João Oscar

Nuno Alexandre, Carlos Daniel e Carlos Gabriel presos ComCausa Portal C3 2025

Família denuncia prisão injusta e mobiliza ato por liberdade de três jovens

Está convocada para esta quinta-feira, 5 de junho de 2025, a partir das 14 horas, uma manifestação pública em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no Centro da capital fluminense. O ato reunirá familiares, amigos, entidades da sociedade civil e movimentos sociais em defesa da liberdade dos irmãos Nuno Alexandre, Carlos Daniel e Carlos Gabriel, presos desde o dia 27 de abril, sob acusação de roubo, após um episódio confuso envolvendo um taxista na zona norte da cidade. A mobilização, articulada por coletivos e instituições de direitos humanos, tem como principal objetivo denunciar as violações processuais e os indícios de abuso de autoridade que marcam o caso desde o início. Para os familiares, trata-se de um flagrante exemplo de prisão arbitrária e seletiva, baseada exclusivamente em reconhecimento visual informal — prática considerada ilegal à luz da jurisprudência do STF e STJ, além de incompatível com os princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. “O que está em jogo aqui não é apenas a liberdade de três jovens, mas a integridade do próprio sistema de justiça”, afirma Adriano Dias, fundador da ComCausa Defesa da Vida – “Prender sem provas, sem escuta, sem contraditório é rasgar a Constituição. A prisão preventiva está sendo usada como pena antecipada — algo expressamente vedado pelo nosso ordenamento jurídico.” Segundo o relato do pai, os três jovens foram agredidos por um taxista após um desentendimento de trânsito, reagiram em legítima defesa, e em seguida foram surpreendidos com a acusação de roubo à mão armada — sem que nenhuma arma fosse encontrada, sem apreensão de objetos da vítima, e sem qualquer testemunha independente ou perícia técnica. Mesmo diante da ausência completa de provas materiais, a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva durante a audiência de custódia realizada no dia 28 de abril, e desde então os irmãos permanecem encarcerados no Presídio Ari Franco, na Água Santa. Para agravar ainda mais a situação, a audiência de instrução foi agendada apenas para o dia 3 de setembro, o que significa que os jovens poderão ficar privados de liberdade por mais de quatro meses sem julgamento, sem terem sido ouvidos formalmente e sem oportunidade concreta de defesa. Carlos Alexandre, pai dos jovens, também relatou à ComCausa que, no momento da prisão, seus filhos não foram apresentados ao delegado de plantão para prestar depoimento, o que configura mais uma grave irregularidade no trâmite da detenção. Ele ainda apontou uma contradição na versão apresentada pelo taxista, que os acusa de furto: “Ele disse que meus filhos roubaram o relógio dele, mas apareceu na delegacia com celular, carregador portátil, cordão e com o próprio carro. Se fosse um assalto, por que só levariam o relógio? Isso não faz sentido. Se eles fossem ladrões, teriam levado tudo.” Mobilização cobra liberdade e responsabilização A manifestação desta quinta-feira se apresenta não apenas como um ato de protesto, mas como um clamor coletivo por justiça, escuta e respeito aos direitos fundamentais. A convocatória já circula pelas redes sociais e em canais comunitários, com o apoio de juristas, lideranças comunitárias e organizações de base. As principais demandas do ato incluem: “Estamos falando de vidas, de famílias, de uma juventude que precisa de proteção — não de perseguição. Se deixarmos esse caso passar, estamos normalizando que o Estado possa prender, punir e silenciar sem sequer ouvir quem está sendo acusado”, alerta Adriano Dias da ComCausa Referência legal e jurisprudência A prisão dos três jovens, sustentada unicamente por um reconhecimento visual informal, realizado sem a observância dos requisitos previstos no artigo 226 do Código de Processo Penal, é ilegal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem reiterado que tal procedimento não tem valor probatório se desacompanhado de outros elementos que corroborem a autoria: “É ilegal a prisão preventiva fundada exclusivamente em reconhecimento pessoal realizado em desacordo com o art. 226 do CPP e sem provas corroborativas.” (STJ – HC 598.051/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/10/2020) O Supremo Tribunal Federal (STF) também já decidiu que: “A jurisprudência do STF firmou-se no sentido de que a prisão preventiva deve ser lastreada em elementos concretos de autoria e materialidade, sendo inviável sua decretação com base apenas em reconhecimento pessoal informal.” (STF – RHC 146.341, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe 01/07/2022) Além disso, a manutenção da prisão sem escuta formal e por período excessivo sem instrução processual configura afronta ao princípio da presunção de inocência (art. 5º, LVII da CF/88) e uso da prisão cautelar como pena antecipada — prática vedada pelo ordenamento jurídico brasileiro. Local e horário da manifestação Local: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de JaneiroEndereço: Rua Dom Manuel, Centro (próximo à Praça XV)Data: Quinta-feira, 5 de junho de 2025Horário: A partir das 14h Auxiliou no texto Adriano Dias da ComCausa e Dr Valdo Tavares da Comissão de Segurança da OAB de Nova Iguaçu. Saiba mais detalhes do caso: Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Itaperuna se une em ato emocionante pela memória de João Pedro Donadio

