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Priscila Belfort

Priscila Belfort e a “teia de ausências”: por que ainda existem falha na busca por desaparecidos

Há 22 anos sem respostas definitivas, o desaparecimento de Priscila Belfort expõe um padrão: atendimento precário às famílias, investigação fragmentada e um território em que o sumiço, muitas vezes, vira estatística — especialmente quando a vítima é negra, pobre e periférica. O caso de Priscila Belfort não é apenas uma história interrompida. Ele expõe, com nitidez, o peso da conjuntura do Rio de Janeiro — marcada por sobrecarga institucional, fragmentação entre órgãos, desigualdades territoriais e um ambiente de violência e medo que dificulta a circulação de informações e a proteção de testemunhas — sobre um dos temas mais dolorosos da vida pública: o desaparecimento de pessoas. Quando alguém desaparece, o tempo vira inimigo. E, em uma conjuntura em que a resposta do Estado nem sempre é imediata, integrada e consistente, cada hora sem coordenação pode apagar pistas, dispersar testemunhas, esfriar imagens, desorganizar rotinas de busca e ampliar o sofrimento de mães, pais e familiares que passam a viver em suspensão. Em 2024, esse cenário ganhou números que não deixam margem para relativização: o Rio registrou média de 16 desaparecimentos por dia, com 2.533 registros entre janeiro e maio, segundo levantamento baseado em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). O problema não é só “quantidade”. É a forma como as instituições respondem — e a forma como a resposta muda conforme a cor, o CEP e a renda de quem desapareceu. O caso Priscila Belfort: 20 anos de perguntas abertas Priscila Vieira Belfort nasceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1974. Em 9 de janeiro de 2004, aos 29 anos, desapareceu após sair para almoçar no Centro do Rio, onde trabalhava na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Desde então, seu paradeiro permanece desconhecido. Ao longo dos anos, o caso atravessou ondas de visibilidade pública, denúncias, buscas e hipóteses. Entre os episódios citados na reconstrução do caso, há o registro de que, em 2007, surgiu uma confissão apontando sequestro e morte, com indicação de local de ocultação, mas nada foi encontrado, mantendo o caso sem comprovação conclusiva e sem desfecho. Por isso, Priscila, muito pelo empenho de sua mãe Jovita Belfort e e seu irmão Vitor  segue como símbolo de uma tragédia dupla: a violência do desaparecimento e a violência institucional da ausência de resposta. O que os dados recentes mostram: o desaparecimento como rotina O levantamento divulgado em 2024 indica que o Rio vive um patamar alto e constante de registros: são 16 novos desaparecidos por dia. E o próprio debate público sobre o tema tem apontado gargalos estruturais. Uma reportagem de 2024, por exemplo, chama atenção para um ponto decisivo: a falta de integração de dados (polícia, hospitais e IML) e a consequência direta disso para a eficiência das buscas. Na prática, quando sistemas não conversam e rotinas não são padronizadas, o desaparecimento vira um labirinto burocrático: a família procura numa porta, recebe orientação desencontrada em outra, e as pistas não chegam a tempo onde deveriam chegar. A “teia de ausências”: como as famílias são empurradas para o abandono Um dos diagnósticos mais fortes sobre o tema no Rio é descrito como uma “teia de ausências”: uma sequência de faltas institucionais que começam no momento de registrar a ocorrência e continuam no percurso por serviços de assistência, saúde, apoio psicológico e orientação jurídica. O estudo “Teia de ausências”, de pesquisadoras vinculadas ao CESeC, descreve que o caminho das famílias é marcado por: dificuldades para registrar a ocorrência (com apenas uma delegacia especializada em todo o estado); concentração geográfica dos poucos serviços de assistência; atendimentos desumanizadores, baseados em estereótipos e preconceitos; e um peso ainda maior quando as famílias são pobres, negras e periféricas. Esse ponto é central: não se trata apenas de falhas “técnicas”. Existe um padrão de desigualdade no acesso à investigação, ao cuidado institucional e ao direito básico de ser atendido com seriedade. Baixada Fluminense: o epicentro silencioso dos desaparecimentos Se na capital o desaparecimento choca, na Baixada ele se repete com um grau de naturalização perigoso. Dados compilados a partir de registros do ISP indicam que, entre 2003 e julho de 2023, a Baixada Fluminense registrou 27.985 pessoas desaparecidas, o que equivale a 25% do total do estado no período. O mesmo boletim destaca um problema grave: muitos casos que deveriam ser tratados como desaparecimentos forçados acabam “rebaixados” a uma categoria genérica de “pessoas desaparecidas”, em um contexto em que o país ainda convive com lacunas de tipificação, registro e responsabilização adequadas. E a dimensão territorial desse terror aparece na cartografia das chamadas “áreas de desova”. Em 2025, um levantamento divulgado pela Ponte Jornalismo, com base em mapeamento da IDMJR, apontou 116 cemitérios clandestinos e outras áreas de desova na Baixada Fluminense, associados a dinâmicas de violência e controle territorial. Quando um território acumula desaparecimentos, áreas de ocultação e medo estruturado, investigar “caso a caso” sem inteligência integrada e sem proteção a testemunhas vira, muitas vezes, uma encenação de procedimento. Onde o sistema quebra: coordenação, prioridade e capacidade operacional O caso de Priscila Belfort atravessa exatamente esse problema: investigações que não conseguem sustentar, por anos, uma linha robusta com transparência, revisão de hipóteses, checagem sistemática de denúncias e articulação interinstitucional. E isso ocorre num estado onde: há grande volume de registros (que exigiria equipe e tecnologia compatíveis); faltam bancos integrados e protocolos unificados; e, com frequência, a família é empurrada para o papel de “investigadora” informal — algo descrito no próprio estudo como parte do cotidiano de quem busca: “a gente vira detetive…”. Um exemplo de resposta interinstitucional que existe no Rio é o PLID (Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos), criado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) em 2012, com a finalidade de articular dados de órgãos distintos e tratar o desaparecimento como um problema social que ultrapassa a esfera meramente criminal.O diagnóstico do próprio programa reforça a importância de sistemas de informação e articulação para enfrentar um tema que tende a ser invisibilizado. Casos que seguem se repetindo Edson Davi A ComCausa – Defesa da

