Datas importantes

Gabriela-Sou-da-Paz

Memória: Gabriela Sou da Paz

No dia 25 de março de 2003, a estudante Gabriela Prado Maia Ribeiro, de 14 anos, ia pela primeira vez pegar o metrô sozinha, na estação São Francisco Xavier, para saltar uma estação depois, na Saens Pena, quando ficou no meio do fogo cruzado entre um policial e bandidos que assaltavam uma bilheteria. Atingida no lado direito do peito, Gabriela não resistiu e morreu. Na mesma ação, dois policiais ficaram feridos. Quatro bandidos chegaram à estação por volta das 15h30. Dois deles renderam um bilheteiro e dois ficaram na escada, dando cobertura aos cúmplices. Imagens gravadas pelo circuito interno de TV do metrô mostram os dois assaltantes dentro da bilheteria quando o policial civil Renato Lemos Naiff, de Brasília, se aproxima do guichê. Conforme a polícia, ele teria ficado muito tempo observando o movimento dos bandidos, o que provocou a suspeita deles. Um dos assaltantes saiu da cabine, rendeu o policial e o revistou. Quando viu que ele estava com uma arma, o ladrão deu dois tiros em Renato, atingindo-o na região lombar. Em seguida, o detetive Luis Carlos Carvalho, da 17⁠ª. DP (São Cristóvão), que descia a escada de acesso a estação, notou um dos bandidos na cobertura. Quando ele tentou sacar a arma, o assaltante começou a disparar. O detetive, baleado duas vezes, ainda trocou tiros com o criminoso, mas havia outro marginal no alto da escada. Durante o confronto, uma bala perdida atingiu Gabriela, que também descia a escada para entrar na estação, onde havia pânico entre passageiros. Quatro Estações Ficaram Fechadas e a arma do policial não foi encontrada. Após atingida, a estudante chegou a tentar fugir: subiu a escada e caiu na calcada, já do lado de fora. – Ela caiu. Quando eu a segurei, ela ainda estava respirando, mas não respondia – disse a camelô Iradi do Nascimento. Gabriela foi levada para o hospital do Andaraí, mas já chegou morta. Sua mãe, a psicóloga Cleyde do Prado Maia Santiago Ribeiro, esperava-a na Praça Saens Pena e estranhou o atraso. Ao saber do assalto, avisou ao marido, Carlos Ribeiro, que foi a estação, enquanto a mulher seguia para o hospital. Ambos tiveram logo a certeza da morte da filha: ele encontrou os óculos da adolescente na escada e ela recebeu a notícia no Andaraí. Os dois bandidos que estavam na escada de acesso roubaram um Astra e fugiram. Os outros dois fugiram pelas trilhas do metrô. O sistema teve de ser desligado porque os trilhos são energizados e policiais fizeram buscas, mas os marginais escaparam. Devido ao desligamento, as estações Estácio, Afonso Pena, São Francisco Xavier e Saens Pena ficaram fechadas entre 15h43 e 16h25. O policial de Brasília foi operado no hospital do Andaraí. Ferido na perna e no ombro, o detetive da 17⁠ª. DP foi levado para o Prontocor na Tijuca. Ambos não correm risco de vida. Plano Era Fazer Festa de 15 Anos no Mar Gabriela ganhou, ano passado, o prêmio de destaque do Colégio pH, na Tijuca, por ser uma excelente aluna. Seu pai, o psicólogo Carlos Santiago Ribeiro, de 45 anos, neste ano ia atender a um desejo de sua filha: alugar uma escuna para que a filha comemorasse seu aniversário, em 30 de agosto, navegando com a família e amigos em Angra dos Reis. Quando eu entrar em casa e ver as coisas dela, sentir o cheiro dela, não sei o que vai acontecer. Adianta nos queixarmos do governo? Adianta dizer que estamos sitiados e entregues ao crime? Afinal, o que falta para que alguém acabe com esta violência? – disse o pai. Gabriela, filha única, gostava de flores e cristais. Parecia com a mãe, a psicóloga Cleyde Prado Maia Ribeiro, que é espiritualista. Praticava natação e ginástica em uma academia da Tijuca, onde morava. Nos estudos, planejava cursar veterinária. No hospital do Andaraí, a tia de Gabriela, estava revoltada com a falta de segurança: “Pelo amor de Deus, nos salvem desse inferno” Para a mãe, a morte de Gabriela deve servir para que outros jovens não sejam vítimas da violência. Revoltada, ela dizia aos repórteres: “Mostrem tudo porque talvez alguém tome uma providência e jovens não continuem morrendo inutilmente nas mãos de vagabundos.” No Fim da Linha Inaugurado em 1979, o metrô foi durante anos uma ilha de segurança entre os transportes coletivos do Rio. Enquanto o número de assaltos a ônibus aumentava, o metrô garantia uma viagem tranquila a seus passageiros. O quadro, no entanto, vêm mudando nos últimos anos. Somente este mês, foram registrados três ações violentas de bandidos no metrô. No último sábado, bandidos fizeram um arrastão dentro do vagão. Cerca de 50 passageiros que viajavam na Linha 2 foram assaltados. No último dia 8, dois homens assaltaram a bilheteria de Del Castilho. Arnaldo Mourthé, que foi presidente do metrô em duas épocas distintas – antes e depois – acha que dois fatores contribuíram para a mudança do quadro: o aumento da violência em todo o estado e a redução do pessoal, inclusive na área de segurança, adotada pela concessionária. Fonte: Jornal O Globo – Primeiro Caderno em 26/03/2003. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Memória: Gabriela Sou da Paz Read More »

