Celebrado em 21 de janeiro, o Dia Mundial da Religião foi criado em 1949 pela fé Bahá’í com o objetivo de promover o respeito, o diálogo inter-religioso e a convivência pacífica entre todas as crenças. A data convida à reflexão sobre o papel das religiões na promoção da paz e da bondade — princípios comuns à maioria das tradições espirituais.
No Brasil, a mesma data também marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 11.635/2007, como forma de reconhecer os impactos da violência motivada por discriminação religiosa e reforçar a luta por liberdade de culto e crença, direito garantido pela Constituição Federal.
A memória de Mãe Gilda
O marco brasileiro tem um nome e uma história: a Iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, na Bahia. Em janeiro de 2000, após ser atacada publicamente por intolerância contra religiões de matriz africana, acusada de charlatanismo e ver sua casa e comunidade atacadas, Mãe Gilda faleceu vítima de um infarto.
Seu caso se tornou símbolo da luta por dignidade, reparação e respeito às religiões afro-brasileiras, que ainda enfrentam altos índices de preconceito, ataques e criminalização simbólica no país.
Tolerância é compromisso coletivo
A data reforça que o respeito às diferenças religiosas é um valor essencial à democracia. No entanto, as estatísticas de denúncias de intolerância religiosa crescem ano após ano no Brasil.
Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, as religiões de matriz africana estão entre as mais atingidas por discursos de ódio, discriminação e violência, seja em espaços públicos, escolas, igrejas, redes sociais ou instituições.
O Dia da Religião, por sua vez, convida à construção de pontes e ao reconhecimento de que nenhuma fé deve ser motivo de perseguição. Criado pela comunidade Bahá’í — religião monoteísta fundada no século XIX na antiga Pérsia —, a proposta é lembrar que todas as religiões verdadeiras compartilham princípios de amor, justiça e harmonia.
Por liberdade de crença e respeito mútuo
O Brasil é um país oficialmente laico, o que significa que o Estado não deve adotar ou privilegiar nenhuma religião. Mas ser laico não significa ser contra a fé — significa proteger igualmente todas elas.
Respeitar a fé do outro é parte do compromisso com os direitos humanos e com a Defesa da Vida em todas as suas dimensões, incluindo a espiritualidade. Combater a intolerância religiosa é reconhecer que o direito de crer — ou não crer — é inegociável.
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