Datas importantes

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Dia do Planeta Terra também conhecido como Dia da Mãe Terra

Celebrado em 22 de abril, o Dia do Planeta Terra — também conhecido como Dia da Mãe Terra — é uma data dedicada à conscientização global sobre a importância de preservar o meio ambiente e adotar práticas sustentáveis. Criado em 1970 nos Estados Unidos, a partir de uma proposta do senador Gaylord Nelson, o dia tornou-se um marco mundial para refletir sobre os impactos da ação humana sobre o planeta e reforçar o compromisso coletivo com a sua proteção. A iniciativa surgiu em um contexto de crescentes preocupações com a poluição e a degradação ambiental provocadas pela industrialização e pela exploração desenfreada dos recursos naturais. Desde então, o 22 de abril passou a mobilizar governos, empresas, organizações e cidadãos de todo o mundo, incentivando debates, ações práticas e políticas públicas voltadas à sustentabilidade. A data ganhou reconhecimento global e foi oficialmente adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mãe Terra. Atualmente, os principais desafios ambientais enfrentados pelo planeta incluem o desmatamento, a crise climática, a poluição atmosférica e hídrica, o descarte incorreto de resíduos e a perda acelerada da biodiversidade. O Dia da Terra se apresenta como um chamado à ação frente a essas ameaças. Práticas como o uso consciente da água e da energia, a redução de plástico descartável, o incentivo à reciclagem, o apoio a fontes de energia renovável e a valorização da agroecologia são passos fundamentais para promover uma convivência mais equilibrada entre os seres humanos e a natureza. Além das reflexões, o dia é marcado por atividades simbólicas e educativas em escolas, comunidades e instituições. Plantio de árvores nativas, campanhas de coleta seletiva, mutirões de limpeza em espaços públicos e até ações artísticas, como murais ecológicos e pinturas infantis sobre o planeta, são algumas das formas de engajar a sociedade. Em algumas localidades, iniciativas como apagar as luzes por um minuto lembram a urgência de repensar nossos hábitos de consumo, evocando eventos como a Hora do Planeta, que promove a mesma proposta no mês de março. Em tempos de pandemia e de intensificação das mudanças climáticas, o Dia do Planeta Terra surge como um lembrete de que proteger a natureza é também cuidar da saúde e da vida — nossa e das próximas gerações. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Memória policial civil Eduardo de Oliveira

