João Oscar

Parque municipal de Nova Iguaçu

Reunião na Secretaria de Meio Ambiente de Nova Iguaçu busca fortalece cooperação para educação ambiental

Na manhã desta sexta-feira (05/09), foi realizada uma importante reunião entre a ComCausa – Defesa da Vida e a equipe da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (SEMAM) de Nova Iguaçu. O encontro teve como principal objetivo aprofundar o diálogo institucional e alinhar estratégias conjuntas voltadas à educação ambiental, ao manejo de resíduos sólidos e à prevenção de desastres naturais em áreas urbanas da cidade. A articulação, que representa um passo decisivo para a formalização de um termo de cooperação técnica, busca estabelecer um vínculo permanente entre o poder público municipal e a sociedade civil organizada, abrindo caminhos para o desenvolvimento de projetos integrados que promovam a conscientização socioambiental e a defesa do território. Participaram do encontro a fundador da ComCausa, Adriano Dias, os subsecretários da SEMAM, Edgar Martins e Gustavo Santana, além de Adriana Willian Carmo dos Santos, responsável pelas ações de educação ambiental da pasta. O clima da reunião foi de abertura, comprometimento e alinhamento de propósitos, refletindo a convergência entre políticas públicas e iniciativas comunitárias com foco na sustentabilidade e na justiça socioambiental. Educação ambiental como eixo estruturante da cidadania Durante a reunião, foi destacada a necessidade de avançar na implementação de ações de educação ambiental como política transversal, conectando escolas públicas, associações de bairro, coletivos culturais, instituições religiosas e movimentos sociais em torno da construção de uma nova cultura urbana baseada na responsabilidade ecológica, no cuidado com o lixo doméstico e no uso consciente dos recursos naturais. A proposta envolve a criação de módulos educativos, vivências comunitárias, produção de materiais didáticos e campanhas públicas, com ênfase nas juventudes e nos territórios mais vulnerabilizados. A educação ambiental, nesses moldes, deixa de ser um conceito abstrato para se tornar uma ferramenta prática e cotidiana de transformação da realidade. Também foi abordada a urgência de se atuar sobre os impactos causados pelo descarte inadequado de resíduos sólidos – tema especialmente sensível em Nova Iguaçu, onde o crescimento urbano desordenado e a ausência de infraestrutura em algumas regiões acentuam os riscos de alagamentos e doenças. Reconhecimento do patrimônio ambiental e fortalecimento da identidade territorial Um dos pontos altos do encontro foi o reconhecimento mútuo da importância de valorizar o patrimônio ambiental como expressão da identidade e da memória da cidade. Nova Iguaçu abriga ecossistemas de relevância nacional e internacional, como a Reserva Biológica do Tinguá, considerada uma das áreas de maior biodiversidade da Mata Atlântica, além de abrigar uma complexa rede de nascentes, córregos e rios que desempenham papel vital no equilíbrio hídrico da Baixada Fluminense. Foram destacadas ainda as áreas de amortecimento e corredores ecológicos urbanos, como os fragmentos de floresta nos bairros periféricos, os parques naturais, trilhas ecológicas, terrenos de uso comum e espaços públicos verdes que compõem o chamado “mosaico ambiental de Nova Iguaçu”. A proposta da ComCausa visa integrar ações de comunicação popular, educação ambiental, recuperação de áreas degradadas e estímulo ao sentimento de pertencimento da população com seus territórios, unindo ecologia, cultura e memória. Caminho para resultados concretos e políticas duradouras A Secretaria manifestou grande receptividade à proposta, demonstrando disposição para avançar rapidamente na construção do termo de cooperação, com previsão de início de ações-piloto ainda neste segundo semestre. O entendimento comum é de que, diante da emergência climática, da vulnerabilidade social e dos desafios urbanos enfrentados pela cidade, é fundamental somar esforços, ampliar parcerias e garantir que a sustentabilidade ambiental não seja apenas um discurso, mas uma política pública eficaz e contínua. A ComCausa, por sua vez, reafirmou seu compromisso com a cidade de Nova Iguaçu e com a população da Baixada Fluminense, colocando à disposição sua experiência em comunicação popular, mobilização comunitária e articulação intersetorial. A expectativa é que a parceria contribua não apenas para a proteção do meio ambiente, mas também para o fortalecimento da democracia territorial, da participação cidadã e da promoção de uma cultura de paz e cuidado com a vida. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Saúde, médico

