Datas importantes

Tia Ciata: a mãe do samba carioca e símbolo da resistência afro-brasileira

Tia Ciata, nome de destaque na cultura afro-brasileira, é considerada uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do samba carioca. Com uma trajetória marcada pela luta e pela preservação das tradições culturais africanas no Brasil, Tia Ciata é lembrada principalmente como uma das grandes responsáveis pela popularização do samba no início do século XX. Maria Hermínia dos Santos nasceu na Bahia, uma região rica em influências africanas e berço de muitas tradições culturais que mais tarde influenciariam o samba e outras manifestações artísticas. Ainda jovem, Tia Ciata se mudou para o Rio de Janeiro, uma das cidades mais importantes para a comunidade afro-brasileira. Em sua nova casa, ela se tornou uma figura de destaque no cenário cultural, não apenas por sua simpatia, mas por seu conhecimento e domínio sobre as práticas afro-brasileiras, particularmente o candomblé e as tradições da música afro. A Casa de Tia Ciata: O Berço do Samba Tia Ciata é mais conhecida por ser a matriarca de um dos mais importantes centros culturais da época, sua casa, localizada na rua da Saúde, no Rio de Janeiro. Lá, artistas e músicos, principalmente negros, se reuniam para tocar, cantar e praticar suas tradições. Sua casa foi um ponto de encontro para os primeiros sambistas, que começavam a formar o movimento que mais tarde daria origem ao samba carioca. Tia Ciata se envolveu profundamente no apoio aos músicos, oferecendo a eles um espaço onde podiam se expressar sem o temor da repressão social ou racial. Sua casa se tornou, portanto, um ponto de referência para o samba e para a preservação da cultura afro-brasileira. A casa de Tia Ciata também foi onde se originaram algumas das mais importantes canções do samba carioca, com nomes como Donga, Pixinguinha e outros mestres do gênero frequentando o local. O Papel de Tia Ciata no Samba Tia Ciata é frequentemente associada à composição do primeiro samba gravado da história: “Pelo Telefone”, composto por Donga e outros músicos que frequentavam sua casa. Esse samba, gravado em 1917, foi um marco para o gênero e o tornou popular, catapultando o samba para o cenário nacional. Ela foi uma das principais responsáveis pela disseminação do samba e pela valorização da cultura negra no Brasil. Tia Ciata não apenas contribuiu para o surgimento do samba, mas também foi uma das líderes da luta para que o samba fosse reconhecido como uma expressão cultural legítima do Brasil. Religião e Cultura Afro-Brasileira Além de sua influência na música, Tia Ciata também foi uma líder religiosa de candomblé. Ela praticava e difundia a religiosidade afro-brasileira em sua casa, onde realizou diversos rituais de candomblé. Sua dedicação à preservação das tradições africanas, especialmente o candomblé, fez dela uma figura fundamental para a resistência cultural da população negra no Brasil. Legado Tia Ciata deixou um legado inegável no desenvolvimento do samba e da cultura afro-brasileira. Sua casa foi o espaço onde artistas negros se uniram para criar algo novo, mas também preservaram suas raízes culturais. Tia Ciata representa a resistência das mulheres negras que, apesar das dificuldades e discriminação racial e de gênero, foram pioneiras na construção de um movimento cultural que hoje é um dos maiores símbolos de identidade do Brasil. Sua figura continua sendo celebrada, e a cada 15 de março, data de seu nascimento, diversos eventos culturais no Rio de Janeiro e em outras cidades do Brasil a homenageiam, destacando sua importância no cenário musical e cultural brasileiro. Tia Ciata é mais do que uma figura histórica; ela é um ícone de resistência, de cultura e de valorização das tradições africanas que marcaram profundamente a música popular brasileira e a construção da identidade nacional. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Morro do Bumba