Santo-Oscar-Romero

Dia do Martírio de Santo Oscar Romero

Dom Oscar Romero que foi assassinado a 24 de março de 1980 enquanto celebrava a Missa.Em 1997 Romero foi declarado “Servo de Deus” pelo papa João Paulo II. Em fevereiro de 2015 o papa Francisco aprovou o decreto de beatificação do arcebispo salvadorenho, reconhecendo-o como mártir. A solenidade de beatificação foi realizada no dia 23 de maio de 2015 na capital salvadorenha e presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas estiveram presentes na cerimônia. Oscar Arnulfo Romero nasceu em agosto de 1917 numa família modesta em Ciudad Barrios, em El Salvador. Aos 14 anos, ingressa no seminário, mas seis anos depois afasta-se para ajudar a família que estava com dificuldades. Passa a trabalhar nas minas de ouro com os irmãos. Retoma os estudos e é enviado para Roma para estudar teologia, na Universidade Gregoriana. Romero é ordenado sacerdote em 1942, regressa a El Salvador e assume uma paróquia do interior. Foi depois transferido para a catedral de San Miguel, onde fica por 20 anos. Sacerdote dedicado à oração e à atividade pastoral, dedica-se a obras de caridade, mas sem nenhum particular empenho reconhecidamente social. Em 1970 é nomeado Auxiliar de San Salvador. O Arcebispo Luis Chávez y Gonzalez busca atualizar a linha pastoral de acordo com o Concílio Vaticano II e a Conferência de Medellín. Mas Romero não se identifica integralmente com a linha pastoral proposta. Em 1974 é nomeado bispo da diocese de Santiago de Maria no meio de um contexto político de forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas. No ano seguinte, a Guarda Nacional executa cinco camponeses e D. Romero celebra missa pelas vítimas. Ele não faz uma denúncia explícita do crime, mas escreve uma carta severa ao presidente Molina. Em 1977, D. Óscar Romero é nomeado Arcebispo de San Salvador. Pouco tempo depois, é assassinado o jesuíta padre Rutílio Grande, empenhado na luta do povo e ligado a D. Romero. Esse é o momento em que ele reavalia a sua posição e coloca-se corajosamente junto dos oprimidos, denunciando a repressão, a violência do Estado e a exploração imposta ao povo pela aliança entre os setores político-militares e económicos, apoiada pelos Estados Unidos da América. O Arcebispo denuncia também a violência da guerrilha revolucionária. As suas homilias são transmitidas pela rádio católica dando esperança à população e provocando a fúria dos governantes. Em outubro de 1979, um golpe de Estado depõe o ditador Humberto Romero. Uma junta de civis e militares assume o poder, e nesse cenário, exército e organizações paramilitares assassinam centenas de civis (entre eles sacerdotes). A guerrilha responde com execuções sumárias.Na homília do Sábado de Aleluia, (1979), Dom Romero afirmava: “Graças a Deus, temos páginas do martírio não somente na história do passado, como também na hora presente. Há sacerdotes, religiosos, catequistas, homens humildes do campo assassinados e massacrados que tiveram seus rostos desfeitos e esmagados, foram perseguidos por serem fiéis ao único Deus e Senhor”. E acrescentava: “Tenho sido frequentemente ameaçado de morte. Devo dizer-lhes que como cristão não creio na morte sem ressurreição. Se me matam, ressuscitarei no meu povo salvadorenho. Digo isso sem orgulho, com a maior humildade… Como pastor, estou obrigado a dar a vida por quem amo, que são todos os salvadorenhos, como também aqueles que vão me matar. Se chegarem a cumprir as ameaças, desde agora ofereço a Deus meu sangue pela redenção e ressurreição de El Salvador”. Em fevereiro de 1980, D. Romero escreve ao presidente dos EUA, Jimmy Carter, um apelo para que ele não envie ajuda militar e económica ao governo salvadorenho e para não financiar a repressão ao povo. A 24 de março do mesmo ano, D. Oscar Romero é assassinado por um franco-atirador, enquanto celebrava a missa na capela do Hospital da Divina Providência em S. Salvador. Para inúmeras comunidades cristãs do continente americano, Oscar Romero passou a ser considerado santo desde o dia do seu martírio. Chamam-lhe S. Romero da América Latina pelo seu empenho em favor da paz, sua luta contra a pobreza e a injustiça. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Dia do Martírio de Santo Oscar Romero Read More »

