Adriano Dias

Vila Mimosa - Arquivo ComCausa

Vila Mimosa recebe ações do poder público e parceria com instituições

Nesta semana, a Associação de Moradores e Amigos da Vila Mimosa se reuniu com representantes da ComCausa para fortalecer a parceria no âmbito do projeto 146 Favelas, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O encontro teve como objetivo alinhar novas ações voltadas para a promoção da inclusão social, do acesso a políticas públicas e da valorização da comunicação cidadã na região. Como primeira atividade conjunta, a comunidade receberá, na próxima terça-feira, 17 de junho de 2025, da ação do CadMóvel Carioca — unidade itinerante da Prefeitura do Rio de Janeiro que oferece atendimento para inscrição e atualização no Cadastro Único (CadÚnico). O atendimento será realizado a partir das 10h, na Rua Ceará, nº 268 – Praça da Bandeira, com distribuição de 150 senhas por ordem de chegada. A ComCausa estará presente orientando os atendimentos, garantindo o apoio às famílias da Vila Mimosa durante todo o processo de cadastramento. Para ser atendido, é necessário apresentar a documentação original, incluindo: Oficina de comunicação comunitária Já na quinta-feira, 19 de junho, a programação segue com a realização de uma oficina de comunicação comunitária, promovida pelo Ponto de Cultura Comunicando ComCausa, na sede da associação, a partir das 14h. A oficina é aberta ao público e abordará temas como: A proposta é estimular a autonomia comunicativa dos moradores, sobretudo da juventude local, promovendo a produção de conteúdos próprios, a apropriação das tecnologias e a valorização da comunicação como instrumento de transformação social e defesa de direitos. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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trabalho sexual e dignidade ComCausa Vila Mimosa

ComCausa participou de evento na Vila Mimosa e reforça a defesa da dignidade das trabalhadoras sexuais

No dia 6 de junho, a ComCausa Defesa da Vida esteve presente no “Puta Day – Internacional da Cor de Puta”, realizado na histórica Vila Mimosa. A iniciativa foi promovida pela Associação de Moradores e Amigos da Vila Mimosa. Ambas as insituições integram a rede 146 x Favela, articulada no âmbito do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, coordenado pela Fiocruz e Fiotec. Sob a liderança da incansável Cleide Almeida, da Associação da Vila Mimosa, que há anos atua na defesa da dignidade das mulheres em situação de prostituição, articulando demandas locais, redes de solidariedade e políticas públicas de base comunitária. A ação também contou com a parceria estratégica da Nem, instituição amplamente reconhecida nacional e internacionalmente por sua atuação na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, especialmente travestis, transexuais e prostitutas, sob a coordenação de Indianarae Siqueira, referência histórica do ativismo pelos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil. Entre as atrações confirmadas estava a DJ Vivi Castelo e a cantora Zula, cuja voz expressa a afetividade e a resistência que atravessam os corpos das mulheres em luta. A irreverência e o brilho das Formosa Drag Queenn acrescentam ainda mais potência à experiência coletiva proposta. Mais do que uma festividade, o Puta Day configura-se como um ato insurgente, um levante político e poético que reafirma a legitimidade das prostitutas enquanto trabalhadoras e cidadãs. É uma convocação à escuta, à empatia e à construção de uma sociedade que abrace a pluralidade de vivências humanas com dignidade e justiça. O evento contará ainda com a presença de coletivos e organizações oriundas de diferentes territórios do Brasil e da América Latina, entre eles: Associação das Divas de Copacabana (Rio de Janeiro – RJ); Clã das Lobas (Minas Gerais – MG); GEMPAC – Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Belém – PA); Grupo pela Vidda-RJ (Rio de Janeiro – RJ); Associação das Mulheres Guerreiras (Campinas – SP) e terá a paricipação da ComCausa Defesa da Vida por meio do projeto ComuniSaúde que integra o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro coordenado pela Fiocruz e Fiotec, em parceir com a ALERJ. IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do  com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. ComCausa pelos direitos A ComCausa participou do evento por meio do projeto ComuniSaúde, que atua na promoção da saúde integral, da justiça social e do fortalecimento de direitos nos territórios populares da Baixada Fluminense e da capital fluminense. A organização aproveitou o momento para reiterar um princípio legal e constitucional muitas vezes ignorado ou distorcido: a prostituição, no Brasil, não é crime. De acordo com o Decreto-Lei nº 3.688/1941 (Lei das Contravenções Penais), o que se pune são as práticas de exploração de terceiros – como o rufianismo ou a manutenção de casa de prostituição. Já o exercício autônomo da prostituição entre adultos, por livre consentimento, não é criminalizado. A própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 1º, inciso III, estabelece a dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado Democrático de Direito, o que implica garantir a todas as pessoas, inclusive as trabalhadoras sexuais, o pleno acesso a direitos fundamentais como saúde, segurança, trabalho, moradia e reconhecimento social. Imagem de Capa ilustrativa Leia tembém | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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trabalho sexual e dignidade ComCausa Vila Mimosa

