutura: Quem desenhou a cidade de modo a expulsar corpos negros para as áreas mais precarizadas? Quem se beneficiou — e continua se beneficiando — dessa organização social? Quem lucra com uma sociedade em que a cor da pele ainda define chances de acesso, segurança e futuro? Quando, em seguida, o eu lírico afirma ter “estado ali antes” e pede para se “reencontrar”, o movimento é de volta à ancestralidade e à reconstrução identitária. É o gesto de recusar o papel de objeto da história e reivindicar a posição de sujeito que se sabe

Nossa Gente Negra: ‘Perpétuo’ do Black Pantera reflete sobre o ciclo que retorna e resiste Read More »

Black Pantera Rock ComCausa Npssa Gente Negra

Nossa Gente Negra: “Fogo nos Racistas” é a arte de queimar o racismo à luz dos holofotes

A música “Fogo nos Racistas”, do Black Pantera, é daquelas em que o refrão vira palavra de ordem, meme, grito de show. Já foi objeto de crítica e até denúncia por suposta incitação à violência, inclusive com representação, mas, quando a gente entra na letra, vê que ali existe um projeto muito claro: transformar em verso aquilo que a população negra vive todos os dias – a violência, o incômodo com a presença preta, a necessidade de se afirmar e a decisão de não aceitar mais o pacto de silêncio. É esse texto – mais do que o impacto sonoro – que faz da música um material potente para a sequência do Nossa Gente Negra 2025, da ComCausa – Defesa da Vida, transformando o que muitos veem apenas como um grito de show em ferramenta de memória, denúncia e Defesa da Vida preta. Existir como afronta política Logo de início, a canção apresenta a síntese de uma experiência coletiva. Quando o eu lírico afirma que a “simples existência já é uma afronta”, ele coloca em palavras um sentimento que atravessa gerações de pessoas negras: não é preciso fazer nada “errado” para ser visto como problema; basta existir, circular, ocupar espaços que historicamente foram negados. O incômodo com a ascensão preta Na sequência, quando fala de “demônios em você” que “não aguentam ver outro preto que desponta”, a letra dá nome ao incômodo de quem se sente ameaçado pela ascensão negra – o estudante que passa no vestibular, a profissional que assume um cargo de destaque, a banda de metal preta no palco principal. O racismo, aqui, aparece como reação ao movimento de saída do lugar subalterno: o corpo preto que sai do “seu lugar” passa a ser lido como afronta. A letra não trata o racismo como opinião, mal-entendido ou exagero. Ela parte de uma constatação: há uma estrutura que reage violentamente sempre que pessoas negras aparecem em lugares de visibilidade, segurança e prestígio. Da história à cultura pop: Django Livre, Luís Gama, Afro Samurais e Wakanda Em seguida, a canção abre um “panteão” de referências ao dizer que está no “estilo Django Livre”, no “estilo Luís Gama” e que representa os “Afro Samurais” e os “filhos de Wakanda”. Em poucas palavras, o Black Pantera costura o Django Livre, ex-escravizado que se volta contra os senhores na ficção e simboliza a justiça radical contra uma ordem escravocrata, com Luís Gama, figura histórica concreta, advogado negro, também ex-escravizado, que libertou centenas de pessoas usando a própria lei do Estado. Soma a isso os Afro Samurais, guerreiros negros hiper-habilidosos do universo da animação e dos quadrinhos, que misturam