Adriano Dias

Whellington Braz ComCausa

Memória: Wellington Braz da Silva

No dia 15 de abril de 2013, um trágico episódio de violência chocou a cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Durante o evento Viradão Carioca, realizado no Aeroclube da cidade, o jovem Wellington Braz da Silva foi brutalmente espancado até a morte por um grupo de jovens, evidenciando a escalada da violência juvenil na região. Morador do bairro Moqueta e residente próximo ao local do crime, Wellington tinha sua vida interrompida de forma cruel, em um episódio que marcou profundamente a comunidade local. Segundo relatos de familiares e amigos, tudo aconteceu nos minutos finais do evento. Durante a última música, um grupo de jovens oriundos do bairro Jardim Iguaçu iniciou um ataque contra Wellington e seus amigos, que conseguiram fugir. O jovem, entretanto, escorregou ao tentar escapar e foi alcançado. Ele foi atingido na cabeça e, após cair no chão, foi covardemente espancado com paus e pedras. Testemunhas relataram que os materiais usados na agressão estavam previamente escondidos em um matagal dentro do aeroclube. Embora socorrido e levado ao Hospital da Posse, Wellington não resistiu aos ferimentos. A morte de Wellington é mais do que um caso isolado de violência: ela expõe a lógica perversa das rivalidades entre grupos juvenis, muitas vezes influenciadas pela presença e pela dinâmica das facções criminosas que controlam partes do território da Baixada Fluminense. É um retrato da banalização da vida e da ausência de políticas públicas voltadas à juventude, ao acesso à cultura, ao esporte e à prevenção da violência. Trata-se de um alerta sobre como o ódio e o medo têm se enraizado entre os próprios jovens, em um ciclo de violência que ceifa vidas e destrói famílias. Diante da brutalidade do caso, a organização ComCausa criou, em 2014, o programa Jovem Fica Vivo, com o objetivo de chamar atenção não apenas para a violência institucional praticada pelo Estado contra a juventude, mas também para a violência entre os próprios jovens. A iniciativa busca sensibilizar a sociedade para a urgência da construção de uma cultura de paz, valorizando a vida e promovendo a justiça social. A memória de Wellington segue como símbolo da luta por uma juventude viva, protegida e respeitada. Mais notícias, | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Menino João Pedro Donadio Itaperuna

João Pedro: menino é morto por descarga elétrica em loja e mãe pode ser condenada por danos morais