Desabamento do Morro do Bumba completa 15 anos

Na madrugada de 7 de abril de 2010, uma das maiores tragédias na história do Rio de Janeiro abalou a cidade de Niterói. O Morro do Bumba, uma comunidade construída sobre um antigo lixão, desabou devido a fortes chuvas que provocaram um deslizamento de terra devastador. O desabamento atingiu cerca de 50 casas, engolindo vidas e histórias. O saldo trágico foi de pelo menos 43 mortes confirmadas, segundo a Prefeitura de Niterói, embora sobreviventes aleguem que o número real de vítimas fatais possa ser ainda maior. Além das mortes, milhares de moradores ficaram desabrigados, e a cidade se viu diante de um imenso desafio humanitário e social. O Morro do Bumba era uma área de ocupação irregular, um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos que vivem em condições precárias no Brasil. Construído sobre um terreno instável, onde antigamente funcionava um lixão, o morro abrigava centenas de famílias que, apesar das condições adversas, tentaram construir suas vidas. O deslizamento, que se deu após dias de chuvas intensas, trouxe à tona as condições de vulnerabilidade de muitas comunidades periféricas em Niterói e em diversas outras regiões do Rio de Janeiro e do Brasil. A tragédia foi um alerta sobre a falta de políticas públicas adequadas para lidar com ocupações irregulares e áreas de risco, além da necessidade urgente de planejamento urbano para proteger as populações mais vulneráveis. Após o desastre, o poder público, tanto municipal quanto estadual, se mobilizou para prestar socorro às vítimas. Medidas emergenciais foram tomadas, como a construção de abrigos provisórios e o fornecimento de alimentos e materiais de higiene. No entanto, as promessas de reassentamento das famílias afetadas, incluindo a oferta de casas através do programa Minha Casa Minha Vida e o pagamento do aluguel social, não se concretizaram de maneira efetiva para todos os afetados. Embora 263 sobreviventes tenham sido realocados em novas moradias, o processo de reassentamento foi lento e falho para muitos. Famílias continuam a esperar por suas casas, uma luta que se arrasta por mais de uma década. Algumas das vítimas, como a cozinheira Jovita Machado, continuam a exigir suas moradias, criticando a demora e a falta de respostas concretas por parte do poder público. A situação dos moradores que foram realocados também não é ideal. Muitos foram transferidos para conjuntos habitacionais distantes, como o Várzea das Moças, a cerca de 15 quilômetros do antigo morro, o que complicou ainda mais a adaptação. Além do custo elevado do IPTU, que muitas famílias não conseguem pagar, os moradores enfrentam problemas de infraestrutura, como a falta de manutenção nas áreas comuns e danos nas redes de esgoto. Além disso, muitos desses novos condomínios estão localizados em bairros considerados mais nobres, onde o custo de vida é muito mais alto, colocando as famílias em uma situação de extrema dificuldade financeira. Apesar de 15 anos passados, a tragédia do Morro do Bumba continua a reverberar na vida de seus sobreviventes. A falta de políticas públicas adequadas para evitar desastres como este e a negligência no reassentamento das vítimas revelam a fragilidade do sistema de habitação e segurança urbana nas áreas mais vulneráveis. O município de Niterói tem investido em medidas de prevenção, como a criação de um centro de monitoramento meteorológico e o uso de tecnologias de alerta e monitoramento, para evitar futuras tragédias. No entanto, o trabalho ainda é insuficiente diante da magnitude da situação. A tragédia do Morro do Bumba é um reflexo das desigualdades sociais no Brasil e uma dura lembrança de que políticas públicas eficazes são fundamentais para garantir segurança e dignidade para todos os cidadãos. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola

Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola

O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, criado em 7 de abril de 2016, foi instituído com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os problemas causados pelo bullying e a violência escolar, além de estimular a reflexão e a busca por soluções para esse problema. A data foi sancionada exatamente no dia do massacre de Realengo, ocorrido cinco anos antes, em 2011, quando um atirador matou 12 crianças em uma escola pública do Rio de Janeiro. A Lei nº 13.277/2016, que instituiu o dia, reforça o apelo por mais empenho nas medidas de conscientização e prevenção ao bullying nas escolas. A plataforma MEC RED (Recursos Educacionais Digitais), do Ministério da Educação, disponibiliza uma vasta gama de materiais educativos para combater o bullying. São mais de 170 recursos, incluindo vídeos, animações e infográficos, que têm como objetivo sensibilizar alunos e educadores. Entre esses recursos, destaca-se o Infográfico Bullying – #ÉdaMinhaConta, que foi desenvolvido com uma linguagem específica para o Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano), e a série de vídeos Cidadão Digital, que aborda o bullying no ambiente digital e explica a importância de se discutir esse tema no contexto escolar. De acordo com a Lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), o bullying é definido como um ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, praticado por um indivíduo ou grupo contra uma pessoa, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la. Essa prática causa dor e angústia à vítima, sendo caracterizada por um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. A Lei estabelece que, para combater o bullying, é necessário capacitar educadores e equipes pedagógicas para implementar ações de prevenção, discussão, orientação e resolução dos casos dentro do ambiente escolar. O DataSenado conduziu uma pesquisa que indica que 33% dos entrevistados associam bullying à violência, evidenciando a necessidade de conscientização sobre a gravidade desse problema. Além disso, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou um aumento de 18,35% nas denúncias de violência escolar em comparação com o ano anterior, totalizando 88.353 violações até novembro de 2024. Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse ambiente hostil tem um impacto negativo no desempenho dos alunos, o que torna ainda mais urgente a implementação de medidas eficazes para combater essa prática. A Lei nº 13.185/2015 também destaca a importância da integração da mídia, escolas e sociedade para a conscientização sobre o bullying, incentivando que casos de bullying sejam relatados e tratados de forma imediata pelas escolas e pelas famílias, como forma de garantir um ambiente escolar mais seguro e saudável para todos os alunos. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Pe. Bruno acervo ComCausa

Memória: Nascimento Padre Bruno que dedicou a vida aos empobrecidos da Baixada

Padre Bruno é de origem italiana, onde também foi ordenado sacerdote. Nasceu em 3 de abril de 1942, na cidade de Fossano, localizada na região do Piemonte. Atendendo a um chamado da Igreja local, veio para o Rio de Janeiro em 1969. Na Arquidiocese do Rio, atuou na comunidade da Vila Aliança, na Zona Oeste da cidade, destacando-se principalmente na luta pelos marginalizados. Lá, incentivou as mulheres de sua paróquia a se organizarem como trabalhadoras domésticas, lutarem por seus direitos — que hoje estão garantidos por lei — e a formarem o sindicato da categoria. Ainda na Arquidiocese do Rio, Padre Bruno criou grupos de estudos bíblicos e de consciência política, o que acabou desagradando Dom Eugênio Sales, então arcebispo. Diante da falta de espaço e das divergências