Memória: policial civil Eduardo de Oliveira

Na noite de 19 de abril de 2012, uma data que se tornaria inesquecível para a família de Eduardo da Silva Oliveira, o destino se fez presente de maneira violenta e irreversível. Eduardo, um jovem policial civil com apenas 25 anos, recém-lotado na 65ª Delegacia de Polícia (Magé), saiu para cumprir seu dever profissional em uma operação na Rodovia Washington Luiz, situada em Saracuruna, Duque de Caxias. Aquela noite, marcada por incertezas e tensões, terminaria em tragédia. A narrativa inicial, rapidamente divulgada, insistia em apontar uma troca de tiros com supostos assaltantes como o motivo do disparo fatal. Entretanto, já nas primeiras horas seguintes ao ocorrido, as evidências começaram a contradizer os relatos oficiais, revelando uma verdade muito mais complexa e dolorosa para todos os envolvidos. A revelação das perícias O Instituto de Criminalística Carlos Éboli, responsável por analisar os vestígios do caso, elaborou um laudo de necropsia cujas conclusões abalaram a narrativa oficial. De acordo com a perícia, o projétil que tirou a vida de Eduardo percorreu uma trajetória de cima para baixo e se alojou em sua traqueia, indicando claramente que não se tratava de um confronto direto entre policiais e criminosos. A investigação conduziu ao nome de um colega de Eduardo na mesma delegacia: o inspetor Lincoln Vinícius Bastos Vargas, apontado como autor do disparo. Inicialmente classificado como “auto de resistência”, o caso logo se transformou em homicídio após essas informações virem à tona. Ainda assim, surpreendentemente, o Ministério Público optou por denunciar Vargas por homicídio culposo, sob o argumento de “erro de execução”, em vez de homicídio doloso, que exigiria a comprovação de intenção de matar. A sentença final foi considerada leve, ou mesmo benevolente, pela família da vítima: três anos de prestação de serviços comunitários, pagamento mensal de cestas básicas, ressarcimento das custas do processo e a obrigação de participar de um curso de tiro. A dor de uma mãe Para a mãe de Eduardo, Rozemar Oliveira, a decisão judicial funcionou como uma nova forma de violência, talvez mais cruel por ser institucional. Em seu relato emocionado, ela insiste em lembrar que a vida do filho não pode ser resumida a um “erro”. “Não foi um erro. Foi uma vida”, ela repete a quem quiser ouvir. Essa frase ecoa como um grito de alerta, evidenciando que, até o presente momento, não se fez verdadeira justiça. Rozemar, que mal conseguia acreditar nas circunstâncias da morte de Eduardo, viu-se envolta em uma batalha desigual contra as estruturas do Estado, as quais pareciam mais interessadas em defender seus próprios agentes do que em assegurar a responsabilização efetiva pela perda de seu filho. Apesar da imensa dor, Rozemar não permaneceu paralisada pelo luto. Desde os primeiros dias, decidiu acompanhar de perto cada detalhe do inquérito policial e das investigações subsequentes. Em 2012, seu empenho a levou a participar de manifestações simbólicas na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, um espaço público onde pôde denunciar a brutalidade sofrida e pedir atenção ao caso. Além disso, ela foi recebida em Brasília pela Comissão da Pessoa Humana da Secretaria de Direitos Humanos, então chefiada pela ministra Maria do Rosário. Nesse encontro, graças à mediação do governo federal, obteve acesso a imagens das câmeras de segurança da Rodovia Washington Luiz, material que a empresa administradora do trecho se recusava a fornecer. Nesse processo, uma equipe do Centro de Direitos Humanos ComCausa, vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, visitou a família de Eduardo e passou a acompanhar o desenrolar dos fatos, com apoio e solidariedade à busca por justiça. Apoio na Assembleia Legislativa do Rio Paralelamente a essas iniciativas, Rozemar encontrou suporte na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, presidida à época por Marcelo Freixo. Foi nesse ambiente que ela travou contato com Marielle Franco, então assessora parlamentar. Marielle, reconhecida por sua atuação em defesa de direitos e contra a violência institucional, tornou-se uma aliada importante, acompanhando audiências, atos públicos e manifestações que buscavam cobrar esclarecimentos. Em 2018, o brutal assassinato de Marielle foi mais um choque que abalou profundamente quem já enfrentava o peso do abandono estatal e a violência que brota, muitas vezes, de dentro das próprias instituições. Inquérito sem Júri PopularA despeito de todo o esforço, da comoção gerada e dos laudos técnicos que apontavam graves inconsistências na versão oficial, o processo não seguiu para júri popular. A única audiência designada para avaliar o caso foi cancelada, deixando a família de Eduardo num limbo legal, sem perspectivas claras de uma nova oportunidade de julgamento. Passados treze anos desde o ocorrido, o risco de prescrição da pena, que é inferior a quatro anos, cresce de modo significativo, alimentando o temor de que a punição jamais seja concretizada por completo, perpetuando assim o ciclo de impunidade que assola tantos casos similares. O policial permanece na ativa Paradoxalmente, o inspetor Vargas, que foi legalmente apontado como autor do disparo mortal, permaneceu em exercício na Polícia Civil. Documentos administrativos internos da corporação indicam que ele teve pedidos de benefícios aceitos e não há registros de processos disciplinares ativos que resultassem em sua exoneração. Uma decisão judicial chegou a indeferir o pedido de expulsão apresentado pelo Ministério Público, sob o argumento de que a morte de Eduardo “não justificava a perda do cargo”. Essa postura é encarada pela família como uma verdadeira afronta à memória de Eduardo e aos princípios básicos de justiça. “É como se a Justiça exigisse um número maior de mortos para, enfim, agir”, desabafa Rozemar. Antecedentes graves A indignação de Rozemar se intensifica ao relembrar que Vargas chegou a recorrer a Brasília para reverter as sanções, mas não obteve sucesso em sua tentativa. Todavia, mais alarmante ainda é o fato de o inspetor estar envolvido em outro episódio de violência: em 2011, ele havia baleado o adolescente Igor, então com 16 anos, que precisou carregar o projétil nas costas por várias semanas até ser submetido a uma cirurgia. A bala, posteriormente entregue ao Instituto Carlos Éboli, foi identificada como sendo disparada