violência, estilo e honra, e os filhos de Wakanda, herdeiros de um país africano futurista, tecnológico e soberano, que rompe com a imagem de uma África reduzida apenas à dor colonial. Ao juntar tudo isso, a letra mostra que a resistência preta não é única nem simples: ela é arma e petição judicial, espada e argumento, quilombo e tribunal, passado histórico e futuro imaginado. Quando o verso fala em “representando os ancestrais”, a banda se coloca como continuidade de uma linhagem, e não como exceção isolada; o jovem negro que ouve a música é convidado a se enxergar como parte dessa corrente de luta. O que esse fogo está queimando? O refrão – repetido até virar mantra – é direto: “fogo nos racistas”. À primeira vista, alguém mal-intencionado pode tentar ler isso como um chamado literal à violência, mas a própria letra ajuda a entender o que está em jogo ao trazer expressões como “expõe pra queimar” e “deixa queimar”. Na história da população negra, o fogo é memória dolorosa: fogueiras, casas queimadas, favelas incendiadas, corpos alvos de violência. A canção vira esse símbolo ao avesso. O “fogo” aqui é metáfora de exposição e purificação política: queimar o conforto de quem é racista e ainda quer ser lido como neutro, queimar o privilégio blindado que se mantém às custas da morte e do silenciamento, queimar a máscara do “não sou racista, mas…”. O que precisa “queimar” não são corpos, mas estruturas, discursos e posições sociais que se sustentam na desumanização do outro. O refrão, então, é um chamado para colocar o racismo sob luz intensa, sem proteção, até que não seja mais possível fingir que ele não existe. Reconquista, não inversão: “Não precisamos tomar nada de ninguém” Em um dos trechos mais importantes da letra, a música afirma que “não precisamos tomar nada de ninguém” e pede apenas para “reconquistar o nosso espaço”. Essa formulação desmonta uma fantasia muito presente em discursos reacionários: a ideia de que políticas antirracistas buscariam “inverter” a opressão, “tirar” algo dos brancos ou cometer uma suposta injustiça ao contrário. A letra é clara: não se trata de usurpar; trata-se de reconquistar. A escolha do verbo é central. Reconquistar supõe que esse espaço já foi ocupado – nas cidades, nas artes, nas ciências, na política – e que, ao longo da história, pessoas negras foram empurradas para fora, para a periferia, para a precariedade, para a invisibilidade. Quando o eu lírico fala que essa luta vai “de janeiro a janeiro” e “todo dia, o ano inteiro”, reforça um ponto: o racismo não é tema de data comemorativa; é realidade cotidiana. E, portanto, a resistência também precisa ser cotidiana – na escola, na rua, no trabalho, nos afetos, na música. Ressignificar o que chamam de negro: “Ascensão do império preto” e “lado negro da força”:  A segunda metade da letra intensifica o uso de imagens da cultura pop, especialmente de Star Wars, ao falar da “ascensão do império preto”, do “Império contra-ataca” e do “lado negro da força” que “só fere reaça”. Na saga original, o Império e o “dark side” simbolizam o mal; o Black Pantera apropria esse vocabulário para fazer um movimento de ressignificação. O “império preto” não é projeto de dominação sobre outros povos, e sim metáfora de um povo que se levanta, assume poder, produz conhecimento, arte e política. Já o “lado negro da força” deixa

