Destaque

Vacina BCG

ComCausa promove campanha sobre vacinação BCG e prevenção da tuberculose

Criada em 1921 pelos pesquisadores Léon Calmette e Alphonse Guérin, a vacina BCG é uma das principais aliadas no enfrentamento da tuberculose — doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Apesar de muitas vezes ser lembrada por sua atuação nos pulmões, a doença também pode afetar os ossos, rins e meninges, sendo altamente transmissível por gotículas de saliva. Os sintomas mais comuns da tuberculose ativa incluem tosse persistente, por vezes com sangue, dor no peito, falta de ar, febre ao fim do dia, suores noturnos, fraqueza e perda de peso. Mesmo pessoas assintomáticas podem transmitir a doença, o que torna a prevenção por meio da vacinação ainda mais urgente. A vacina BCG é aplicada em dose única, de forma gratuita, em Unidades Básicas de Saúde, e deve ser administrada a partir do nascimento até os 4 anos de idade. Após a aplicação, é comum haver uma pequena reação local e cicatriz, o que não deve causar preocupação. ComuniSaúde: redes comunitárias para fortalecer o cuidado Lançado pela ComCausa, o ComuniSaúde tem como objetivo melhorar o acesso ao atendimento básico de saúde, promover a saúde mental e fortalecer redes comunitárias de cuidado em favelas da Baixada. A campanha sobre a BCG se soma às frentes já iniciadas pelo projeto, como mobilizações sobre hipertensão, saúde mental, saúde da mulher e prevenção de doenças negligenciadas. A participação dos moradores é essencial. Agentes comunitários, lideranças locais e profissionais da rede pública estão sendo articulados para mapear crianças não vacinadas, identificar famílias com histórico de tuberculose e garantir que as orientações cheguem a todos, inclusive em áreas com dificuldades de deslocamento ou acesso precário à internet. Impacto coletivo e prevenção Segundo a Organização Mundial da Saúde, a vacina BCG previne mais de 40 mil casos graves de meningite tuberculosa por ano em países onde sua aplicação é rotineira. No Brasil, a vacinação em massa foi responsável pela redução quase total das formas graves da doença, mesmo com o aumento recente da tuberculose pulmonar. Além de crianças, a vacina também é indicada para pessoas que convivem com portadores de hanseníase e estrangeiros ainda não vacinados que venham residir no país. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é um projeto que tem como missão ampliar a conscientização sobre o direito à saúde, promovendo a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) e de todos os profissionais que atuam nessa rede pública essencial. A iniciativa fortalece redes comunitárias, especialmente em territórios periféricos e favelas, ao facilitar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e realizar campanhas educativas e de esclarecimento para toda a população. Por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais, o ComuniSaúde busca tornar o conhecimento sobre saúde mais acessível, construindo pontes entre moradores e os serviços públicos de saúde. Como parte de seu compromisso com a defesa dos direitos da população, o projeto disponibiliza um canal de atendimento via telefone para orientação, mediação de conflitos relacionados à saúde pública e busca de exigibilidade junto aos órgãos competentes, sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Programa 146x Favela

