Destaque

Dia Mundial do Hospital: ComuniSaúde destaca desafios e ações comunitárias na Baixada Fluminense

Celebrado em 14 de julho, o Dia Mundial do Hospital foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para incentivar o debate público sobre os desafios e avanços da saúde em todo o mundo. A data é também um convite para refletir sobre o papel dessas instituições na garantia do direito à vida e o acesso digno ao cuidado, especialmente nas regiões mais vulneráveis, como as favelas e periferias da Baixada Fluminense. A palavra “hospital” vem do latim hospitalis, que significa “ser hospitaleiro”, ou seja, acolher com cuidado. Esse princípio se mantém como norte da atuação do projeto ComuniSaúde, uma iniciativa da organização ComCausa voltada à promoção da saúde nas comunidades populares da Baixada. O programa atua na conscientização sobre o direito ao atendimento básico, no fortalecimento das redes de apoio locais e no cuidado com a saúde mental — aspecto muitas vezes negligenciado nas políticas públicas. Cuidar é também pertencer Criado para aproximar o serviço de saúde das realidades das favelas, o projeto ComuniSaúde reconhece que as comunidades enfrentam um cenário de vulnerabilidade agravado por falta de informação, filas nos serviços do SUS e estigmas que afastam moradores dos atendimentos. Com oficinas, rodas de conversa e ações itinerantes, a iniciativa ajuda moradores a compreender seus direitos, buscar atendimento e promover uma cultura de cuidado coletivo. Além disso, o projeto trabalha a prevenção de doenças e o acolhimento emocional, formando lideranças locais capazes de atuar como pontes entre as famílias e os serviços públicos de saúde. “A saúde não é apenas ausência de doença, é também dignidade, escuta e pertencimento”, afirma um dos articuladores da ComCausa. A história dos hospitais e o desafio contemporâneo Os primeiros hospitais remontam ao século V a.C., no antigo Ceilão, atual Sri Lanka, com espaços dedicados à recuperação de enfermos — ainda que fortemente marcados por práticas ocultistas. Na Índia, surgiram estruturas similares dois séculos depois, embora com eficácia limitada. Foi no Império Romano, por volta de 100 a.C., que os chamados valetudinarium passaram a atender soldados feridos em guerra. O modelo mais próximo dos hospitais modernos surgiu no século IV, com o crescimento do cristianismo. Mosteiros passaram a acolher pobres, viajantes e doentes, tratando-os com ervas medicinais e mantendo pequenas farmácias. Durante a Idade Média, as ordens religiosas lideraram a expansão dessas instituições pela Europa. Com o passar dos séculos, os hospitais deixaram de ser meros abrigos e se tornaram centros de ciência, tecnologia e formação profissional. No Brasil, o SUS é uma das maiores redes públicas do mundo, mas ainda enfrenta desigualdades marcantes, especialmente nas periferias urbanas. A ComCausa na Defesa da vida Em regiões como a Baixada Fluminense, o cuidado com a saúde muitas vezes começa na vizinhança. É nesse cenário que a ComCausa atua com o ComuniSaúde, levando informação, acolhimento e ações práticas que ampliam o acesso à saúde e promovem bem-estar. O projeto também integra campanhas nacionais e datas simbólicas, como o próprio Dia Mundial do Hospital, para estimular o debate público e cobrar melhorias estruturais no sistema. “A gente não substitui o Estado, mas ajuda a garantir que ele chegue onde precisa”, conclui um representante da organização. Enquanto hospitais seguem como pilares do sistema de saúde, projetos comunitários como o ComuniSaúde mostram que o cuidado começa com escuta, empatia e mobilização de quem está mais próximo da dor — e da vida. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Assassinato de Melissa Campos escancara misoginia letal nas escolas e impõe revisão da justiça juvenil

Mãe de Melissa Campos faz apelo público pela aprovação do PL 3271/2025

