Adriano Dias

Abaixo-assinado pede reconhecimento da Rua Ceará como patrimônio cultural do Rio

Um abaixo-assinado organizado por artistas, produtores culturais, comerciantes, frequentadores, organizações sociais – Ccomo a ComCausa -, e apoiadores da cultura fluminense em geral está ganhando força nas redes e nos circuitos culturais do Rio de Janeiro. O objetivo é claro: reconhecer a Rua Ceará, na Praça da Bandeira, como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. A solicitação oficial foi feita pela organização ComCausa, que protocolou o ofício nº 065_07_2024 junto à Assembleia Legislativa do Estado (ALERJ), tendo reenviado o pedido à Comissão de Cultura em duas ocasiões este ano. O pleito visa a inclusão da Rua Ceará no rol de bens imateriais protegidos pelo Estado, destacando seu valor simbólico, histórico e social. A proposta é chegar a 30 mil assinaturas até o dia 07 de agosto e a adesão a proposta pode ser feita no link baixo: Um marco da cultura urbana e da cena independente Com mais de 30 anos de história, a Rua Ceará tornou-se reduto do rock underground carioca, berço de bandas independentes e local de encontros que moldaram gerações. Mais do que um ponto geográfico, a rua representa um espaço de liberdade, resistência artística, convivência e expressão cultural. A cena que ali floresceu tem relevância para além da música: consolidou vínculos comunitários, incentivou a ocupação cidadã do espaço urbano e democratizou o acesso à produção cultural. Para muitos jovens, a Rua Ceará foi — e continua sendo — porta de entrada para o universo artístico e espaço de afirmação de identidades periféricas, alternativas e livres. Por que tombar a Rua Ceará? Entre os argumentos listados no abaixo-assinado, destacam-se: A mobilização pede que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro: A campanha segue aberta ao público, e a adesão pode ser feita digitalmente. O movimento reforça o apelo por uma cidade que valorize sua história plural e suas expressões artísticas populares. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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PM Allan Mendes Rocha tornou-se réu formal pelo homicídio de Gabriel Pereira dos Santos