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Masculinidades Positivas - Pai e Filho

ComCausa realiza primeira reunião de planejamento do Núcleo de Masculinidades Positivas nesta terça (23)

A ComCausa – Defesa da Vida realizará nesta terça-feira, 23 de dezembro de 2025, em sua sede, no Centro do Rio de Janeiro, a primeira reunião de planejamento do ciclo de implantação do Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida. A iniciativa integra o processo de fortalecimento institucional apoiado pelo UNFPA e marca o início da organização interna necessária para estruturar uma frente permanente voltada à promoção de masculinidades não violentas e à comunicação para a mudança social. A reunião reunirá a coordenação e a equipe de comunicação para pactuar governança, rotinas de trabalho, linha editorial, calendário de publicações e metas iniciais de monitoramento e avaliação, além de encaminhar o cronograma das primeiras ações previstas para a primeira semana de janeiro. No mesmo ciclo, a ComCausa dará início, em 26 de dezembro de 2025, à sua campanha eletrônica permanente, voltada à mobilização social e à mudança de narrativas sobre masculinidades positivas, prevenção das violências e saúde e direitos sexuais e reprodutivos. A campanha inaugura uma fase de comunicação contínua e articulada, com conteúdos regulares em múltiplos canais e formatos. A programação inicial inclui conteúdos curtos para redes sociais, materiais para circulação em WhatsApp, textos de orientação e pílulas audiovisuais, conectando temas como paternidades cuidadoras, respeito, consentimento, corresponsabilidade, prevenção da violência de gênero e enfrentamento do racismo. O objetivo é consolidar uma presença permanente de comunicação para a mudança social, com linguagem acessível e foco em adolescentes e jovens de territórios vulneráveis específicos da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo Adriano Dias, responsável pela elaboração e supervisão do projeto, será estruturado um corpo de coordenação colegiada e, já a partir do encontro desta terça-feira, serão iniciados encaminhamentos para instrumentos práticos do Núcleo, como protocolos internos, política de comunicação segura e indicadores simples para acompanhar alcance, engajamento e devolutivas qualitativas do público. A expectativa é que, nas próximas semanas, tenham início atividades culturais de promoção do Núcleo, ações de formação, articulação com redes comunitárias e o estabelecimento de parcerias institucionais. Serviço • O que: 1ª reunião de planejamento do Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida• Quando: terça-feira, 23 de dezembro de 2025• Início da campanha eletrônica permanente: 26 de dezembro de 2025• Realização: ComCausa – Defesa da Vida Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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ComCausa é selecionada pela UNFPA-ONU para criar Núcleo de Masculinidades Positivas