Nossa Gente Negra: “Fogo nos Racistas” é a arte de queimar o racismo à luz dos holofotes Read More »

Nossa Gente Negra: ‘Tradução’ do Black Pantera mostra quando o amor materno se torna ato político e linguagem de sobrevivência

O Black Pantera é o eixo central da edição 2025 do projeto Nossa Gente Negra, da ComCausa Defesa da Vida. Desde 2020, a iniciativa trata a memória não apenas como lembrança, mas como território de disputa simbólica: registrar histórias, afetos e trajetórias negras é também afirmar existências, questionar hierarquias e ampliar o horizonte da representatividade. Nesse contexto, a série de análises das músicas da banda prossegue com “Tradução” (2024), canção que se tornou um marco ao colocar o afeto materno no centro da narrativa. Aqui, o amor não é enfeite, é método de sobrevivência. A letra transforma a rotina exaustiva e a luta cotidiana das mães negras em gesto político e linguagem de resistência, evidenciando como o cuidado, em meio ao racismo e à precariedade, é também forma de enfrentar o mundo e mantê-lo habitável. A mãe como símbolo de trabalho e dignidade A música começa com um verso marcante — “Minha mãe tem hora pra chegar / Mas não tem hora pra sair”. Mais do que uma memória individual, trata-se de uma denúncia da exploração histórica das mulheres negras no Brasil, submetidas a jornadas de trabalho intermináveis e constantemente invisibilizadas. A imagem da mãe que, mesmo “sem força, sai pra trabalhar”, ecoa séculos de luta, resistência e sobrevivência. A figura materna aparece como corpo exausto, mas também como luz, com um “sorriso impossível de extinguir”. É a contradição entre a dor da exploração e a grandeza do cuidado. Ao pedir perdão por ter compreendido “meio tarde demais” essa realidade, o eu-lírico revela o peso da consciência crítica que atravessa gerações — a percepção de que, para os “de cima”, vidas negras sempre pareceram “tanto faz”. A casa como metáfora da sociedade fraturadaO refrão da música se ancora em imagens materiais — telhado, laje, azulejos, rachaduras — para falar de muito mais do que reformas domésticas. Esses elementos cotidianos são metáforas de uma arquitetura social marcada pela precariedade. O verso “Quem dera as rachaduras fossem no sistema / E não nas paredes da sala, que pena” explicita o diagnóstico: o problema não está apenas nas casas que desmoronam, mas no próprio sistema que trinca vidas, que impõe limites estruturais ao bem-estar das famílias negras e periféricas. Essa poesia do concreto, tão característica do Black Pantera, é capaz de transformar a falta de infraestrutura em denúncia social. O que poderia ser apenas relato de pobreza vira manifesto contra um modelo que naturaliza a desigualdade. Ao incorporar o verso “Ratatatá preciso evitar / Que algum safado ou sistema façam a minha mãe chorar” — uma referência direta ao icônico “Diário de um Detento”, dos Racionais MC’s —, a banda funde a linguagem da violência armada com a urgência de proteger a família. Essa ressignificação transforma a onomatopeia do disparo em um símbolo do medo constante que cerca a comunidade negra: o temor de que o racismo estrutural e a violência estatal atinjam, de forma brutal e irreversível, seus entes mais queridos. Masculinidades e silêncios que adoecemOutro trecho emblemático é o que denuncia o pacto de silêncio masculino: “Homem não fala muito / É tudo um bando de puto / Pacto mútuo / Silêncio absurdo / A gente adoece por descuido”. A canção rompe com a ideia tradicional de masculinidade viril e invulnerável, apontando que o silêncio, longe de ser sinal de força, é uma armadilha que adoece. O Black Pantera sugere outro horizonte: falar, demonstrar afeto, admitir fragilidades. Essa é uma ousadia dentro do rock, um espaço historicamente marcado pelo culto à dureza masculina. O amor como gramática de resistênciaO refrão final é uma verdadeira oração laica: “Que os ventos soprem ao nosso favor, mãe / No meu vocabulário, real tradução do que é amor”. Aqui está o cerne da canção. O amor materno não é apresentado como romantização, mas como método de sobrevivência, como força política. É um amor que ensina, que alfabetiza para a resistência, que se traduz em cuidado e, ao mesmo tempo, em luta. Essa “tradução” é o reconhecimento de que, no vocabulário da periferia, amor não é abstrato: é comida na mesa, telhado reformado, mãe sorrindo apesar da dor. O que se canta é a pedagogia da vida real, uma lição que ultrapassa os muros da casa e alcança a sociedade. Uma banda necessária, dentro e fora do BrasilHoje, o Black Pantera é reconhecido não apenas como banda, mas como símbolo cultural. É respeitado no Brasil e no exterior, não só pelo peso de sua música, mas pelo alcance de suas mensagens. Suas letras já foram citadas em pesquisas acadêmicas, debates públicos e até em questões do ENEM, o que evidencia sua relevância educativa e social. Ao trazer para o rock temas como a centralidade do cuidado, a violência estrutural e a precariedade urbana, o grupo rompe estigmas e coloca o gênero em diálogo com os dilemas reais da sociedade brasileira. ComCausa e o aprofundamento das mensagensPor sua importância cultural e política, a istitução, através do RedeDH.org.br, no Portal C3, Rock ComCausa e no pefil ComCausa Defesa da Vida , promove uma série de reportagens especiais dedicadas a analisar letras do Black Pantera. O objetivo é revelar como as canções se tornaram não apenas trilhas sonoras, mas também documentos culturais e pedagógicos de resistência. A análise de “Tradução” é apenas uma pequena contribuição que remete a tantas outras composições do grupo, destacando a riqueza das mensagens que dialogam com racismo, desigualdade, memória, masculinidade e esperança. Nossa Gente Negra 2025: Black Pantera como eixo de memória e ação A escolha do Black Pantera em 2025 se insere na trajetória do Nossa Gente Negra, promovido pela ComCausa desde 2020, que já dedicou edições a figuras que se tornaram marcos da luta negra em diferentes dimensões: Em 2025, ao eleger uma banda de hardcore/metal como tema central, o Nossa Gente Negra reafirma que a resistência negra não se limita a figuras históricas consagradas ou a narrativas tradicionais, mas também se expressa na linguagem do rock, da distorção, do grito e da performance de palco. Serviço Show e gravação ao vivo