O assassinato da adolescente Melissa Campos, de apenas 14 anos, ocorrido no dia 8 de maio de 2025 em uma escola de Uberaba (MG), chocou pela brutalidade, pela premeditação e, sobretudo, pela impotência do ordenamento jurídico brasileiro diante da gravidade do crime. Melissa foi esfaqueada por dois colegas da mesma idade, enquanto assistia aula, dentro de sua própria escola. Sentada em sua carteira, sem reagir, foi vítima de um ataque planejado, frio e impiedoso. Em vídeo divulgado esta semana, a mãe de Melissa, Rosana Agrelli, transforma o luto em mobilização pública por justiça. Ela aponta a insuficiência das atuais previsões do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) no que se refere à responsabilização de adolescentes por atos infracionais análogos a crimes hediondos, como homicídio qualificado ou feminicídio. “Minha filha foi assassinada na sala de aula, em plena luz do dia. Foi uma execução. Não houve discussão. Ela não teve chance. E mesmo assim, os responsáveis não podem ficar internados por mais de três anos. Eles podem sair antes disso, com avaliações a cada seis meses. Isso é justiça?”, questiona Rosana. A indignação da mãe ecoa uma inquietação compartilhada por muitas famílias brasileiras que enfrentam situações semelhantes: a sensação de impunidade institucionalizada. Atualmente, conforme o §2º do artigo 121 do ECA, a medida de internação aplicada a adolescentes infratores não pode ultrapassar três anos, e deve ser reavaliada semestralmente, independentemente da gravidade do ato praticado. Proposta de mudança no ECA Diante desse cenário, o deputado federal Fred Costa (PRD/MG) protocolou, em 7 de julho de 2025, o Projeto de Lei nº 3271/2025, batizado como Lei Melissa Campos. A proposta visa alterar o artigo 121 do ECA, estabelecendo critérios específicos e mais rigorosos para a aplicação da medida de internação a adolescentes autores de atos infracionais análogos a homicídio qualificado e feminicídio, tentados ou consumados, quando cometidos em ambiente escolar ou familiar. Principais dispositivos do PL 3271/2025: Fundamentação e compatibilidade constitucional A proposta legislativa não pretende revogar direitos fundamentais de crianças e adolescentes, mas adequar a resposta do Estado à complexidade e à gravidade de atos infracionais de natureza extrema, como homicídios e feminicídios cometidos com premeditação. Trata-se de garantir a proteção integral não apenas ao autor do ato infracional — como determina o artigo 227 da Constituição Federal — mas também à vítima, à comunidade escolar e à sociedade como um todo. O princípio da proporcionalidade é basilar no direito penal e também deve nortear a aplicação das medidas socioeducativas. Conforme entendimento já pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o caráter pedagógico da medida não impede sua intensificação proporcional à gravidade da conduta (vide REsp 1.854.092/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura). “O ECA não foi feito para encobrir a impunidade. Ele deve proteger vidas. A vida da minha filha foi tirada por ódio gratuito. Não aceito que esses jovens voltem ao convívio social em poucos meses, como se nada tivesse acontecido”, reforça Rosana Agrelli em seu vídeo. Legado e urgência Na justificativa do projeto destaca que a Lei Melissa Campos é “o legado de uma jovem que teve sua vida ceifada dentro da escola por dois adolescentes que simplesmente não suportavam sua alegria de viver”. Ele cita trechos da sentença judicial que condenou os infratores, na qual o juiz da Infância e Juventude reconheceu o “ódio gratuito e infundado” como motivador do crime e a fragilidade do arcabouço legal atual para oferecer uma resposta à altura. “É preciso coragem para rever leis. É preciso sensibilidade para entender que proteger a infância também exige proteger as vítimas. A Lei Melissa Campos não propõe vingança. Ela propõe equilíbrio, justiça e prevenção”, afirmou o parlamentar ao apresentar o PL na Câmara dos Deputados. ECA completa 35 anos Neste aniversário do ECA, a sociedade brasileira se depara com um paradoxo: a existência de um marco legal historicamente avançado, mas que hoje, diante de episódios extremos como os que vitimaram Melissa Campos, revela limitações concretas em sua aplicação prática. Casos de assassinatos e atentados cometidos por menores de idade em ambientes escolares — como os ataques registrados em Estação (RS), Sapopemba (SP), Goiânia (GO) e Suzano (SP) — evidenciam que se trata de um fenômeno que ultrapassa o âmbito individual, exigindo respostas estruturais e sistêmicas. Não se trata apenas de punir, mas de prevenir. E a