Na manhã do dia 1º de fevereiro de 2020, no município de Itaperuna, localizado no Noroeste Fluminense, o menino João Pedro Donadio, de 11 anos, acompanhava sua mãe, Eliane Amancio de Melo, em uma loja de roupas situada na Avenida Cardoso Moreira — principal via comercial da cidade. Durante a breve permanência no estabelecimento, segundo Eliane, o garoto encostou em uma arara metálica e recebeu uma forte descarga elétrica. A mãe do menino relatou que a passagem pela loja foi extremamente rápida. “A gente ficou no máximo seis minutos lá dentro. Nos dois primeiros, enquanto eu conversava com uma das vendedoras, meu filho caiu. Nos quatro seguintes, fiquei sozinha, desesperada, gritando por socorro”, disse. “Não deu tempo de experimentar nada. Só entrei e, em poucos minutos, ele já estava no chão.” João Pedro foi socorrido e levado ao Hospital São José do Avaí com sinais de parada cardíaca. Apesar dos esforços da equipe médica, permaneceu internado em estado grave e faleceu na madrugada do dia 4 de fevereiro. Laudos apontam falha elétrica De acordo com o laudo de necropsia emitido pelo Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi eletrocussão. Um segundo parecer técnico, elaborado por um engenheiro eletricista, apontou que a fiação da loja encontrava-se em condições precárias, com fios desencapados e alto risco de acidentes. Familiares da vítima reforçam que os documentos periciais confirmam a presença de lesões compatíveis com queimaduras por choque elétrico, além de graves irregularidades nas instalações elétricas do estabelecimento comercial. Responsabilização judicial Diante dos elementos apurados, a proprietária da loja foi denunciada por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. No entanto, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro interpôs recurso, solicitando a reclassificação do crime para dolo eventual, quando alguém assume o risco de causar um resultado, mesmo que não seja a intenção direta. Com a realização de julgamento pelo Tribunal do Júri. O MP sustenta que houve omissão de socorro e que a empresária tinha plena consciência do risco oferecido pelas instalações elétricas da loja. As audiências já foram realizadas, mas a proprietária da loja solicitou a realização de uma nova perícia, desta vez com um perito particular de sua confiança, após a loja ter passado por reformas. Uma nova audiência está prevista para ocorrer em agosto deste ano. Mãe condenada a pagar indenização para loja que filho morreu Desde a morte de João Pedro, Eliane vem utilizando suas redes sociais como espaço de denúncia e mobilização. Suas publicações impulsionaram uma onda de solidariedade em Itaperuna e deram origem a manifestações públicas. A repercussão, no entanto, levou a loja a mover a ação judicial contra a mãe, sob alegação de difamação. Inicialmente arquivado em 2023, o processo foi reaberto por solicitação da empresa, resultando na recente condenação. Cinco anos depois da tragédia, a Justiça decidiu intimar Eliane Amancio, mãe de João Pedro, ao pagamento de R$ 386 mil por danos morais à loja onde ocorreu o incidente. A decisão, assinada pelo juiz Maurício dos Santos Garcia, da 2ª Vara Cível de Itaperuna, se baseou na alegação de que postagens feitas por Eliane nas redes sociais, denunciando a negligência do estabelecimento, teriam prejudicado a imagem comercial da empresa e afastado clientes. A sentença gerou forte reação de familiares e amigos que denunciaram o caso como mais um exemplo de revitimização de mães em luto. A defesa de Eliane recorreu da decisão, alegando que a intimação representa um atentado à liberdade de expressão e à dignidade de uma mulher que busca justiça após a perda do filho. Após ser acionada, e diante da situação, a ComCausa anunciou que acompanhará o caso. Em nota, a instituição manifestou solidariedade à mãe e a família de João Pedro e condenou o que classificou como tentativa de silenciamento e penalização de quem denuncia violações e cobra justiça. Nota da ComCausa “A ComCausa manifesta profunda solidariedade à mãe Eliane Amancio de Melo, que, além de perder seu filho de forma trágica, agora enfrenta uma condenação que penaliza sua dor e seu clamor por justiça. O direito à manifestação pública diante de uma perda irreparável deve ser garantido, sobretudo quando se trata de uma denúncia legítima contra negligência que resultou na morte de uma criança. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, com a justiça e com a dignidade das famílias vítimas de violações de direitos. Casos como este nos lembram da importância de fortalecer o amparo jurídico e psicológico a mães e pais que lutam por memória e responsabilização.” Mobilização em memória de João Pedro Um ato público está sendo organizado por familiáres e moradores para o dia 26 de abril, com concentração às 9h no Calçadão de Itaperuna, em frente ao Shopping do Pão. A caminhada seguirá até o semáforo em frente ao Banco do Brasil, nas imediações da loja envolvida. O objetivo da mobilização é homenagear João Pedro, protestar contra a condenação da mãe e reafirmar a luta por justiça. Linha do tempo do caso João Pedro Donadio Situação atual Enquanto a ação criminal contra a proprietária da loja segue em trâmite, com o Ministério Público buscando maior rigor na responsabilização, a ação cível contra Eliane Amancio se encontra em fase de recurso. O desfecho do caso é aguardado com grande expectativa por familiares, ativistas e membros da comunidade de Itaperuna, que seguem mobilizados em defesa da memória de João Pedro e do direito à justiça. Imagem de capa rede social. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

Disque 100: Intolerância religiosa cresce e denúncias aumentam quase 67% em um ano