Dia Mundial da Saúde Sexual reforça importância do cuidado integral e destaca ações na Baixada Fluminense

Celebrado anualmente em 4 de setembro, o Dia Mundial da Saúde Sexual é uma data dedicada à promoção do bem-estar físico, emocional, mental e social relacionado à sexualidade. Mais do que uma campanha informativa, trata-se de uma mobilização global em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos como parte fundamental da saúde e da dignidade humana. A data foi instituída em 2010 pela Organização Mundial da Saúde Sexual (WAS, na sigla em inglês), entidade internacional que atua na defesa da saúde sexual como um direito humano básico e universal. Desde então, o dia 4 de setembro passou a ser marcado por eventos, debates, ações educativas e campanhas de conscientização em diversas partes do mundo. A saúde sexual, segundo a própria WAS, vai além da ausência de doenças. Ela envolve o respeito ao corpo, à identidade, aos desejos e à autonomia de cada indivíduo, além do acesso a informações seguras, a serviços de saúde de qualidade e a ambientes livres de discriminação e violência. No Brasil, esse debate ganha contornos ainda mais urgentes diante da desigualdade social, da violência de gênero, do preconceito contra populações LGBTQIAPN+, da precarização dos serviços de saúde pública e da desinformação que ainda atinge amplas parcelas da população. Na Baixada Fluminense, região marcada por vulnerabilidades históricas, a promoção da saúde sexual enfrenta obstáculos adicionais relacionados à falta de acesso, estigmas culturais e ausência de políticas públicas permanentes. ComuniSaúde: comunicação e cuidado no território Nesse contexto, destaca-se o Projeto ComuniSaúde, realizado pela ComCausa – Defesa da Vida, organização que atua há décadas na articulação de ações em defesa dos direitos humanos, especialmente nas periferias da Baixada Fluminense. O ComuniSaúde foi idealizado com o objetivo de promover a saúde integral nas favelas e comunidades populares, conectando temas como atenção básica, saúde mental, sexualidade, autocuidado e construção de redes de apoio comunitário. A iniciativa aposta na comunicação popular e na escuta ativa como estratégias centrais para fortalecer a relação entre moradores e os serviços públicos de saúde. Por meio de rodas de conversa, oficinas, campanhas de prevenção e ações em parceria com lideranças locais, o projeto atua para combater o estigma em torno da sexualidade, informar sobre direitos e ampliar o acesso à atenção primária, especialmente entre mulheres, adolescentes, população negra e LGBTQIAPN+. A partir da escuta da comunidade, o ComuniSaúde trabalha também para identificar barreiras no acesso aos serviços de saúde, como a falta de informação sobre onde buscar atendimento, o preconceito institucional, a ausência de protocolos específicos para populações vulneráveis e a escassez de ações voltadas à saúde mental em territórios periféricos. Saúde sexual é direito, não privilégio Ao lembrar o Dia Mundial da Saúde Sexual, a ComCausa reafirma que sexualidade não deve ser tratada como tabu ou campo de violência, mas como dimensão essencial do cuidado e da liberdade humana. A luta pelo direito ao prazer, à informação e à proteção é também uma luta por justiça social. Por isso, o projeto atua de forma contínua para que a saúde sexual e reprodutiva seja reconhecida e garantida como política pública permanente, com base no respeito, na escuta, no acolhimento e na valorização das múltiplas formas de viver e amar. A promoção da saúde sexual nas periferias, como defende o ComuniSaúde, passa por reconhecer os corpos e vozes que historicamente foram silenciados. Trata-se de transformar o cuidado em ação concreta, nos postos de saúde, nas escolas, nas ruas e nas redes, com informação segura, acesso garantido e afeto como ferramenta política. Em tempos de retrocessos e desinformação, iniciativas como o ComuniSaúde reafirmam que toda vida importa, todo corpo merece respeito, e toda comunidade tem direito à saúde digna, integral e sem discriminação. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. 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Setembro Amarelo