ComCausa participa pela primeira vez de ato em defesa dos direitos e da vida das trabalhadoras sexuais

No próximo dia 6 de junho de 2025, a cidade do Rio de Janeiro será palco de um dos atos mais simbólicos em defesa dos direitos humanos no país: o Puta Day – Internacional da Cor de Puta, que ocorrerá na Vila Mimosa, região central da capital fluminense conhecida como território histórico da prostituição urbana. A atividade propõe um espaço de celebração, denúncia e resistência em torno das pautas das mulheres em situação de prostituição, reunindo arte, política e mobilização social. Pela primeira vez, a ComCausa – Defesa da Vida participará oficialmente do evento, por meio do projeto ComuniSaúde, como contribuição concreta às ações de promoção da saúde e cuidado com populações vulnerabilizadas. A iniciativa integra o que integra o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, coordenado pela Fiocruz e Fiotec. Essa aliança estratégica conta ainda com o apoio de instituições como: ALERJ – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco. Com realização da Associação da Vila Mimosa e da Casa Nem, o Puta Day reunirá representantes de diversas regiões do país, com forte presença de organizações que protagonizam a luta das mulheres prostitutas e da população LGBTQIAPN+. Entre as instituições confirmadas, destacam-se: A programação inclui apresentações artísticas da DJ Vivi Castelo, da cantora Azula e do coletivo Formosa Drag Queenn, além da exposição “A Cor de Puta”, que homenageia as estéticas, histórias e resistências das prostitutas brasileiras. O evento resgata e atualiza a memória da ocupação da Igreja de Saint-Nizier, ocorrida em 1975, na cidade de Lyon, na França, quando cerca de cem mulheres ocuparam o templo para denunciar a violência policial, os assassinatos de colegas e a exclusão social. A ação marcou o nascimento do Dia Internacional das Trabalhadoras Sexuais e se tornou um símbolo global de resistência. Mais do que uma celebração, o Puta Day configura-se como um ato político que reafirma o protagonismo das trabalhadoras sexuais na defesa da vida, da liberdade e da justiça social. A participação inédita da ComCausa fortalece essa rede de solidariedade, cuidado e enfrentamento das violências, reafirmando o compromisso com os direitos humanos nos territórios mais invisibilizados. SERVIÇO Puta Day – Internacional da Cor de PutaData: 6 de junho de 2025Horário: A partir das 18hLocal: Rua Sotero de Reis, 51 – Vila Mimosa, Praça da Bandeira – Rio de JaneiroEntrada gratuitaAtrações: DJ Vivi Castelo, cantora Azula, Formosa Drag QueennExposição: “A Cor de Puta”Realização: Associação da Vila Mimosa e Casa Nem Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Carta-compromisso pela liberdade religiosa em São João de Meriti

