A ComCausa Defesa da Vida, por meio do programa Acolher: Desaparecidos, uniu esforços à Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas 2025, organizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O movimento, que acontece simultaneamente em todas as unidades da federação até 15 de agosto, busca enfrentar uma das mais graves crises humanitárias silenciosas do Brasil: o desaparecimento de pessoas.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, apenas no ano de 2024 foram registrados mais de 70 mil desaparecimentos no país. O acúmulo da última década supera 700 mil registros, revelando não apenas um drama individual de famílias devastadas pela ausência, mas também uma questão de política pública e de direitos humanos que exige respostas consistentes do Estado brasileiro.
A realidade da Baixada Fluminense
O estado do Rio de Janeiro é um dos que apresentam índices mais elevados de desaparecimentos. Só em 2024, foram contabilizados mais de 12 mil registros, sendo a Baixada Fluminense responsável por uma fatia desproporcional. Municípios como Belford Roxo, Queimados, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti aparecem de forma recorrente entre os territórios com maior número de notificações, revelando um padrão de violência estrutural, vulnerabilidade social e fragilidade institucional que aprofunda o drama local.
A Baixada, composta por 13 municípios e cerca de 4 milhões de habitantes, tornou-se um epicentro da crise dos desaparecimentos. Esse quadro reforça a necessidade de que ações como a coleta de DNA sejam organizadas de forma prioritária nesse território, aproximando o procedimento das famílias mais afetadas.
Mobilização da ComCausa e visita à DHBF
Embora todos os pontos de coleta de DNA estejam sendo amplamente divulgados, a ComCausa, após visita institucional à Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), em Belford Roxo, especialmente no diálogo com colegas dos setores de Perícia Criminal e de Paradeiros – responsáveis diretos pelas investigações de desaparecimentos –, passará a recomendar oficialmente que as famílias da Baixada Fluminense priorizem a coleta de DNA diretamente na DHBF, em razão da maior celeridade e eficácia do processo.
Para isso, os familiares devem se dirigir à: Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) – Av. Retiro da Imprensa, s/n – Bairro Heliópolis, Belford Roxo – RJ (Próximo ao Hospital de Belford Roxo).
Essa recomendação não significa desconsiderar os postos regionais já existentes. Pelo contrário: reconhece que a DHBF concentra, em um mesmo espaço, perícia técnica, núcleo de Paradeiros e fluxos investigativos especializados, garantindo maior integração entre a coleta de material genético e o andamento das investigações. Para as famílias, isso representa menos burocracia, maior rapidez na análise e maior chance de que o DNA coletado seja imediatamente vinculado a um inquérito em curso.
Onde estão os pontos de coleta no Rio de Janeiro
- Instituto de Pesquisa e Perícia em Genética Forense (IPPGF) – Cidade Nova, Rio de Janeiro.
- Posto Regional – Nova Iguaçu (Rua Edna, s/n – Posse).
- Posto Regional – Duque de Caxias (Rua Ailton da Costa, s/n – 25 de Agosto).
- Posto Regional – Campo Grande (Estrada do Mendanha, 1672 – fundos).
- Posto Regional – Niterói (Travessa Comandante Garcia Dávila, 51 – Santana, Largo do Barradas).
- Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) – Av. Retiro da Imprensa, s/n – Heliópolis, Belford Roxo.
Quem pode participar e como funciona
A coleta de DNA é gratuita, simples, rápida e indolor. Pode ser realizada por pais, mães, filhos ou irmãos biológicos da pessoa desaparecida. Para participar, é necessário apresentar documento de identidade com foto e o boletim de ocorrência do desaparecimento. O procedimento consiste na coleta de células da mucosa bucal com um cotonete ou de uma pequena gota de sangue retirada do dedo. O material é processado e armazenado nos bancos de perfis genéticos estaduais e nacionais, que são constantemente cruzados com registros de pessoas internadas sem identificação, acolhidas em instituições de saúde e assistência social ou restos mortais não identificados.
Um passo para a memória e a justiça
A ampliação do banco de perfis genéticos é um avanço fundamental na política de enfrentamento aos desaparecimentos. Para a ComCausa, ao recomendar que a prioridade na Baixada Fluminense seja a coleta na DHBF/Setor de Paradeiros, o objetivo é fortalecer a resposta estatal, reduzir distâncias para as famílias e transformar a ciência em um recurso concreto de verdade, memória e justiça.
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