Na próxima segunda-feira, dia 1º de julho de 2025, será inaugurado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, o Memorial Moïse Kabagambe, um espaço idealizado para preservar a memória do jovem congolês brutalmente assassinado em janeiro de 2022 e transformar o luto em luta por dignidade, reparação e justiça social. O equipamento público nasce como um marco de resistência e como símbolo do combate ao racismo, à xenofobia e à violência contra pessoas negras e refugiadas no Brasil.
A cerimônia de inauguração contará com a presença de autoridades, representantes de movimentos sociais, ativistas de direitos humanos e da comunidade africana residente no país. Localizado em uma área pública cedida pela Prefeitura do Rio, próxima ao Parque Natural Municipal da Prainha, o espaço terá programação cultural permanente, com apresentações de música, dança, rodas de conversa e oficinas de arte de matriz africana.
Além disso, o memorial funcionará como um centro de apoio à população refugiada, com ações de capacitação, geração de renda e assistência social. A estrutura incluirá uma cozinha-escola, uma galeria expositiva e uma loja colaborativa para a comercialização de produtos feitos por imigrantes e refugiados, especialmente aqueles vindos do continente africano.
Moïse Mugenyi Kabagambe, que veio para o Brasil fugindo da guerra na República Democrática do Congo, foi espancado até a morte aos 24 anos, no quiosque onde trabalhava como ambulante, no Posto 8 da Barra. Seu assassinato, registrado por câmeras de segurança, gerou comoção nacional e internacional, reacendendo o debate sobre o racismo estrutural e a violência contra imigrantes negros no Brasil. Manifestações em sua memória ocorreram em várias capitais do país e mobilizaram a sociedade civil.
Segundo os organizadores, o memorial não é apenas um tributo à vida de Moïse, mas um compromisso com políticas públicas de reparação e inclusão. “Queremos transformar a dor em ação. O Memorial é uma forma de manter viva a memória de Moïse e, ao mesmo tempo, garantir que refugiados como ele tenham espaço, voz e dignidade. É uma reparação simbólica, mas também prática, com oportunidades reais de trabalho e expressão cultural”, afirma um dos idealizadores do projeto.
A iniciativa é fruto de articulação entre a Prefeitura do Rio, a Secretaria Municipal de Cultura, o Comitê Estadual Intersetorial de Políticas de Atenção a Refugiados e Migrantes, a sociedade civil e organizações internacionais que atuam em prol dos direitos das pessoas em situação de refúgio.
A expectativa é que o Memorial Moïse Kabagambe se consolide como ponto de referência para o acolhimento de refugiados e a valorização das culturas africanas no Brasil, atuando também como espaço educativo, aberto a escolas e universidades.
A inauguração será aberta ao público e terá início às 10h, com uma programação especial que inclui homenagem à família de Moïse, apresentações de músicos africanos, uma cerimônia inter-religiosa e o lançamento de uma exposição inaugural sobre a trajetória do jovem congolês e a luta antirracista no Brasil contemporâneo.
Ao transformar um local de violência em um território de cultura, solidariedade e reparação, o Memorial Moïse Kabagambe se propõe a reescrever a história com justiça e dignidade — e a manter viva a memória de um jovem que veio buscar paz e teve a vida interrompida pela brutalidade.
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