prevenção, por sua natureza, é tarefa prioritária de políticas públicas contínuas e articuladas. Leia: O que provoca o aumento da violência nas escolas Nesse sentido, é imprescindível reconhecer que os municípios ocupam posição estratégica no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, especialmente no que se refere à promoção e à proteção social básica e especial. São eles os responsáveis por operar, em sua base, o primeiro segmento do sistema — por meio dos Conselhos Tutelares, escolas municipais, unidades básicas de saúde, CRAS, CREAS, e demais instâncias que atuam diretamente com as famílias e com os adolescentes em situação de vulnerabilidade. A ausência de uma política local estruturada de educação em direitos humanos, de acompanhamento psicossocial, de mediação de conflitos escolares, bem como a fragilidade das redes de proteção comunitária, tornam os territórios mais suscetíveis à reprodução da violência entre jovens — e agravam ainda mais os efeitos quando esta se materializa. É nesse cenário que a ComCausa Defesa da Vida e Promoção dos Direitos Humanos participa ativamente dos debates nacionais sobre os rumos da legislação e da proteção infantojuvenil no Brasil. A entidade tem acompanhado com atenção as propostas que tramitam no Congresso Nacional, como o Projeto de Lei nº 3271/2025, Lei Melissa Campos, e contribuído com reflexões técnicas, estudos de caso e articulações junto a instituições públicas, movimentos sociais e redes comunitárias. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe: | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Vídeo caso Gabriel

Caso Gabriel: Vídeo desmente versão da PM sobre morte de jovem e reforça suspeita de ação desproporcional

Novas imagens obtidas por investigadores colocam em xeque a versão apresentada pela Polícia Militar sobre a morte de Gabriel, jovem atingido por um disparo durante uma abordagem no trânsito. O vídeo captado por uma câmera de segurança instalada em um ônibus que trafegava ao lado da moto do rapaz mostra que não houve qualquer investida ou hostilidade por parte de Gabriel no momento do disparo. A versão inicial dos policiais envolvidos alegava que Gabriel teria empinado a moto e agido de forma hostil, supostamente tentando jogar o veículo contra um dos agentes. Essa narrativa sustentava a tese de legítima defesa, argumento que, segundo a defesa do policial, justificaria o uso da força letal. No entanto, os registros de vídeo e testemunhos colhidos desmontam essa justificativa, apontando que o jovem foi atingido de forma abrupta, sem sequer ter consciência da presença policial. Novas imagens obtidas por investigadores colocam em xeque a versão apresentada pela Polícia Militar sobre a morte de Gabriel, jovem atingido por um disparo durante uma abordagem no trânsito. O vídeo captado por uma câmera de segurança instalada em um ônibus que trafegava ao lado da moto do rapaz mostra que não houve qualquer investida ou hostilidade por parte de Gabriel no momento do disparo. A versão inicial dos policiais envolvidos alegava que Gabriel teria empinado a moto e agido de forma hostil, supostamente tentando jogar o veículo contra um dos agentes. Essa narrativa sustentava a tese de legítima defesa, argumento que, segundo a defesa do policial, justificaria o uso da força letal. No entanto, os registros de vídeo e testemunhos colhidos desmontam essa justificativa, apontando que o jovem foi atingido de forma abrupta, sem sequer ter consciência da presença policial. Imagens e perícia reforçam contradições Além das imagens externas, registros captados pelas câmeras corporais utilizadas pelos próprios agentes também foram recolhidos pelas autoridades. Embora estejam sob sigilo judicial, fontes ligadas à investigação confirmam que o conteúdo dos vídeos corrobora a tese de que não houve ordem clara de parada, nem comportamento que configurasse ameaça. A análise técnica da cena do crime — incluindo a posição do corpo, trajetória do projétil e depoimentos de testemunhas oculares — revela um cenário de ação precipitada e incompatível com os protocolos policiais. Os elementos reunidos até o momento indicam que não houve confronto, o que invalida o argumento de legítima defesa usado inicialmente. Uso da força fora dos parâmetros