Programa 146x Favela reforça articulação com parceiros durante encontro na Maré

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio da coordenação do programa 146x Favela, promoveu no dia 30 de junho, uma nova e estratégica reunião de articulação com parceiros institucionais e comunitários no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. O encontro, que aconteceu na parte da tarde, foi realizado na Escola Municipal Teotônio Vilela, localizada na Rua Manoel Falcão A Maranhão, s/n — em frente ao Bloco 161 do Conjunto Esperança, atrás do campus Fiocruz Maré e terminou com uma festa junina no comércio em frente ao colégio. A atividade integrou a agenda de reunião de coordenações da Rede do programa 146x Favela, reunindo representantes de coletivos comunitários, organizações da sociedade civil, agentes populares de saúde, unidades básicas, escolas, pesquisadores e lideranças locais. A articulação — conduzida diretamente pela Fiocruz — é parte fundamental do esforço para consolidar uma das maiores experiências de integração comunitária em saúde pública do estado. Durante o encontro, foram reafirmados os compromissos com a continuidade e expansão da rede, além de debatidas estratégias para ampliar a presença em favelas e periferias não só do Rio de Janeiro, mas em todo território nacional em que a FioCruz estiver presente, fortalecer os mecanismos de escuta popular e garantir acesso universal à saúde com base na equidade e na participação social. A coordenadora do programa destacou a importância de manter o protagonismo comunitário no centro da construção: “Esse encontro reafirma que a saúde se faz com as pessoas nos seus territórios, com escuta, com troca e com respeito às realidades locais. A Rede Saúde na Favela é resultado de uma construção coletiva que valoriza o SUS, a vida e o protagonismo comunitário.” Ao final, os participantes reafirmaram a necessidade de ampliar o investimento em políticas públicas permanentes voltadas para a saúde nas favelas, e reforçaram o papel fundamental da Rede Saúde na Favela como instrumento de fortalecimento do SUS e dos vínculos comunitários nos territórios. O Plano 146x Favelas, reúne instituições como Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco , entre outras, se consolidou como uma das maiores redes de saúde comunitária do país, atuando em frentes de vigilância popular, assistência, educação, mobilização e garantia de direitos nas periferias do Rio de Janeiro. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Violência - Criança - Mulher

Triplo homicídio em Itaperuna: o que está por trás do assassinato brutal de uma família fluminense?

