O coletivo AMaréVê nasceu no final de 2014, no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, como um movimento de comunicação e audiovisual comprometido em contar histórias, produzir memória e fortalecer as narrativas das favelas. Criado por Jessica Pires, Karina Donaria, Mayara Donaria e Suzane Santos, o grupo surgiu durante um dos ciclos da Agência de Redes para Juventude, unindo o olhar jovem e periférico em torno de um propósito: ressignificar o olhar sobre o território e valorizar suas potências por meio da arte, cultura e informação.
A AMaréVê atua na produção cultural, audiovisual e comunicação popular, com foco em temas como empreendedorismo, negritude, gênero e cotidiano das favelas. Além de desenvolver produções autorais, o coletivo também presta serviços de fotografia, audiovisual e comunicação digital para organizações sociais, artistas e empreendedores locais.
Entre suas principais ações está a Exposição AMaréVê, apresentada na intervenção cultural “Nós da Maré”, promovida pelo Galpão Bela Maré e o Observatório de Favelas. A mostra trouxe retratos e histórias de moradores do Parque União, destacando a potência e o afeto que marcam o cotidiano da favela.
Durante a pandemia de COVID-19, o coletivo teve papel ativo na distribuição de alimentos e itens essenciais em parceria com iniciativas como Redes da Maré, Voz das Comunidades e Frente Maré. Nesse período, também criou o programa “Batendo a Laje”, série virtual com cinco episódios que tratou de forma leve e informativa o enfrentamento ao coronavírus nas favelas, alcançando mais de 1 milhão de pessoas nas redes sociais.
O projeto integrou o Plano de Enfrentamento à COVID-19 nas Favelas (54x Favelas – Fiocruz), tornando-se um exemplo de como a comunicação comunitária pode atuar como ferramenta de cuidado, conscientização e transformação social.
Com uma atuação contínua na defesa da memória, da representatividade e das redes culturais, a AMaréVê reafirma o poder da favela como espaço de criação, resistência e voz própria.
Comunicação e presença digital
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.
Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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