A ComCausa Defesa da Vida foi selecionada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA – United Nations Population Fund) em um programa de Fortalecimento Institucional de Organizações da Sociedade Civil para a Aceleração Estratégica da Agenda do Cairo. Entre as quase 200 organizações inscritas, apenas oito foram escolhidas em todo o país – entre elas a ComCausa. O apoio do UNFPA permitirá à ComCausa estruturar o Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida, uma frente permanente da instituição voltada a trabalhar masculinidades não violentas, direitos sexuais e reprodutivos, paternidades cuidadoras e comunicação para mudança social com adolescentes e jovens, especialmente moradores de periferias. “Mais do que uma ação pontual, trata-se de um investimento no coração da organização, que fortalecerá equipe, processos internos, governança e capacidade de comunicação em temas como saúde e direitos sexuais e reprodutivos, prevenção de violências, educação integral em sexualidade e promoção da igualdade de gênero”, afirma Adriano Dias, autor da proposta e que atuará como coordenador de ações da ComCausa a partir de 2026. Ele destaca que o Núcleo está diretamente alinhado aos temas centrais da Agenda do Cairo. O Núcleo terá entre suas atribuições: desenvolvimento de protocolos, políticas internas e materiais de referência sobre masculinidades, prevenção de violências e proteção de crianças, adolescentes e mulheres; construção de indicadores e ferramentas de monitoramento que permitam demonstrar resultados, qualificar o trabalho de campo e gerar insumos para políticas públicas e novas parcerias, entre outras ações. A Agenda do Cairo. é o compromisso internacional firmado em 1994, na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que colocou os direitos humanos, a igualdade de gênero e a saúde sexual e reprodutiva no centro das políticas de população e desenvolvimento. Em vez de focar apenas em “número de pessoas”, a Agenda do Cairo afirma que não há desenvolvimento sustentável sem respeito à autonomia de mulheres e meninas, acesso à informação e a serviços de saúde de qualidade, combate às desigualdades e às violências. Já o Fundo de População das Nações Unidas é o organismo da ONU responsável por temas populacionais, saúde sexual e reprodutiva e direitos reprodutivos. Como agência de cooperação internacional, trabalha para que todas as pessoas – mulheres, homens, jovens e crianças – possam viver com saúde, dignidade e igualdade de oportunidades, apoiando países na formulação de políticas que reduzam a pobreza, garantam gestações desejadas, partos seguros e enfrentem o HIV/Aids e as diversas formas de violência. Implementação O projeto se iniciará já em dezembro de 20256 e será formalmente lançado na primeira quinzena de janeiro, em uma agenda especial de apresentação pública do Núcleo e de diálogo com parceiros e comunidades da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As ações do Núcleo de Masculinidades Positivas para a Defesa da Vida serão implementadas entre dezembro de 2025 e junho de 2027, com acompanhamento técnico do UNFPA. Segundo a coordenação de ações da ComCausa, a tendência é que essa frente se consolide como uma agenda estruturante da instituição, que já atua há anos com comunicação, direitos humanos, juventudes e prevenção das violências. Para a ComCausa – Defesa da Vida, esse reconhecimento é também um chamado a ampliar redes e somar forças com coletivos, instituições, escolas, serviços públicos e iniciativas de base comunitária que já constroem, na prática, novas formas de ser homem, de viver a sexualidade, de exercer a paternidade e de comunicar a vida nas periferias. Imagem de capa ilustrativa Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Fiocruz Plano Integrado das favelas chega a 1 milhão de pessoas nas favelas do Rio

Rede que salva e fortalece o SUS: Plano Integrado Saúde das Favelas chega a 1 milhão de pessoas nas favelas do Rio