pastorais, transferiu-se para a Diocese de Nova Iguaçu, onde foi acolhido por Dom Adriano Hypólito. Na Diocese de Nova Iguaçu, sua atuação foi ainda mais intensa em favor dos empobrecidos. Adepto da Teologia da Libertação e contemporâneo de Dom Adriano, Padre Bruno contribuiu para a reconstrução das comunidades eclesiais de base, lutou contra a ditadura militar e os grupos de extermínio. Foi um dos principais incentivadores da criação da Pastoral da Juventude, da Pastoral Operária e das Pastorais Sociais, além de apoiar a organização dos Movimentos de Associações de Bairro (MAB), que combatiam os grupos de extermínio na Baixada Fluminense e fortaleciam a articulação popular em defesa da vida e dos direitos. A vinda de Padre Bruno e de outros religiosos para o Brasil foi impulsionada pela nova postura da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II. Ainda na Itália, Padre Bruno relatava como as consequências da ditadura fascista de Mussolini afetaram profundamente os italianos, deixando marcas de morte e pobreza. Ao chegar ao Lote XV, local marcado por altos índices de violência, Padre Bruno reconheceu as semelhanças com os horrores vividos sob o regime fascista e identificou, ali também, os impactos de uma ditadura ainda vigente no Brasil. Na noite de terça-feira, 8 de novembro de 2022, por volta das 18h, Padre Luigi Costanzo Bruno faleceu na Itália, onde estava internado. Sua trajetória permanece como símbolo de fé, coragem e compromisso com os mais pobres e oprimidos. Já atuando no bairro Lote XV, em Belford Roxo, Padre Bruno vivenciou, em 1988, uma das maiores tragédias ocorridas na região: a chacina que brutalmente tirou a vida de três irmãs e de seus pais, no bairro Jardim Amapá, área pertencente à Paróquia São Simão. No dia 3 de maio daquele ano, a família estava em casa quando os assassinos invadiram o local e cometeram o crime com requintes de extrema crueldade. A mãe, Maria das Neves, foi morta a tesouradas, junto com o filho que ainda carregava no ventre. As irmãs Eliete, de 9 anos, Elionete, de 7, e Elizete, de 5, foram violentadas e sufocadas. Após ser obrigado a testemunhar todo o horror, o pai, Sebastião Vidal dos Santos, também foi assassinado. Por fim, os criminosos ainda mataram os passarinhos e destruíram as plantas da casa. Não restou nenhuma vida. Por estar dentro dos limites de sua paróquia, o religioso promoveu ações para que aquele local se tornasse um espaço de memória e resistência — o que hoje se conhece como Comunidade dos Mártires. Padre Bruno contava que, ao entrar no quarto onde o crime havia acontecido, viu uma rosa brotando do concreto, como se Deus dissesse que ali seria lugar de vida — e assim foi. Outro episódio marcante na trajetória de Padre Bruno foi sua atuação após a chamada Chacina da Baixada, ocorrida em 2005, quando homens armados assassinaram 29 pessoas inocentes a sangue frio. Ele contou que Dom Luciano Mendes de Almeida ligou pessoalmente, pedindo que fosse até o local. Ao chegar, encontrou o bispo ajoelhado sobre uma poça de sangue, orando pelas vítimas — uma cena que jamais esqueceu. Padre Bruno será sempre lembrado por sua incansável luta em defesa dos empobrecidos. Dedicou-se com amor às Pastorais Sociais e à Pastoral da Juventude, sendo voz profética diante das injustiças e presença firme nas periferias da Baixada Fluminense. Na noite de terça-feira, 8 de novembro de 2022, por volta das 18h, faleceu, na Itália, onde estava internado, o padre Luigi Constanzo Bruno. Amigos, familiares e a comunidade que tanto o admirava prestaram homenagens a esse homem cuja vida foi inteiramente dedicada ao povo. Abaixo temos um DebatePapo com o Padre Bruno na sede da ComCausa, no dia 2 de dezembro de 2021. Mais notícias: | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe

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Eduardo-de-Jesus-Ferreira

Mamória: 10 anos do caso Eduardo de Jesus

O garoto de 10 anos, Eduardo de Jesus Ferreira, foi vítima de um disparo fatal na cabeça e faleceu em 2 de abril de 2015, à tarde, à porta de sua residência no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Naquele momento, policiais militares estavam sob ataque de suspeitos e retaliando a agressão em uma área conhecida como Areal, parte de uma operação na qual os agentes envolvidos foram posteriormente afastados de suas funções. A investigação sobre a morte de Eduardo revelou que o menino foi atingido por um tiro disparado por policiais durante o tiroteio no Complexo do Alemão. Segundo sua mãe, Terezinha Maria de Jesus, que estava em casa assistindo televisão no momento, Eduardo se dirigiu à porta para falar com os pedreiros que estavam trabalhando lá. Ele estava sentado quando foi atingido por um tiro na cabeça por trás. Devido ao confronto entre os policiais e traficantes, onde o garoto ficou na linha de fogo, as investigações consideraram a ação dos agentes como legítima defesa, resultando na ausência de acusações formais no inquérito encaminhado ao Ministério Público. Após a perda de seu filho, Terezinha Maria de Jesus, a mãe de Eduardo, retornou ao Piauí, sua terra natal, acompanhada de suas filhas, neto e genro. O desfecho do inquérito que investigou a morte do jovem Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, no Complexo do Alemão, foi classificado como uma verdadeira “anomalia”. Após sete meses de diligências, a Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil concluiu que o tiro fatal que tirou a vida da criança, em 2 de abril, partiu de um policial militar durante um confronto na localidade de Areal. Contudo, a unidade especializada não atribuiu a responsabilidade direta pela tragédia a nenhum dos envolvidos. No inquérito recém-finalizado, os soldados Marcus Vinicius Nogueira Bevitori e Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues, lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da região, foram considerados inocentes pela polícia, que alegou que “agiram em legítima defesa e não tinham a intenção de disparar contra a criança”. A DH chegou a descartar o indiciamento dos policiais por homicídio culposo, que ocorre quando não há intenção de matar. MPRJ pede desarquivamento de inquérito sobre morte do menino Eduardo de Jesus No dia 27 de setembro de 2023, um novo capítulo se abriu nessa história trágica. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou o desarquivamento do inquérito policial que investiga a morte de Eduardo de Jesus Ferreira. Essa decisão veio à luz de novas provas, incluindo vídeos gravados no dia do homicídio, indícios de fraude na investigação policial e falhas do promotor original do caso, conforme apontado pela defesa de Terezinha. O advogado João Pedro Accioly, representante legal de Terezinha, esclareceu que o pedido de desarquivamento foi baseado em diversas irregularidades identificadas nas investigações, incluindo falhas no laudo de confronto balístico e a semelhança notável nos depoimentos dos policiais envolvidos. Além disso, o advogado comemorou a inclusão de um segundo policial no caso, que havia sido excluído da primeira denúncia. “Além do policial Rafael de Freitas, que havia sido alvo da primeira denúncia, a decisão do procurador-geral de justiça permite a investigação e a acusação do policial Marcus Bevitori, que havia sido impropriamente excluído da primeira ação penal. Elementos do próprio inquérito levam a crer que Freitas foi o primeiro a disparar, mas Bevitori foi o responsável pelo disparo letal”, explicou. Terezinha, mãe de Eduardo, expressou sua esperança renovada pela busca de justiça após oito anos de luta: “Eu estou me sentindo com uma grande esperança de que agora essa justiça vai ser feita, depois de oito anos de muita luta. Estou com meu coração bem esperançoso. Com Deus na frente tudo vai fluindo. A guerra ainda não ganhei, mas uma batalha eu já venci, graças a Deus”. A saga por justiça continua, e a sociedade espera que o desfecho honre a memória de Eduardo e traga paz à sua família. Em junho de 2024, peritos que participaram da investigação original prestaram novos depoimentos. A família de Eduardo continua buscando justiça pela morte do menino. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Edson Luís estudante assassinado por militares na ditadura

Memória: Edson Luís estudante assassinado que se tornou símbolo da luta contra a ditadura

Edson Luís de Lima Souto era um jovem estudante secundarista, nascido em Belém, no Pará, em 24 de fevereiro de 1950. Filho de uma família humilde, começou seus estudos na Escola Estadual Augusto Meira. Em busca de melhores oportunidades educacionais, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursava o ensino médio no Instituto Cooperativo de Ensino. Como muitos outros estudantes de baixa renda, frequentava o restaurante estudantil Calabouço, que oferecia refeições a preços acessíveis. Na tarde de 28 de março de 1968, um grupo de estudantes se reuniu no Calabouço para protestar contra o aumento no preço das refeições. A manifestação, que inicialmente era pacífica, foi reprimida com violência pela Polícia Militar. Durante a ação, Edson Luís foi baleado no peito por um disparo feito pelo aspirante da PM Aloísio Raposo. O jovem morreu no local, tornando-se uma das primeiras vítimas fatais da repressão estudantil imposta pelo regime militar. A morte de Edson Luís gerou indignação imediata. Temendo que o caso fosse abafado pelas autoridades, estudantes decidiram levar seu corpo em cortejo até a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado publicamente. O assassinato se tornou um marco na resistência contra a ditadura, desencadeando uma onda de manifestações pelo país. Entre os protestos mais emblemáticos esteve a Passeata dos Cem Mil, realizada em junho de 1968, que reuniu uma multidão contra a repressão do governo militar. O legado de Edson Luís permanece vivo na memória coletiva brasileira. Sua história inspirou diversas expressões culturais, como a canção “Menino”, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, e “Coração de Estudante”, também de Milton, que se tornaram símbolos da luta por democracia. Seu nome é lembrado até hoje como um símbolo da resistência estudantil e da luta contra a repressão imposta pela ditadura militar no Brasil. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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