No dia 6 de junho, a ComCausa Defesa da Vida esteve presente no “Puta Day – Internacional da Cor de Puta”, realizado na histórica Vila Mimosa. A iniciativa foi promovida pela Associação de Moradores e Amigos da Vila Mimosa. Ambas as insituições integram a rede 146 x Favela, articulada no âmbito do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, coordenado pela Fiocruz e Fiotec.

Sob a liderança da incansável Cleide Almeida, da Associação da Vila Mimosa, que há anos atua na defesa da dignidade das mulheres em situação de prostituição, articulando demandas locais, redes de solidariedade e políticas públicas de base comunitária. A ação também contou com a parceria estratégica da Nem, instituição amplamente reconhecida nacional e internacionalmente por sua atuação na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, especialmente travestis, transexuais e prostitutas, sob a coordenação de Indianarae Siqueira, referência histórica do ativismo pelos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil. Entre as atrações confirmadas estava a DJ Vivi Castelo e a cantora Zula, cuja voz expressa a afetividade e a resistência que atravessam os corpos das mulheres em luta. A irreverência e o brilho das Formosa Drag Queenn acrescentam ainda mais potência à experiência coletiva proposta.

Mais do que uma festividade, o Puta Day configura-se como um ato insurgente, um levante político e poético que reafirma a legitimidade das prostitutas enquanto trabalhadoras e cidadãs. É uma convocação à escuta, à empatia e à construção de uma sociedade que abrace a pluralidade de vivências humanas com dignidade e justiça. O evento contará ainda com a presença de coletivos e organizações oriundas de diferentes territórios do Brasil e da América Latina, entre eles: Associação das Divas de Copacabana (Rio de Janeiro – RJ); Clã das Lobas (Minas Gerais – MG); GEMPAC – Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Belém – PA)Grupo pela Vidda-RJ (Rio de Janeiro – RJ); Associação das Mulheres Guerreiras (Campinas – SP) e terá a paricipação da ComCausa Defesa da Vida por meio do projeto ComuniSaúde que integra o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro coordenado pela Fiocruz e Fiotec, em parceir com a ALERJIFFUENFUFRJUERJPUCRJSBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do  com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.

ComCausa pelos direitos

ComCausa participou do evento por meio do projeto ComuniSaúde, que atua na promoção da saúde integral, da justiça social e do fortalecimento de direitos nos territórios populares da Baixada Fluminense e da capital fluminense. A organização aproveitou o momento para reiterar um princípio legal e constitucional muitas vezes ignorado ou distorcido: a prostituição, no Brasil, não é crime.

De acordo com o Decreto-Lei nº 3.688/1941 (Lei das Contravenções Penais), o que se pune são as práticas de exploração de terceiros – como o rufianismo ou a manutenção de casa de prostituição. Já o exercício autônomo da prostituição entre adultos, por livre consentimento, não é criminalizado. A própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 1º, inciso III, estabelece a dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado Democrático de Direito, o que implica garantir a todas as pessoas, inclusive as trabalhadoras sexuais, o pleno acesso a direitos fundamentais como saúde, segurança, trabalho, moradia e reconhecimento social.

ComuniSaúde ComCausa Fiocruz

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