Os resultados alcançados pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro foram apresentados na última sexta-feira, 5 de dezembro, durante o evento “Favelizar a Saúde: 5 anos de parcerias”, realizado na Arena Dicró, na Vila da Penha, no Rio de Janeiro. A atividade reuniu organizações que atuam em todo o estado, incluindo iniciativas do Complexo do Alemão e da própria Vila da Penha, território que ainda vive o impacto profundo da morte de 122 pessoas em confrontos com a polícia há pouco mais de um mês. O contexto de dor e tensão social reforçou o sentido do encontro: falar de saúde em favelas é também falar de proteção integral da vida, de memória, de cuidado comunitário e de enfrentamento estrutural das condições que adoecem corpos e territórios. Segundo os coordenadores do programa, mais de 1 milhão de pessoas já foram impactadas pelo Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, iniciativa que completa cinco anos consolidando uma das experiências mais consistentes de promoção da saúde em territórios populares no país. Nascido como resposta direta à pandemia de Covid-19 — quando já era previsível que as desigualdades ampliariam o sofrimento e as barreiras de acesso nas favelas — o Plano transformou uma urgência histórica em método, rede e política viva de cuidado. Uma resposta à pandemia que virou política estruturante Durante o evento, lideranças e representantes institucionais reforçaram que o Plano foi concebido quando ainda se desenhava o cenário mais grave da crise sanitária durante a pandemia, mas já se compreendia que o impacto seria mais intenso onde o Estado chega de forma fragmentada e onde o direito à saúde enfrenta obstáculos cotidianos. A proposta, então, articulou de maneira rápida e estratégica instituições de pesquisa, universidades, entidades públicas e organizações comunitárias, construindo uma dinâmica capaz de responder à emergência sem perder de vista a estruturação de uma política de longo prazo. Esse caminho de cinco anos gerou um resultado que vai muito além de números. A conquista central está na consolidação de uma rede sociotécnica que une capacidades científicas, gestão pública e saberes locais, com foco em ampliar o acesso, fortalecer a promoção e reafirmar os princípios do SUS nos territórios onde a vida precisa ser protegida com ainda mais intensidade. Uma rede extensa, diversa e com enorme capilaridade A força do Plano se expressa na ampla rede de instituições e coletivos que o compõem. Estão entre os participantes organizações e entidades reconhecidas como a Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco, além de dezenas de iniciativas comunitárias espalhadas por diferentes municípios e territórios do estado. Essa diversidade é a base da maior virtude do projeto: a capilaridade. Cada grupo atua de forma própria, com linguagens, metodologias e inserções sociais distintas, mas interligadas por um pacto de princípios e objetivos comuns. Esse desenho coletivo amplia o alcance das ações e permite que a promoção da saúde seja feita com presença territorial, legitimidade social e forte capacidade de mobilização. Presenças institucionais e dimensão internacional O evento também evidenciou o peso político e institucional que o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro conquistou ao longo desses cinco anos. Além de representantes das 146 organizações que integram a rede, participaram instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUC-Rio, SBPC e Abrasco, reafirmando a robustez científica e social da articulação construída nos territórios. Pela Alerj, esteve presente a deputada Renata Souza, presidente da Comissão de Direitos Humanos, reforçando que a saúde nos territórios populares deve ser tratada como agenda pública estratégica, com foco em equidade, proteção social e defesa da vida. Entre outras representações, houve a presença do suíço Nicolas Olivier, chefe da Delegação Regional da Cruz Vermelha Internacional para Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, sublinhando o reconhecimento e a relevância do Plano como experiência de cooperação e cuidado territorial de alcance e impacto amplos. A ponte entre ciência e favela Figura importante na articulação entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o Coordenador-Executivo do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, Richarlls Martins tem sido um dos responsáveis por traduzir a potência dessa estratégia coletiva como uma “ciência que aprende com o território, território que organiza o cuidado e uma política pública que se sustenta em cooperação real”. Sua atuação evidencia que o Plano não é apenas um conjunto de ações dispersas, mas uma arquitetura coerente de cuidado, construída com método, escuta qualificada e presença territorial permanente. Saúde como direito humano e não negociável Também presente no encontro, Adriano Dias da OSC ComCausa Defesa da Vida reforçou o significado político do Plano no tempo atual. Para ele, a rede representa uma conquista coletiva capaz de levar aos territórios a compreensão do direito à saúde como direito humano, consolidado no Brasil ao longo de décadas de lutas sociais e institucionais. Adriano enfatizou que a importância da rede é gigantesca não apenas pelo que ela realiza, mas pelo que ela forma: consciência de direitos, mobilização comunitária e uma cultura permanente de cuidado. A rede, segundo ele, “transforma saúde em identidade cidadã concreta, articulando instituições e territórios numa escala que nenhum poder público conseguiria alcançar sozinho”. Fazer muito com investimentos enxutos Outro ponto ressaltado ao longo do encontro foi a eficiência do modelo. A lógica de rede permite combinar recursos, evitar sobreposições, potencializar saberes locais e operar com custos mais controlados. Assim, o Plano de Saúde nas Favelas consegue gerar impactos amplos e duradouros, demonstrando que investimentos enxutos, quando bem articulados e ancorados na inteligência territorial, podem produzir grandes resultados. Essa é uma das marcas mais fortes do projeto: “a capacidade de transformar recursos relativamente modestos em alcance real, contínuo e com forte legitimidade social”, conforme afirma Richarlls Martins. Novo investimento anunciado para ampliar o Plano Um dos momentos mais simbólicos do evento foi o anúncio de novos recursos para a próxima etapa da iniciativa. Por meio de uma ligação do secretário de Relações Institucionais do Governo Federal, André Ceciliano, foi comunicada a destinação de R$ 10 milhões do Ministério da Saúde para o projeto do próximo ano, com foco na ampliação