Nossa Gente Negra: ‘Tradução’ do Black Pantera mostra quando o amor materno se torna ato político e linguagem de sobrevivência Read More »

procura-se Jeverson Olmiro Lopes Goulart

ComCausa divulga variações da foto de PM condenado por estupro e homicídio de sobrinho

Condenado a 46 anos de prisão no Rio Grande do Sul pelos crimes de estupro e homicídio do próprio sobrinho, o policial militar Jeverson Olmiro Lopes Goulart é considerado foragido da Justiça. Informações públicas apontam que o último endereço conhecido do condenado fica no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Diante desse cenário, a ComCausa – Defesa da Vida está divulgando cards com a foto oficial e variações de aparência de Goulart – com barba, sem barba, com e sem óculos, diferentes cortes de cabelo –, justamente para alertar a população de que o foragido pode ter alterado o visual ao longo do tempo. As imagens são montagens ilustrativas, baseadas em registros públicos, e têm caráter exclusivamente informativo, para facilitar o reconhecimento e estimular a denúncia pelos canais oficiais. Paralelamente, a OSC articula alertas junto a parceiros no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, reforçando a importância da cooperação entre os dois estados e orientando a população a não tentar qualquer abordagem direta, limitando-se a registrar informações de forma anônima pelos serviços de denúncia, com prioridade para o Disque Denúncia Rio: (21) 2253-1177. Vejam as fotos no instagram @comcausa.defesadavida Rede de proteção em alerta Segundo autoridades gaúchas, após a confirmação da sentença e a expedição do mandado de prisão, Jeverson Goulart deveria ter se apresentado, o que não ocorreu. Desde então, ele é considerado foragido. Para a ComCausa, o caso exige máxima atenção da rede de proteção à infância e adolescência, bem como da sociedade em geral, em razão da gravidade dos crimes e do risco potencial de reincidência. “Quando um foragido condenado por crime hediondo tem último endereço no Rio, é responsabilidade de toda a rede de proteção ampliar o alerta e apoiar as forças de segurança. Denunciar salva vidas”, afirma Adriano Dias, da ComCausa – Defesa da Vida . Como parte da mobilização, a organização está enviando ofícios a órgãos públicos, conselhos, entidades da sociedade civil e coletivos comunitários no RJ e no RS, pedindo apoio na difusão dos cards informativos e na orientação à população sobre como denunciar com segurança. O que se sabe até agora A ComCausa orienta que qualquer informação sobre o paradeiro de Jeverson Olmiro Lopes Goulart seja encaminhada exclusivamente pelos canais oficiais, sem exposição direta da população: Todas as denúncias podem ser feitas de forma anônima e sigilosa. A orientação é anotar, sempre que possível, data, horário aproximado, local, características físicas e contexto em que a pessoa foi vista, para auxiliar na checagem das informações pelas autoridades.x Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

ComCausa divulga variações da foto de PM condenado por estupro e homicídio de sobrinho Read More »