Família de João Pedro encontro no monumento do Cristo Redentor de Itaperuna

Na manhã do próximo sábado, dia 7 de junho de 2025, a cidade de Itaperuna, localizada na região Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, será novamente convocada a refletir sobre dor, negligência e justiça. Às 9 horas, aos pés do monumento do Cristo Redentor, um dos principais símbolos da cidade, será realizada uma roda de conversa seguida de um ato público em memória de João Pedro Donadio, menino de apenas 11 anos que faleceu tragicamente em maio de 2020, após sofrer um choque elétrico dentro de uma loja de roupas no centro comercial da cidade. A data não foi escolhida ao acaso: o dia 6 de junho marca o aniversário de nascimento de João Pedro, e, por decisão de seus familiares, será transformado em um marco de resistência, de apelo à consciência social e de exigência por reparação e dignidade. A atividade será organizada diretamente pela família de João Pedro, com o apoio da ComCausa Defesa da Vida, organização de direitos humanos que há vários anos atua em todo o território fluminense na luta contra violações, violência institucional e processos de revitimização. A entidade auxiliará com a montagem de uma barraca de apoio no local, acolhimento aos participantes, mediação dos diálogos e articulação junto às redes de mobilização e comunicação. O objetivo do encontro é oferecer à população um espaço simbólico e concreto para o compartilhamento da dor, o fortalecimento das redes de solidariedade e a construção de estratégias contra os processos de revitimização judicial que penalizam as vítimas e protegem estruturas de negligência e omissão. Cinco anos após a tragédia que abalou Itaperuna e comoveu o país, a família de João Pedro segue em uma luta intensa não apenas pela memória e justiça em relação à morte do menino, mas também contra o agravamento institucional da dor: em uma decisão recente, a mãe da criança foi condenada judicialmente a indenizar os proprietários da loja onde ocorreu o acidente. A sentença, considerada por diversas entidades jurídicas e de direitos humanos como absurda e cruel, reforça um padrão recorrente de responsabilização invertida, no qual vítimas ou seus familiares acabam sendo punidos pelas consequências da própria negligência de terceiros. Diante desse cenário, a roda de conversa será dividida em três eixos centrais. No primeiro momento, será realizado o resgate da memória de João Pedro, com depoimentos sobre o ocorrido, os impactos emocionais, familiares e comunitários da tragédia, e reflexões sobre a importância de manter viva a história das vítimas como ferramenta de luta e transformação social. O segundo bloco será voltado à análise da situação jurídica atual, com explicações sobre os processos em andamento nas esferas cível e criminal, os obstáculos enfrentados pela família e a necessidade de discutir os limites éticos e institucionais da atuação do Judiciário. Por fim, o terceiro momento será dedicado ao acolhimento, à escuta coletiva e à construção de redes de apoio e resistência, buscando valorizar a solidariedade ativa como um antídoto à indiferença institucional. Entre os convidados confirmados estão Adriano Dias, jornalista, fundador da ComCausa e ativista com mais de três décadas de atuação em casos emblemáticos de violência de Estado e defesa dos direitos humanos, e Valdo Tavares, advogado e presidente da Comissão Especial de Segurança Pública da OAB de Nova Iguaçu, reconhecido nacionalmente por seu trabalho em defesa de vítimas da violência institucional e pela promoção de políticas públicas de responsabilização e reparação.Para a ComCausa, o caso de João Pedro evidencia a necessidade urgente de repensar o funcionamento das instituições públicas diante de tragédias evitáveis. “A dor pela perda de um filho já é uma ferida incurável. Quando o Estado transforma essa dor em culpa, penalizando uma mãe que deveria estar sendo protegida, estamos diante de uma violência secundária, institucional, que precisa ser denunciada e combatida com firmeza. João Pedro se tornou um símbolo daquilo que não pode mais se repetir”, afirma Adriano Dias. O local do evento — o monumento do Cristo Redentor de Itaperuna, situado em uma colina que permite a visão panorâmica da cidade — foi escolhido não apenas por seu valor simbólico, mas por representar um espaço de paz, acolhimento e visibilidade. A imagem do Cristo, com os braços abertos sobre a cidade, dialoga diretamente com os propósitos do encontro: abraçar a dor, transformar a ausência em presença e fazer da fé um instrumento de justiça e resistência. Ao se reunir neste ponto elevado da cidade, a família de João Pedro convida toda Itaperuna e o Brasil a se unirem em torno da memória de uma criança e do clamor por um sistema mais justo e humano. Serviço:Data: Sábado, 7 de junho de 2025Horário: 9hLocal: Monumento do Cristo Redentor – Itaperuna (RJ)Atividade: Roda de Conversa “Memória, Justiça e Acolhimento – O Caso João Pedro e a Luta Contra a Revitimização Judicial”Realização: Família de João Pedro DonadioApoio: ComCausa – Defesa da Vida Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Saúde Mental