A intolerância religiosa tem se aprofundado como uma das expressões mais violentas do racismo estrutural brasileiro. De acordo com dados atualizados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, os registros de violações à liberdade religiosa aumentaram 66,8% entre 2023 e 2024. Foram 2.472 denúncias recebidas pelo Disque 100 no último ano, frente a 1.481 no ano anterior — um crescimento alarmante que exige atenção urgente do poder público e da sociedade civil. Entre as religiões mais atingidas, destacam-se novamente as de matriz africana. A umbanda lidera os registros com 151 denúncias, seguida pelo candomblé, com 117. Outras expressões do campo religioso afro-brasileiro somaram ainda 21 casos. A repetição desses números, ano após ano, revela não apenas a persistência da violência, mas também o silêncio institucional que ainda prevalece diante desses crimes de ódio. Na Baixada Fluminense, onde a ComCausa atua há quase duas décadas no enfrentamento à violência e promoção dos direitos humanos, o cenário é particularmente crítico. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ), houve um aumento de mais de 50% nos registros de ataques a terreiros e agressões a adeptos das religiões afro-brasileiras entre 2022 e 2024. Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo concentram a maioria desses casos. Muitos desses episódios de violência contra terreiros, praticantes de religiões de matriz africana e outras minorias religiosas sequer são registrados como intolerância. Nas delegacias, frequentemente são reduzidos a meros ‘conflitos interpessoais de fim de semana’, ‘briga entre vizinhos’ ou ‘feijoadas’ – termos usados por alguns agentes para minimizar a gravidade dos fatos. Essa rotulação simplista ignora o ódio religioso que motiva tais agressões, como invasões a espaços sagrados, destruição de objetos rituais ou ameaças com teor discriminatório. Ao transformar crimes de ódio em desentendimentos cotidianos, o Estado não só falha em proteger as vítimas, mas naturaliza a violência, reforçando a impunidade e a perpetuação dessas práticas. A violência contra comunidades religiosas tradicionais é também simbólica: templos destruídos, objetos sagrados profanados, lideranças ameaçadas e crianças expostas ao medo. O que se ataca não é apenas uma religião, mas a própria existência de uma cultura, de uma identidade. Isso é racismo religioso. E precisa ser enfrentado como tal. É preciso lembrar que o Brasil possui legislação que criminaliza a intolerância religiosa. A Lei nº 9.459/1997 prevê pena de um a três anos de reclusão, além de multa. Em 2022, o Supremo Tribunal Federal reforçou o entendimento de que ataques a terreiros configuram crime de racismo — ou seja, são inafiançáveis e imprescritíveis. Mas, na prática, essas garantias legais têm sido ignoradas, especialmente nas periferias urbanas e em territórios de maior vulnerabilidade social. Em resposta a esse cenário, as comunidades de terreiro vêm se fortalecendo por meio de redes de proteção mútua, formação política, campanhas públicas e ações em articulação com entidades da sociedade civil, como a própria ComCausa, além de iniciativas junto a universidades e órgãos de fiscalização. Essas ações são mais do que simbólicas: são gestos concretos de resistência e memória. Cada árvore sagrada plantada é um compromisso com o futuro. Precisamos voltar às universidades, escolas e espaços públicos todos os anos, durante o Abril Verde, para lembrar que o sagrado também floresce da terra e da ancestralidade. Se quisermos, de fato, enfrentar a intolerância religiosa, precisamos agir em três frentes: educação, justiça e políticas públicas estruturadas. Não basta apenas denunciar. É necessário formar agentes públicos, reconhecer as religiões de matriz africana como patrimônio cultural imaterial e garantir proteção às casas tradicionais. Enquanto isso não acontece de forma plena, seguiremos resistindo. Como já dissemos em outros momentos: atacar uma religião é atacar a dignidade humana. E isso exige uma resposta firme, articulada e urgente. Para denunciar casos de intolerância religiosa, ligue para o Disque 100 ou procure a DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, localizada na Rua do Lavradio, 155, Lapa – Rio de Janeiro. Telefone: (21) 2333-3509. II Colóquio Siso Itan Ati Akoko Será com esse espírito que estaremos, no dia 10 de abril de 2025, o II Colóquio Siso Itan Ati Akoko – Contando a História do Tempo, no Jardim Botânico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica. O evento será organizado pelo Grupo EtnoPET, em parceria com casas de axé, coletivos acadêmicos e com o apoio da ComCausa, e reunirá espiritualidade, ciência e resistência em um momento de profunda conexão com a ancestralidade e os direitos humanos. Entre os destaques da programação, estará a mesa de debate sobre o combate ao racismo religioso e o emocionante cortejo pelo campus, que culminará no plantio de uma muda de Akoko — árvore sagrada nas tradições de matriz africana — ao lado do Iroko plantado há três anos. A cerimônia contará com a participação de importantes lideranças religiosas, como o Frei Tatá, da Pastoral Afro, além de representantes do poder público. 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Morro do Bumba