Santo-Oscar-Romero

Dia Internacional do Direito à Verdade sobre as Violações dos Direitos Humanos e pela Dignidade das Vítimas

O Dia Internacional do Direito à Verdade sobre as Violações dos Direitos Humanos e pela Dignidade das Vítimas é comemorado em 24 de março, uma data marcada pela memória do assassinato do arcebispo salvadorenho Óscar Arnulfo Romero, em 1980. Romero se tornou um ícone da luta pelos direitos humanos em El Salvador, destacando-se por sua coragem em denunciar as injustiças sociais e a violência perpetrada pelo governo e outras forças do poder. Seu assassinato enquanto celebrava a Missa tornou-se um símbolo das muitas vítimas da repressão que, como ele, pagaram com a vida por sua busca pela verdade e pela justiça. Por seu compromisso com a dignidade humana, Romero foi beatificado pelo papa Francisco em 2015. A Assembleia Geral das Nações Unidas criou o Dia Internacional do Direito à Verdade em 2010, como uma forma de reconhecer o papel essencial da verdade e da memória na construção de uma cidadania responsável e solidária. O objetivo dessa data é sensibilizar a sociedade global para a importância do direito à verdade, especialmente quando se trata de violações graves de direitos humanos, lembrando sempre das vítimas e da necessidade de justiça. O reconhecimento das atrocidades cometidas ao longo da história e a exigência de reparação e justiça são essenciais para prevenir que tais abusos se repitam no futuro. No Brasil, a data foi oficialmente incorporada ao calendário nacional em 2018 por meio da Lei nº 13.605/18, que busca incentivar reflexões sobre o conhecimento e a conscientização sobre as situações de violações de direitos humanos no país. A legislação brasileira procura garantir que a memória das vítimas seja preservada, reforçando a importância da verdade, da justiça e da reparação. Essa data também serve para lembrar que o direito à verdade é uma ferramenta fundamental na construção de uma sociedade mais justa, que valorize a dignidade humana e a luta contínua pelos direitos dos cidadãos. Além de lembrar as vítimas, o Dia Internacional do Direito à Verdade convida governos, organizações internacionais e a sociedade civil a promoverem iniciativas que defendam a memória dessas pessoas e a necessidade de garantir que as vítimas de violações graves de direitos humanos não sejam esquecidas. É uma oportunidade para reconhecer o trabalho dos defensores dos direitos humanos que, com coragem, enfrentam perseguições e ameaças, e também para promover um diálogo contínuo sobre a justiça e a reparação. O dia reforça a importância de garantir que a verdade seja conhecida, as injustiças sejam corrigidas e as vítimas recebam a dignidade que lhes foi negada. O reconhecimento da verdade é, portanto, um pilar fundamental na construção de uma sociedade mais democrática, solidária e justa, onde os direitos humanos sejam respeitados e onde cada pessoa tenha a oportunidade de viver com dignidade. Mais notícias | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Dia Internacional do Direito à Verdade sobre as Violações dos Direitos Humanos e pela Dignidade das Vítimas Read More »