Projeto ComuniSaúde leva informação sobre o Dia Nacional do Combate à Cefaleiae

A dor de cabeça, ou cefaleia, afeta cerca de 140 milhões de brasileiros e é considerada a sétima doença mais incapacitante do mundo. Mesmo assim, permanece pouco compreendida por grande parte da população. Buscando enfrentar esse desafio, a ComCausa lançou o projeto ComuniSaúde, uma iniciativa que visa ampliar o acesso à informação e ao atendimento básico de saúde nas favelas da Baixada Fluminense, com destaque para a conscientização sobre a cefaleia e sua relação com o bem-estar físico e mental. O lançamento do projeto coincide com o Dia Nacional do Combate à Cefaleia, celebrado em 19 de maio, data criada para alertar sobre os diferentes tipos de dores de cabeça, como enxaqueca, cefaleia tensional e cefaleia em salvas, cada uma com causas e tratamentos distintos. O objetivo é ajudar a população a reconhecer os sintomas, buscar diagnóstico e evitar que a condição seja subestimada ou tratada de forma inadequada. A iniciativa será implantada nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, com apoio das secretarias municipais de saúde e instituições locais. A proposta do ComuniSaúde vai além da informação: pretende integrar os moradores no processo de mapeamento das necessidades da comunidade, promovendo ações educativas, rodas de conversa, mutirões de atendimento e acolhimento em saúde mental. A cefaleia, embora comum, pode ter impacto direto na qualidade de vida e produtividade das pessoas, principalmente nas regiões periféricas, onde o acesso à saúde ainda é precário. A presença constante de dor pode ser sintoma de outras condições e, em muitos casos, está relacionada ao estresse, à ansiedade, ao sono irregular e até à desnutrição. Por isso, o ComuniSaúde também atua no fortalecimento das redes de apoio comunitário e no estímulo a hábitos saudáveis. De acordo com especialistas, a chave para o controle das dores de cabeça está na informação e no tratamento adequado, que pode incluir o uso de medicamentos, mudanças no estilo de vida e terapias complementares. O projeto reforça a importância de procurar profissionais especializados, como neurologistas, diante de sintomas persistentes, e orienta sobre quando é necessário buscar atendimento. Além do foco na cefaleia, o ComuniSaúde articula ações voltadas para a promoção da saúde mental, com escuta ativa e encaminhamentos para serviços públicos de referência. A proposta é tratar a saúde como um direito e uma construção coletiva, especialmente nos territórios mais vulneráveis. A ComCausa, organização comprometida com a defesa da vida e da dignidade humana, acredita que a transformação social começa pela escuta das comunidades e pelo fortalecimento do cuidado com quem mais precisa. Ao unir educação, saúde e mobilização local, o ComuniSaúde se estabelece como um importante instrumento de combate às desigualdades e de valorização da vida nas favelas da Baixada Fluminense. No mês de combate à cefaleia, o projeto convida moradores, lideranças comunitárias e profissionais da saúde a se engajarem em uma campanha inclusiva, acessível e transformadora. Afinal, reconhecer a dor é o primeiro passo para superá-la. ComuniSaúde e o impacto nas favelas O ComuniSaúde visa melhorar o acesso ao atendimento básico, promover saúde mental e fortalecer as redes comunitárias nas favelas da Baixada Fluminense. O projeto será implementado nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, em colaboração com secretarias municipais de saúde e instituições locais. O envolvimento dos moradores será crucial para mapear as necessidades e garantir que a campanha atinja todos de forma inclusiva. O lançamento da plataforma digital ComuniSaude.org.br também será parte importante do projeto, fornecendo informações detalhadas sobre os serviços de saúde disponíveis. A ComCausa também disponibilizará um número de telefone com aplicativos de mensagens para fornecer suporte durante a campanha, garantindo que a população tenha fácil acesso a orientações sobre os serviços de saúde. Acesse: comunisaude.org.br Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a  Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Mais notícias | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Tim-Lopes