A tragédia ocorrida no município de Itaperuna, no Noroeste do estado do Rio de Janeiro, representa um dos casos mais brutais e perturbadores registrados recentemente no país. Envolvendo um adolescente de apenas 14 anos, o episódio mobiliza autoridades policiais, o sistema de justiça e comove a opinião pública nacional não apenas pela violência dos atos, mas sobretudo pela frieza com que o crime foi concebido, executado e posteriormente relatado. Na madrugada de 21 de junho de 2025, em uma residência modesta situada no distrito rural de Comendador Venâncio, uma família inteira foi assassinada pelo próprio filho. Antônio Carlos Teixeira, de 45 anos, enfermeiro; sua esposa, Inaila Oliveira Freitas Teixeira, de 37, cabeleireira; e o filho caçula do casal, Antônio Júnior, de apenas três anos, foram mortos com tiros à queima-roupa enquanto dormiam. O adolescente não apenas confessou os homicídios com impressionante insensibilidade emocional, como também afirmou às autoridades: “Faria tudo de novo.” A motivação inicial apresentada à polícia foi a frustração causada pela proibição dos pais a uma viagem ao Mato Grosso, onde o jovem pretendia encontrar presencialmente uma garota de 15 anos, com quem mantinha um relacionamento virtual. No entanto, a investigação conduzida pela 143ª Delegacia de Polícia de Itaperuna apontou evidências de premeditação e revelou que o adolescente realizara pesquisas na internet sobre como sacar valores do FGTS de pessoas falecidas. O pai do garoto possuía cerca de R$ 33 mil no fundo, valor que poderia estar relacionado à motivação financeira por trás do crime. Mais do que uma tragédia doméstica, o caso escancara as graves omissões do Estado e da sociedade em relação à proteção integral de crianças e adolescentes. Expõe, de forma contundente, as consequências do uso irrestrito da internet sem mediação adulta, a precariedade das políticas públicas de saúde mental voltadas à juventude, os perigos invisíveis do mundo digital e a negligência cotidiana diante do sofrimento emocional de adolescentes isolados, desconectados de vínculos afetivos reais e expostos a influências virtuais potencialmente destrutivas. A execução: método, frieza e ocultação De acordo com os laudos cadavéricos, os três familiares foram mortos com tiros na cabeça, realizados com um revólver calibre .38 pertencente ao pai da família, escondido sob o colchão. O adolescente esperou todos dormirem, tomou um suplemento para permanecer acordado e cometeu os assassinatos de forma silenciosa. O irmão de três anos foi morto, segundo sua própria justificativa, para não “crescer sem os pais”. Após os assassinatos, o jovem utilizou produtos de limpeza para apagar vestígios de sangue e arrastou os corpos para uma cisterna localizada no quintal da residência. Ao ser confrontado na delegacia, confessou espontaneamente, sem demonstrar remorso. O delegado Carlos Augusto Guimarães afirmou: “Ele foi direto, frio, e reafirmou diversas vezes que não se arrependia. Não houve hesitação. Ele compreendia perfeitamente o que havia feito.” O namoro virtual: entre jogos online e estímulos sem limite O relacionamento entre o adolescente e a jovem de 15 anos, residente no município de Água Boa, no estado de Mato Grosso, teria se iniciado em plataformas de jogos online e, conforme relato do próprio garoto, perdurava há cerca de seis anos — o que indica que o vínculo começou quando ele tinha apenas oito anos de idade. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a adolescente teria mantido contato direto com o rapaz durante a madrugada em que o crime foi cometido, conversando com ele de maneira aparentemente banalizada, tratando os assassinatos como se fizessem parte de um jogo eletrônico. A jovem foi ouvida por uma equipe da Polícia Civil de Mato Grosso, acompanhada da mãe e de assistentes sociais, e seu depoimento será encaminhado às autoridades fluminenses para análise do Ministério Público. Até o momento, ela não figura como investigada formalmente, mas as autoridades apuram se sua participação pode configurar instigação, cumplicidade ou influência moral na execução dos crimes. Esse aspecto do caso revela, de forma contundente, uma realidade cada vez mais comum entre adolescentes brasileiros: a hiperconectividade precoce, desassistida e carente de mediação familiar ou institucional. Milhares de jovens permanecem conectados por horas a fio a ambientes virtuais sem qualquer orientação crítica, sendo expostos a influências afetivas, emocionais e comportamentais para as quais não estão preparados. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online – pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) para analisar o uso da Internet por crianças e adolescentes no Brasil -,  em 2023, elaborada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 95% dos adolescentes entre 9 e 17 anos acessam a internet diariamente, sendo que 64% o fazem de maneira autônoma, sem supervisão. O levantamento também aponta que 21% dos entrevistados já tiveram contato com conteúdos violentos, autolesivos ou perturbadores, e cerca de 18% afirmaram ter conversado com desconhecidos ou compartilhado informações pessoais com pessoas que não conheciam. O que originalmente poderia ser um espaço de socialização e aprendizado tornou-se, para muitos adolescentes, um território de vulnerabilidades e riscos, especialmente diante da ausência de mecanismos eficazes de mediação, proteção e orientação. Em vez de conexões saudáveis, o ambiente digital, quando não monitorado, pode se tornar um canal de reforço a comportamentos de risco, influências destrutivas e realidades paralelas que se impõem sobre o emocional de sujeitos ainda em formação. O fator psicológico: invisibilidade da dor, desamparo e ausência de políticas públicas A frieza com que o adolescente narrou o crime também levanta hipóteses sobre transtornos de comportamento e sofrimento mental não diagnosticado. Especialistas consultados apontam que o comportamento do menor pode estar ligado a quadros de transtorno de conduta, psicopatia infantojuvenil ou dissociação afetiva profunda, todos exigindo atenção precoce e acompanhamento sistemático. Entretanto, o Brasil enfrenta uma grave crise de subnotificação e abandono da saúde mental infantojuvenil. De acordo com o Ministério da Saúde, existem apenas 247 CAPSi (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) em todo o território nacional — número insuficiente para uma população estimada de cerca de 50 milhões de crianças e adolescentes. Em 2023, o SUS registrou 3,2 milhões de atendimentos em saúde mental para menores de 18 anos, mas a maior