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Chacina do Borel

Memória: Chacina do Borel

No final da tarde do dia 16 de abril de 2003, quatro jovens foram executados à queima roupa por policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar na favela do Borel, zona norte do Rio de Janeiro. Carlos Alberto da Silva Ferreira, pintor e pedreiro; Carlos Magno de Oliveira Nascimento, estudante; Everson Gonçalves Silote, taxista; e Thiago da Costa Correia da Silva, mecânico, foram assassinados durante uma operação policial do 6º Batalhão de Polícia Militar no morro do Borel, Zona Norte do Rio de Janeiro. Impedidos de se identificarem, foram atingidos na cabeça, tórax, braço e antebraço. O laudo cadavérico atestou uma “alta energia cinética” na saída dos projéteis, o que demonstra que alguns dos disparos foram efetuados à “queima roupa”. Naquela tarde, Thiago foi encontrar Magno, seu amigo de infância, na barbearia que fica na Estrada da Independência, uma das principais vias do morro e por onde é possível transitar de carro. Quando Magno e Thiago saíram do barbeiro, escutaram tiros e correram. Carlos Alberto, o “Carlinhos”, outro morador da comunidade, que tinha acabado de chegar na barbearia, também correu. Os três rapazes atravessaram a via e entraram numa vila bem em frente, a Vila da Preguiça. Ao entrarem na Vila, foram alvejados. Magno, que tinha apenas 18 anos, morreu na hora. Levou seis tiros, três pelas costas e três pela frente. Thiago, que tinha 19 anos, ainda agonizou no chão pedindo socorro e dizendo que era trabalhador. Morreu após levar cinco tiros, quatro pela frente e um pelas costas. Carlinhos tinha 21 anos. Sofreu doze disparos, sete deles pelas costas, além de fratura no antebraço e no fêmur. Cinco dos disparos atingiram a parte interna do seu antebraço direito e mãos direita e esquerda – o que demonstra que tentava se defender dos tiros efetuados contra ele. Outra vítima fatal da operação foi Everson Silote. O taxista voltava para casa a pé quando foi rendido por policiais militares na Estrada da Independência. Como trazia na mão um envelope com todos os seus documentos, tentou se identificar e, por esse motivo, teve seu braço direito quebrado por um golpe do policial. Afirmando ser trabalhador, insistiu em mostrar os documentos, mas foi executado antes de apresentá-los. Everson tinha 26 anos. Levou quatro tiros pela frente e um pelas costas. Nenhum morador conseguiu se aproximar das vítimas, nem mesmo seus familiares, pois os policiais impediam dizendo: “Quer ver? Então vai lá no Andaraí” (referindo-se ao hospital). Os policiais registraram as mortes como “autos de resistência”. No entanto, as investigações do caso, que contaram com perícias realizadas pela Polícia Federal (maio/2003) e pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (junho/2003), acompanhadas pelo Corregedor Geral da Polícia Unificada do Rio de Janeiro, concluíram que os quatro rapazes haviam sido mortos numa emboscada. A indignação uniu toda a favela aos familiares das vítimas. O coletivo das mães se reuniu e decidiu criar o “Movimento Posso me identificar? ”, que no ano seguinte teria como desdobramento a criação da “Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência”. Depois de diversas mobilizações, cinco dos dezesseis policiais envolvidos na chacina foram indiciados por homicídio qualificado. A partir de 2004, tiveram início os julgamentos dos PMs indiciados. Muitos recursos foram utilizados pela defesa dos policiais para adiar audiências, torcer informações ao júri popular e inclusive ANULAR o único julgamento no qual um dos responsáveis pela chacina havia sido condenado. Em abril de 2014, os Desembargadores da Quinta Câmara Criminal determinaram, por unanimidade, que fosse realizado novo julgamento do caso – o documento, assinado pelo desembargador Sergio Verani explicita que “as circunstâncias da ação policial demonstram a necessidade processual e democrática de ser feita, pelo Júri, uma nova avaliação”. Ainda assim, familiares e apoiadores da luta seguem aguardando que seja feita justiça pelos mortos nesta chacina. Os policiais alegaram legítima defesa e o caso foi registrado inicialmente como “auto de resistência”. Testemunhas, familiares das vítimas, e evidências forenses indicavam que se tratavam de execuções extrajudiciais. As investigações concluíram que os quatro jovens foram executados, que os policiais não agiram em legítima defesa e identificou os policiais responsáveis. No entanto, quinze anos depois, ninguém foi responsabilizado. A chacina do Borel ganhou repercussão internacional. Em 2003, a relatora especial da ONU para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Asma Jahangir, esteve na favela para ouvir os relatos dos parentes das vítimas e incluiu o caso no seu relatório sobre sua missão ao Brasil. Ainda no ano de 2003, a secretária-geral da Anistia Internacional, Irene Khan, também visitou o Borel para conversar com os parentes das vítimas. As investigações se arrastaram por muitos anos e, apenas em 2018, o júri popular indicou por 4 votos a 3 que o crime dos policiais seria enquadrado como culposo – sem a intenção de matar. Para os jurados, o sargento Washington Luiz de Oliveira Avelino, o cabo Marcos Duarte Ramalho e o soldado Paulo Marco Rodrigues Emilio cometeram homicídios decorrentes de intervenção policial. Assim, acabaram absolvidos da acusação por crime hediondo por 4 votos a 3. Durante toda a investigação, os depoimentos mudaram diversas vezes, bem como os familiares apontaram erros na condução do processo. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Dom Angélico Sândalo Bernardino símbolo da Igreja comprometida com os direitos humanos