Setembro Amarelo

O mês de setembro é marcado pelo movimento internacional conhecido como “Setembro Amarelo”, dedicado à conscientização e prevenção do suicídio. No entanto, você sabia que esse importante movimento teve início nos Estados Unidos, em 1994, quando um jovem chamado Mike Emme, apelidado de “Mustang Mike”, cometeu suicídio? Mike Emme era um talentoso jovem de 17 anos que ficou conhecido por restaurar um icônico automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Seu trabalho minucioso e apaixonado lhe rendeu o apelido que o tornaria conhecido. No entanto, por trás dessa fachada de habilidades e paixões, Mike enfrentava sérios problemas psicológicos, que nem seus pais nem seus amigos conseguiram identificar a tempo de evitar sua tragédia pessoal. Foi durante o doloroso velório de Mike Emme que uma iniciativa comovente de prevenção ao suicídio começou a tomar forma. Uma cesta foi colocada no local, repleta de cartões decorados com fitas amarelas, cada um deles trazendo a mensagem poderosa: “Se você precisar, peça ajuda.”. Esses cartões, criados como uma homenagem a Mike, acabaram por se tornar o estopim para um movimento internacional de conscientização e prevenção ao suicídio. A mensagem presente nos cartões chegou às mãos de pessoas que realmente precisavam de apoio e incentivou diálogos sobre saúde mental e a importância de buscar ajuda quando necessário. Em decorrência dessa triste história, o laço amarelo foi adotado como símbolo da luta contra o suicídio em todo o mundo. Todas as pessoas podem ajudar Neste mês de campanha, é primordial ter em mente que, caso você ou alguém que faça parte do seu círculo esteja enfrentando dificuldades sérias ou pensando em suicídio, buscar auxílio é de importância vital. O acompanhamento por um profissional de psicologia, juntamente com o apoio da família e dos amigos, desempenha um papel de grande relevância tanto na recuperação quanto na prevenção dessas situações. Uma importante organização que oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio é o Centro de Valorização à Vida (CVV). O CVV presta assistência voluntária e gratuita através de telefone, e-mail e chat 24 horas por dia, todos os dias da semana. Mais importante ainda, o serviço é sigiloso, garantindo que os indivíduos possam falar abertamente sobre seus sentimentos e dificuldades. Se você ou alguém que você conhece está precisando de ajuda, não hesite em entrar em contato com o CVV através do site www.cvv.org.br. A prevenção ao suicídio é uma responsabilidade de todos nós, e é fundamental estender a mão para aqueles que precisam de apoio. O Setembro Amarelo nos lembra da importância dessa missão, em memória de Mike Emme e de todas as vidas que foram perdidas para o suicídio. Mike era um rapaz de 17 anos muito habilidoso que restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como “Mustang Mike”. Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte. No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem “Se você precisar, peça ajuda.”. A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio. Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo. Se pensar em suicídio busque ajuda É importante que as pessoas que estejam passando por momentos de crise busquem ajuda. O ideal é um acompanhamento psicológico, além do apoio da família e dos amigos. Para isso, é essencial que as pessoas consigam falar sobre o que sentem. Se você estiver com sérios problemas e chegar a considerar o suicídio, pode procurar ajuda entrando em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV). Esse é um projeto que fornece apoio emocional e prevenção do suicídio. Através de telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias da semana, eles atendem de forma voluntária e gratuita todos que precisam conversar. O serviço é totalmente sigiloso. O site do CVV é www.cvv.org.br | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Jovita Belford no Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas tem ato ecumênico e ação social na Quinta da Boa Vista - Arquivo ComCausa

Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas tem ato ecumênico e ação social na Quinta da Boa Vista

O Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas,  foi marcado por uma ampla programação na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, reunindo famílias, organizações da sociedade civil, órgãos públicos e lideranças religiosas. A iniciativa foi dividida em duas frentes principais: uma ação social promovida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e um ato ecumênico organizado pela Superintendência de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas e Acesso à Documentação Básica, vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH). O Governo do Estado promoveu uma ação social integrada, oferecendo à população serviços de emissão de documentação básica, orientações sobre programas sociais, encaminhamentos de saúde e assistência jurídica. A iniciativa contou com o apoio da Defensoria Pública e do Tribunal de Justiça, garantindo acesso imediato a serviços essenciais e ampliando o alcance das políticas públicas voltadas para a cidadania. Encontro de fé e solidariedade Em paralelo, a Superintendência realizou um ato ecumênico que reuniu familiares de pessoas desaparecidas e representantes de diferentes tradições religiosas, reforçando o caráter de acolhimento, memória e mobilização coletiva da data. A mesa inter-religiosa contou com a presença de Pastor Carlos (tradição evangélica), Graça Amora (espiritismo), Pai Marcelo de Xangô (umbanda), Kunti (Hare Krishna) e Frei Tatá (Igreja Católica). Cada liderança religiosa dirigiu palavras de fé e esperança às famílias, ressaltando a importância da união espiritual e da solidariedade no enfrentamento ao desaparecimento de pessoas. Voz das famílias e avanços institucionais O ato também deu espaço aos familiares, que compartilharam relatos de dor, mas também de resistência e mobilização. Em discurso, a superintendente Jovita Belfort destacou os avanços obtidos a partir das parcerias institucionais. Ela ressaltou a cooperação com a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que, por meio do uso de câmeras de videomonitoramento e tecnologias de atualização de imagens, tem contribuído para a localização de pessoas desaparecidas, inclusive crianças. Para Jovita, a combinação de tecnologia, participação comunitária e redes de acolhimento representa um avanço decisivo na busca por soluções. Participação da sociedade civil O encontro contou ainda com a presença da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) e de organizações da sociedade civil, como a ComCausa – Defesa da Vida, representada pelo seu fundador Adriano Dias, que reforçou a importância de integrar comunicação, políticas públicas e memória na luta contra os desaparecimentos. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 81 mil casos de desaparecimentos em 2024, o equivalente a quatro desaparecimentos por hora — números que evidenciam a urgência do tema e a necessidade de respostas efetivas. Gesto de fé e mobilização A programação na Quinta da Boa Vista foi marcada pela união de esforços: de um lado, a presença do Estado garantindo serviços básicos e cidadania; de outro, o amparo espiritual e a voz das famílias, lembrando que cada desaparecimento é uma ferida aberta que precisa de respostas. O encontro consolidou-se como um gesto de fé, mobilização e compromisso coletivo, reafirmando que o desaparecimento de pessoas é uma grave violação de direitos humanos que exige atuação imediata, políticas públicas permanentes e solidariedade ativa da sociedade. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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Chacina-de-Vigario-Geral-Corpos-de-moradores-mortos-por-policiais-em-1993-—-Foto-Marcia-FolettoAgencia-O-GLOBO

