A Casa Reviver completa 16 anos como uma das iniciativas socioeducativas mais atuantes do Morro do Estado, em Niterói. Criada em 2006 por Vinicius Silva de Souza após o assassinato de seu irmão, a proposta nasceu do desejo de oferecer às crianças e aos adolescentes um espaço seguro fora do horário escolar. O que começou com um saquinho de balas e histórias contadas nas vielas se tornou um projeto estruturado que hoje atende moradores de todas as idades.
Vinicius e sua esposa, Karina Silva, enfrentaram dificuldades para encontrar um espaço adequado para as atividades. As primeiras ações ocorreram em um ponto que, à noite, era usado para tráfico. A persistência do casal resultou na doação que possibilitou a compra da sede atual, hoje em constante expansão. Entre os projetos recentes está a construção de uma nova cozinha dedicada a oficinas culinárias para adultos e atividades educativas para as crianças.
A missão da Casa Reviver consiste em promover transformação integral a partir dos valores e potencialidades da própria comunidade. Com uma abordagem socio-pedagógica holística, o projeto oferece atividades formativas, culturais e de socialização em parceria com ONGs, universidades, voluntários e igrejas protestantes. O objetivo central é fortalecer vínculos familiares, garantir acolhimento e orientar moradores a reivindicar seus direitos.
O acompanhamento familiar é o eixo das ações. Entre as atividades, destacam-se a Roda de Gestantes, o Maternando, os grupos Kids e Teens, o projeto de alfabetização Ler o Mundo e o grupo Guerreiras, voltado para mulheres adultas. A Casa também realiza eventos comunitários, oficinas, ações solidárias e celebrações de datas especiais.
Durante a pandemia de covid-19, a instituição enfrentou seu maior desafio. Com a suspensão das atividades presenciais, crianças, jovens e idosos ficaram sem acesso à rotina de apoio. A Casa respondeu com atividades impressas semanais, a campanha “Quarentena do Bem” — que distribuiu mais de mil cestas básicas e botijões de gás — e a produção de um livro educativo sobre o Morro do Estado com orientações de prevenção. A iniciativa contou ainda com o apoio da ONG BemTV, que formou 40 jovens comunicadores para combater a desinformação.
A segurança das crianças foi uma das maiores preocupações do período. Com o isolamento, aumentou a vulnerabilidade de vítimas de violência intrafamiliar. Por isso, a Casa promoveu campanhas de conscientização e rodas de conversa sobre prevenção e denúncia de abusos.
Com a flexibilização das restrições sanitárias, as atividades presenciais foram retomadas de forma gradual e segura. Crianças e adolescentes foram os primeiros a retornar, seguidos dos adultos do projeto “Ler o Mundo”. Hoje, a Casa mantém parte das ações em formato híbrido em parceria com a UERJ, mas reforça a importância do contato presencial para o desenvolvimento e a proteção dos beneficiados.
Os desafios seguem expressivos. A Casa Reviver trabalha para garantir segurança alimentar, fortalecer o protagonismo comunitário e incentivar os moradores a ocupar a cidade por meio de passeios culturais e atividades fora da comunidade, reforçando o sentimento de pertencimento ao território.
Nas redes sociais, o Instagram se tornou o principal canal de comunicação, com atualizações constantes sobre atividades, campanhas e inscrições para voluntariado. O projeto também mantém um canal no YouTube e um blog com publicações anteriores ao período da pandemia.
Comunicação e presença digital
E-mail:contato@casareviver.org
Telefone: (21) 3628-0961
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.
Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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