Desaparecidos: Família procura por Luís Felipe de Jesus Santos

Desaparecidos: Família procura por Luís Felipe de Jesus Santos

A família de Luís Felipe de Jesus Santos, 19 anos, natural de Valença, no interior da Bahia, está à procura do jovem, desaparecido desde a manhã de 14 de novembro de 2025. Ele morava há cerca de três anos com a mãe e familiares na Vila do Abraão, Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ), e não fez mais contato desde que viajou sozinho rumo ao estado de São Paulo. Segundo o Registro de Ocorrência nº 166-05729/2025, lavrado na 166ª Delegacia de Polícia (Angra dos Reis) na noite de 15 de novembro, Luís Felipe saiu de casa após informar à mãe, Valdirene Souza de Jesus, que havia conhecido uma jovem em Angra e que iria para a casa dela no dia seguinte. Desde então, o telefone celular do rapaz permanece desligado e a família não conseguiu mais notícias sobre seu paradeiro. Trajeto até São Paulo e Mongaguá Ainda de acordo com o registro policial, a mãe passou o dia procurando pelo filho e, por meio de conhecidos, soube que Luís Felipe atravessou de barco da Vila do Abraão para Angra dos Reis na manhã de sexta-feira (14/11), por volta das 6h30. Informações colhidas posteriormente indicam que ele teria embarcado em um ônibus na rodoviária de Angra em direção à cidade de São Paulo (capital) e, já na Rodoviária do Tietê, seguido viagem para o município de Mongaguá, no litoral paulista. Após esses deslocamentos, nenhuma outra pista concreta foi confirmada. A família ressalta que Luís Felipe não faz uso de álcool, não fuma e não utiliza drogas, é considerado um rapaz calmo, caseiro, e que eventualmente ajuda o pai, camelô, no trabalho. A mudança repentina de rotina e o silêncio total nas comunicações acenderam o alerta e motivaram o registro oficial do desaparecimento. Quem é Luís Felipe Luís Felipe de Jesus Santos nasceu em 15 de maio de 2006, em Valença (BA). É filho de Sandro Alves dos Santos e Valdirene Souza de Jesus. De pele parda, cabelo escuro e cacheado, costuma ser visto com roupas simples e confortáveis. Na Ilha Grande, é conhecido por vizinhos e amigos como um jovem tranquilo, que circula principalmente pela Vila do Abraão. A família deixou a Bahia em busca de melhores condições de vida e, desde então, construiu laços na comunidade local. Registro e acompanhamento do caso O desaparecimento foi formalizado pela mãe na 166ª Delegacia de Polícia de Angra dos Reis, que instaurou procedimento para apurar o caso. Desde então, a família mantém uma rotina de buscas e contatos, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo e em Mongaguá, tentando localizar o jovem ou ao menos obter informações que ajudem a reconstruir o caminho percorrido por ele após deixar a Rodoviária do Tietê. Como em tantos outros casos de desaparecimento, a angústia cresce na mesma medida em que faltam respostas. Cada ligação sem retorno, cada pista que não se confirma aumenta o sofrimento de Valdirene e dos demais familiares, que agora contam também com o apoio de redes de solidariedade e de comunicação comunitária para ampliar a divulgação do caso. A ComCausa – Defesa da Vida, através do Programa Acolher – Desaparecidos, iniciativa dedicada a apoiar famílias de pessoas desaparecidas, oferecem acolhimento, orientação e encaminhamentos, fortalecendo a busca e a defesa do direito à vida. Por meio de sua atuação em direitos humanos e comunicação popular, reforçam a importância de que todo desaparecimento seja imediatamente registrado em delegacia, devidamente acompanhado pelos órgãos competentes e amplamente divulgado, sempre com respeito à dignidade da pessoa desaparecida e de seus familiares. Serviço – Como ajudar Quem tiver qualquer informação que possa contribuir para a localização de Luís Felipe de Jesus Santos pode: Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

Desaparecidos: Família procura por Luís Felipe de Jesus Santos Read More »

Black Pantera Rock ComCausa Npssa Gente Negra

Nossa Gente Negra: Black Pantera é a “vela que incendeia a casa grande”