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Black Pantera Rock ComCausa Npssa Gente Negra

Black Pantera no Circo Voador: rock negro, memória e resistência na véspera do Dia da Consciência Negra

Na véspera de uma das datas mais emblemáticas do calendário brasileiro, o Dia da Consciência Negra, a banda Black Pantera se prepara para viver um momento que tem tudo para se tornar histórico, tanto para sua trajetória quanto para a música pesada nacional. No dia 19 de novembro de 2025, uma quarta-feira, o trio mineiro sobe ao palco do Circo Voador, na Lapa, para um show que será registrado em áudio e vídeo, com expectativa de casa cheia e clima de celebração – e de luta. A escolha da data e do local não é casual. Às vésperas do 20 de novembro, que resgata a memória de Zumbi dos Palmares e convoca o país à reflexão sobre racismo, memória e justiça racial, um grupo negro, oriundo das periferias, ocupando um dos palcos mais simbólicos da cultura carioca, transforma um show em verdadeiro ato político-cultural. “Ter o Black Pantera gravando um show histórico no Circo Voador justamente na véspera do Dia da Consciência Negra não é coincidência, é um gesto de afirmação”, destaca Adriano Dias, da ComCausa – Defesa da Vida. “É a prova de que o rock negro, a periferia e a luta antirracista também pertencem ao centro da cena cultural brasileira.” Mais do que mais um capítulo de sua carreira, a apresentação da Black Pantera no Circo Voador se anuncia como uma síntese de 11 anos de estrada, resistência e atitude, marcados por uma mistura inconfundível de hardcore, metal e posicionamento explícito contra o racismo e todas as formas de opressão. Um show pensado como marco, não como rotina A banda já adiantou que a noite do dia 19 de novembro será registrada em múltiplos formatos e encarada como um ponto de virada em sua trajetória. Não se trata apenas de “mais uma” data na agenda, mas de um verdadeiro ritual de passagem, condensando a história do grupo e reafirmando o lugar do rock negro no centro do debate público. Nas redes sociais, a Black Pantera adotou um tom poético e convocatório ao anunciar o show: “Há quem saiba, há quem ainda não sabe e sobretudo há também quem deveria saber”, escreveu o grupo, em mensagem enigmática que soa como recado e convite. “Se você faz parte disso de alguma forma e vai conseguir estar conosco nesse dia, será muito bem-vindo”, completaram. A frase, aparentemente simples, carrega camadas de sentido. Fala com quem já acompanha o trio desde o underground, com quem passou a conhecê-lo a partir de grandes festivais e também com quem ainda não se deu conta da potência simbólica de três homens negros, oriundos de contextos periféricos, ocupando espaços de centralidade na cultura brasileira contemporânea. “O que o Black Pantera faz é reposicionar a narrativa: eles mostram que a fúria, o peso e a distorção também podem ser linguagem de afeto, de denúncia e de afirmação da identidade negra”, analisa o jornalista Adriano Dias. “Quando um jovem periférico se vê refletido em cima de um palco como o do Circo Voador, ele entende que a história dele também merece estar sob os holofotes.” O Circo Voador, por sua vez, contribui com seu próprio peso histórico: palco de shows antológicos, debates, festivais e encontros da cultura alternativa e da resistência política desde os anos 1980, o espaço se torna, mais uma vez, cenário de um capítulo em que arte e contestação caminham lado a lado. Black Pantera: da cena underground aos grandes palcos do mundo Desde sua formação, a Black Pantera construiu sua identidade a partir de uma combinação explosiva: hardcore, thrash metal, rock, cultura afro e letras carregadas de crítica social, com um discurso direto contra o racismo, a violência estrutural, a marginalização das periferias e as múltiplas desigualdades que atravessam a vida da população negra. O trio alcançou projeção em festivais de grande porte – como Rock in Rio, Afropunk e Download Festival – e levou sua sonoridade e suas mensagens para públicos diversos no Brasil e no exterior. Não se trata apenas de “representatividade estética”: a presença da Black Pantera nesses espaços tensiona estruturas, abre caminho para outras bandas e desloca a percepção de quem pode ocupar palcos globais no universo do rock e do metal. Ao mesmo tempo, o grupo mantém forte vínculo com a base, com a cena independente e com temas que atravessam o cotidiano das periferias brasileiras, trazendo para o centro de sua obra questões como o racismo estrutural e institucional, a violência e a brutalidade policial, o afeto, o pertencimento e a identidade negra, além da resistência coletiva e da organização política como caminhos de enfrentamento às desigualdades. Essa combinação fez com que a obra da banda passasse a ser objeto de interesse também em outros campos. Letras e discos da Black Pantera já foram tema de pesquisas acadêmicas, trabalhos de conclusão de curso, debates em universidades e até questões do ENEM, consolidando o grupo como referência não só artística, mas também como agente cultural e político. “A gente costuma dizer que não é só um show de rock; é uma aula aberta de história, sociologia e direitos humanos em forma de guitarra, baixo e bateria”, afirma Adriano Dias. “Quando o ENEM e a universidade chegam até as letras do Black Pantera, é porque alguma coisa muito profunda se moveu na cultura brasileira.” A gravação ao vivo no Circo Voador, portanto, tem um duplo caráter: documentar a força de um show que promete ser intenso, e registrar para a memória coletiva um momento em que o rock negro brasileiro se afirma como linguagem de crítica, enfrentamento e anúncio de outros futuros. Nossa Gente Negra 2025: Black Pantera como eixo de memória e ação Em 2025, essa trajetória dialoga diretamente com uma iniciativa construída na interseção entre comunicação, direitos humanos e memória: o projeto Nossa Gente Negra, promovido pela ComCausa Defesa da Vida desde 2020. Criado como estratégia de resgate de legados individuais e coletivos, o Nossa Gente Negra busca fortalecer a representatividade negra e promover consciência histórica, indo além da simples lembrança de nomes e datas. O foco é