Nós, representantes de comunidades religiosas, lideranças sociais, representantes do poder público, entidades da sociedade civil, coletivos culturais e cidadãos e cidadãs de São João de Meriti, na Baixada Fluminense —, firmamos este compromisso coletivo, em defesa da Liberdade Religiosa como Direito Humano fundamental, garantido pela Constituição Federal de 1988 e reafirmado por pactos e tratados internacionais ratificados pelo Estado brasileiro. Sabemos que ao longo da história, a intolerância religiosa causou perseguições e conflitos graves, como a Inquisição e o Holocausto e que atualmente, ela pode se manifestar de diversas formas, desde ofensas verbais até ataques físicos e destruição de templos. No Brasil, por exemplo, houve um aumento de mais de 80% nos casos de intolerância religiosa entre 2023 e 2024, com religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, sendo as mais afetadas. O Estado do Rio de Janeiro, em destaque como o segundo em número de casos (486 violações registradas). Em 2025, até o momento, foram identificadas por registro oficial, 1.423 violações motivadas por intolerância religiosa (Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania). A Baixada Fluminense e, em especial, São João de Meriti, é um território marcado pela diversidade de expressões religiosas, culturais e espirituais, onde convivem diferentes tradições de fé: das matrizes africanas às cristãs, dos cultos evangélicos às religiões de origem indígena, das práticas orientais ao humanismo laico e às manifestações espirituais livres. Essa pluralidade deve ser celebrada, respeitada e protegida. Contudo, denunciamos e repudiamos os constantes episódios de intolerância religiosa, violências simbólicas e materiais, perseguições, criminalizações e desrespeitos sofridos especialmente por comunidades de matriz africana, cujos terreiros têm sido alvo de ameaças, invasões e destruições. Tais atos não ferem apenas os atingidos diretamente, mas atacam o próprio princípio da convivência democrática e da dignidade humana. São João de Meriti, com sua rica história de resistência, fé e solidariedade, pode e deve ser exemplo de convivência respeitosa entre as diversidades religiosas. Esta Carta-Compromisso é um chamado coletivo à ação, à escuta e ao respeito — em defesa de uma sociedade justa, democrática e plural. Sendo assim: Considerando: Solicitamos: Que o Sr. Prefeito, bem como sua Vice, na cidade de São João de Meriti, após esse movimento hoje realizado, comprometam-se publicamente a avaliarem e, se possível, assumirem durante sua gestão os seguintes compromissos: I. Promover e defender a liberdade de crença, culto e manifestação religiosa em todos os espaços da vida pública e comunitária de São João de Meriti;II. Combater todas as formas de intolerância religiosa, promovendo ações educativas, culturais e institucionais que fomentem o respeito mútuo e a valorização das diferenças;III. Apoiar a criação e o fortalecimento de políticas públicas específicas voltadas à garantia da liberdade religiosa, inclusive com canais de denúncia e proteção às vítimas de intolerância;IV. Fortalecer redes de solidariedade inter-religiosa, incentivando o diálogo entre diferentes tradições de fé e a articulação com movimentos sociais e instituições públicas;V. Preservar e valorizar os patrimônios culturais e espirituais da região, incluindo os terreiros, centros, igrejas e demais espaços sagrados como parte essencial da memória e identidade da Baixada Fluminense;VI. Acompanhar e fiscalizar as ações do poder público quanto ao cumprimento das legislações vigentes relacionadas à liberdade religiosa e à laicidade do Estado;VII. Afirmar a laicidade como princípio inegociável do Estado brasileiro, garantindo que nenhuma crença ou religião se sobreponha às demais nos espaços e decisões públicas;VIII. Criar mecanismos efetivos para o cumprimento do que preconiza a Constituição Federal 1988 sobre o Direito à Liberdade Religiosa (CF art. 5º Incisos VI, VII e VIII);IX. Garantir a efetividade da Lei Estadual nº 3459 de 14 de setembro de 2000, sobre Ensino Religioso, incluindo o ensino sobre as Religiões de Matriz Africana;X. Cumprir o que determina a Lei 2848 de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal Brasileiro), no seu art. 208: “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” = Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa;XI. Respeitar a liberdade de crença em todos os estabelecimentos municipais, proibindo nestes, cultos, pregações ou qualquer outra forma de manifestação religiosa, com exceção das unidades de saúde que tenham internação médica, e esta somente será autorizada ao paciente que assim o solicitar, aos responsáveis pela unidade de saúde, levando em consideração que os sacerdotes de religiões de matriz africana e de outras religiões têm o mesmo direito ao acesso às unidades de saúde, desde que autorizado pela família ou paciente acamado/a;XII. Proibir em todas as unidades públicas municipais, o uso de símbolos religiosos em seus espaços públicos, para garantir a laicidade dessas unidades públicas. (CF/88 Art. 19 Inciso I). Através da Rede de Direitos Humanos e Promoção à Saúde de São João de Meriti e da Comissão de Direitos Humanos da OAB, convidamos todas as lideranças religiosas da região a subscreverem esta carta, transformando este compromisso em diretriz ética de atuação institucional e legislativa, bem como aproveitamos a oportunidade para requerermos uma reunião com o prefeito. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Ocupação da Igreja de Saint-Nizier