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

O dia 21 de março foi proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória das 69 pessoas mortas no Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, na África do Sul. Na ocasião, manifestantes protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava cidadãos negros a portarem documentos restritivos sobre seus deslocamentos. O massacre teve grande repercussão internacional e expôs a brutalidade do apartheid, o regime de segregação racial vigente na África do Sul de 1948 a 1991. A repressão violenta contra os manifestantes reforçou a luta global contra a discriminação racial, levando a ONU a estabelecer essa data como um marco para a conscientização e o combate ao racismo em todo o mundo. No Brasil, a Constituição de 1988 avançou nessa luta ao determinar que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, passível de punição severa. Apesar dos avanços legais, a desigualdade racial ainda persiste em diversas áreas, como no mercado de trabalho, na segurança pública e no acesso à educação. O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial reforça a necessidade de políticas públicas eficazes e do engajamento da sociedade para combater o racismo estrutural. A data é um momento de reflexão e mobilização global, incentivando ações concretas para garantir direitos iguais e dignidade para todas as pessoas, independentemente de sua origem racial ou étnica. No Brasil e no mundo, organizações sociais promovem debates, manifestações e eventos educativos para ampliar a conscientização sobre a importância da equidade racial e da justiça social. Massacre de Sharpeville: Um marco na luta contra o apartheid Em 21 de março de 1960, a brutalidade do regime do apartheid na África do Sul foi exposta ao mundo no Massacre de Sharpeville. No bairro negro de Sharpeville, próximo a Johanesburgo, cerca de 20 mil manifestantes se reuniram pacificamente contra a Lei do Passe, um símbolo da segregação racial que obrigava negros a portarem uma caderneta com seus locais de permissão de circulação. A resposta da Polícia Sul-Africana foi implacável: rajadas de metralhadora contra a multidão desarmada. O saldo: 69 mortos e 180 feridos. O massacre de Sharpeville não foi apenas um evento trágico, mas um divisor de águas na luta contra o apartheid. A brutalidade do regime chocou a comunidade internacional e intensificou a pressão pela mudança. Consequências do Massacre: Legado do Massacre de Sharpeville: O Massacre de Sharpeville foi um momento crucial na história da luta contra o apartheid. Sua lembrança nos inspira a continuar lutando por um mundo mais justo e igualitário. Mais notícias | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial Read More »

