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Falta de acesso a medicamentos e serviços básicos expõe desigualdades na saúde pública: ComCausa promove ações na Baixada Fluminense

No dia 8 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Luta por Medicamento, uma data simbólica que busca reforçar a importância do acesso universal, igualitário e contínuo aos medicamentos no Brasil. No entanto, para muitas comunidades da Baixada Fluminense, essa garantia constitucional ainda está distante da realidade cotidiana. Com dificuldades que vão desde a escassez de insumos básicos nas unidades públicas de saúde até a falta de orientação sobre os direitos do paciente, moradores de regiões periféricas enfrentam desafios que comprometem não apenas o tratamento de doenças crônicas, mas também a prevenção e o cuidado integral com a saúde. É nesse contexto que projetos como o ComuniSaúde, desenvolvido pela organização ComCausa – Defesa da Vida, assumem um papel essencial. ComuniSaúde: uma ponte entre o SUS e os territórios populares Atuando nas favelas e bairros marginalizados da Baixada Fluminense, o projeto ComuniSaúde trabalha para fortalecer o acesso ao atendimento básico de saúde, promover o cuidado com a saúde mental e estimular a construção de redes comunitárias que atuem como suporte e orientação dentro dos próprios territórios. Por meio de rodas de conversa, formações populares, campanhas educativas e ações de comunicação comunitária, o projeto visa combater a desinformação e aproximar a população das políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa também mapeia demandas locais e casos de violação de direitos, contribuindo para a articulação entre moradores, agentes de saúde, lideranças sociais e profissionais da rede pública. “A luta por medicamento não é só por remédio. É pelo direito à vida com dignidade. É sobre garantir que uma pessoa com pressão alta tenha onde medir sua pressão, que uma mãe com depressão pós-parto tenha acompanhamento psicológico e que um jovem com HIV receba a medicação correta no tempo certo”, destaca Adriano Dias, fundador da ComCausa. Três níveis de acesso a medicamentos: uma realidade desigual Segundo o farmacêutico Thiago Soares, da Farmácia Central da Prefeitura de Juiz de Fora, os medicamentos não servem apenas para tratar doenças já instaladas. Eles têm papel fundamental na prevenção, diagnóstico e controle de agravos à saúde. Entretanto, o acesso a esses medicamentos varia de acordo com sua classificação: A política pública brasileira prevê o acesso a esses medicamentos por meio da Assistência Farmacêutica no SUS, alinhada aos princípios de universalidade, equidade e integralidade. Contudo, na prática, moradores da Baixada relatam dificuldades para obter remédios de uso contínuo, realizar exames de rotina e até mesmo conseguir atendimento em postos de saúde. Programas e políticas em vigor Diversos programas buscam ampliar o acesso da população a medicamentos e serviços farmacêuticos: Apesar desses marcos legais e estruturais, o abismo entre o que é garantido em lei e o que chega efetivamente às comunidades segue como uma das grandes falhas do sistema de saúde. Educação, saúde mental e mobilização comunitária Além de conscientizar sobre o direito ao acesso a medicamentos, o ComuniSaúde também atua de forma integrada com questões de saúde mental. Nas periferias da Baixada Fluminense, onde o sofrimento psíquico é frequentemente agravado pela pobreza, pela violência urbana e pela exclusão institucional, o projeto se propõe a escutar, acolher e construir soluções junto com os moradores. As ações incluem oficinas terapêuticas, rodas de escuta, campanhas de prevenção ao suicídio e ao uso abusivo de substâncias, além de mobilizações para exigir o funcionamento adequado da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no território. “Trabalhar com saúde mental nas favelas é um desafio político. O abandono institucional adoece. O preconceito adoece. A fome e o desemprego adoecem. Precisamos de políticas que enxerguem o território como um espaço vivo de cuidado e transformação, e é isso que o ComuniSaúde propõe”, explica Adriano Dias. Um chamado à ação Neste Dia Nacional de Luta por Medicamento, o trabalho da ComCausa na Baixada Fluminense reforça que o acesso à saúde deve ir além do discurso e se concretizar em ações eficazes, voltadas para os que mais precisam. É preciso ouvir as comunidades, garantir o funcionamento da rede pública e fortalecer os laços entre as instituições e a população. Sem medicamentos, sem atendimento de qualidade e sem apoio à saúde mental, não há dignidade. E sem dignidade, não há cidadania plena. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Jovita Belfort participa de podcast sobre desaparecimentos Alemão Ilimitado Adriano Dias ComCausa Maicon