Justiça por Gabriel Pereira

Era manhã de 16 de agosto de 2024 quando Gabriel Pereira dos Santos, 24 anos, saiu de casa em Tinguá para fazer algo simples: levar sua noiva ao trabalho. Em sua volta, na Estrada de Tinguá, ele cruzou com a face mais cruel do Estado brasileiro — aquela que aponta a arma antes de perguntar, que dispara antes de ouvir, que executa antes de proteger. Aquela que enxerga na pele negra e na moto um inimigo. Aquela que, de farda e fuzil, decide quem pode ou não seguir vivo. Gabriel foi morto com um tiro pelas costas. O projétil atravessou seu pescoço. Seu corpo caiu na rua como se a vida tivesse menos valor por onde ele vivia. Não houve troca de tiros. Não havia qualquer conflito na área. Não existiu reação. Apenas um jovem tentando seguir seu caminho. O autor do disparo foi o terceiro-sargento Allan Mendes Rocha, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Hoje ele é réu por homicídio doloso qualificado, mas o caminho até essa responsabilização está longe de ser linear — e revela, em cada obstáculo, a estrutura de uma justiça seletiva e omissa diante das mortes que se repetem há décadas nas periferias. A inversão da culpa A primeira reação dos policiais foi tentar transformar Gabriel em ameaça. Disseram que ele empinava a moto. Que tentou atropelar o sargento. Tentaram inverter a lógica: do jovem morto, fizeram o agressor. Do agente armado, fizeram a vítima. Mas a verdade encontrou suas brechas. Testemunhas oculares, imagens de câmeras de segurança e os próprios registros das câmeras corporais dos policiais — que estão sob sigilo judicial — contradizem a narrativa oficial. Não houve ataque. Não houve confronto. Gabriel sequer teria escutado a ordem de parada, pois usava fones de ouvido. Tentou desviar e seguir. Foi alvejado. O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 121, §2º, inciso IV, trata como homicídio qualificado aquele cometido à traição ou mediante recurso que dificulte a defesa da vítima. Gabriel foi surpreendido e morto sem chance de reação — um caso emblemático de homicídio qualificado. O silêncio institucional e o peso do medo A morte foi seguida do que já se tornou rotina em casos semelhantes: o silêncio das instituições e o medo imposto às vítimas colaterais. Após ser preso em flagrante, o sargento teve sua prisão convertida em preventiva. A Justiça reconheceu, naquele momento, a gravidade do ato. Mas meses depois, o Ministério Público — sem que houvesse a conclusão da fase de instrução — pediu a soltura do acusado, alegando ausência de risco à ordem pública. A decisão gerou revolta. Não apenas pelo sentimento de impunidade, mas pelo medo real instaurado na família. Parentes passaram a relatar perseguições veladas: viaturas rondando suas casas, carros os seguindo, intimidações. No ato pacífico realizado em setembro de 2024, em frente ao Ministério Público de Nova Iguaçu, policiais cercaram os manifestantes e os fotografaram — uma cena que reforça a intimidação como política de Estado. Um ano: atos de memória e justiça Às vésperas de se completar um ano do crime, os familiares de Gabriel, apoiados por organizações como a ComCausa, entre outras, se mobilizam para manter viva sua memória que não é apenas uma homenagem. É um grito político. É um gesto de resistência diante de um sistema que naturaliza a morte da juventude. É a tentativa de transformar o luto em luta, como tantas mães e pais têm feito pelo país. A voz que não silenciará Gabriel era filho, noivo, trabalhador. Não teve tempo de se defender. Não teve direito ao contraditório. Mas agora, é a sociedade quem precisa falar por ele. A ação penal contra o policial segue em curso. O processo tramita no Tribunal do Júri, e a expectativa é que, ao final da instrução, a Justiça aceite a pronúncia e o leve ao julgamento popular — conforme prevê o artigo 5º, inciso XXXVIII da Constituição Federal. Até lá, os que ficaram seguem na luta. A mãe de Gabriel, seus amigos, vizinhos, moradores da Baixada Fluminense. Seguem com cartazes, com marchas, com lágrimas e com palavras. Porque, em um país onde a cor da pele define quem tem direito à vida, o silêncio é cúmplice. E a memória é resistência. Justiça por Gabriel não é apenas sobre punir um culpado — é sobre reconstruir a dignidade que o Estado insiste em roubar de toda uma geração. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________________ Colabore com nosso projeto pix.comcausa@gmail.com ______________________ Compartilhe:

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hipertensão e diabetes

No Dia Nacional da Diabetes Projeto ComuniSaúde conscientiza sobre a prevenção

No dia 26 de junho é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, uma data voltada à conscientização sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença que atinge milhões de brasileiros. Este ano, a data ganha destaque especial nas favelas da Baixada Fluminense com o lançamento do projeto ComuniSaúde, uma iniciativa da ComCausa – Defesa da Vida em parceria com secretarias municipais de saúde e instituições comunitárias locais. O ComuniSaúde surge como uma resposta direta à precariedade no acesso à saúde nas periferias, e tem como foco três pilares: ampliar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e fortalecer as redes comunitárias de cuidado. A primeira fase de implementação ocorre nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, onde o envolvimento da população será essencial para mapear demandas e garantir ações inclusivas e eficazes. O lançamento, realizado em alusão ao Dia Nacional do Diabetes, reforça o compromisso com o combate às doenças crônicas e à promoção de direitos sociais básicos. Em um território onde o atendimento especializado é escasso e a circulação de informação é limitada, campanhas de base como o ComuniSaúde tornam-se fundamentais para salvar vidas. Entendendo o diabetes: uma doença silenciosa e perigosa O diabetes é uma doença crônica caracterizada pela incapacidade do corpo de produzir ou utilizar adequadamente a insulina, o hormônio que regula a glicose no sangue. Quando mal controlada, pode levar a complicações graves, como cegueira, infarto, AVC, insuficiência renal e amputações. Os principais tipos são: Sinais de alerta e prevenção Sintomas comuns do tipo 1 incluem urina frequente, sede intensa, perda de peso e fadiga. Já no tipo 2, os sinais podem ser mais sutis, como infecções recorrentes, visão embaçada, formigamento nas extremidades e demora na cicatrização de feridas. A prevenção passa por uma alimentação equilibrada, prática de atividades físicas regulares, controle do estresse e acompanhamento médico. A detecção precoce pode evitar complicações graves e melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes. ComuniSaúde: prevenção e cuidado coletivo O projeto ComuniSaúde aposta na mobilização comunitária, escuta ativa e articulação com agentes públicos e lideranças locais para garantir que a saúde seja tratada como direito e não privilégio. As ações do projeto incluem: Informação como ferramenta de mudança A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) também participa da mobilização nacional, oferecendo vídeos e conteúdos gratuitos sobre prevenção e tratamento do diabetes na plataforma Diabetes Play, ao longo do mês de novembro. Embora o teste de risco para diabetes tipo 2 esteja disponível on-line, ele não substitui o diagnóstico médico. Caso a pessoa esteja em grupo de risco, deve procurar um profissional de saúde para avaliação e acompanhamento. Informações úteis ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde é um projeto que tem como missão ampliar a conscientização sobre o direito à saúde, promovendo a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) e de todos os profissionais que atuam nessa rede pública essencial. A iniciativa fortalece redes comunitárias, especialmente em territórios periféricos e favelas, ao facilitar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e realizar campanhas educativas e de esclarecimento para toda a população. Por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais, o ComuniSaúde busca tornar o conhecimento sobre saúde mais acessível, construindo pontes entre moradores e os serviços públicos de saúde. Como parte de seu compromisso com a defesa dos direitos da população, o projeto disponibiliza um canal de atendimento via telefone para orientação, mediação de conflitos relacionados à saúde pública e busca de exigibilidade junto aos órgãos competentes, sempre que houver negativa ou omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável. Leia também | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Assassinato de Melissa Campos escancara misoginia letal nas escolas e impõe revisão da justiça juvenil