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hipertensão e diabetes

No Dia Nacional da Diabetes Projeto ComuniSaúde conscientiza sobre a prevenção

No dia 26 de junho é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, uma data voltada à conscientização sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença que atinge milhões de brasileiros. Este ano, a data ganha destaque especial nas favelas da Baixada Fluminense com o lançamento do projeto ComuniSaúde, uma iniciativa da ComCausa – Defesa da Vida em parceria com secretarias municipais de saúde e instituições comunitárias locais. O ComuniSaúde surge como uma resposta direta à precariedade no acesso à saúde nas periferias, e tem como foco três pilares: ampliar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e fortalecer as redes comunitárias de cuidado. A primeira fase de implementação ocorre nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, onde o envolvimento da população será essencial para mapear demandas e garantir ações inclusivas e eficazes. O lançamento, realizado em alusão ao Dia Nacional do Diabetes, reforça o compromisso com o combate às doenças crônicas e à promoção de direitos sociais básicos. Em um território onde o atendimento especializado é escasso e a circulação de informação é limitada, campanhas de base como o ComuniSaúde tornam-se fundamentais para salvar vidas. Entendendo o diabetes: uma doença silenciosa e perigosa O diabetes é uma doença crônica caracterizada pela incapacidade do corpo de produzir ou utilizar adequadamente a insulina, o hormônio que regula a glicose no sangue. Quando mal controlada, pode levar a complicações graves, como cegueira, infarto, AVC, insuficiência renal e amputações. Os principais tipos são: Sinais de alerta e prevenção Sintomas comuns do tipo 1 incluem urina frequente, sede intensa, perda de peso e fadiga. Já no tipo 2, os sinais podem ser mais sutis, como infecções recorrentes, visão embaçada, formigamento nas extremidades e demora na cicatrização de feridas. A prevenção passa por uma alimentação equilibrada, prática de atividades físicas regulares, controle do estresse e acompanhamento médico. A detecção precoce pode evitar complicações graves e melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes. ComuniSaúde: prevenção e cuidado coletivo O projeto ComuniSaúde aposta na mobilização comunitária, escuta ativa e articulação com agentes públicos e lideranças locais para garantir que a saúde seja tratada como direito e não privilégio. As ações do projeto incluem: Informação como ferramenta de mudança A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) também participa da mobilização nacional, oferecendo vídeos e conteúdos gratuitos sobre prevenção e tratamento do diabetes na plataforma Diabetes Play, ao longo do mês de novembro. Embora o teste de risco para diabetes tipo 2 esteja disponível on-line, ele não substitui o diagnóstico médico. Caso a pessoa esteja em grupo de risco, deve procurar um profissional de saúde para avaliação e acompanhamento. Informações úteis ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é um projeto que tem como missão ampliar a conscientização sobre o direito à saúde, promovendo a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) e de todos os profissionais que atuam nessa rede pública essencial. A iniciativa fortalece redes comunitárias, especialmente em territórios periféricos e favelas, ao facilitar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e realizar campanhas educativas e de esclarecimento para toda a população. Por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais, o ComuniSaúde busca tornar o conhecimento sobre saúde mais acessível, construindo pontes entre moradores e os serviços públicos de saúde. Como parte de seu compromisso com a defesa dos direitos da população, o projeto disponibiliza um canal de atendimento via telefone para orientação, mediação de conflitos relacionados à saúde pública e busca de exigibilidade junto aos órgãos competentes, sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Dia dos direitos humanos Julgamento Chacina

ComCausa completa 20 anos do Programa Acolher no apoio de famílias de vítimas da violência e desaparecimentos