Jovita Belfort participa de podcast sobre desaparecimentos e reforça luta por políticas públicas

Na tarde de quarta-feira, 4 de setembro, foi ao ar um episódio especial do podcast Alemão Ilimitado, com transmissão ao vivo pelo YouTube, dedicado ao tema dos desaparecimentos no Brasil. A convidada principal foi Jovita Belfort – mãe de Priscila Belfort — desaparecida há 21 anos — e atual superintendente de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas e Acesso à Documentação Básicas vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH). A condução ficou por conta de Maicon Hofman, morador de Nova Iguaçu e criador do Alemão Ilimitado, que transforma seu estúdio em Nova Iguaçu num espaço de escuta ativa e valorização das vozes da Baixada Fluminense. Com o lema “Sem pauta, sem freio”, o programa promove conversas autênticas e fora dos roteiros tradicionais, como a que foi ao ar ontem. Voz das famílias e construção de políticas públicas Durante a conversa, Jovita emocionou ao compartilhar a sua longa e persistente trajetória de busca por justiça, visibilidade e políticas públicas para as pessoas desaparecidas. Ela relembrou os erros da investigação do caso de sua filha, Priscila, e destacou o impacto do documentário “Volta Priscila”, produzido para homenagear mães como ela e pressionar pela reabertura do caso. Em outro momento, revelou que a criação da delegacia especializada em desaparecimentos no Rio de Janeiro nasceu de um abaixo-assinado que ela iniciou junto ao movimento Rio de Paz e ao pastor Antônio, após o desaparecimento de Amarildo. A proposta foi acolhida pela delegada Marta Rocha e se consolidou como referência nacional no tema. Jovita também alertou para outro tipo de desaparecimento: o da falta de documentação básica, que impede o acesso a direitos e à cidadania. “Muitas vezes, a ausência de documentos é o primeiro passo para a invisibilidade”, afirmou. Reconhecimento e atuação Durante a conversa, foi mencionado o reconhecimento recente a organizações da sociedade civil que atuam no enfrentamento ao desaparecimento de pessoas. Entre elas, a  ComCausa Defesa da Vida foi destacada por seu projeto “Acolher: Desaparecidos”, que recebeu prêmio durante o seminário “Direitos Humanos e Gestão Pública”, realizado no auditório da OAB-RJ. O evento reuniu gestores públicos e especialistas e homenageou municípios como Itaboraí, Itaguaí e Nova Iguaçu por boas práticas nessa área. Apelo e fé Na parte final do programa, Jovita fez um forte apelo para que qualquer pessoa com informações sobre o paradeiro de sua filha entre em contato com o Disque Denúncia (2253-1177), lembrando que as denúncias são anônimas. “Que nenhuma mãe precise viver essa dor. Se você sabe de algo, denuncie”, pediu, emocionada. Ela também agradeceu ao apresentador e reforçou sua fé como fonte de força para seguir lutando. O vídeo completo está disponível no canal oficial do Alemão Ilimitado no YouTube. 🎧 Assista ao episódio completo📌 Canal Alemão Ilimitado no YouTube📅 Transmitido em: 4 de setembro, às 15h Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Saúde, médico

Dia Mundial da Saúde Sexual reforça importância do cuidado integral e destaca ações na Baixada Fluminense