legais Diante das evidências reunidas, a atuação do policial militar é questionada não apenas sob o ponto de vista técnico, mas também jurídico e ético. O episódio evidencia descumprimento dos princípios da legalidade, proporcionalidade e necessidade que regem o uso da força por agentes do Estado. Especialistas em segurança pública e direitos humanos alertam para os riscos de abordagens mal conduzidas, que frequentemente resultam em mortes evitáveis, principalmente entre jovens negros nas periferias urbanas. Casos como o de Gabriel reforçam a urgência de mecanismos efetivos de controle externo da atividade policial e transparência nas investigações. A investigação segue em curso, e a expectativa é de que a análise dos vídeos e laudos periciais seja determinante para o esclarecimento completo do caso e responsabilização dos envolvidos. Familiares lançam campanha por justiça durante a Festa do Aipim em Tinguá A tradicional Festa do Aipim, que acontece entre os dias 11 e 13 de julho, em Tinguá, será palco de uma importante mobilização por memória e justiça. Familiares e amigos de Gabriel Pereira dos Santos, jovem de 24 anos assassinado por um policial militar durante uma abordagem arbitrária em agosto de 2024, lançarão no evento uma campanha pública para denunciar a impunidade e manter viva a exigência de responsabilização do autor do crime. A ação integra o calendário de mobilizações que antecedem o primeiro ano da morte de Gabriel, que era nascido e criado na região de Tinguá. O objetivo é ampliar a visibilidade do caso, combater a naturalização da violência policial e fortalecer o clamor por justiça.https://www.instagram.com/reel/DL-MULVs_l8/embed/captioned/?cr=1&v=14&wp=720&rd=https%3A%2F%2Fportalc3.net&rp=%2Fcaso-gabriel-video-desmente-versao-da-pm-sobre-morte-de-jovem-e-reforca-suspeita-de-acao-desproporcional%2F#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A758.7000000476837%7D Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe: Imagens e perícia reforçam contradições Além das imagens externas, registros captados pelas câmeras corporais utilizadas pelos próprios agentes também foram recolhidos pelas autoridades. Embora estejam sob sigilo judicial, fontes ligadas à investigação confirmam que o conteúdo dos vídeos corrobora a tese de que não houve ordem clara de parada, nem comportamento que configurasse ameaça. A análise técnica da cena do crime — incluindo a posição do corpo, trajetória do projétil e depoimentos de testemunhas oculares — revela um cenário de ação precipitada e incompatível com os protocolos policiais. Os elementos reunidos até o momento indicam que não houve confronto, o que invalida o argumento de legítima defesa usado inicialmente. Uso da força fora dos parâmetros legais Diante das evidências reunidas, a atuação do policial militar é questionada não apenas sob o ponto de vista técnico, mas também jurídico e ético. O episódio evidencia descumprimento dos princípios da legalidade, proporcionalidade e necessidade que regem o uso da força por agentes do Estado. Especialistas em segurança pública e direitos humanos alertam para os riscos de abordagens mal conduzidas, que frequentemente resultam em mortes evitáveis, principalmente entre jovens negros nas periferias urbanas. Casos como o de Gabriel reforçam a urgência de mecanismos efetivos de controle externo da atividade policial e transparência nas investigações. A investigação segue em curso, e a expectativa é de que a análise dos vídeos e laudos periciais seja determinante para o esclarecimento completo do caso e responsabilização dos envolvidos. Familiares lançam campanha por justiça durante a Festa do Aipim em Tinguá A tradicional Festa do Aipim, que acontece entre os dias 11 e 13 de julho, em Tinguá, será palco de uma importante mobilização por memória e justiça. Familiares e amigos de Gabriel Pereira dos Santos, jovem de 24 anos assassinado por um policial militar durante uma abordagem arbitrária em agosto de 2024, lançarão no evento uma campanha pública para denunciar a impunidade e manter viva a exigência de responsabilização do autor do crime. A ação integra o calendário

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Mães de Filhos e Filhas Desaparecidos

O que fazer quando alguém desaparece?