Memória: Ocupação da Igreja de Saint-Nizier em Lyon marco na luta por dignidade das trabalhadoras do sexo

No dia 2 de junho de 1975, a cidade de Lyon, na França, foi palco de um dos mais emblemáticos atos de resistência protagonizados por trabalhadoras do sexo na história contemporânea. Naquela data, cerca de 100 mulheres ocuparam a Igreja de Saint-Nizier, no centro da cidade, exigindo respeito, direitos e proteção diante da violência policial e da marginalização institucional a que eram submetidas. Este gesto de coragem e desespero marcou o início de uma nova fase na luta pelos direitos das profissionais do sexo e se tornou um símbolo internacional de resistência e dignidade. Durante a década de 1970, na França, o endurecimento das políticas públicas de repressão à prostituição levou a uma escalada de violência contra as trabalhadoras do sexo. As mulheres, que atuavam nas ruas de Lyon, estavam sendo sistematicamente perseguidas, multadas, agredidas e detidas. A intensificação das ações policiais — justificadas por um suposto combate à exploração sexual — na prática, deixava as profissionais ainda mais vulneráveis, especialmente à violência de clientes e cafetões, diante da ausência de qualquer proteção estatal efetiva. O pároco, o Rev. Antonin Béal, recusou-se a chamar a polícia para retirar as mulheres. No entanto, agindo por ordem do Governo, a polícia evacuou a igreja à força após oito dias, a 10 de junho. O alegou que as mulheres tinham sido manipuladas para a ocupação por proxenetas, e a Ministra dos Direitos das Mulheres, Françoise Giroud, recusou-se a reunir-se com as mulheres e alegou que não era competente na matéria. A líder do Movimento, “Ulla”, teve o seu nome verdadeiro e fotografia publicados na imprensa. O evento marca o ponto de partida de um movimento internacional para o Dia Internacional em Memória das Mulheres que Morreram na Prostituição. Contexto de opressão e violência Muitas dessas mulheres já vinham denunciando a situação, mas sem qualquer escuta das autoridades. Foi nesse contexto que decidiram ocupar a Igreja de Saint-Nizier, buscando uma forma de chamar atenção da sociedade e da mídia para suas reivindicações. A ocupação da igreja A ocupação teve início no dia 2 de junho de 1975 e durou oito dias. Durante esse período, as mulheres transformaram o templo religioso em espaço de denúncia e resistência. Com faixas, cartazes e declarações à imprensa, reivindicavam o fim da violência policial, o reconhecimento da sua atividade como trabalho, e o respeito aos seus direitos humanos. O gesto teve grande impacto nacional e internacional, inspirando movimentos feministas, de direitos humanos e de luta contra a marginalização social em vários países. A ação também escancarou a hipocrisia das políticas públicas francesas, que criminalizavam as prostitutas mas fechavam os olhos para as redes de exploração e para os reais desafios enfrentados por essas mulheres. Legado e importância histórica Embora a ocupação tenha sido encerrada de forma pacífica e sem conquistas imediatas no campo legal, seu legado foi profundo. Ela impulsionou a organização coletiva das trabalhadoras do sexo na França, levando à formação de sindicatos e associações dedicadas à defesa de seus direitos. Também ajudou a inserir o debate sobre a prostituição em uma perspectiva de cidadania, autonomia e enfrentamento ao estigma social. Desde então, 2 de junho passou a ser lembrado internacionalmente como o Dia Internacional das Trabalhadoras do Sexo, em memória à ocupação de Saint-Nizier e como forma de dar visibilidade à luta por direitos, saúde, segurança e respeito. Uma memória que resiste Quase cinco décadas depois, o gesto das mulheres de Saint-Nizier ainda ecoa como símbolo de resistência diante de uma sociedade que continua a invisibilizar e criminalizar corpos femininos marginalizados. A ocupação da igreja é lembrada não apenas por sua força simbólica, mas por ter inaugurado uma nova forma de luta — marcada pela autonomia, pela solidariedade entre pares e pela coragem de ocupar espaços públicos e sagrados para reivindicar o que é básico: dignidade e humanidade. Em tempos de retrocessos e recrudescimento de discursos conservadores em vários países, relembrar esse episódio é também reafirmar o compromisso com os direitos das pessoas mais vulneráveis e com a justiça social. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Nuno Alexandre, Carlos Daniel e Carlos Gabriel presos ComCausa Portal C3 2025