Em 2025, a ComCausa completa duas décadas da institucionalização do Programa Acolher, um dos projetos mais emblemáticos da organização no enfrentamento à violência letal e ao desaparecimento forçado de pessoas, especialmente nas periferias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Mais do que um projeto, o Acolher representa uma política de escuta, cuidado e resistência, atuando diretamente no acolhimento de familiares de vítimas — em especial mães e pais enlutados, majoritariamente negros na região da Baixada, que concentra os índices mais altos de homicídios e desaparecimentos no estado. Raízes no território e escuta sensível como ponto de partida A história do Acolher começa muito antes de sua formalização. Desde os anos 1980, em meio às primeiras mobilizações populares contra a violência policial na Baixada Fluminense, integrantes da futura ComCausa já atuavam na relação com famílias atingidas pela brutalidade estatal. A partir desse envolvimento direto e contínuo com os territórios, surgiu a percepção de que não bastava denunciar a violência — era necessário permanecer ao lado das famílias, acompanhar seus lutos, dar visibilidade às vítimas e pressionar por justiça. O ponto de inflexão ocorreu em 1996, com o assassinato do menino Maicon, de apenas dois anos, morto por um disparo policial na porta de casa em Acarí. A ComCausa iniciou ali um acompanhamento que se mantém até hoje, mesmo décadas após o crime. O caso foi o primeiro movimento o que mais tarde se tornaria o método Acolher: uma escuta qualificada e emocionalmente comprometida com a permanência, com a reconstrução de vínculos sociais esfacelados e com a luta pelo direito à memória e à verdade. A tragédia da Chacina da Baixada e a formalização do Acolher A formalização do programa se deu em 2005, após a Chacina da Baixada, quando 29 pessoas foram assassinadas e 30 baleadas por policiais militares em Nova Iguaçu e Queimados, no maior massacre da história recente do estado do Rio de Janeiro. Naquele momento, diversas instituições, entre elas a ComCausa, em articulação com a Diocese de Nova Iguaçu e outras entidades, atuaram no acolhimento das famílias, organizando mutirões jurídicos, promovendo rodas de escuta e cuidado e cobrando responsabilização das autoridades. Diante da brutalidade e do abandono institucional, tornou-se evidente a necessidade de transformar aquela experiência em um programa estruturado. Assim nasceu oficialmente o Programa Acolher, estruturado a partir de um modelo de atuação baseado em sete eixos integrados de cuidado e resistência. Expansão nacional e internacional do método Entre 2006 e 2014, o Acolher se consolidou como uma política viva de cuidado e articulação territorial. Nesse período, a ComCausa passou a acompanhar a Rede de Familiares Vítimas da Violência, participou de audiências públicas, fóruns nacionais e internacionais sobre violência letal, segurança pública e desaparecimentos forçados. Também integrou, entre 2013 e 2014, a Comissão Nacional da Verdade, contribuindo especificamente com os casos de desaparecimentos. Em 2013, enquanto Centro de Referência em Direitos Humanos vinculado à Presidência da República, a ComCausa foi uma das instituições coordenadoras do Fórum Mundial de Direitos Humanos, ocasião em que sistematizou práticas e propôs a publicação de um manual metodológico de atendimento a vítimas de chacinas. Com isso, a atuação extrapolou os limites da Baixada Fluminense e passou a contribuir com políticas públicas em outros territórios do país. A emergência dos desaparecimentos forçados e a resposta do Acolher Embora tenha se estruturado inicialmente com foco na violência letal, o Acolher passou, nos últimos dez anos, a incorporar com mais força os casos de desaparecimento forçado. O crescimento exponencial desses registros — com destaque para a Baixada Fluminense — fez com que a ComCausa ampliasse seus protocolos de atendimento. Segundo dados do ISP-RJ (2025), apenas em 2024 a Baixada concentrou 1.841 desaparecimentos, o que representa 30,4% do total do estado, apesar de responder por menos de um quarto da população fluminense. Municípios como Belford Roxo chegaram a registrar 92 desaparecimentos por 100 mil habitantes — um índice alarmante, agravado pela inexistência de uma delegacia especializada de paradeiros na região. A sanção da Lei 13.812/2019, que instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, impulsionou a reformulação dos protocolos do Acolher. Desde então, a ComCausa tem buscado atuar ativamente na articulação entre familiares e autoridades públicas, além de colaborar com a estruturação de canais de denúncia, memória e incidência institucional sobre o tema. A dor do luto parental como agenda pública Nos últimos anos, o Acolher também avançou no reconhecimento do luto parental como uma questão de política pública. A partir da convivência e escuta com grupos como o Mães Sem Nome, a ComCausa passou a tratar com maior profundidade o tema, estruturando grupos permanentes de acolhimento e elaborando propostas legislativas voltadas à reparação e ao cuidado com famílias enlutadas. Em 2025, essa atuação foi oficialmente reconhecida pela sanção da Lei 15.139/2025, que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental. Esse reconhecimento representa um marco para uma política pública integrada, que atua desde a escuta individual até a incidência institucional. Próximos passos: laboratório intermunicipal e formação de multiplicadores Para o ciclo 2025–2026, a ComCausa projeta a criação de um Laboratório Intermunicipal de Boas Práticas, com apoio de universidades públicas e instituições da assistência social. A proposta inclui a formação de 40 multiplicadores, entre gestores públicos e lideranças comunitárias, a publicação de um Manual Metodológico de Acolhimento, a atualização do banco de dados digital de vítimas e o protocolo de minutas legislativas em câmaras municipais da Baixada Fluminense. O plano também prevê a consolidação de um banco de dados unificado e seguro de vítimas e famílias acompanhadas — ferramenta estratégica para a formulação de políticas de reparação, combate à impunidade e monitoramento da violência institucional. A presença que esiste ao esquecimento Para Adriano Dias, fundador da ComCausa e idealizador do Programa Acolher, a força do programa está na permanência. “O que nos move é o compromisso com a presença na ausência. Quando o Estado falha, é preciso garantir que as memórias não desapareçam junto com os corpos. A justiça, para essas famílias, começa pelo reconhecimento de sua dor como uma dor pública