Celebrado anualmente em 4 de setembro, o Dia Mundial da Saúde Sexual é uma data dedicada à promoção do bem-estar físico, emocional, mental e social relacionado à sexualidade. Mais do que uma campanha informativa, trata-se de uma mobilização global em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos como parte fundamental da saúde e da dignidade humana. A data foi instituída em 2010 pela Organização Mundial da Saúde Sexual (WAS, na sigla em inglês), entidade internacional que atua na defesa da saúde sexual como um direito humano básico e universal. Desde então, o dia 4 de setembro passou a ser marcado por eventos, debates, ações educativas e campanhas de conscientização em diversas partes do mundo. A saúde sexual, segundo a própria WAS, vai além da ausência de doenças. Ela envolve o respeito ao corpo, à identidade, aos desejos e à autonomia de cada indivíduo, além do acesso a informações seguras, a serviços de saúde de qualidade e a ambientes livres de discriminação e violência. No Brasil, esse debate ganha contornos ainda mais urgentes diante da desigualdade social, da violência de gênero, do preconceito contra populações LGBTQIAPN+, da precarização dos serviços de saúde pública e da desinformação que ainda atinge amplas parcelas da população. Na Baixada Fluminense, região marcada por vulnerabilidades históricas, a promoção da saúde sexual enfrenta obstáculos adicionais relacionados à falta de acesso, estigmas culturais e ausência de políticas públicas permanentes. ComuniSaúde: comunicação e cuidado no território Nesse contexto, destaca-se o Projeto ComuniSaúde, realizado pela ComCausa – Defesa da Vida, organização que atua há décadas na articulação de ações em defesa dos direitos humanos, especialmente nas periferias da Baixada Fluminense. O ComuniSaúde foi idealizado com o objetivo de promover a saúde integral nas favelas e comunidades populares, conectando temas como atenção básica, saúde mental, sexualidade, autocuidado e construção de redes de apoio comunitário. A iniciativa aposta na comunicação popular e na escuta ativa como estratégias centrais para fortalecer a relação entre moradores e os serviços públicos de saúde. Por meio de rodas de conversa, oficinas, campanhas de prevenção e ações em parceria com lideranças locais, o projeto atua para combater o estigma em torno da sexualidade, informar sobre direitos e ampliar o acesso à atenção primária, especialmente entre mulheres, adolescentes, população negra e LGBTQIAPN+. A partir da escuta da comunidade, o ComuniSaúde trabalha também para identificar barreiras no acesso aos serviços de saúde, como a falta de informação sobre onde buscar atendimento, o preconceito institucional, a ausência de protocolos específicos para populações vulneráveis e a escassez de ações voltadas à saúde mental em territórios periféricos. Saúde sexual é direito, não privilégio Ao lembrar o Dia Mundial da Saúde Sexual, a ComCausa reafirma que sexualidade não deve ser tratada como tabu ou campo de violência, mas como dimensão essencial do cuidado e da liberdade humana. A luta pelo direito ao prazer, à informação e à proteção é também uma luta por justiça social. Por isso, o projeto atua de forma contínua para que a saúde sexual e reprodutiva seja reconhecida e garantida como política pública permanente, com base no respeito, na escuta, no acolhimento e na valorização das múltiplas formas de viver e amar. A promoção da saúde sexual nas periferias, como defende o ComuniSaúde, passa por reconhecer os corpos e vozes que historicamente foram silenciados. Trata-se de transformar o cuidado em ação concreta, nos postos de saúde, nas escolas, nas ruas e nas redes, com informação segura, acesso garantido e afeto como ferramenta política. Em tempos de retrocessos e desinformação, iniciativas como o ComuniSaúde reafirmam que toda vida importa, todo corpo merece respeito, e toda comunidade tem direito à saúde digna, integral e sem discriminação. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. 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foto de Alan Kurdi memória, números e a denúncia que não pode se calar

Dez anos da foto de Alan Kurdi: memória, números e a denúncia que não pode se calar