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procura-se Jeverson Olmiro Lopes Goulart

Jeverson Olmiro Lopes Goulart: PM condenado por estuprar e matar o sobrinho no RS está foragido

O policial militar Jeverson Olmiro Lopes Goulart, condenado a 46 anos de prisão pelo estupro e assassinato do próprio sobrinho, está foragido da Justiça. A informação foi confirmada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), que acompanha o caso e requisitou apoio das forças de segurança para o cumprimento do mandado de prisão. Segundo o MP, Goulart foi condenado deveria ter se apresentado após a decisão judicial que confirmou a sentença. No entanto, desde a expedição do mandado, o condenado não foi localizado em seu endereço e é considerado foragido. Embora o crime tenha ocorrido no Rio Grande do Sul, o último endereço conhecido de Jeverson foi em Copacabana, no Rio de Janeiro, o que amplia o alerta para todo o estado. A ComCausa está enviando a convocação para sua rede no Rio. O crime ocorreu em 2014, em uma cidade do interior gaúcho. A vítima era uma criança de nove anos de idade, sobrinho do policial. De acordo com as investigações, o PM se aproveitou da confiança da família para cometer o abuso sexual e, em seguida, assassinou o menino para tentar encobrir o crime. O caso causou grande comoção à época e foi considerado um dos episódios mais brutais já registrados na região. Durante o julgamento, o Ministério Público destacou a crueldade e a premeditação do crime, que chocou a população e gerou manifestações por justiça. Com a condenação confirmada, Goulart deveria cumprir pena em regime fechado, mas agora é alvo de buscas da Polícia Civil e da Brigada Militar. O MP-RS orienta que qualquer informação sobre o paradeiro do condenado seja repassada às autoridades por meio dos canais oficiais de denúncia. Canais de denúncia: Canais de denúncia: Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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