Morre Dom Angélico Sândalo Bernardino símbolo da Igreja comprometida com os direitos humanos

Faleceu nesta terça-feira, 15 de abril de 2025, em São Paulo, aos 92 anos, Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito da Diocese de Blumenau. A notícia foi recebida com grande pesar por comunidades católicas e movimentos sociais de todo o país, que reconhecem nele uma liderança pastoral marcada pelo compromisso com os pobres, a justiça social e os direitos humanos. Nascido em 1933, em Saltinho (SP), Dom Angélico foi ordenado sacerdote em 1959 e nomeado bispo auxiliar de São Paulo em 1974, durante o regime militar. Atuou de forma destacada junto às pastorais sociais, comunidades de base e movimentos populares, sendo uma das vozes mais firmes da ala progressista da Igreja Católica. Em 2000, assumiu como o primeiro bispo da recém-criada Diocese de Blumenau (SC), onde permaneceu até sua aposentadoria em 2009. Mesmo após deixar o governo pastoral da diocese, manteve-se atuante na defesa de causas sociais e democráticas. Em 2022, celebrou o casamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Rosângela da Silva, demonstrando sua proximidade com lideranças populares e seu engajamento nas lutas por um país mais justo. Nota da Diocese de Blumenau Com profundo pesar, a Diocese de Blumenau comunica o falecimento de Dom Angélico Sândalo Bernardino, ocorrido hoje, 15 de abril, às 18h23, na residência do Padre Antônio Leite Barbosa Júnior. Unimo-nos em oração a todos os que partilham deste momento de luto, especialmente aos familiares, amigos e fiéis que caminharam com ele ao longo de sua vida e ministério. Dom Angélico exerceu seu episcopado com dedicação, marcando a história da Igreja no Brasil como bispo auxiliar de São Paulo e como primeiro bispo da Diocese de Blumenau, desde sua criação em 2000. Neste momento, elevamos nossas preces a Deus, com confiança na Sua misericórdia e na promessa da vida eterna. Que o Senhor acolha Dom Angélico em Sua paz e o recompense por todo o bem que realizou ao longo de sua caminhada. “Na casa do Pai há muitas moradas…” (Jo 14,2)Que ele descanse na luz e na paz do Cristo Ressuscitado. Infância e Formação Religiosa Dom Angélico Sândalo Bernardino nasceu em 19 de janeiro de 1933 no então distrito de Saltinho, município de Piracicaba, interior de São Paulo​. Filho de Duilio Bernardino e Catarina Sândalo – ambos descendentes de imigrantes italianos –, ele foi criado em uma família católica numerosa e humilde​. Desde cedo demonstrou inclinação religiosa; aos 11 anos de idade, manifestou o desejo de ser padre, ingressando no seminário ainda adolescente. Dom Angélico estudou Filosofia no Seminário Central do Ipiranga, em São Paulo (1952-1955), e Teologia no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, em Viamão (RS), entre 1956 e 1959​. Além da formação eclesiástica, cursou Jornalismo em Ribeirão Preto (SP), o que lhe proporcionou ferramentas para atuar na comunicação da Igreja​. Essa sólida formação intelectual e pastoral refletiu seu lema de vida, “Deus é Amor”, e fundamentou sua opção pelos pobres e pela justiça social, inspirada pelos ideais do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín​. Ordenação Sacerdotal e Primeiros Anos de Ministério Angélico Sândalo Bernardino foi ordenado sacerdote em 12 de julho de 1959, na cidade de