Há exatos dez anos, o mundo parou diante da imagem do corpo do menino sírio Alan Kurdi, de apenas três anos, encontrado sem vida em uma praia da Turquia. Aquela foto, registrada no dia 2 de setembro de 2015, expôs em toda a sua brutalidade a face mais cruel da crise migratória que continua ceifando vidas até hoje. Como ComCausa – Defesa da Vida, não podemos deixar que essa memória se perca. Alan não foi um caso isolado: ele foi uma das 3.771 pessoas que morreram naquele ano tentando atravessar o Mediterrâneo. Desde então, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), já são quase 29 mil migrantes mortos ou desaparecidos entre 2015 e 2025. Cada número desses é uma história interrompida, uma família destruída, um sonho que não chegou ao destino. A foto de Alan comoveu governos e populações, levou a União Europeia a rever suas políticas, mas também abriu caminho para retrocessos. Em vez de fortalecer o acolhimento, muitos países apostaram na securitização e na externalização das fronteiras, transferindo responsabilidades para países como Turquia e Líbia, enquanto traficantes de pessoas continuaram lucrando com o desespero de milhares. O Mediterrâneo transformou-se, definitivamente, no maior cemitério de migrantes do planeta. Uma década de tragédias: os números da morte no Mediterrâneo O impacto da foto de Alan Kurdi gerou comoção mundial, mas não conseguiu reverter o cenário. Ao contrário: a travessia continuou sendo feita, e os números de mortos seguiram alarmantes. Dados do projeto Missing Migrants, vinculado à OIM, indicam que entre 2015 e 2025 mais de 28,9 mil migrantes morreram ou desapareceram no Mediterrâneo. Evolução anual de mortos e desaparecidos:  Total estimado 2015-2025: 28.900 mortes e desaparecimentos Esses números revelam que, apesar do choque inicial provocado pela imagem de Alan Kurdi, as políticas adotadas ao longo da última década não foram capazes de reduzir de forma estrutural a mortalidade nas rotas migratórias. Políticas migratórias: da comoção à securitização A morte de Alan ocorreu no auge da chegada de refugiados às costas gregas, italianas e espanholas. Naquele momento, a chanceler alemã Angela Merkel anunciou que o país acolheria centenas de milhares de refugiados — gesto que marcou sua carreira política e gerou reações em toda a União Europeia. No entanto, a solidariedade inicial deu lugar a um endurecimento progressivo. A UE passou a firmar acordos bilaterais com países como a Turquia (2016) e a Líbia, transferindo a responsabilidade pela contenção de migrantes em troca de bilhões de euros. O resultado prático foi o fortalecimento de patrulhas marítimas, a criação de centros de detenção em solo africano e a externalização das fronteiras europeias. As medidas reduziram o fluxo em determinados momentos, mas também empurraram migrantes para rotas mais longas e perigosas, aumentando a letalidade das travessias. Alan Kurdi: a história por trás da foto A família Kurdi vivia na cidade síria de Kobane, uma das mais devastadas pela guerra civil que já dura mais de uma década. Após anos em campos de refugiados na Turquia, os pais de Alan tentaram visto humanitário para o Canadá, mas o pedido foi negado. Restou-lhes o caminho das rotas marítimas clandestinas operadas por redes de traficantes de pessoas. Na madrugada de 2 de setembro de 2015, Alan, seu irmão Galip (5 anos) e seus pais embarcaram em um bote inflável superlotado rumo à ilha grega de Kos, a menos de 20 km da costa turca. A viagem, que deveria durar cerca de uma hora, terminou em tragédia quando uma onda virou a embarcação. Apenas o pai, Abdullah Kurdi, sobreviveu. Desde então, Abdullah tornou-se porta-voz involuntário do drama dos refugiados, afirmando em diversas entrevistas que sua vida foi marcada pela missão de dar sentido à memória da esposa e dos filhos. A permanência do símbolo A foto de Alan Kurdi continua sendo exibida em exposições, reportagens e estudos acadêmicos como um dos marcos visuais do século XXI. Ela é comparada, em impacto, a imagens históricas como a menina vietnamita queimada por napalm nos anos 1970 ou os corpos dos meninos da Chacina da Candelária, no Brasil. Mas, dez anos depois, a pergunta permanece: até quando o Mediterrâneo continuará sendo um cemitério de migrantes? Entre a comoção e a indiferença, o corpo de Alan segue lembrando que cada uma das quase 29 mil mortes registradas desde então tem nome, rosto, família e sonhos interrompidos. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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ComCausa recebe prêmio por atuação no enfrentamento aos desaparecimentos Adriano Dias Disque Denúncia Seim