O desaparecimento de uma pessoa é uma experiência que interrompe brutalmente a rotina de uma família. Em instantes, o que era cotidiano se torna angústia, e o tempo, antes aliado, transforma-se em fonte de desespero. No Brasil, milhares de pessoas desaparecem todos os anos. Apesar da gravidade do problema, ainda é comum que familiares se sintam desorientados e desamparados diante do que fazer. Informação, agilidade e apoio são, nesse cenário, ferramentas essenciais.Durante muito tempo, consolidou-se no imaginário popular a ideia de que somente após 24 horas do sumiço seria possível registrar o desaparecimento de uma pessoa em uma delegacia. Essa crença, que não tem respaldo legal, infelizmente ainda é reproduzida em muitos círculos sociais e até por profissionais mal informados. Contudo, a legislação brasileira é clara: o registro pode — e deve — ser feito assim que a ausência for percebida. A lógica por trás dessa orientação é simples e vital: o tempo é um fator determinante nas primeiras horas de desaparecimento, especialmente no caso de crianças, adolescentes, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. A demora no início das buscas pode comprometer seriamente as chances de localização segura da pessoa desaparecida. Onde e como registrar o desaparecimento O primeiro passo é dirigir-se à delegacia de polícia mais próxima para registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) ou Registro de Ocorrência (R.O.). A partir desse momento, a pessoa passa a ser oficialmente considerada desaparecida, e as autoridades podem iniciar as buscas e investigações. Ao registrar a ocorrência, recomenda-se apresentar: A própria delegacia pode elaborar um cartaz oficial de desaparecimento, que deve conter o número institucional da unidade policial. Para evitar golpes, extorsões ou trotes, nunca se deve divulgar contatos pessoais da família nos cartazes de desaparecimento. Para casos envolvendo crianças e adolescentes A Lei nº 11.259/2005, estabeleceu oficialmente a busca imediata para casos envolvendo crianças e adolescentes, mas, na prática, nenhuma delegacia pode se recusar a registrar uma ocorrência de desaparecimento de qualquer pessoa, independentemente da idade ou das circunstâncias. O registro é um direito de todos os cidadãos, e as autoridades têm a obrigação de recebê-lo e agir dentro dos protocolos previstos. O registro do desaparecimento é um direito assegurado a todos os cidadãos, e cabe às autoridades policiais acolher a denúncia e adotar os procedimentos cabíveis sem demora. Assim, a ideia de que é preciso esperar 24 horas para notificar oficialmente o desaparecimento não encontra respaldo legal nem justificação operacional. Trata-se de um mito que ainda persiste e que precisa ser superado com informação qualificada. O desaparecimento de uma pessoa é uma emergência, e deve ser tratado com urgência desde o primeiro momento. Nos casos que envolvem crianças ou adolescentes, é fundamental, além de procurar a delegacia, acionar a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), órgão do Governo do Estado do Rio de Janeiro voltado à proteção dos direitos da população infantojuvenil. A FIA oferece acolhimento psicossocial às famílias e atua em conjunto com a rede pública de proteção. Fundação para a Infância e Adolescência (FIA)Endereço: Rua Voluntários da Pátria, nº 120 – Botafogo, Rio de Janeiro (ao lado do metrô)Telefones: (21) 2286-8337 / (21) 98596-5296E-mail: sosfia@fia.rj.gov.br Outra instituição de referência é a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), especializada na investigação de casos de desaparecimento. A unidade está localizada na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, e atende diretamente familiares e responsáveis. Telefone: (21) 98322-0228 