Memória: Tim Lopes morto em 2002 durante reportagem na Vila Cruzeiro

No dia 2 de junho de 2002, o Brasil perdeu um dos seus mais corajosos jornalistas investigativos: Tim Lopes, assassinado enquanto apurava denúncias de tráfico de drogas e exploração sexual de menores em um baile funk na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro. Trabalhando para o programa Fantástico, da TV Globo, ele utilizava uma microcâmera escondida para registrar os crimes. Sua missão era revelar o que acontecia nos bastidores de festas controladas por traficantes, onde menores eram aliciados e drogas circulavam livremente. Quem foi Tim Lopes Nascido Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento, em Pelotas (RS), em 18 de novembro de 1950, Tim cresceu na favela da Mangueira, no Rio de Janeiro. Começou sua carreira jornalística como contínuo na revista Domingo Ilustrado e recebeu o apelido “Tim” por sua semelhança com o cantor Tim Maia. Formou-se jornalista pela Faculdade Hélio Alonso (FACHA) e passou por veículos importantes como O Globo, Jornal do Brasil, O Dia e Placar, onde venceu o Prêmio Abril de Jornalismo duas vezes. Em 1996, passou a integrar a equipe do Fantástico, na TV Globo. Tim Lopes era conhecido por seu jornalismo imersivo e por utilizar disfarces para revelar realidades ocultas: já trabalhou como pedreiro para denunciar más condições de obras, fingiu ser dependente químico em clínicas de reabilitação e viveu nas ruas para mostrar a situação de crianças abandonadas. Seu trabalho era pautado pelo compromisso com a verdade e pela denúncia de violações dos direitos humanos. A reportagem fatal Naquela noite de 2002, ao circular pela Vila Cruzeiro com uma bolsa na cintura que escondia a microcâmera, Tim foi abordado por homens armados que estranharam o equipamento. Eles o levaram até o traficante Maurício de Lima Martins, conhecido como “Boi”, e depois até André da Cunha Barbosa, o “André Capeta”. Após revistá-lo, descobriram a câmera e o microfone escondido. Mesmo ao se identificar como jornalista da Rede Globo, Tim não portava o crachá. Foi então conduzido ao Complexo do Alemão, reduto de Elias Pereira da Silva, o “Elias Maluco”, chefe do tráfico local. O jornalista foi mantido em cativeiro na Favela da Grota. Lá, foi torturado com golpes de espada japonesa e depois incinerado em um “micro-ondas” — gíria usada para a queima de corpos em pneus. O crime chocou o país pela brutalidade. Seus restos mortais foram identificados apenas um mês depois, por meio de exame de DNA. Repercussão e julgamento A brutalidade do assassinato gerou enorme repercussão nacional e internacional, escancarando os riscos enfrentados por jornalistas que investigam o crime organizado. O caso teve ampla cobertura e tornou-se símbolo da luta pela liberdade de imprensa. O processo judicial se tornou um dos maiores já registrados no Judiciário fluminense, com 13 volumes. Elias Maluco foi preso em setembro de 2002 e, em 2005, condenado a 28 anos e seis meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Outros sete envolvidos também foram condenados. Em 2020, Elias Maluco foi encontrado morto na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Legado e homenagens A morte de Tim Lopes provocou reações em todo o país e levou à criação da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), fundada em dezembro de 2002 com o objetivo de fortalecer o jornalismo e proteger repórteres que atuam em situações de risco. Seu nome também batiza o Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes, no Complexo do Alemão, e a Avenida Tim Lopes, na Barra da Tijuca, ambos no Rio de Janeiro. Postumamente, Tim recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, entregue pela então presidente Dilma Rousseff em 2012, e o Prêmio Vladimir Herzog, em 2017. Seu filho, Bruno Quintella, também jornalista, lançou em 2014 o documentário Tim Lopes – Histórias de Arcanjo, que recupera sua trajetória de vida e compromisso com a verdade. Símbolo da luta pela verdade Mais de duas décadas após seu assassinato, Tim Lopes segue como símbolo de coragem no jornalismo brasileiro. Sua história evidencia o quanto a apuração de denúncias pode ser arriscada em regiões dominadas pelo crime organizado, e reforça a urgência da defesa da vida, da liberdade de imprensa e da proteção a profissionais da comunicação. A memória de Tim Lopes permanece viva como inspiração para novas gerações de repórteres que, como ele, não se intimidam diante da injustiça. Até hoje, o julgamento dos responsáveis pelo crime é visto como um dos maiores processos do Judiciário fluminense. O processo foi concluído com 13 volumes. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Caso Miguel Otávio Santana da Silva