Desabamento do Morro do Bumba completa 15 anos

Na madrugada de 7 de abril de 2010, uma das maiores tragédias na história do Rio de Janeiro abalou a cidade de Niterói. O Morro do Bumba, uma comunidade construída sobre um antigo lixão, desabou devido a fortes chuvas que provocaram um deslizamento de terra devastador. O desabamento atingiu cerca de 50 casas, engolindo vidas e histórias. O saldo trágico foi de pelo menos 43 mortes confirmadas, segundo a Prefeitura de Niterói, embora sobreviventes aleguem que o número real de vítimas fatais possa ser ainda maior. Além das mortes, milhares de moradores ficaram desabrigados, e a cidade se viu diante de um imenso desafio humanitário e social. O Morro do Bumba era uma área de ocupação irregular, um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos que vivem em condições precárias no Brasil. Construído sobre um terreno instável, onde antigamente funcionava um lixão, o morro abrigava centenas de famílias que, apesar das condições adversas, tentaram construir suas vidas. O deslizamento, que se deu após dias de chuvas intensas, trouxe à tona as condições de vulnerabilidade de muitas comunidades periféricas em Niterói e em diversas outras regiões do Rio de Janeiro e do Brasil. A tragédia foi um alerta sobre a falta de políticas públicas adequadas para lidar com ocupações irregulares e áreas de risco, além da necessidade urgente de planejamento urbano para proteger as populações mais vulneráveis. Após o desastre, o poder público, tanto municipal quanto estadual, se mobilizou para prestar socorro às vítimas. Medidas emergenciais foram tomadas, como a construção de abrigos provisórios e o fornecimento de alimentos e materiais de higiene. No entanto, as promessas de reassentamento das famílias afetadas, incluindo a oferta de casas através do programa Minha Casa Minha Vida e o pagamento do aluguel social, não se concretizaram de maneira efetiva para todos os afetados. Embora 263 sobreviventes tenham sido realocados em novas moradias, o processo de reassentamento foi lento e falho para muitos. Famílias continuam a esperar por suas casas, uma luta que se arrasta por mais de uma década. Algumas das vítimas, como a cozinheira Jovita Machado, continuam a exigir suas moradias, criticando a demora e a falta de respostas concretas por parte do poder público. A situação dos moradores que foram realocados também não é ideal. Muitos foram transferidos para conjuntos habitacionais distantes, como o Várzea das Moças, a cerca de 15 quilômetros do antigo morro, o que complicou ainda mais a adaptação. Além do custo elevado do IPTU, que muitas famílias não conseguem pagar, os moradores enfrentam problemas de infraestrutura, como a falta de manutenção nas áreas comuns e danos nas redes de esgoto. Além disso, muitos desses novos condomínios estão localizados em bairros considerados mais nobres, onde o custo de vida é muito mais alto, colocando as famílias em uma situação de extrema dificuldade financeira. Apesar de 15 anos passados, a tragédia do Morro do Bumba continua a reverberar na vida de seus sobreviventes. A falta de políticas públicas adequadas para evitar desastres como este e a negligência no reassentamento das vítimas revelam a fragilidade do sistema de habitação e segurança urbana nas áreas mais vulneráveis. O município de Niterói tem investido em medidas de prevenção, como a criação de um centro de monitoramento meteorológico e o uso de tecnologias de alerta e monitoramento, para evitar futuras tragédias. No entanto, o trabalho ainda é insuficiente diante da magnitude da situação. A tragédia do Morro do Bumba é um reflexo das desigualdades sociais no Brasil e uma dura lembrança de que políticas públicas eficazes são fundamentais para garantir segurança e dignidade para todos os cidadãos. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Massacre de Realengo: o que mudou nas leis desde a tragédia na Escola Tasso da Silveira

