No dia seguinte à Operação Contenção, a mais letal da história do Rio de Janeiro, moradores do Complexo da Penha relataram um cenário ainda mais alarmante do que os números oficiais revelam. Mais de 50 corpos foram levados entre a noite de terça (28) e a manhã desta quarta-feira (29) até a Praça São Lucas, um dos principais pontos da região.
Essas vítimas não estão incluídas na contagem oficial de 64 mortos divulgada pelo governo do estado, o que acende o alerta para possíveis subnotificações, desaparecimentos e ações fora do protocolo legal.
Vídeos e relatos nas redes sociais mostram moradores transportando corpos envoltos em lençóis e sacos plásticos, muitos com marcas de tiros, empilhados sob tendas improvisadas. A cena chocante mobilizou coletivos de direitos humanos e a Defensoria Pública, que já solicitam acesso irrestrito aos dados e às perícias.
Segundo testemunhas, os corpos teriam sido recolhidos em becos e vielas após a retirada das tropas policiais. A população local alega que muitos deles estavam feridos e sem socorro durante os confrontos. Há ainda denúncias de que equipes do Estado não retornaram às áreas para fazer o recolhimento adequado ou prestar assistência.
“Essas vidas não podem desaparecer da estatística. Cada corpo deixado na praça é uma denúncia silenciosa de que algo saiu completamente do controle”, afirmou um defensor público que atua na Zona Norte.
A ComCausa, que atua na Defesa da vida e promoção dos direitos humanos, exigiu transparência no processo de identificação e contabilização das vítimas. “Não se pode admitir que haja corpos fora da contagem oficial. Isso fere a dignidade das famílias e o direito à verdade”, declarou a organização em nota.
A Polícia Civil ainda não confirmou se esses corpos foram oficialmente recolhidos e registrados. A Secretaria de Segurança Pública do estado disse que irá verificar os relatos, mas reforçou que a operação teve como alvo criminosos armados e foi “estrategicamente coordenada”.
O que se sabe até agora:
- Moradores relatam mais de 50 corpos levados à Praça São Lucas, no Complexo da Penha
- Vítimas não estão no balanço oficial de 64 mortos divulgado pelo governo
- Possibilidade de desaparecimentos e execuções fora de registro
- Denúncias foram encaminhadas à Defensoria Pública e entidades de direitos humanos
- Polícia Civil ainda não confirmou inclusão dos corpos nos dados oficiais
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