Três irmãos são presos após confusão com taxista e família denuncia prisão injusta e ilegalidade no processo

Na manhã do dia 28 de abril de 2025, um episódio ocorrido nas imediações da Rua Ana Neri, entre os bairros de Benfica, Tuiuti e Olaria, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, transformou-se em um caso emblemático que hoje mobiliza familiares, juristas, coletivos populares e organizações da sociedade civil, como a ComCausa. O caso envolve os jovens irmãos Nuno Alexandre, Carlos Daniel e Carlos Gabriel, que foram presos após uma confusão com um taxista e, desde então, se encontram em prisão preventiva, mesmo sem apresentação de provas materiais, sem escuta formal e sem garantia dos direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal. A prisão ocorreu após denúncia de um suposto assalto feita pelo próprio motorista de táxi, que alegou ter sido vítima de violência e roubo por parte dos jovens. Contudo, a família afirma com veemência que se tratou de uma briga iniciada pelo taxista, que teria quase atropelado um dos irmãos, retornado pela contramão, agredido fisicamente os rapazes e fugido do local. Desde então, os jovens permanecem detidos no Presídio Ari Franco, no bairro da Água Santa, aguardando audiência de instrução marcada apenas para o mês de setembro — mais de quatro meses após a prisão. A situação, considerada abusiva por especialistas e movimentos sociais, expõe profundas falhas no sistema penal brasileiro, especialmente quando se trata de jovens negros, pobres e moradores de periferias. Versão do taxista e da Polícia De acordo com o boletim de ocorrência registrado na 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso), agentes do 4º BPM (São Cristóvão) estavam em patrulhamento de rotina pela região quando foram abordados por um taxista aparentemente em estado de nervosismo. O homem relatou ter sido atacado por três indivíduos armados, que teriam tentado roubá-lo, agredindo-o fisicamente e tomando seus pertences, entre eles um relógio. Alegou ainda que os supostos assaltantes tentaram assumir o controle do veículo, mas que ele conseguiu escapar e, posteriormente, visualizou três jovens que, segundo ele, seriam os autores do crime. A partir de tal apontamento, os policiais abordaram Nuno Alexandre, que segundo os relatos da corporação apresentava nervosismo e usava uma camisa rasgada — circunstância que, por si só, foi interpretada como indício de envolvimento. Os outros dois irmãos foram localizados nas redondezas e, mesmo sem a posse de objetos da vítima, sem qualquer arma ou outro elemento probatório, foram conduzidos à delegacia, onde o taxista os reconheceu visualmente. Ainda assim, não foram apresentadas testemunhas independentes, nem imagens de câmeras de segurança, tampouco realizada perícia técnica que sustentasse a acusação. Mesmo diante dessas fragilidades, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pela Justiça. A versão da família: “Foram vítimas de agressão, e não agressores” Em contraste com a versão policial, a família dos irmãos apresenta uma narrativa absolutamente distinta e profundamente preocupante. Em declaração feita à, o pai dos jovens relatou que eles haviam passado a noite na Feira de São Cristóvão, ponto tradicional de cultura