Melissa Campos: familiares lançam abaixo-assinado por mudanças no ECA após feminicídio em escola

O brutal assassinato da estudante Melissa de Melo e Campos, de apenas 14 anos, ocorrido em 8 de maio de 2025, dentro de uma sala de aula do Colégio Livre Aprender, na cidade de Uberaba (MG), chocou profundamente a sociedade brasileira e gerou uma comoção pública de proporções nacionais. O caso expôs, de maneira crua e inegável, as múltiplas camadas de vulnerabilidade e violência que atravessam os espaços escolares e revelou o avanço preocupante de discursos de ódio, misoginia e banalização da vida no cotidiano juvenil. Melissa foi atacada por um dos colegas de classe, enquanto outro assistia à cena com frieza. O crime, cometido diante de 19 alunos, ocorreu em plena luz do dia, dentro de um espaço que deveria ser de segurança, aprendizado e convivência. As investigações comprovaram que o ataque foi premeditado: os dois adolescentes haviam trocado mensagens e planejado cada detalhe da execução. Segundo os relatos, a motivação foi de um absurdo devastador — a jovem teria sido assassinada por “ser feliz demais”. Descrita por professores, colegas e familiares como afetuosa, dedicada, carismática e inteligente, Melissa representava o que há de mais promissor na juventude brasileira — e teve sua vida interrompida de forma violenta e inexplicável. A tentativa de socorro, feita pelo próprio pai da vítima, que também atuava na escola como coordenador pedagógico, foi em vão. Melissa morreu nos braços de seu pai, ainda dentro da sala de aula, diante de uma geração de jovens que presenciou não apenas um assassinato, mas a ruptura de qualquer noção de segurança e confiança no espaço escolar. O apelo da família e a proposta da “Lei Melissa Campos” Indignados com a pena aplicada aos agressores — três anos de internação em unidade socioeducativa, conforme o limite máximo previsto no artigo 112, parágrafo 3º, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) — os familiares de Melissa, movidos pela dor e pelo sentimento de injustiça, decidiram agir. Criaram um novo abaixo-assinado e divulgaram publicamente a minuta da chamada Lei Melissa Campos, com o objetivo de promover alterações específicas na legislação infracional para adolescentes autores de crimes hediondos com violência grave. A proposta não visa criminalizar a juventude periférica, tampouco ampliar a seletividade penal que recai sobre adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ao contrário: o texto afirma de maneira inequívoca que seu objetivo é responder com firmeza a crimes de alta gravidade, como homicídio qualificado, estupro, latrocínio e ataques com motivação de ódio no ambiente escolar — preservando, assim, os adolescentes que cometeram atos infracionais não violentos e que demandam políticas sociais de inclusão, e não encarceramento. Os principais pontos do projeto incluem: O novo abaixo-assinado busca o apoio da população brasileira para transformar essa proposta em realidade. O objetivo, segundo os familiares, é honrar a memória de Melissa com uma mudança de impacto que previna novos crimes e promova justiça em casos extremos — sem comprometer os direitos dos adolescentes que devem ser protegidos e apoiados por políticas públicas. A dor das testemunhas e a mobilização de pais e mães O caso repercutiu ainda após a publicação de um vídeo nas redes sociais pelo músico Chaene da Gama, da banda Black Pantera. Pai de uma das testemunhas oculares do crime, Chaene descreveu com emoção e indignação o trauma vivido por sua filha, que viu a amiga ser assassinada a poucos metros de distância. Ele também questionou a sentença: “Depois de três anos, esses meninos sairão com a ficha limpa. E a Melissa? Quem vai trazê-la de volta?” O artista alertou para a responsabilidade das famílias, pedindo que os pais estejam atentos aos celulares, redes sociais e comportamentos de seus filhos: “A primeira educação vem de casa. Esses meninos planejaram isso por dias. Ninguém percebeu.” No dia seguinte, domingo, 22 de junho, o caso foi amplamente exibido em reportagem especial do programa Domingo Espetacular, da TV Record. A matéria trouxe novos detalhes sobre o crime, os desdobramentos do processo judicial e a mobilização da sociedade em torno do abaixo-assinado pela Lei Melissa Campos, além de entrevistas com familiares, especialistas e representantes da comunidade escolar. A exibição nacional do caso ampliou ainda mais a comoção pública e fortaleceu os apelos por mudanças legislativas urgentes frente à banalização da violência extrema no ambiente escolar. Violência escolar, misoginia e ódio: um cenário alarmante O assassinato de Melissa expôs, mais uma vez, a escalada de violência nas escolas brasileiras. Desde 2019, o país registrou 41 ataques consumados, com um aumento exponencial a partir de março de 2022. O ano de 2023 foi o mais violento da história: 12 atentados, 13 mortos e 43 feridos. Entre 2022 e 2024, foram 27 episódios, a maioria com motivação ligada ao ódio misógino, racismo ou ideologias extremistas difundidas online. Paralelamente, dados da SaferNet Brasil revelam o avanço do ódio nas redes: a misoginia online cresceu 2.875% entre 2017 e 2022, saltando de 961 para 28.642 denúncias. A intolerância religiosa, o racismo e o neonazismo também apresentaram crescimento alarmante. Em 2023, mais de 105 mil postagens com ameaças a escolas foram identificadas. Até maio de 2025, outras 88 mil novas ameaças já haviam sido rastreadas. O posicionamento da ComCausa: prevenir é tão essencial quanto punir A ComCausa, organização com mais de 20 anos de atuação em territórios periféricos do Rio de Janeiro, manifestou sua solidariedade à família de Melissa Campos e apoio à tramitação da proposta. No entanto, reafirma que qualquer mudança legal deve ser fruto de um debate plural, ético, democrático e comprometido com a justiça social. Para a Instituição, é essencial que o Brasil reaja a essa onda de violência com seriedade, mas sem repetir os erros históricos de criminalização da juventude negra e periférica. A resposta não pode ser apenas punitiva, mas estrutural e preventiva. A dor da família de Melissa deve se transformar em luta coletiva, mas essa luta precisa estar ancorada no compromisso com a vida, com os direitos e com a dignidade de todos e todas. A ComCausa propõe que: Assine: Abaixo-assinado e divulgaram publicamente a minuta da chamada Lei Melissa

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Assassinato de Melissa Campos escancara misoginia letal nas escolas e impõe revisão da justiça juvenil

Assassinato de Melissa Campos escancara misoginia letal nas escolas e impõe revisão da justiça juvenil