Nesta segunda-feira, 7 de abril de 2025, o Brasil relembra os 14 anos do massacre na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Na manhã daquela quinta-feira de 2011, doze crianças foram assassinadas a tiros por um ex-aluno que invadiu a escola com duas armas na mochila, durante uma homenagem aos 40 anos da instituição. A tragédia comoveu o país e trouxe à tona debates urgentes sobre bullying, saúde mental, acesso a armas e segurança escolar. A comoção pública gerou também ações no campo legislativo. Ao longo da última década, foram aprovadas leis em âmbito federal e municipal com o objetivo de prevenir episódios semelhantes. No entanto, especialistas alertam que, apesar das normas, a efetivação das políticas públicas ainda é frágil. Leis e iniciativas que nasceram do luto A principal iniciativa diretamente relacionada ao atentado foi a criação do Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas, por meio da Lei Federal nº 13.277/2016. A data escolhida foi justamente o 7 de abril, como forma de manter viva a memória das vítimas e incentivar ações educativas em instituições de ensino de todo o país. Outras duas leis federais também se destacam no cenário pós-Realengo. A Lei nº 13.185/2015 criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), obrigando escolas públicas e privadas a elaborarem medidas preventivas e de enfrentamento ao problema. Já a Lei nº 13.935/2019 determinou a obrigatoriedade da presença de psicólogos e assistentes sociais na rede pública de educação básica, com foco no acompanhamento emocional e social de estudantes e profissionais da educação. No âmbito estadual, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) aprovou a Lei nº 10.023/2023, que institui a Semana Verde e Branca de Enfrentamento à Intimidação Sistemática – Bullying e Cyberbullying nas escolas públicas e privadas da rede estadual de ensino. Essa semana é celebrada anualmente na semana do dia 7 de abril, em memória às vítimas do massacre de Realengo. Durante esse período, as escolas são incentivadas a promover ações educativas para conscientização e prevenção do bullying e cyberbullying, visando disseminar a esperança e a paz no ambiente escolar. Além disso, os prédios dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do estado podem ser iluminados nas cores verde e branca como símbolo da campanha.​ No Rio, homenagem e iniciativas pontuais Na cidade do Rio de Janeiro, a resposta mais concreta foi a aprovação da Lei Municipal nº 5.915/2015, que autorizou a construção de um memorial em homenagem às vítimas ao lado da Escola Tasso da Silveira. O espaço conta com esculturas de bronze representando 11 dos 12 estudantes mortos — uma das famílias optou por não autorizar a reprodução da imagem. Além disso, foram apresentados projetos na Câmara Municipal do Rio para instituir datas comemorativas e campanhas permanentes de prevenção ao bullying e à violência escolar. No entanto, poucos desses projetos foram aprovados ou colocados em prática, e a maioria das ações ficou restrita a medidas administrativas, sem continuidade entre gestões. Embora as leis representem um avanço simbólico e legal, estudiosos apontam que ainda há um longo caminho a ser percorrido. A implementação da Lei 13.935/2019, por exemplo, segue lenta em diversos estados e municípios, incluindo o Rio. Muitas escolas ainda não contam com profissionais da área psicossocial em tempo integral, e o bullying continua presente no cotidiano escolar. Além disso, episódios mais recentes de violência em escolas brasileiras mostram que o desafio persiste. A tragédia de Realengo segue como um marco da dor, mas também como um chamado permanente à ação e à responsabilidade do Estado com a vida de suas crianças e adolescentes. Para não esquecer O massacre da Tasso da Silveira tirou a vida de Luiza, Karine, Larissa, Rafael, Samira, Mariana, Ana Carolina, Bianca, Géssica, Laryssa, Milena e Igor — estudantes entre 12 e 15 anos, com sonhos interrompidos de forma cruel. Catorze anos depois, a cidade do Rio e o Brasil inteiro continuam a lidar com o impacto daquela manhã. Neste 7 de abril, a lembrança se renova como dever: o de nunca mais permitir que uma tragédia como essa se repita. Mobilização comunitária e reconhecimento institucional Além da mobilização comunitária, a ComCausa está atuando no campo institucional, enviando ofícios às Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e ao Congresso Nacional. O objetivo é que os parlamentos reconheçam publicamente a data, prestem homenagens às vítimas e, principalmente, revalidem seu compromisso com políticas eficazes de prevenção à violência nas escolas. A segurança de estudantes e educadores não pode ser tratada como uma questão secundária – é uma responsabilidade de todos, exigindo ações concretas e articulação permanente entre Estado e sociedade. A mensagem é clara: lembrar os que se foram é também lutar por um presente e um futuro em que nenhuma criança precise temer pela própria vida dentro da sala de aula. A memória das vítimas de Realengo segue viva, inspirando uma rede de proteção que deve ser fortalecida todos os dias. Reflexão por meio da cultura: juventude como protagonista No dia 10 de abril, a ComCausa realizará uma atividade especial na sede do Projeto Professor Fábio Castelano, em Queimados. Será exibido um trecho do episódio da série Adolescência, da plataforma Netflix. A exibição será seguida de uma roda de conversa com jovens, promovendo um espaço de escuta, troca e elaboração coletiva sobre as causas e impactos da violência. A proposta é utilizar a cultura como ferramenta pedagógica e política, estimulando a reflexão sobre temas urgentes como bullying, saúde mental, abandono escolar e o papel da sociedade na proteção da infância e da juventude. A roda de conversa será conduzida por educadores, ativistas e profissionais da área da saúde mental e assistência social, promovendo um diálogo sensível e profundo com os adolescentes participantes. Por justiça, memória e transformação social Todas essas ações integram uma estratégia mais ampla da ComCausa de promover justiça social e políticas públicas eficazes, garantindo que as vítimas não sejam esquecidas e que suas histórias se tornem marcos de transformação. Ao transformar o luto em luta e a