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Assassinato de Melissa Campos escancara misoginia letal nas escolas e impõe revisão da justiça juvenil

Melissa Campos: familiares lançam abaixo-assinado por mudanças no ECA após feminicídio em escola

O brutal assassinato da estudante Melissa de Melo e Campos, de apenas 14 anos, ocorrido em 8 de maio de 2025, dentro de uma sala de aula do Colégio Livre Aprender, na cidade de Uberaba (MG), chocou profundamente a sociedade brasileira e gerou uma comoção pública de proporções nacionais. O caso expôs, de maneira crua e inegável, as múltiplas camadas de vulnerabilidade e violência que atravessam os espaços escolares e revelou o avanço preocupante de discursos de ódio, misoginia e banalização da vida no cotidiano juvenil. Melissa foi atacada por um dos colegas de classe, enquanto outro assistia à cena com frieza. O crime, cometido diante de 19 alunos, ocorreu em plena luz do dia, dentro de um espaço que deveria ser de segurança, aprendizado e convivência. As investigações comprovaram que o ataque foi premeditado: os dois adolescentes haviam trocado mensagens e planejado cada detalhe da execução. Segundo os relatos, a motivação foi de um absurdo devastador — a jovem teria sido assassinada por “ser feliz demais”. Descrita por professores, colegas e familiares como afetuosa, dedicada, carismática e inteligente, Melissa representava o que há de mais promissor na juventude brasileira — e teve sua vida interrompida de forma violenta e inexplicável. A tentativa de socorro, feita pelo próprio pai da vítima, que também atuava na escola como coordenador pedagógico, foi em vão. Melissa morreu nos braços de seu pai, ainda dentro da sala de aula, diante de uma geração de jovens que presenciou não apenas um assassinato, mas a ruptura de qualquer noção de segurança e confiança no espaço escolar. O apelo da família e a proposta da “Lei Melissa Campos” Indignados com a pena aplicada aos agressores — três anos de internação em unidade socioeducativa, conforme o limite máximo previsto no artigo 112, parágrafo 3º, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) — os familiares de Melissa, movidos pela dor e pelo sentimento de injustiça, decidiram agir. Criaram um novo abaixo-assinado e divulgaram publicamente a minuta da chamada Lei Melissa Campos, com o objetivo de promover alterações específicas na legislação infracional para adolescentes autores de crimes hediondos com violência grave. A proposta não visa criminalizar a juventude periférica, tampouco ampliar a seletividade penal que recai sobre adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ao contrário: o texto afirma de maneira inequívoca que seu objetivo é responder com firmeza a crimes de alta gravidade, como homicídio qualificado, estupro, latrocínio e ataques com motivação de ódio no ambiente escolar — preservando, assim, os adolescentes que cometeram atos infracionais não violentos e que demandam políticas sociais de inclusão, e não encarceramento. Os principais pontos do projeto incluem: O novo abaixo-assinado busca o apoio da população brasileira para transformar essa proposta em realidade. O objetivo, segundo os familiares, é honrar a memória de Melissa com uma mudança de impacto que previna novos crimes e promova justiça em casos extremos — sem