Escultura no Praça de Volta Redonda - 09 de novembro 1988 ComCausa

CEMESF: um patrimônio da memória, da cidadania e da democracia

O Centro de Memória do Sul Fluminense (CEMESF) Genival Luiz da Silva  é uma instituição de referência no campo da preservação histórica, cultural e social do Brasil. Vinculado ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF), campus Volta Redonda, foi criado em 19 de março de 2015, resultado da mobilização de professores, pesquisadores, estudantes e integrantes da sociedade civil organizada. O CEMESF nasceu para atender a uma demanda antiga por um espaço de memória que fosse democrático, acessível e comprometido com a valorização de vozes e experiências muitas vezes silenciadas nos registros oficiais. Seu objetivo é reunir, organizar e disponibilizar documentos, acervos e testemunhos que traduzem não apenas a trajetória do Sul Fluminense, mas também capítulos centrais da história política, social e cultural brasileira. Missão e objetivos O centro atua de forma estratégica na preservação da memória coletiva. Sua missão envolve estimular pesquisas históricas, apoiar projetos acadêmicos e comunitários, e incentivar a produção de novos estudos. Também se dedica a receber e preservar acervos pessoais e institucionais, assegurando condições adequadas de guarda e acesso público. Entre suas atribuições, destacam-se a organização de documentação relativa à região do Sul Fluminense, abrangendo municípios como Volta Redonda e Barra Mansa, incluindo registros iconográficos, orais e documentais de grande relevância. Paralelamente, promove ações voltadas à memória, à cidadania e aos direitos humanos, consolidando-se como espaço democrático de memória e fortalecendo a valorização de narrativas populares e de grupos historicamente invisibilizados. Acervos preservados O CEMESF guarda acervos de grande importância histórica, que compõem um mosaico das lutas, conquistas e tragédias vividas na região. Entre eles estão documentos pessoais de ativistas, trabalhadores, artistas e lideranças comunitárias, além de acervos institucionais da Câmara Municipal de Volta Redonda, do 1º Batalhão de Infantaria Blindada do Exército e, em especial, da Comissão Municipal da Verdade de Volta Redonda (CMV-VR). Outro destaque é o arquivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que reúne documentação organizada e digitalizada, essencial para compreender o papel central da empresa na formação de Volta Redonda e nas lutas operárias do século XX. O centro também preserva uma vasta produção acadêmica e cultural, resultante de projetos de extensão, seminários, exposições e entrevistas realizadas por docentes e estudantes da UFF. Nesse processo, merece destaque a participação da ComCausa – Defesa da Vida, organização de longa trajetória em direitos humanos na Baixada Fluminense. A entidade acompanhou ativamente os trabalhos da Comissão da Verdade de Volta Redonda, contribuindo para a coleta de depoimentos, para o registro da memória de familiares de perseguidos políticos e para a articulação com movimentos sociais. Essa atuação reforça a dimensão cidadã do acervo hoje preservado no CEMESF. Estrutura e funcionamento Localizado na Rua Desembargador Ellis Hermydio Figueira 783, Bloco A, Sala 209, no bairro Aterrado, em Volta Redonda (RJ), o centro foi projetado para garantir a preservação dos acervos e, ao mesmo tempo, o acesso público às informações. O espaço dispõe de terminais de consulta abertos a pesquisadores e visitantes, além de estações de trabalho dedicadas à catalogação, organização e digitalização de documentos, operadas por bolsistas e voluntários. O funcionamento é viabilizado pelo apoio institucional da UFF e da FAPERJ, por meio de bolsas de iniciação científica e projetos específicos. A gestão é realizada por uma equipe multidisciplinar formada por professores, estudantes, pesquisadores associados e colaboradores voluntários. A coordenação inicial esteve a cargo da antropóloga Ana Paula Poll, que desempenhou papel fundamental na definição das metodologias e linhas de atuação do CEMESF. Importância histórica e social Mais do que um arquivo, o CEMESF é um espaço de memória ativa, cujo papel impacta diretamente a sociedade. Seu acervo da Comissão Municipal da Verdade de Volta Redonda constitui elemento essencial para o reconhecimento das vítimas da ditadura militar e para a consolidação do direito à memória e à verdade. O centro também preserva a memória operária e industrial da “Cidade do Aço”, marcada pela presença da CSN e pelas intensas lutas sindicais que moldaram a identidade local. Além disso, exerce papel relevante na educação cidadã, aproximando a juventude de sua própria história por meio de projetos educativos, visitas guiadas e atividades em escolas. Outro aspecto fundamental é a resistência à invisibilidade, já que o CEMESF amplia o registro de narrativas populares e de comunidades, combatendo a lógica do esquecimento que muitas vezes domina a história oficial. Desafios Apesar de sua relevância, o centro enfrenta desafios permanentes. Entre eles estão a escassez de recursos para conservação e digitalização de documentos, a dependência de bolsas e subsídios vulneráveis a cortes, e a necessidade de maior visibilidade institucional junto ao poder público e à sociedade. Soma-se a isso a urgência em ampliar o acesso físico e digital ao acervo e garantir condições adequadas de preservação, com segurança e controle climático para materiais sensíveis. Projetos e iniciativas Mesmo diante das dificuldades, o CEMESF tem desenvolvido iniciativas de grande impacto. O projeto Memória e Direitos Humanos nas Escolas leva entrevistas e documentos históricos para estudantes, estimulando reflexão crítica sobre democracia e cidadania. Já os seminários regionais “Memória, Trabalho e Direitos Humanos” reúnem pesquisadores, militantes e movimentos sociais para debater a preservação da memória coletiva. Outra frente é a digitalização de documentos da CSN e de arquivos públicos, que garante preservação e acesso ampliado, complementada pelo registro oral e testemunhal de perseguidos políticos da ditadura militar, recuperando histórias de resistência e coragem que inspiram as novas gerações. O CEMESF é um espaço de resistência, cidadania e transformação. Mais do que guardar documentos, integra a história regional à memória nacional, fortalece processos de reparação simbólica e promove o direito de lembrar como instrumento de justiça. Consolidado como patrimônio coletivo do povo brasileiro, o centro preserva a dignidade da memória e contribui para a construção de um futuro fundamentado na justiça, na verdade e na democracia. ServiçoCentro de Memória do Sul Fluminense (CEMESF) Genival Luiz da SilvaUniversidade Federal Fluminense – Campus Volta RedondaRua Des. Ellis Hermydio Figueira, nº 783, Bloco A, Sala 209, Aterrado – Volta Redonda (RJ)CEP 27.213-145 Imagem de capa ilustrativa Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto

CEMESF: um patrimônio da memória, da cidadania e da democracia Read More »