Além das instituições públicas, o Disque Denúncia Desaparecidos é um dos principais canais de mobilização social no enfrentamento do desaparecimento de pessoas. O serviço recebe informações anônimas sobre o paradeiro de pessoas desaparecidas e atua em articulação com autoridades policiais, veículos de imprensa e organizações civis. Disque Denúncia – Desaparecidos (Rio de Janeiro)Telefone fixo: (21) 2253-1177WhatsApp exclusivo: (21) 98849-6254Site: www.desaparecidosdd.org.br Por meio do site, é possível consultar pessoas desaparecidas, acessar cartazes, enviar denúncias e colaborar com informações sigilosas que podem contribuir significativamente para as investigações. Informação, agilidade e mobilização A experiência do desaparecimento não pode ser naturalizada. Cada segundo conta, cada pista é valiosa e cada esforço pode significar um reencontro. A atuação rápida, o uso correto dos canais institucionais e a mobilização da comunidade são fundamentais. Informar-se, agir sem demora e manter a busca viva são atos de resistência e humanidade. Porque desaparecimento não é sumiço — é um grito por visibilidade. E nenhum desaparecimento deve ser ignorado. Se você souber de qualquer informação sobre uma pessoa desaparecida, entre em contato com o Disque Denúncia. O que pode parecer pouco para alguns, pode ser tudo para uma família que espera por respostas. Toda vida importa. Toda ausência merece resposta. Imagem de capa ilustrativa | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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ComuniSaúde leva conscientização sobre saúde ocular e acesso ao atendimento básico à Baixada Fluminense

O dia 10 de julho marca o Dia da Saúde Ocular, data dedicada à conscientização sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de doenças que podem comprometer a visão. Estima-se que cerca de 2,2 bilhões de pessoas em todo o mundo tenham algum grau de deficiência visual. Destas, ao menos 1 bilhão de casos poderiam ter sido evitados ou ainda não receberam o devido tratamento, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante desse cenário, o projeto ComuniSaúde, desenvolvido pela organização ComCausa, atua com foco na promoção da saúde integral em comunidades da Baixada Fluminense, especialmente nas periferias onde o acesso a serviços básicos ainda é precário. Por meio de ações educativas, rodas de conversa, oficinas e articulação com equipamentos públicos, o projeto incentiva a busca por atendimento médico, o cuidado com a saúde mental e a prevenção de doenças silenciosas, como as oculares. As ações do ComuniSaúde acontecem diretamente nas favelas, em parceria com lideranças locais, unidades de saúde da família e escolas públicas. Uma das frentes é justamente a mobilização para que moradores realizem exames oftalmológicos e conheçam os sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação médica. No Brasil, as principais doenças oculares acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são os erros de refração (miopia, astigmatismo e hipermetropia), catarata, glaucoma e doenças da retina como a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, somente a catarata e o erro refrativo não corrigido são responsáveis por 74,8% de todos os casos de deficiência visual no país. A médica oftalmologista Adriana Sobral Lourenço reforça que consultas regulares com especialistas são fundamentais. “Nós temos que fazer consultas oftalmológicas, não só para avaliar a acuidade visual e prescrever auxílios óticos, mas também para prevenção de doenças como, por exemplo, o glaucoma, que não dá sintomas e, se não tratado adequadamente, pode levar à cegueira de forma irreversível”, alerta. Entre os sinais que merecem atenção estão lacrimejamento frequente, olhos vermelhos ou