O assassinato de Melissa de Melo e Campos, de apenas 14 anos, ocorrido no último dia 8 de maio de 2025, dentro de uma sala de aula no Colégio Livre Aprender, em Uberaba (MG), escancarou de forma brutal a presença da misoginia letal no ambiente escolar e impôs ao país uma urgente reflexão sobre os limites da justiça juvenil. O crime, cometido por dois colegas da mesma idade, ganhou nova dimensão após a publicação, neste sábado (21), de um vídeo gravado por Chaene da Gama, músico da banda Black Pantera e pai de uma das testemunhas oculares da tragédia. Melissa foi morta com golpes de tesoura por um dos adolescentes, enquanto o outro observava a cena com frieza. O ataque aconteceu diante de 19 colegas de turma e, segundo as investigações, havia sido previamente planejado por meio de trocas de mensagens entre os dois agressores. Os depoimentos coletados revelam uma motivação estarrecedora: a menina teria sido assassinada por “ser feliz demais”. Descrita por professores e colegas como carismática, inteligente, afetuosa e dedicada, Melissa era uma jovem que, segundo o próprio pai de um dos assassinos, “tinha um brilho que incomodava”. O crime foi cometido em plena luz do dia, dentro de uma instituição privada de ensino, com premeditação evidente. A tentativa desesperada de socorro foi feita pelo próprio pai da vítima, que também trabalhava na escola como coordenador pedagógico. Melissa morreu em seus braços, ainda na sala de aula. O apelo público de Chaene da Gama No vídeo publicado em seu Instagram pessoal, Chaene da Gama revela a dor vivida por sua filha, que presenciou o assassinato da amiga, e denuncia o sentimento de impunidade que tomou conta após a divulgação da sentença: três anos de internação em unidade socioeducativa, conforme o limite máximo previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 112, parágrafo 3º. “Dois garotos de 14 anos acordaram, tomaram café da manhã, foram para a escola e decidiram matar uma menina só porque ela era feliz demais. Eles planejaram isso, trocaram mensagens, e um deles riu enquanto a golpeava. A minha filha viu tudo. Viu a amiga morrer nos braços do pai. E agora esses meninos vão cumprir, no máximo, três anos. Depois disso, a ficha deles será limpa. E a Melissa? Quem vai trazê-la de volta?”, desabafou o músico. Chaene também fez um apelo direto às famílias brasileiras: “A primeira educação vem de casa. Olhem os celulares dos seus filhos. Saibam com quem eles falam. Esses meninos estavam planejando isso há dias. Ninguém viu.” Escalada da violência nas escolas brasileiras O caso evidenciou, mais uma vez, o avanço de uma cultura de ódio que se infiltra nas redes sociais, nas escolas e no cotidiano da juventude. Desde 2019, o Brasil vem registrando uma escalada inédita de violência juvenil, com o ambiente escolar se tornando palco de ataques letais, quase sempre motivados por discursos de ódio — especialmente misoginia, racismo e ideologias extremistas propagadas virtualmente. Levantamento nacional aponta que entre 2019 e 2025 ocorreram 41 ataques consumados em escolas, sendo 64% desses a partir de março de 2022. O ano de 2023 foi o mais letal da série histórica: 12 ataques, 13 mortos e 43 feridos. De 2022 a 2024, foram 27 episódios entre massacres e tentativas, com vítimas predominantemente femininas ou negras. Crimes de ódio em crescimento nas redes e na sociedade Esses números coincidem com o crescimento alarmante de crimes de ódio na internet. De acordo com a SaferNet Brasil, denúncias de misoginia online cresceram 2.875% entre 2017 e 2022, saltando de 961 para 28.642 registros. Apenas no primeiro semestre de 2022, foram 7.096 denúncias, um aumento de mais de 650% em relação ao mesmo período do ano anterior. As denúncias de racismo também ultrapassaram 45 mil registros no mesmo intervalo, com crescimento contínuo desde 2019. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os feminicídios atingiram recorde em 2023, com 1.463 mulheres assassinadas, principalmente por companheiros ou ex-companheiros. A maioria das vítimas era negra, pobre e moradora de regiões periféricas — um perfil que se repete nas escolas, onde meninas negras são alvos constantes de agressões físicas, simbólicas e psicológicas. Todos os agressores identificados em ataques escolares desde 2019 eram homens, com idade média de 16 anos, geralmente alunos ou ex-alunos da instituição. O uso de armas de fogo aumenta em até três vezes a letalidade dos atentados. Além disso, o discurso de ódio se espalha em ritmo alarmante: somente em 2023, foram rastreadas 105 mil postagens ameaçando escolas. Até maio de 2025, já haviam sido detectadas 88 mil novas menções, em fóruns e redes sociais utilizadas para propagar misoginia, racismo, neonazismo e incitação à violência juvenil. Entre 2022 e 2023, observou-se ainda o crescimento expressivo de outros vetores de ódio: xenofobia (+874%), intolerância religiosa (principalmente contra religiões afro-brasileiras, +456%) e neonazismo (+120%). Leia também no PortalC3 Proposta da Lei Melissa Campos Diante da comoção pública e do sentimento generalizado de injustiça, a família de Melissa lançou um abaixo-assinado nacional em apoio ao Projeto de Lei 2.325/2024, que propõe alterar o ECA e ampliar de três para até oito anos o tempo máximo de internação para adolescentes que cometam atos infracionais com dolo e violência. Entre os crimes contemplados pela proposta estão: grave ameaça à pessoa, porte ilegal de armas de fogo ou explosivos, tortura, tráfico de drogas (excetuando-se as hipóteses do §4º do art. 33 da Lei 11.343/2006), terrorismo e associação criminosa. A intenção é que a nova legislação receba o nome de Lei Melissa Campos, como forma de perpetuar a memória da jovem e transformar sua dor em luta contra a impunidade. O abaixo-assinado já conta com centenas de milhares de adesões e pode ser acessado por meio do link.: ComCausa: é preciso mais do que punição — é preciso prevenção e compromisso com a vida A organização ComCausa, com décadas de atuação em territórios periféricos do Rio de Janeiro, manifestou solidariedade à família de Melissa e apoio à tramitação da proposta legislativa. No entanto, a entidade também alerta para