Lara Maria Oliveira Nascimento ComCausa Acolher

Memória: menina Lara Maria de Judiaí

O desaparecimento e assassinato da adolescente Lara Maria Oliveira Nascimento, de apenas 12 anos, em 16 de março de 2022, causou comoção em Campo Limpo Paulista (SP) e em todo o país. Lara saiu de casa para ir a uma padaria próxima e desapareceu. A mobilização pela busca da adolescente envolveu familiares, vizinhos, voluntários, imprensa e autoridades policiais. Três dias depois, seu corpo foi encontrado em uma área de mata a menos de cinco quilômetros da residência da família, com claros sinais de violência. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Lara foi vítima de traumatismo craniano, provocado por ao menos quatro golpes violentos com objeto contundente, possivelmente um martelo ou uma picareta. O corpo apresentava ainda vestígios de cal, substância comumente utilizada em tentativas de acelerar a decomposição. A brutalidade do crime levantou fortes suspeitas de homicídio premeditado, com agravantes de ocultação de cadáver e violência sexual. Investigações e fuga do suspeito As investigações, conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, analisaram mais de 5 mil imagens de câmeras de segurança. O trabalho meticuloso permitiu identificar Wellington Galindo de Queiroz como o principal suspeito. Com extensa ficha criminal — incluindo envolvimento com tráfico de drogas, crimes contra o patrimônio, associação criminosa e receptação — Wellington foi flagrado circulando de carro prata pelas redondezas onde Lara havia sido vista pela última vez. A prisão temporária foi solicitada pela Polícia Civil e decretada em 28 de março de 2022. No entanto, ao ser intimado a comparecer à delegacia, Wellington fugiu, tornando-se foragido da Justiça. Informações indicaram que ele teria se escondido em estados do Nordeste, como Paraíba ou Pernambuco, o que dificultou a sua localização e exigiu articulação entre as forças de segurança estaduais e federais. Prisão em Foz do Iguaçu e tentativa de enganar os policiais A captura do suspeito ocorreu em 21 de março de 2024, após quase dois anos de buscas. A Polícia Federal, com base em denúncias anônimas e informações da inteligência policial, passou a monitorar a presença de Wellington na região da Tríplice Fronteira. No momento da abordagem, registrada em vídeo, os policiais se aproximam de Wellington sob o pretexto de pedir informações. Quando o chamam pelo nome verdadeiro, ele tenta se passar por outro indivíduo, identificando-se como “Diego Rodrigues Alves”, afirmando estar sem documentos e dizendo que trabalhava como eletricista em obras residenciais na região. Alegou morar em Foz do Iguaçu há cerca de um ano e três meses e declarou ser natural da Bahia. A tentativa de enganar os agentes não surtiu efeito. Ao ser confrontado, Wellington acabou confessando sua verdadeira identidade. Ele foi preso e conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Além do mandado de prisão por homicídio qualificado e estupro de vulnerável em outro caso, também pesava contra ele uma ordem de prisão expedida pela Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça de Pernambuco, por porte ilegal de arma de fogo. O nome de Wellington constava na lista de procurados da Interpol e ele era monitorado tanto pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí quanto pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Polícia Federal. Dor e resistência: a luta da família Nascimento Desde a tragédia, a família de Lara tem enfrentado dificuldades emocionais e financeiras. A mãe, Luana Nascimento, que atuava na produção e venda de bolos e doces para eventos, relata não conseguir retornar ao trabalho por conta das lembranças dolorosas que os utensílios de cozinha lhe trazem. O pai da adolescente também precisou se afastar do emprego por problemas de saúde decorrentes do luto. Com outras duas filhas pequenas, o casal depende da ajuda de amigos e considera se mudar da casa onde viveram por quase seis anos com Lara. Apoio do programa ACOLHER da ComCausa A ComCausa foi acionada por indicação de outro familiar de vítima de violência e entrou em contato direto com os pais de Lara Maria Oliveira Nascimento, colocando-se à disposição para contribuir no que fosse possível por meio do Programa ACOLHER — iniciativa dedicada ao acompanhamento de famílias que enfrentam a dor e as consequências da violência. A proposta do ACOLHER é atuar de forma efetiva nas etapas do processo, oferecendo suporte emocional e institucional, além de promover articulações com a imprensa, movimentos sociais e autoridades públicas, para garantir que a dor dessas famílias não seja invisibilizada. O caso de Lara reforça a urgência da mobilização social e da presença ativa da sociedade civil na luta por justiça e na proteção das infâncias. Para a ComCausa, ações como essa são essenciais para assegurar que a voz da família seja ouvida e respeitada, que a verdade dos fatos seja revelada com transparência e que a justiça seja, finalmente, cumprida. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

Memória: menina Lara Maria de Judiaí Read More »