Memória: Chacina de Vigário Geral

Na noite de 28 de agosto de 1993, durante a madrugada de domingo, um grupo de policiais militares se encontrava na Praça do Catolé do Rocha, a cerca de 200 metros da favela de Vigário Geral, preparados para extorquir o grupo criminoso que controlava o tráfico na região. Havia informações de que uma carga de cocaína de 67 kg seria entregue aos traficantes naquela noite. Por volta das 9 horas da noite, quatro dos policiais foram mortos, já com o dinheiro em mãos, ao entrarem no carro da polícia e serem alvejados por disparos de arma de fogo. Flávio Pires da Silva, conhecido como Flávio Negão na época, com 24 anos, era o chefe do tráfico de drogas em Vigário Geral e liderou o ataque que resultou na morte dos policiais José Santana, Luis Mendonça, Irapuan Caetano e do Sargento Aílton Ferreira dos Santos, que caiu para fora da viatura. O sargento era considerado um dos líderes do grupo conhecido como “Cavalos Corredores” do 9º Batalhão da Polícia Militar, localizado em Rocha Miranda. O criminoso utilizou um fuzil AR-15, considerado um artigo de luxo naquela época entre os traficantes, e teria atraído os policiais para uma emboscada, modificando a rota de chegada da droga na favela. O atentado também teria sido motivado pela morte, no ano anterior, de um irmão do traficante, que foi assassinado pela Polícia Militar. Represaria pelos assassinatos Após os assassinatos, a vingança começou a ser planejada durante o enterro do Sargento Ailton. Policiais, ex-policiais, bombeiros e informantes se uniram para realizar um ataque no dia seguinte, em 29 de agosto. Mais de cinquenta homens encapuzados iniciaram o ataque por volta das 23 horas. Na comunidade, havia um clima de apreensão após o atentado, mas, por outro lado, a vitória do jogo da seleção brasileira, que garantiu a classificação para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, trouxe uma sensação de normalidade. Assim, após o jogo, muitos moradores foram dormir e outros saíram para comemorar. Os membros do grupo de extermínio se dividiram em três. Cinco homens passaram pela Praça Córsega em um Santana verde metálico e mataram um rapaz que estava em uma motocicleta, identificado como Fábio. Em seguida, incendiaram a moto e se encontraram com outros indivíduos na Praça do Catolé do Rocha, onde os policiais haviam sido mortos na noite anterior. No local, incendiaram também cinco trailers que vendiam cachorro-quente e refrigerantes. Em seguida, os homens encapuzados, armados com metralhadoras, fuzis e granadas, adentraram a favela pela Rua Antônio Mendes, em frente à passarela sobre a linha do trem que a conecta à Parada de Lucas. Curiosamente, naquela noite, não havia uma Guarnição do BOPE como era de costume. Um dos grupos entrou no Bar do Caroço, de propriedade do aposentado Joacir, na Rua Antônio Mendes, interrompendo a euforia dos presentes pela vitória da seleção. Eles exigiram documentos dos presentes, mas, mesmo com todos apresentando, saíram do local, lançaram uma bomba dentro do bar e começaram a atirar. Joacir foi atingido e faleceu imediatamente. O serralheiro José dos Santos também morreu no balcão, o enfermeiro Guaracy caiu no salão, o ferroviário Adalberto e o metalúrgico Cláudio foram mortos no depósito, e Paulo César foi assassinado em um corredor sem saída. O motorista Paulo Roberto cambaleou e caiu morto no banheiro, em cima do eletricista Jady, que foi atingido no peito, mas sobreviveu. Ubirajara levou um tiro na coxa, assim como Jady, fingiu-se de morto e conseguiu sobreviver. Na casa 13 da Rua Antônio Mendes, oito pessoas da mesma família foram mortos. Era quase meia-noite quando o grupo atravessou a rua e invadiu uma casa, que posteriormente ficou conhecida como “Casa da Paz”. Naquela residência vivia uma família que havia chegado da igreja poucos minutos antes. Pertencia ao vigia Gilberto e sua esposa Jane, que estavam dormindo abraçados com a nora Rúbia e as filhas Lúcia e Lucinéia, no quarto, quando foram despertados pelo som das explosões e dos tiros. Na sala, outros filhos do casal dormiam no sofá. Luciano implorou para não ser morto, alegando ser trabalhador, mas lhe pediram os documentos, ele mostrou e, em seguida, foi executado. Lucinete tombou perto da porta da casa, e Luciene foi estuprada antes de morrer. Na casa havia quatro crianças, uma delas era Núbia, neta de Gilberto e Jane, com dez anos na época. Os assassinos seguiram percorrendo ruas e becos, executando qualquer pessoa que encontrassem pela frente. O gráfico Cleber estava a caminho de casa, lhe pediram os documentos, ele mostrou e foi morto. Em seguida, mataram Hélio, um metalúrgico desempregado. O mecânico Edmilson, sua esposa e suas duas filhas estavam voltando da casa da mãe dele, onde haviam pegado uma marmita para o dia seguinte, pois o gás havia acabado. Ao entrarem em casa, os policiais o chamaram, ele se aproximou e foi imediatamente morto. Ao todo, foram 21 mortos sem antecedentes criminais ou qualquer ligação com o tráfico de drogas. Entre as vítimas estavam o estudante Fábio Pinheiro Lau, de 17 anos, o metalúrgico Hélio de Souza Santos, de 38 anos, Joacir Medeiros, de 69 anos, o enfermeiro Guaracy Rodrigues, de 33 anos, o serralheiro José dos Santos, de 47 anos, Paulo Roberto Ferreira, de 44 anos, motorista, o ferroviário Adalberto de Souza, de 40 anos, o metalúrgico Cláudio Feliciano, de 28 anos, Paulo César Soares, de 35 anos, o gráfico Cléber Alves, de 23 anos, Clodoaldo Pereira, de 21 anos, Amarildo Baiense, de 31 anos, o mecânico Edmilson Costa, de 23 anos, o vigia Gilberto Cardoso dos Santos, de 61 anos, o casal Luciano e Lucinéia, de 24 e 23 anos, respectivamente. Também foram executados Dona Jane, de 58 anos, sua nora Rúbia, de 18 anos, o marido e a filha Lúcia, de 33 anos. No local, perderam a vida também Luciene, prestes a completar 16 anos, e Lucinete, de 27 anos. O dia seguinte da chacina No dia seguinte, a atrocidade foi exposta, causando revolta entre os moradores. Armados com paus e pedras, eles impediram a entrada dos policiais na