Memória: 5 anos do caso Miguel Otávio Santana da Silva

No dia 2 de junho de 2020, o Brasil foi abalado pela trágica morte de Miguel Otávio Santana da Silva, um menino de apenas 5 anos. O incidente ocorreu enquanto a criança acompanhava sua mãe, Mirtes, no trabalho, devido à suspensão das aulas na creche em decorrência das medidas de quarentena durante a pandemia de Covid-19. No período da manhã, Miguel brincava com a filha dos patrões no apartamento do quinto andar de um prédio de luxo no Centro do Recife. Enquanto a mãe descia para passear com o cachorro dos patrões, ela informou à patroa que as crianças não a acompanhariam por estarem dando trabalho. De acordo com as imagens das câmeras de segurança, a patroa permitiu que o menino entrasse sozinho no elevador de serviço para procurar sua mãe. Após uma breve conversa com a criança, ela aparentemente pressionou um botão de um andar alto do prédio antes de deixá-lo sozinho no elevador. A porta se fechou e o garoto seguiu para o andar escolhido. Mirtes relatou que viu o filho com vida, lutando para respirar, mas com os olhos imóveis. Desesperada, ela e a patroa levaram Miguel de carro para o Hospital da Restauração, mas infelizmente ele não resistiu e faleceu. Após o incidente, os ex-patrões compareceram ao velório de Miguel e abraçaram Mirtes. No entanto, ela só teve conhecimento das imagens do elevador posteriormente, o que gerou indignação e revolta em relação à atitude da ex-patroa. Sari Corte-Real, a ex-patroa, foi presa em flagrante sob suspeita de homicídio culposo por negligência, mas pagou fiança de R$ 20 mil e aguardou o processo em liberdade. Em 31 de maio de 2022, quase dois anos após a morte de Miguel, Sari foi condenada a oito anos e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. O juiz determinou que ela inicie o cumprimento da pena em regime fechado. Apesar disso, Sari ainda tem o direito de recorrer da decisão em instâncias superiores e permanecer em liberdade enquanto aguarda o resultado dos recursos. O advogado de Mirtes afirmou que irá recorrer para que a pena seja aumentada, enquanto o advogado de defesa de Sari pretende apelar para que ela seja inocentada. Além da condenação penal, Sari e seu marido, Sérgio Hacker, ex-prefeito de Tamandaré, também foram acusados de fraude na Justiça do Trabalho por terem empregado trabalhadoras domésticas particulares como funcionárias da prefeitura, sem que essas mulheres efetivamente trabalhassem para o poder público. Paralelamente, um processo cível está em andamento para tratar dos danos materiais e morais sofridos pelos pais de Miguel, Mirtes Souza e Paulo Inocêncio, e pela avó, Marta Santana. A família busca compensação pelos danos causados pela perda trágica e irreparável do filho. A morte de Miguel despertou uma grande comoção na sociedade brasileira, levantando questões sobre o tratamento e o valor das vidas das crianças, bem como a desigualdade social e a exploração do trabalho doméstico. O caso trouxe à tona a discussão sobre a responsabilidade dos empregadores em garantir a segurança e o cuidado adequados aos filhos de seus funcionários. A condenação de Sari Corte-Real representa um passo importante na busca por justiça para a família de Miguel. No entanto, Mirtes e seus advogados consideram a pena branda diante da gravidade do ocorrido e da perda irreparável que enfrentam. Eles continuarão lutando para que a justiça seja feita e para que casos como esse não se repitam, garantindo a proteção e o respeito à vida das crianças. Enquanto aguardam o desfecho dos processos legais, a família de Miguel segue enfrentando a dor da perda e buscando forças para superar essa tragédia. A sociedade como um todo é convocada a refletir sobre a importância de um ambiente seguro e digno para todas as crianças, onde seus direitos sejam respeitados e protegidos. O caso de Miguel serve como um lembrete doloroso de que a negligência e a falta de cuidado podem ter consequências trágicas. É necessário que todos nós, como sociedade, nos empenhemos em criar um ambiente onde a vida e o bem-estar das crianças sejam prioridade, proporcionando um futuro seguro e saudável para cada uma delas. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Rebio - Tinguá

REBIO Tinguá celebra 36 anos com protagonismo científico e comunitário no IX Encontro de Pesquisadores e Sociedade