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Ação do CadMóvel Carioca leva cidadania à Vila Mimosa

Ação do CadMóvel Carioca leva cidadania à Vila Mimosa

Na terça-feira, 17 de junho de 2025, a Associação de Moradores da Vila Mimosa foi palco de uma importante ação de cidadania, ao receber a unidade itinerante CadMóvel Carioca, da Prefeitura do Rio de Janeiro. O serviço, destinado à inscrição e atualização de dados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), é fundamental para garantir o acesso de famílias de baixa renda a benefícios como Bolsa Família, Tarifa Social de Energia Elétrica, Minha Casa Minha Vida, entre outros. Organizada pela Associação de Assistência Social da Prefeitura, a atividade teve início às 10h, com a distribuição de 150 senhas por ordem de chegada. Moradores da região puderam atualizar suas informações ou se cadastrar pela primeira vez no sistema, garantindo assim o vínculo com políticas públicas essenciais para a promoção da dignidade e da inclusão social. A mobilização contou com a presença da ComCausa – Defesa da vida, que colaborou na mobilização com a comunidade local. Representantes da instituição estiveram presentes durante todo o atendimento, contribuindo com orientações, escuta e apoio direto aos moradores. Esta foi a segunda ação social realizada na Vila Mimosa dentro do escopo do projeto 146 Favelas, iniciativa coordenada pela Fiocruz com apoio de entidades da sociedade civil. O objetivo é fortalecer redes comunitárias e garantir o acesso efetivo da população de favelas às políticas públicas. A presença do CadMóvel representa mais que um serviço: simboliza a presença do Estado nos territórios populares, promovendo a aproximação entre o poder público e a comunidade e reafirmando o direito à cidadania para quem historicamente esteve à margem das garantias sociais. ComuniSaúde nas favelas O ComuniSaúde é um projeto que promove o direito à saúde, valorizando o SUS e fortalecendo redes comunitárias em territórios periféricos e favelas. Atua com ações educativas, apoio à saúde mental, e aproxima moradores dos serviços públicos. Por meio de formações, comunicação cidadã e articulação local, o projeto facilita o acesso à informação e oferece canal direto para orientação e mediação de conflitos em casos de omissão no atendimento. ComCausa ComuniSaúde Baixada: (21) 96942-1505Site: comunisaude.org.br Plano de Saúde nas Favelas do RJ Desde 2021, com recursos da Lei 8.972/20 e apoio da ALERJ, mais de R$ 22 milhões foram investidos em saúde nas favelas. A iniciativa reúne instituições como  Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro promovendo o acesso universal à saúde e o combate às desigualdades históricas. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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