Em 2025, a trajetória do Black Pantera se articula diretamente com uma iniciativa construída na interseção entre comunicação, direitos humanos e memória: o projeto Nossa Gente Negra, desenvolvido pela ComCausa Defesa da Vida desde 2020. Criado como estratégia de resgate de legados individuais e coletivos, o Nossa Gente Negra busca fortalecer a representatividade negra e promover consciência histórica, indo muito além da simples lembrança de nomes e datas. O objetivo é transformar memória em ferramenta de ação e mobilização social, disputando narrativas e sentidos sobre o que se entende por história do Brasil, hoje e no futuro. Neste ano, o foco se volta para o Black Pantera, reafirmando que a resistência negra também se expressa na linguagem do rock e da cultura pesada. Assim, entre os dias 17 e 20 de novembro, a instituição publicará no RedeDH.org.br, no Portal C3, Rock ComCausa e no pefil ComCausa Defesa da Vida , uma série especial com análises de quatro músicas da banda, buscando contribuir para o aprofundando mensagens, referências históricas e caminhos de resistência. A trajetória de uma banda que virou movimento O Black Pantera deixou de ser apenas um nome do rock pesado para se tornar um fenômeno social e político da música brasileira. Suas músicas saíram do nicho do metal e hoje pautam debates em universidades, ruas, festivais, redes sociais e até em provas oficiais, fazendo da banda uma referência de leitura crítica da sociedade. A canção “Candeia”, do álbum Perpétuo, é um exemplo dessa força: reafirma a identidade negra, aciona a memória coletiva e transforma o som em instrumento direto de combate ao racismo estrutural. A identidade como luz e como arma Logo nos primeiros versos, o trio deixa claro que a canção é uma afirmação existencial e política: “Preta e retinta pele / Luz que ofusca os ignorantes”. Não se trata apenas de um elogio à cor da pele, mas de uma virada de chave simbólica — aquilo que o racismo tentou por séculos desvalorizar se transforma em luz, em guia e em combustível para a luta. A música afirma que a pele negra, tantas vezes atacada e invisibilizada, é justamente o que ilumina o caminho e perturba aqueles que insistem em negar sua dignidade. É nesse espírito que a letra recupera a herança de resistência negra, evocando tanto o Império Ashanti, em Gana, quanto a liderança de Toussaint Louverture, no Haiti. Ao trazer essas referências históricas, a canção recorda que a luta contra a escravidão e o colonialismo moldou as bases da liberdade moderna e que esse fio histórico segue vivo na batalha contra o racismo no Brasil contemporâneo. Um dos trechos mais provocativos da música diz: “Os haters nos mantêm no pódio / Aumentam o engajamento / Monetizo esse ódio”. Aqui, o Black Pantera evidencia sua habilidade de virar o jogo. O ódio, que em muitos contextos é usado para desmobilizar e silenciar vozes negras, é reorganizado como motor de resistência. Essa postura dialoga diretamente com a realidade das redes sociais e do ambiente digital, onde o racismo se reproduz de maneira brutal – e a própria banda é alvo constante de ataques –, mas onde também se constroem espaços de reação, apoio mútuo e fortalecimento coletivo. A denúncia sem concessões A canção é explícita: “Cura pra racista não existe / Na verdade, existe sim / E é lá que nós resiste”. O Black Pantera não suaviza, tampouco cria saídas ilusórias. A mensagem é direta: o enfrentamento é o único caminho possível. Resistir é uma forma de cura coletiva — e essa resistência está nos corpos, nas vozes e, sobretudo, na cultura produzida pela população negra. Educação e legado Um dos versos mais emblemáticos reforça a ideia de que a banda já transcendeu o palco para se tornar conteúdo educacional e referencial crítico: “Estampando livros e cadernos de prova / Mesmo sem diploma / Tamo fazendo escola”. Não é metáfora: o Black Pantera já foi citado em pesquisas acadêmicas, artigos, estudos e até em questões do ENEM. É a música virando aula, é a periferia transformando saber popular em conhecimento científico, é o rock negro brasileiro se tornando parte da pedagogia da resistência. A chama que incendeia a casa grande A repetição insistente de “Somos vela que incendeia a casa grande” é o coração pulsante da canção. A imagem da “casa grande” — símbolo da opressão colonial e escravista — é confrontada pela chama da insubmissão. O fogo não é destruição gratuita, mas metáfora de transformação, de ruptura com séculos de silêncio e submissão. É o quilombo reerguido em forma de música, é a revolução cultural que se infiltra pelas brechas da sociedade e explode como estopim de mudanças. A trajetória de uma banda que virou movimento O Black Pantera deixou de ser apenas um nome do rock pesado para se afirmar como uma referência da música brasileira contemporânea. A música “Candeia”, sintetiza essa força inclusive com um clipe que potencializa a letra ao transformar em imagem o que a banda já expressa em som: identidade negra, denúncia e resistência. Nossa Gente Negra 2025: Black Pantera como eixo de memória e ação A escolha do Black Pantera em 2025 se insere na trajetória do Nossa Gente Negra, promovido pela ComCausa desde 2020, que já dedicou edições a figuras que se tornaram marcos da luta negra em diferentes dimensões: Em 2025, ao eleger uma banda de hardcore/metal como tema central, o Nossa Gente Negra reafirma que a resistência negra não se limita a figuras históricas consagradas ou a narrativas tradicionais, mas também se expressa na linguagem do rock, da distorção, do grito e da performance de palco. Serviço Show e gravação ao vivo – Black PanteraData: 19 de novembro de 2025 (quarta-feira) – véspera do Dia da Consciência NegraLocal: Circo Voador – Lapa, Rio de Janeiro (RJ)Ingressos: à venda pela Eventim Projeto Nossa Gente Negra 2025 – ComCausa Defesa da VidaTema: Black Pantera – rock negro, memória e resistênciaRealização: ComCausa Defesa da Vida, Rock ComCausa, pelos portais RedeDH e Portal C3.Ingressos: Eventim Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

Nossa Gente Negra: Black Pantera é a “vela que incendeia a casa grande” Read More »