comprometer os direitos dos adolescentes que devem ser protegidos e apoiados por políticas públicas. A dor das testemunhas e a mobilização de pais e mães O caso repercutiu ainda após a publicação de um vídeo nas redes sociais pelo músico Chaene da Gama, da banda Black Pantera. Pai de uma das testemunhas oculares do crime, Chaene descreveu com emoção e indignação o trauma vivido por sua filha, que viu a amiga ser assassinada a poucos metros de distância. Ele também questionou a sentença: “Depois de três anos, esses meninos sairão com a ficha limpa. E a Melissa? Quem vai trazê-la de volta?” O artista alertou para a responsabilidade das famílias, pedindo que os pais estejam atentos aos celulares, redes sociais e comportamentos de seus filhos: “A primeira educação vem de casa. Esses meninos planejaram isso por dias. Ninguém percebeu.” No dia seguinte, domingo, 22 de junho, o caso foi amplamente exibido em reportagem especial do programa Domingo Espetacular, da TV Record. A matéria trouxe novos detalhes sobre o crime, os desdobramentos do processo judicial e a mobilização da sociedade em torno do abaixo-assinado pela Lei Melissa Campos, além de entrevistas com familiares, especialistas e representantes da comunidade escolar. A exibição nacional do caso ampliou ainda mais a comoção pública e fortaleceu os apelos por mudanças legislativas urgentes frente à banalização da violência extrema no ambiente escolar. Violência escolar, misoginia e ódio: um cenário alarmante O assassinato de Melissa expôs, mais uma vez, a escalada de violência nas escolas brasileiras. Desde 2019, o país registrou 41 ataques consumados, com um aumento exponencial a partir de março de 2022. O ano de 2023 foi o mais violento da história: 12 atentados, 13 mortos e 43 feridos. Entre 2022 e 2024, foram 27 episódios, a maioria com motivação ligada ao ódio misógino, racismo ou ideologias extremistas difundidas online. Paralelamente, dados da SaferNet Brasil revelam o avanço do ódio nas redes: a misoginia online cresceu 2.875% entre 2017 e 2022, saltando de 961 para 28.642 denúncias. A intolerância religiosa, o racismo e o neonazismo também apresentaram crescimento alarmante. Em 2023, mais de 105 mil postagens com ameaças a escolas foram identificadas. Até maio de 2025, outras 88 mil novas ameaças já haviam sido rastreadas. O posicionamento da ComCausa: prevenir é tão essencial quanto punir A ComCausa, organização com mais de 20 anos de atuação em territórios periféricos do Rio de Janeiro, manifestou sua solidariedade à família de Melissa Campos e apoio à tramitação da proposta. No entanto, reafirma que qualquer mudança legal deve ser fruto de um debate plural, ético, democrático e comprometido com a justiça social. Para a Instituição, é essencial que o Brasil reaja a essa onda de violência com seriedade, mas sem repetir os erros históricos de criminalização da juventude negra e periférica. A resposta não pode ser apenas punitiva, mas estrutural e preventiva. A dor da família de Melissa deve se transformar em luta coletiva, mas essa luta precisa estar ancorada no compromisso com a vida, com os direitos e com a dignidade de todos e todas. A ComCausa propõe que: Assine: Abaixo-assinado e divulgaram publicamente a minuta da chamada Lei Melissa

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