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Eduardo-de-Jesus-Ferreira

Mamória: 10 anos do caso Eduardo de Jesus

O garoto de 10 anos, Eduardo de Jesus Ferreira, foi vítima de um disparo fatal na cabeça e faleceu em 2 de abril de 2015, à tarde, à porta de sua residência no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Naquele momento, policiais militares estavam sob ataque de suspeitos e retaliando a agressão em uma área conhecida como Areal, parte de uma operação na qual os agentes envolvidos foram posteriormente afastados de suas funções. A investigação sobre a morte de Eduardo revelou que o menino foi atingido por um tiro disparado por policiais durante o tiroteio no Complexo do Alemão. Segundo sua mãe, Terezinha Maria de Jesus, que estava em casa assistindo televisão no momento, Eduardo se dirigiu à porta para falar com os pedreiros que estavam trabalhando lá. Ele estava sentado quando foi atingido por um tiro na cabeça por trás. Devido ao confronto entre os policiais e traficantes, onde o garoto ficou na linha de fogo, as investigações consideraram a ação dos agentes como legítima defesa, resultando na ausência de acusações formais no inquérito encaminhado ao Ministério Público. Após a perda de seu filho, Terezinha Maria de Jesus, a mãe de Eduardo, retornou ao Piauí, sua terra natal, acompanhada de suas filhas, neto e genro. O desfecho do inquérito que investigou a morte do jovem Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, no Complexo do Alemão, foi classificado como uma verdadeira “anomalia”. Após sete meses de diligências, a Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil concluiu que o tiro fatal que tirou a vida da criança, em 2 de abril, partiu de um policial militar durante um confronto na localidade de Areal. Contudo, a unidade especializada não atribuiu a responsabilidade direta pela tragédia a nenhum dos envolvidos. No inquérito recém-finalizado, os soldados Marcus Vinicius Nogueira Bevitori e Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues, lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da região, foram considerados inocentes pela polícia, que alegou que “agiram em legítima defesa e não tinham a intenção de disparar contra a criança”. A DH chegou a descartar o indiciamento dos policiais por homicídio culposo, que ocorre quando não há intenção de matar. MPRJ pede desarquivamento de inquérito sobre morte do menino Eduardo de Jesus No dia 27 de setembro de 2023, um novo capítulo se abriu nessa história trágica. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou o desarquivamento do inquérito policial que investiga a morte de Eduardo de Jesus Ferreira. Essa decisão veio à luz de novas provas, incluindo vídeos gravados no dia do homicídio, indícios de fraude na investigação policial e falhas do promotor original do caso, conforme apontado pela defesa de Terezinha. O advogado João Pedro Accioly, representante legal de Terezinha, esclareceu que o pedido de desarquivamento foi baseado em diversas irregularidades identificadas nas investigações, incluindo falhas no laudo de confronto balístico e a semelhança notável nos depoimentos dos policiais envolvidos. Além disso, o advogado comemorou a inclusão de um segundo policial no caso, que havia sido excluído da primeira denúncia. “Além do policial Rafael de Freitas, que havia sido alvo da primeira denúncia, a decisão do procurador-geral de justiça permite a investigação e a acusação do policial Marcus Bevitori, que havia sido impropriamente excluído da primeira ação penal. Elementos do próprio inquérito levam a crer que Freitas foi o primeiro a disparar, mas Bevitori foi o responsável pelo disparo letal”, explicou. Terezinha, mãe de Eduardo, expressou sua esperança renovada pela busca de justiça após oito anos de luta: “Eu estou me sentindo com uma grande esperança de que agora essa justiça vai ser feita, depois de oito anos de muita luta. Estou com meu coração bem esperançoso. Com Deus na frente tudo vai fluindo. A guerra ainda não ganhei, mas uma batalha eu já venci, graças a Deus”. A saga por justiça continua, e a sociedade espera que o desfecho honre a memória de Eduardo e traga paz à sua família. Em junho de 2024, peritos que participaram da investigação original prestaram novos depoimentos. A família de Eduardo continua buscando justiça pela morte do menino. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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