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Violência - Criança - Mulher

Projeto ComuniSaúde conscientiza sobre saúde e combate à desnutrição na Baixada Fluminense

A ComCausa lançou o Projeto ComuniSaúde para ampliar o acesso ao atendimento básico, fortalecer a saúde mental e incentivar redes comunitárias nas favelas da Baixada Fluminense. A iniciativa ganha ainda mais relevância neste Dia de Combate à Desnutrição, que alerta para um problema de saúde global que atinge milhões de pessoas, sobretudo em comunidades de baixa renda. A desnutrição ocorre quando o corpo não recebe nutrientes essenciais em quantidade suficiente para manter suas funções normais. O problema pode se apresentar de diferentes formas. A desnutrição aguda é marcada pela rápida perda de peso, oferecendo grande risco para crianças pequenas. Já a desnutrição crônica compromete o crescimento e o desenvolvimento ao longo do tempo. Outro desafio é a deficiência de micronutrientes, chamada de “fome oculta”, quando há falta de vitaminas e minerais, comprometendo a saúde a longo prazo. O Dia de Combate à Desnutrição reforça a importância de garantir acesso a alimentos nutritivos, além de educação sobre dietas balanceadas e serviços de saúde. Diversas organizações em todo o mundo promovem campanhas, palestras e ações sociais para conscientizar a população e estimular políticas públicas voltadas à redução dos índices de desnutrição. No Brasil, a desigualdade social e a insegurança alimentar tornam o tema ainda mais urgente. A fome e a má alimentação estão diretamente ligadas à falta de recursos, ao acesso limitado a alimentos saudáveis e ao déficit de políticas de saúde adequadas. Nesse cenário, o Projeto ComuniSaúde atua na base, levando informação, acolhimento e práticas comunitárias de prevenção. O programa também busca valorizar a saúde mental, muitas vezes fragilizada em territórios vulneráveis, e criar redes de solidariedade entre os moradores. Ao promover palestras, rodas de conversa e oficinas, a ComCausa reforça a ideia de que combater a desnutrição vai além de garantir comida: envolve educação, dignidade e fortalecimento da vida comunitária. Com essa proposta, o ComuniSaúde reafirma o compromisso da ComCausa com a defesa da vida, oferecendo às comunidades da Baixada Fluminense ferramentas para enfrentar problemas estruturais que afetam gerações e fortalecendo a consciência coletiva sobre a importância da nutrição e do cuidado integral. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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