Nos dias 30 e 31 de maio, a Reserva Biológica do Tinguá (REBIO) comemorou seus 36 anos de existência com a realização do IX Encontro de Pesquisadores e Sociedade, consolidando-se como espaço privilegiado de diálogo entre ciência, educação ambiental e participação popular. Promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o evento reuniu pesquisadores, ambientalistas, estudantes, gestores públicos e lideranças comunitárias em torno de reflexões sobre a proteção da Mata Atlântica e o fortalecimento das ações socioambientais na região. Primeiro dia: ciência e cidadania na UFRRJ A programação teve início na sexta-feira, dia 30, no Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, em Nova Iguaçu, com o credenciamento dos participantes e um café de boas-vindas que antecipava o espírito colaborativo do encontro. A mesa de abertura contou com representantes do ICMBio, da REBIO do Tinguá, do INEA, da CEDAE, de prefeituras da Baixada Fluminense e de instituições parceiras, que homenagearam os servidores e voluntários que, desde 1989, dedicam-se à proteção dos mais de 26 mil hectares da reserva. As atividades da manhã foram marcadas por apresentações de pesquisas científicas recentes, incluindo estudos sobre fauna e flora da região, e pelo compartilhamento de experiências comunitárias, como mutirões de reflorestamento, ações de educação ambiental em escolas e formação de brigadistas locais. Durante a tarde, dois painéis trouxeram reflexões fundamentais para o futuro das unidades de conservação. Pedro Menezes, do Ministério do Meio Ambiente, abordou a necessidade de repensar o uso público nas UCs, defendendo o turismo de base sustentável como aliado da preservação. Em seguida, Flávia Guimarães Chaves, do Instituto Nacional da Mata Atlântica, explicou como se dá a elaboração de listas de espécies ameaçadas, conectando a pesquisa científica à formulação de políticas públicas. O “Café com Ciência” possibilitou o intercâmbio entre gerações de pesquisadores, com a exposição de painéis por estudantes e sorteio de brindes ecológicos – mudas nativas e publicações especializadas – como símbolo do compromisso com a restauração e a valorização do bioma. Segundo dia: experiência prática no território da REBIO No sábado, 31 de maio, os participantes se dirigiram à Estação de Educação Socioambiental da REBIO do Tinguá. A vivência na floresta, conduzida por analistas ambientais, incluiu trilhas interpretativas por nascentes, encostas e áreas de mata densa, com observação direta de espécies. A proposta pedagógica “conhecer para preservar” se revelou poderosa ferramenta de sensibilização, conectando afetivamente os visitantes ao território protegido. Organização e articulações estratégicas A qualidade e o alcance do IX Encontro de Pesquisadores e Sociedade da REBIO do Tinguá só foram possíveis graças ao esforço conjunto das equipes técnicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sob a liderança de Gisele Medeiros, chefe da Reserva Biológica do Tinguá. A mobilização envolveu também servidores do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), técnicos da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), secretarias municipais de Meio Ambiente da região e diversas instituições parceiras. A logística eficiente, o engajamento de voluntários e a articulação de apoios institucionais permitiram a realização de um encontro plural, bem-sucedido em todos os aspectos, marcando um importante momento de convergência entre ciência, sociedade civil e poder público.  