Ribeirão Preto (SP)​. Nos anos seguintes, dedicou-se com entusiasmo ao ministério pastoral naquela região. Exerceu a função de diretor espiritual do seminário diocesano em Brodowski (SP) entre 1961 e 1962, contribuindo para a formação de novos sacerdotes​. Também serviu como cura da Catedral de Ribeirão Preto, coordenador arquidiocesano de pastoral e diretor do jornal Diário de Notícias, onde colocou em prática seus conhecimentos de jornalismo​. Nesse período, atuou intensamente junto a movimentos leigos: foi assistente eclesiástico do Movimento Familiar Cristão, das Equipes de Nossa Senhora e dos Cursilhos de Cristandade, entre outros grupos de apostolado laical​. Tais experiências nos anos iniciais do sacerdócio revelaram seu perfil pastoral agregador e aberto ao diálogo com a sociedade, preparando-o para missões ainda maiores. Bispo Auxiliar de São Paulo Em 12 de dezembro de 1974, durante o pontificado do Papa Paulo VI, Angélico foi nomeado bispo titular de Tambeae e auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Sua ordenação episcopal ocorreu em 25 de janeiro de 1975 – festa da Conversão de São Paulo –, sendo sagrante principal o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo metropolitano de São Paulo​. Como bispo auxiliar, Dom Angélico recebeu sucessivamente a responsabilidade por diferentes regiões episcopais da arquidiocese, incluindo as regiões Belém (zona leste), São Miguel Paulista (extremo leste) e Brasilândia (zona norte) da capital paulista​. Nessa função, destacou-se pela proximidade com as comunidades periféricas e pela defesa dos mais pobres. Dom Paulo Arns confiou a Dom Angélico a coordenação da Pastoral Operária arquidiocesana – o serviço da Igreja junto aos trabalhadores – e o encargo pela Cáritas no Regional Sul-1 da CNBB (estado de São Paulo)​. Paralelamente, Dom Angélico também dirigiu o jornal arquidiocesano O São Paulo, usando os meios de comunicação para dar voz às causas sociais e evangelizar​. Sua atuação firme e carismática logo o tornou um dos principais representantes do setor progressista da Igreja Católica paulistana, alinhado às diretrizes de Dom Paulo Arns em favor da justiça e dos direitos humanos. Defesa dos Direitos Humanos durante a Ditadura Militar Durante os anos de chumbo da ditadura militar brasileira (1964-1985), Dom Angélico teve participação pastoral marcante, tornando-se símbolo da ala progressista da Igreja engajada na defesa dos direitos humanos. Influenciado pela renovação do Concílio Vaticano II e pelo espírito de Medellín, ele assumiu a opção preferencial pelos pobres como princípio de sua missão​. Entusiasta da Teologia da Libertação, enfrentou corajosamente os abusos do regime autoritário. Como bispo auxiliar em São Paulo, mostrou-se solidário aos movimentos sociais e engajou-se em lutas populares, desde campanhas por moradia digna e saúde na periferia da Zona Leste até a organização de greves e sindicatos de trabalhadores​. Dom Angélico esteve ao lado do Cardeal Arns em momentos críticos, como na denúncia da tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975 e do operário Manuel Fiel Filho em 1976, bem como na comoção pelo assassinato do operário metalúrgico Santo Dias em 1979​. Participou ativamente das vigílias e missas em memória desses mártires, consolando suas famílias e exigindo justiça. Nos