ComCausa recebe prêmio por atuação no enfrentamento aos desaparecimentos

Na sexta-feira, 29 de agosto de 2025, o auditório da OAB-RJ, no Centro do Rio de Janeiro, reuniu autoridades, especialistas, gestores públicos e representantes comunitários para debater um dos problemas mais graves e silenciosos da realidade brasileira: o desaparecimento de pessoas e o tráfico humano. O encontro integrou o seminário “Direitos Humanos e Gestão Pública: Políticas de Inclusão no Enfrentamento ao Desaparecimento e Tráfico de Pessoas”, promovido pela Secretaria Especial de Integração Metropolitana (SEIM), que além de abrir espaço para a troca de experiências e a apresentação de novas ferramentas de gestão, também foi marcado pelo reconhecimento público de iniciativas que vêm se destacando nessa pauta. Um dos momentos mais simbólicos foi a entrega do “Prêmio SEIM Integrando Ações: Direitos Humanos e Gestão Pública”, criado para valorizar experiências de referência na Região Metropolitana. As prefeituras de Itaboraí e Itaguaí foram homenageadas por medidas voltadas à proteção das famílias e pelo fortalecimento das redes de cooperação entre órgãos públicos. A terceiro prêmio foi para a ComCausa Defesa da Vida, única organização da sociedade civil contemplada. A instituição foi reconhecida pelo projeto “Acolher: Desaparecidos”, desenvolvido a partir de  Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que atua no acolhimento e orientação de familiares, na mobilização comunitária, na incidência política e na comunicação pública para dar visibilidade ao tema e enfrentar o silêncio que o cerca. Um problema de dimensão nacional Os números evidenciam a urgência da pauta. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), 66 mil pessoas desapareceram no Brasil em 2024 — o que significa 217 casos por dia, muitos deles envolvendo crianças, adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade. O país conta hoje com a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei 13.812/2019) e com o recém-implementado Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), integrado ao Sinesp, que permite a alimentação automática de registros policiais e a consulta pública pela população. No Rio de Janeiro, o desafio se traduz em estatísticas consistentes: apenas em janeiro de 2025, foram 552 desaparecimentos registrados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), uma média de 17 casos por dia. Historicamente, o estado concentra cerca de 5 mil ocorrências anuais, segundo dados da própria secretaria. Em paralelo, o tráfico de pessoas — que ganhou nova configuração com o avanço das tecnologias digitais — tem sido objeto de monitoramento pelo Painel Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, lançado em julho de 2025 pelo MJSP. O relatório mais recente indica crescimento dos aliciamentos online e a subnotificação persistente, principalmente em contextos de exploração laboral e sexual. Autoridades e especialistas em debate Abrindo os trabalhos, a secretária Cynthia Felix destacou o valor da coordenação intersetorial: “Os gestores devem trabalhar visando políticas públicas para fortalecer os dispositivos institucionais, investir na capacitação de profissionais da segurança pública e envolver a sociedade civil para obter êxito na luta contra esses crimes. Foi muito importante a participação das lideranças da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Trabalhando unidos e integrados conseguiremos diminuir, significativamente, estes casos.” O painel de discussão reuniu vozes diversas: Mobilização contínua e voz dos territórios A agenda da SEIM acabou se somendo um ciclo de mobilizações realizadas ao longo de agosto, em alusão ao Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados (30 de agosto), data instituída pela ONU para reafirmar o compromisso com memória, verdade e justiça. Caminhadas, atos inter-religiosos, audiências públicas e debates em diferentes espaços da sociedade marcaram o mês. Uma agenda que não pode ser adiada O seminário da SEIM demonstrou que o enfrentamento aos desaparecimentos e ao tráfico de pessoas não é tarefa exclusiva da segurança pública, mas um compromisso intersetorial que exige a atuação combinada de justiça, assistência social, saúde, educação e comunicação. Ao premiar boas práticas municipais e reconhecer iniciativas comunitárias, o evento reforça a mensagem de que a resposta precisa ser sistêmica, rápida e humanizada. Mais do que números e estatísticas, a pauta traz à tona vidas interrompidas, famílias em sofrimento e direitos fundamentais em risco. No Rio e em todo o Brasil, integrar informações, fortalecer redes e valorizar experiências locais é um caminho para transformar dor em política pública e mobilização social. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Jovita Belford no Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas tem ato ecumênico e ação social na Quinta da Boa Vista - Arquivo ComCausa

Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas tem ato ecumênico e ação social na Quinta da Boa Vista

O Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas,  foi marcado por uma ampla programação na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, reunindo famílias, organizações da sociedade civil, órgãos públicos e lideranças religiosas. A iniciativa foi dividida em duas frentes principais: uma ação social promovida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e um ato ecumênico organizado pela Superintendência de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas e Acesso à Documentação Básica, vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH). O Governo do Estado promoveu uma ação social integrada, oferecendo à população serviços de emissão de documentação básica, orientações sobre programas sociais, encaminhamentos de saúde e assistência jurídica. A iniciativa contou com o apoio da Defensoria Pública e do Tribunal de Justiça, garantindo acesso imediato a serviços essenciais e ampliando o alcance das políticas públicas voltadas para a cidadania. Encontro de fé e solidariedade Em paralelo, a Superintendência realizou um ato ecumênico que reuniu familiares de pessoas desaparecidas e representantes de diferentes tradições religiosas, reforçando o caráter de acolhimento, memória e mobilização coletiva da data. A mesa inter-religiosa contou com a presença de Pastor Carlos (tradição evangélica), Graça Amora (espiritismo), Pai Marcelo de Xangô (umbanda), Kunti (Hare Krishna) e Frei Tatá (Igreja Católica). Cada liderança religiosa dirigiu palavras de fé e esperança às famílias, ressaltando a importância da união espiritual e da solidariedade no enfrentamento ao desaparecimento de pessoas. Voz das famílias e avanços institucionais O ato também deu espaço aos familiares, que compartilharam relatos de dor, mas também de resistência e mobilização. Em discurso, a superintendente Jovita Belfort destacou os avanços obtidos a partir das parcerias institucionais. Ela ressaltou a cooperação com a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que, por meio do uso de câmeras de videomonitoramento e tecnologias de atualização de imagens, tem contribuído para a localização de pessoas desaparecidas, inclusive crianças. Para Jovita, a combinação de tecnologia, participação comunitária e redes de acolhimento representa um avanço decisivo na busca por soluções. Participação da sociedade civil O encontro contou ainda com a presença da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) e de organizações da sociedade civil, como a ComCausa – Defesa da Vida, representada pelo seu fundador Adriano Dias, que reforçou a importância de integrar comunicação, políticas públicas e memória na luta contra os desaparecimentos. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 81 mil casos de desaparecimentos em 2024, o equivalente a quatro desaparecimentos por hora — números que evidenciam a urgência do tema e a necessidade de respostas efetivas. Gesto de fé e mobilização A programação na Quinta da Boa Vista foi marcada pela união de esforços: de um lado, a presença do Estado garantindo serviços básicos e cidadania; de outro, o amparo espiritual e a voz das famílias, lembrando que cada desaparecimento é uma ferida aberta que precisa de respostas. O encontro consolidou-se como um gesto de fé, mobilização e compromisso coletivo, reafirmando que o desaparecimento de pessoas é uma grave violação de direitos humanos que exige atuação imediata, políticas públicas permanentes e solidariedade ativa da sociedade. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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