com secreção, crostas nos cílios, dor de cabeça constante, visão dupla, embaçada ou com sensibilidade excessiva à luz, além de desvio ocular ou alterações pupilares. Muitas dessas condições podem ser tratadas com medicamentos ou procedimentos simples, se identificadas precocemente. O SUS oferece assistência oftalmológica completa, que inclui consultas, exames, tratamentos clínicos e cirúrgicos, e até mesmo transplantes quando necessários. No entanto, muitas pessoas deixam de buscar atendimento por falta de informação ou por barreiras geográficas, econômicas e sociais. É nesse contexto que o ComuniSaúde fortalece seu papel. Além de abordar a saúde ocular, o projeto trabalha o autocuidado, o apoio psicológico e o fortalecimento das redes comunitárias de apoio. O objetivo é construir uma cultura de saúde que vá além do atendimento emergencial, com foco na prevenção, no cuidado coletivo e no acesso pleno aos direitos fundamentais. A visão é responsável por cerca de 85% das informações que o cérebro processa, e garantir sua preservação é também garantir qualidade de vida. Com iniciativas como o ComuniSaúde, a ComCausa reafirma seu compromisso com a defesa da vida e com a promoção de territórios mais saudáveis e conscientes. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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José Madureira dos Anjos Filho

Sargento PM Madureira: uma história de farda, afeto e renascimento

A maioria das pessoas se prende às tragédias e, por trás das estatísticas aterradoras, esquece que cada caso de violência tem múltiplas vítimas — pai, mãe, irmãos, irmãs, companheiros, companheiras, filhos e filhas. Esta é uma história real, sobre uma pessoa: um policial chamado Madureira. Conheci o sargento PM Madureira por meio de outro policial, o também sargento Marcelo, à época seu cunhado. Em cada encontro, especialmente nos churrascos de confraternização, nossos embates eram inevitáveis: eu, defensor dos direitos humanos; ele, policial da ativa, daqueles que carregam a farda no coração. Divergimos muitas vezes — sobre os limites da lei, o papel do Estado, a relação com as comunidades — mas, entre um debate e outro (entre uma cerveja e outra), encontrávamos alguns pontos de convergência e assim fomos compartilhando discussões, conversas acaloradas, mas também músicas e momentos de lazer, inclusive na própria sede da ComCausa. Com o tempo, Madureira foi transferido para outra região e, naturalmente, diminuimos o contato. Certo dia, recebi uma mensagem de outro amigo policial, o Evaldo: — Você soube do Madureira? Sempre que mensagens assim chegam, o coração aperta, pois raramente são boas notícias. E não era. No dia seguinte, estive com sua mãe, pai, parentes e colegas de farda em seu sepultamento. Foi nesse momento que me lembrei, com tristeza, de uma das nossas discussões mais intensas. Em tom provocativo, ele me perguntou: – Os direitos humanos vão a enterros de policiais? Respondi tambem em tom “desafiador”: — Vão, sim. Mas não é para discursar. É para abraçar. E ali estava eu, em silêncio, em oração, cumprindo aquela promessa. Meses após a despedida silenciosa, a vida voltou a surpreender. Uma nova notícia: havia nascido o filho de Madureira. “Às 13h12, veio ao mundo o pequeno José Madureira dos Anjos Neto, com 3,480 kg.” O anúncio foi feito pelas redes sociais do 20º Batalhão da Polícia Militar — a mesma unidade onde Madureira serviu por 12 anos. Em um vídeo, seus colegas do Setor Fox, onde ele atuava, acompanharam a viúva até a maternidade. Fizeram questão de estar presentes naquele momento. Não entrei em contato imediatamente com a família por respeito ao luto — como sempre faço em casos como estes. Mas, a partir desta publicação, retomei a conversa com o pai do sargento Madureira — agora o vovô Madureira. E foi nessa troca de mensagens que ouvi algo que me tocou profundamente: Madureira e sua companheira haviam passado pela dor de uma gestação interrompida. E, no momento de sua morte, ele ainda não sabia que teria uma nova chance de ser pai. Essa revelação me abalou. Me tirou o sono por uns dias. E foi justamente por isso que decidi registrar esta história. Porque ela não é apenas sobre luto. É sobre vínculos que persistem. Sobre o amor que resiste. E sobre como, mesmo diante da violência e da perda, ainda há espaço para gestos de humanidade e na renovação da vida. Hoje, deixo aqui meu abraço à família de Madureira e aos seus irmãos e irmãs de farda, que caminharam ao seu lado em vida, e agora de seu filho depois de sua partida. E desejo, do fundo do coração, que o pequeno José Madureira Neto tenha uma vida longa, protegida, plena de amor e significado. Que ele cresça rodeado de afeto e, acima de tudo, conheça quem foi seu pai — não apenas um policial, mas um homem de valores e contradições, como todos nós. Escrevo estas palavras com o coração aberto e a alma desarmada, como alguém que, há muitos anos, através da ComCausa, tem trilhado um caminho de escuta e solidariedade ao lado de famílias profundamente marcadas por tragédias que jamais deveriam ter ocorrido. São pessoas que, assim como a de Madureira, vivem uma realidade onde a dor se infiltra nos gestos mais simples, onde o silêncio pesa mais do que qualquer palavra, e onde cada memória carrega em si a lembrança de algo que foi brutalmente interrompido. Em cada rosto abatido que encontrei, em cada olhar perdido de mãe, de filho, de esposa, de irmão ou irmã, pude perceber o quanto a violência não fere apenas aquele que parte — mas espalha feridas por todos os que permanecem. Feridas invisíveis, mas profundas. Feridas que não cicatrizam com o tempo, mas que se acomodam entre a ausência e a saudade. Diante disso que, mais uma vez, sinto-me compelido a dizer — com toda a convicção que o luto e a experiência me permitiram construir — que, por mais que divergências políticas, ideológicas ou institucionais nos coloquem em campos opostos, há algo que deveria nos unir acima de tudo: o valor inegociável da vida humana. Quando uma vida é interrompida, brutalmente arrancada de seu curso natural, não há vencedores, não há justificativas morais possíveis. Só há perda. Uma perda irreparável. Uma lacuna que nenhuma estatística é capaz de traduzir. É, portanto, um embate que transcende visões partidárias ou posicionamentos ideológicos. É a eterna disputa entre a barbárie e a civilização. Entre a crueldade e a compaixão. Entre a violência cega e a humanidade que ainda insiste em resistir. É a vida, sempre a vida, contra a morte. E, mesmo em meio a tempos tão duros, tão marcados pelo medo, pelo individualismo e pela indiferença, continuo acreditando — talvez por teimosia, talvez por esperança — que sempre haverá um espaço possível para o encontro. Um espaço onde possamos nos reconhecer no outro. Onde possamos praticar uma escuta sincera, sem julgamento. Onde o respeito não seja um luxo, mas uma base. Onde a empatia deixe de ser um discurso e se torne uma prática concreta, cotidiana e transformadora. Espero, sinceramente, que aqueles que se debruçarem sobre estas palavras consigam enxergar, para além dos uniformes e das estatísticas, as pessoas que existiram por trás de cada dado. Pessoas reais. Com trajetórias, afetos, vínculos, fragilidades, medos e sonhos. Que vejam Madureira não apenas como uma farda caída, mas como um ser humano que amava e era amado. Como alguém que deixa saudade, que deixa história, que deixa família. Espero que esta narrativa, por mais dura

Sargento PM Madureira: uma história de farda, afeto e renascimento Read More »