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Whellington Braz ComCausa

Memória: Wellington Braz da Silva

No dia 15 de abril de 2013, um trágico episódio de violência chocou a cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Durante o evento Viradão Carioca, realizado no Aeroclube da cidade, o jovem Wellington Braz da Silva foi brutalmente espancado até a morte por um grupo de jovens, evidenciando a escalada da violência juvenil na região. Morador do bairro Moqueta e residente próximo ao local do crime, Wellington tinha sua vida interrompida de forma cruel, em um episódio que marcou profundamente a comunidade local. Segundo relatos de familiares e amigos, tudo aconteceu nos minutos finais do evento. Durante a última música, um grupo de jovens oriundos do bairro Jardim Iguaçu iniciou um ataque contra Wellington e seus amigos, que conseguiram fugir. O jovem, entretanto, escorregou ao tentar escapar e foi alcançado. Ele foi atingido na cabeça e, após cair no chão, foi covardemente espancado com paus e pedras. Testemunhas relataram que os materiais usados na agressão estavam previamente escondidos em um matagal dentro do aeroclube. Embora socorrido e levado ao Hospital da Posse, Wellington não resistiu aos ferimentos. A morte de Wellington é mais do que um caso isolado de violência: ela expõe a lógica perversa das rivalidades entre grupos juvenis, muitas vezes influenciadas pela presença e pela dinâmica das facções criminosas que controlam partes do território da Baixada Fluminense. É um retrato da banalização da vida e da ausência de políticas públicas voltadas à juventude, ao acesso à cultura, ao esporte e à prevenção da violência. Trata-se de um alerta sobre como o ódio e o medo têm se enraizado entre os próprios jovens, em um ciclo de violência que ceifa vidas e destrói famílias. Diante da brutalidade do caso, a organização ComCausa criou, em 2014, o programa Jovem Fica Vivo, com o objetivo de chamar atenção não apenas para a violência institucional praticada pelo Estado contra a juventude, mas também para a violência entre os próprios jovens. A iniciativa busca sensibilizar a sociedade para a urgência da construção de uma cultura de paz, valorizando a vida e promovendo a justiça social. A memória de Wellington segue como símbolo da luta por uma juventude viva, protegida e respeitada. Mais notícias, | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Luna Gonçalves

Memória: Caso Luna Gonçalves uma menina de 11 anos encontrada morta em casa

No dia 14 de abril de 2022, a cidade de Timbó, em Santa Catarina, foi palco de um crime que chocou o Brasil. Luna Gonçalves, uma menina de 11 anos, foi encontrada morta em sua casa, no Bairro Imigrantes, antes mesmo de ser transportada ao Hospital OASE. Inicialmente, a família alegou que a morte ocorrera durante o trajeto ao hospital, mas investigações posteriores revelaram que a criança já estava sem vida quando os serviços de emergência foram acionados. Os primeiros indícios de violência surgiram com o relato de hematomas generalizados no corpo de Luna e sangramento na região genital. A mãe, Bruna Gonçalves, e o padrasto, identificado como Jhonatan Gabryel de Jesus, foram levados à delegacia, mas liberados após afirmarem que a morte fora resultado de uma queda acidental da escada. A versão, porém, desmoronou diante de provas contundentes: exames cadavéricos comprovaram que Luna foi vítima de feminicídio, tortura continuada e estupro de vulnerável, inclusive horas antes de morrer. Em um segundo depoimento, a mãe assumiu a autoria do crime, mas o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) desvendou uma teia de violência sistemática. As investigações apontaram que Luna sofria agressões diárias, incluindo socos, tapas, surras com mangueiras de jardim e ameaças psicológicas, além de cárcere privado. A menina e seus irmãos — uma irmã de seis anos e um bebê de nove meses — viviam isolados do mundo exterior. A mãe justificava a reclusão citando uma suposta síndrome do pânico, que a impedia de sair de casa ou permitir que as crianças brincassem na rua. O MPSC revelou ainda que, após o assassinato em 13 de abril, os acusados apagaram registros de celulares e limparam a residência para ocultar evidências. A mãe chegou a assumir falsamente a culpa pelo feminicídio, numa tentativa de proteger o companheiro. No entanto, laudos periciais confirmaram que Luna foi agredida no rosto, cabeça e tórax, e que o padrasto participou ativamente das violências, incluindo o estupro. Em novembro de 2023, o Tribunal do Júri de Timbó condenou Jhonatan Gabryel de Jesus a 56 anos de prisão pelos crimes de feminicídio, tortura continuada, estupro de vulnerável, cárcere privado e fraude processual. Bruna Gonçalves recebeu pena de 14 anos por tortura continuada e omissão de socorro, mas foi absolvida da acusação de homicídio. Segundo os Promotores de Justiça Alexandre Daura Serratine e Tiago Davi Schmitt, a decisão considerou que a mãe não aplicou o golpe fatal, mas permitiu o ambiente de terror que culminou na morte da filha. O caso expôs falhas cruciais na proteção à criança. Vizinhos relataram nunca ter visto ou ouvido sinais de agressão, mesmo com a família residindo por meses no mesmo local. A invisibilidade de Luna, aprisionada em uma casa transformada em cenário de horrores, tornou-se símbolo de um sistema que falhou em resgatá-la a tempo. A condenação dos réus encerrou um capítulo jurídico, mas deixou perguntas sobre como uma criança pôde ser submetida a tamanha crueldade sem que ninguém interviesse. Para a Justiça catarinense, Luna não foi vítima apenas de seus algozes, mas de uma sociedade que, por silêncio ou indiferença, normalizou o intolerável. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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