Durante o evento, a gestora Gisele Medeiros recebeu Adriano Dias, fundador da ComCausa, que propôs uma parceria permanente entre a organização e a Reserva Biológica do Tinguá. O processos contínuos de articulação comunitária, valorização histórica e patrimonial, e promoção da educação ambiental nos territórios do entorno da unidade de conservação. Segundo Adriano Dias, “a ComCausa quer fortalecer a memória das mobilizações populares que deram origem à REBIO do Tinguá, e colaborar na construção de uma cidadania ecológica ativa, incluindo atividades permanentes de formação e envolvimento comunitário. A defesa da vida passa pela preservação da natureza.” Memória das mobilizações populares Adriano lembrou que participou das primeiras mobilizações pela criação da unidade de conservação, ainda no final da década de 1980, quando ocorreu um inédito plebiscito comunitário em Nova Iguaçu. Na ocasião, centenas de moradores votaram entre transformar a área em Parque Nacional ou Reserva Biológica — e venceram os que defendiam a proteção integral da floresta. Entre os anos de 1987 e 1989, associações de moradores, escoteiros, igrejas, professores da universidades e ambientalistas organizaram passeatas ecológicas, abaixo-assinados e reuniões públicas, pressionando o governo federal. A mobilização surtiu efeito: em 23 de maio de 1989, o então presidente José Sarney assinou o Decreto nº 97.780, criando oficialmente a Reserva Biológica do Tinguá, com uma área de 26.260 hectares. Poucos anos depois, em 1992, a REBIO passou a integrar a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO, o que conferiu status internacional à iniciativa e atraiu pesquisadores de todo o país. Legado e perspectivas Mais do que uma comemoração institucional, o IX Encontro de Pesquisadores e Sociedade demonstrou, na prática, que a articulação entre ciência, educação ambiental e participação popular é um dos caminhos mais sólidos para preservar o que ainda resta da Mata Atlântica. A atividade reafirmou o papel da REBIO do Tinguá como referência em conservação ambiental no estado do Rio de Janeiro, e lançou as bases para futuras iniciativas. Entre elas, está o planejamento de um mutirão regional de reflorestamento, previsto para este ano, além da ampliação dos programas de ciência cidadã — com envolvimento direto das comunidades do entorno em processos de monitoramento ambiental, formação e recuperação da biodiversidade. A Reserva Biológica do Tinguá permanece, 36 anos após sua criação, como guardiã da biodiversidade fluminense, laboratório vivo para pesquisas ecológicas e um símbolo da resistência ambiental no Brasil. Um espaço onde se constrói, dia após dia, uma cidadania ambiental ativa, transformadora e comprometida com a defesa da vida. Leia também | Editoria Virtuo Comunicação | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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