e lazer na zona norte da cidade, e retornavam para casa a pé, após deixarem amigas em segurança. Ao atravessarem a Rua Ana Neri, Carlos Daniel quase foi atropelado por um táxi que trafegava em alta velocidade. Diante do susto, reagiu com uma reclamação verbal. O que se seguiu, no entanto, fugiu de qualquer lógica racional: o motorista do táxi retornou na contramão da via, invadiu a calçada de um posto de gasolina e desceu do carro já agredindo fisicamente os jovens, acertando um soco em Nuno Alexandre. Diante da agressão, os três irmãos teriam reagido em legítima defesa, iniciando uma briga que durou poucos minutos. Ainda segundo o pai, após o conflito, o motorista retornou ao veículo e tentou atropelar os jovens antes de deixar o local. Poucos minutos depois, a família soube que o mesmo motorista havia procurado uma viatura da Polícia Militar, denunciando o trio por roubo à mão armada — acusação que a família considera absolutamente infundada. “O taxista foi quem os atacou. Meus filhos apenas se defenderam. Não havia qualquer arma, não houve roubo, não existia ameaça. Foi uma confusão causada pelo próprio motorista, e agora meus filhos estão pagando por algo que não fizeram”, desabafou o pai. Segundo seu relato à ComCausa, ao tomar conhecimento da prisão, ele foi até o local onde os filhos estavam detidos por policiais militares. Lá, foi informado de que seriam conduzidos à delegacia. Na unidade policial, os três jovens foram colocados em uma pequena cela improvisada, popularmente conhecida como “porquinho”, e havia a expectativa de que fossem ouvidos pelo delegado de plantão. No entanto, ainda conforme o pai, não houve qualquer escuta formal ou chance de apresentar suas versões dos fatos. Em seguida, foram transferidos para a Casa de Custódia de Benfica, e na audiência de custódia — momento fundamental para avaliação da legalidade da prisão — tampouco foram garantidos seus direitos ao contraditório e à ampla defesa. “Foi tudo muito rápido, sem defesa, sem escuta. Eles simplesmente sumiram com meus filhos para o sistema carcerário”, afirma. Quem são os irmãos: jovens sem antecedentes, alvos da seletividade penal Segundo os relatos dos pais, os três irmãos são jovens trabalhadores e estudantes, sem histórico de envolvimento com atividades ilícitas, sem qualquer passagem anterior pela polícia. “Eles têm o perfil da juventude que o Estado prefere encarcerar: são negros, pobres e vivem em áreas periféricas. São vítimas do preconceito institucionalizado”, afirmou uma militante que acompanha o caso junto à ComCausa. Mobilização social: o grito por justiça toma as ruas O caso teve repercussão nas redes sociais, sendo compartilhado por movimentos populares, organizações de direitos humanos e internautas indignados com a injustiça. Vídeos de câmeras de segurança do posto de gasolina onde ocorreu a briga — e não o alegado roubo — foram divulgados e reforçam a versão da família, mostrando a confusão sem qualquer sinal de tentativa de assalto ou uso de arma de fogo. Diante da morosidade processual e da ausência de elementos concretos que justifiquem a prisão, foi convocada uma manifestação pública para esta quinta-feira, 5 de junho, a partir das 14h, em frente ao

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