O Coletivo Comuns, localizado na Favela do Batan, em Realengo, atua para fortalecer a comunidade por meio da educação, da comunicação popular e da formação cidadã. Com cursos de capacitação, rodas de conversa e iniciativas de inclusão social, o grupo se tornou uma referência local no estímulo ao conhecimento, ao protagonismo juvenil e à solidariedade. O coletivo foi contemplado pelo Edital Fiocruz e integra o Dicionário de Favelas Marielle Franco.

Fundado com o propósito de ampliar oportunidades no território, o Comuns trabalha com a missão de promover justiça social por meio da educação. A visão do grupo se apoia em valores como empatia, sororidade, direitos humanos, resistência e cultura — princípios que orientam ações construídas de forma horizontal, coletiva e com foco no fortalecimento das identidades locais.

Um território marcado por história e desafios

O Batan, situado na Zona Oeste do Rio, se desenvolveu a partir de ocupações iniciadas nos anos 1950. O nome deriva de “ubatã”, árvore comum na região, hoje praticamente desaparecida. Nas décadas de 1970 e 1980, o rápido crescimento populacional resultou na consolidação da favela, marcada pela falta de saneamento e urbanização. É neste contexto de desigualdades históricas que o Coletivo Comuns atua, oferecendo ferramentas para autonomia e transformação social.

Cursos que ampliam horizontes

Entre os principais projetos está o Curso de Comunicação e Mídias Sociais, realizado em parceria com a União Brasileira de Mulheres e voltado para quem busca dominar ferramentas digitais — do Canva à produção de conteúdo para redes. Outro destaque é o Curso de Comunicação e Tecnologias Digitais, desenvolvido com a Fiocruz e o Ibesva, que qualifica moradores para atuação profissional e participação política no ambiente digital.

O coletivo também mantém o Pré-Vestibular Comuns, criado para apoiar estudantes rumo ao ensino superior. Além das aulas remotas e presenciais, o projeto chegou a custear inscrições do Enem para parte dos alunos, reforçando o compromisso com a democratização do acesso à educação.

Jornal Fala Batan dá voz à comunidade

O jornal comunitário Fala Batan é outra iniciativa fundamental. Com linguagem clara e direta, o veículo aborda temas como saúde, esporte e educação, além de destacar moradores na coluna “Papo de Cria”. O jornal circula nas ruas, caixas de correio e plataformas digitais, fortalecendo a comunicação local e promovendo visibilidade para histórias e demandas do território.

Espaço de resistência e pertencimento

Para o Coletivo Comuns, cada ação reflete a convicção de que educação, comunicação e cultura são ferramentas de enfrentamento das desigualdades. As atividades fortalecem vínculos, promovem cidadania e reafirmam a potência do território — mostrando que favela produz conhecimento, tecnologia, criatividade e cuidado.

Comunicação e presença digital

E-mail: falabatan@gmail.com

Telefone: (21) 97412-6292

Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro

rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como FiocruzIFFUENFUFRJUERJPUCRJSBPC, Alerj e Abrasco  atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.

Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.

Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.

Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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