A Biblioteca Comunitária Wagner Vinício se tornou um dos pilares culturais de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Criada pela própria comunidade, ela nasceu para oferecer às crianças e jovens um espaço seguro, educativo e acolhedor. Desde 2006, o local estimula a leitura, promove atividades culturais e fortalece os laços entre moradores.
Com quase três mil títulos catalogados por gênero literário, a biblioteca realiza uma média de 235 empréstimos mensais. Seu funcionamento diário — de segunda a sexta, das 9h às 19h — reforça o compromisso com o acesso à literatura como ferramenta de transformação social.
Um espaço que surgiu da força comunitária
A criação da biblioteca foi motivada pela falta de opções culturais para jovens da região. O primeiro conjunto de livros veio do jovem morador Wagner Vinício, que mais tarde daria nome ao espaço após uma votação comunitária — uma homenagem motivada por sua contribuição e curta trajetória interrompida por um acidente de trânsito. Seu nome recebeu 90% dos votos.
A partir de iniciativas voluntárias, a biblioteca se estruturou, recebeu doações, conquistou reconhecimento e se tornou cofundadora da Rede de Bibliotecas Comunitárias Conexão Leitura (2009) e da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (2015).
Hoje, seu acervo já ultrapassa sete mil títulos, incluindo literatura infantil, juvenil e adulta, mangás, poesia e obras brasileiras e estrangeiras. A organização simples por cores facilita a autonomia dos leitores.
Mulheres à frente da transformação
A coordenação da biblioteca é conduzida por três mulheres que representam a força e a resistência da comunidade:
Simone Araújo, arte educadora e coordenadora desde 2014, lidera ações culturais, rodas de leitura e oficinas;
Nikolly Alves, jovem leitora da comunidade que se tornou mediadora;
Juliana Moreira, que cresceu dentro da biblioteca e hoje cursa Pedagogia na UERJ, promovendo atividades que formam novos leitores.
A equipe atua com dedicação para que o espaço continue sendo referência no acesso à cultura e à educação.
Cultura viva em movimento
A biblioteca oferece atividades para todas as idades, entre elas:
- Mediação de leitura para incentivar o pensamento crítico;
- Rodinhas temáticas, que abordam temas sociais e contemporâneos;
- Sarau, dando voz à poesia, música e expressões artísticas locais;
- Biblioteca itinerante, levando leitura ao ar livre para praças, ruas e escolas.
Essas ações ampliam o alcance da literatura e fortalecem a identidade cultural da comunidade.
Resistência durante a pandemia
Mesmo com as restrições impostas pela COVID-19, o serviço de empréstimo de livros continuou de forma segura. A biblioteca participou da Chamada Pública da Fiocruz com o projeto “Acessibilidade aos Recursos que Promovam o Desenvolvimento Educacional em Tempos de COVID-19”, criando polos de reforço escolar e alfabetização em Rio Novo e Areal I. A iniciativa amparou crianças que enfrentaram perdas significativas no aprendizado devido ao fechamento das escolas.
Um território cultural em uma das maiores favelas do Rio
Localizada em Rio Novo, uma das regiões de Rio das Pedras — favela com cerca de 63 mil moradores, segundo o IBGE — a biblioteca atende diversas áreas do território, funcionando como um ponto de referência cultural e educativo.
Mais do que um espaço de livros, a Biblioteca Comunitária Wagner Vinício é prova de que a união da comunidade pode construir caminhos de transformação social, promovendo leitura, cidadania e defesa da vida em todos os sentidos.
Comunicação e presença digital
E-mail:Bibliotecacomunitariawv@gmail.com
Sobre o Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
A rede Saúde da Favela, atualmente denominada 146x Favela, representa uma construção inédita que une o saber científico das universidades à vivência concreta das comunidades. Nela, instituições de referência como Fiocruz, IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco atuam em cooperação direta com coletivos de base, movimentos populares e organizações locais, formando uma estrutura de colaboração sem precedentes em escala e profundidade.
Hoje, a rede articula 146 iniciativas comunitárias, cada uma com sua história, identidade e base territorial. Essa capilaridade é um de seus maiores diferenciais, permitindo que o debate sobre o direito à saúde chegue a espaços onde o Estado historicamente se ausenta — nas vielas, becos, ocupações, periferias urbanas e áreas rurais marginalizadas.
Outro pilar essencial é a diversidade dos parceiros: associações de moradores, coletivos de juventude, grupos de comunicação comunitária, instituições de educação popular, terreiros de matriz africana, articulações indígenas, movimentos de mulheres, LGBTQIAPN+ e tantos outros. É essa pluralidade de experiências e saberes que dá vida à iniciativa, transformando-a em um verdadeiro instrumento de democratização da saúde.
Ao integrar-se à rede, a ComCausa Defesa da Vida busca fortalecer esse potencial coletivo, contribuindo para consolidar uma política de saúde fundada na escuta, na ciência e na dignidade humana — pilares de um futuro em que a favela não seja vista como espaço de carência, mas como território de potência, conhecimento e esperança.

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