A ComCausa foi recebida no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — IPHAN para dialogar sobre a preservação da memória do marinheiro João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata e símbolo da luta contra o racismo e a violência institucional no Brasil.
A agenda contou com a participação de Adriano Dias, representando a ComCausa, e de Giorge Patrick Bessoni e Silva, representante do IPHAN. O encontro teve como foco o fortalecimento do Museu Municipal Marinheiro João Cândido, localizado em São João de Meriti, e a construção de caminhos para uma política de memória, reparação histórica e educação patrimonial.
Diálogo com o IPHAN
Durante a reunião, a ComCausa apresentou a importância de reconhecer o museu como um espaço estratégico para preservar a história de João Cândido e da Revolta da Chibata.
A organização destacou que essa memória não é apenas local. Ela faz parte da história nacional da população negra, dos trabalhadores pobres, da luta por dignidade e do enfrentamento ao racismo institucional.
“Fomos muito bem recebidos pelo Giorge Bessoni, que demonstrou sensibilidade, atenção e compromisso com a escuta dessa pauta. Para nós, esse diálogo com o IPHAN é muito importante, porque abre caminhos para tratar a memória de João Cândido como uma agenda de patrimônio, reparação histórica e educação”, afirmou Adriano Dias.
Fortalecimento do museu
A ComCausa defendeu que o Museu Municipal Marinheiro João Cândido deve ser valorizado como um lugar de memória nacional. O espaço pode contribuir para pesquisas, visitas escolares, ações culturais, formação de professores e atividades sobre direitos humanos, igualdade racial e história afro-brasileira.
Entre os pontos apresentados ao IPHAN estão: apoio técnico para preservação do museu; organização, catalogação e digitalização de acervos; construção de um inventário de memória sobre João Cândido; valorização dos lugares ligados à sua trajetória; e ações de educação patrimonial com escolas, universidades e comunidade.
Proposta formal ao IPHAN
A ComCausa informou que irá encaminhar uma proposta formalizada ao IPHAN, reunindo os pontos discutidos na reunião e apresentando sugestões de cooperação institucional.
A entidade também solicitou uma interlocução com a representação do IPHAN no Rio de Janeiro, considerando que o museu está localizado em São João de Meriti e que a articulação territorial será fundamental para o avanço da pauta.
“A nossa intenção é construir uma proposta responsável, com base técnica e participação social. O museu já existe e tem um papel fundamental. O que buscamos agora é ampliar sua força institucional e fazer com que essa memória seja reconhecida como parte essencial da história brasileira”, destacou Adriano Dias.
Reparação histórica
Para a ComCausa, reconhecer João Cândido é enfrentar o apagamento histórico de lideranças negras e populares que foram perseguidas por desafiar estruturas de violência e racismo.
A Revolta da Chibata, liderada por João Cândido em 1910, denunciou os castigos físicos aplicados contra marinheiros, muitos deles negros e pobres, mesmo após a abolição formal da escravidão.
“João Cândido representa uma luta por dignidade, justiça e humanidade. Preservar essa memória é também reconhecer uma dívida histórica do Estado brasileiro com os marinheiros negros, com os trabalhadores pobres e com a população negra do Brasil”, afirmou Adriano Dias.
Próximos passos
A partir da reunião, a ComCausa pretende avançar na elaboração da proposta a ser enviada ao IPHAN, articulando parceiros, pesquisadores, movimentos sociais, instituições públicas e representantes locais.
A expectativa é que o diálogo contribua para fortalecer o Museu Municipal Marinheiro João Cândido como referência de memória, educação patrimonial, direitos humanos e reparação histórica na Baixada Fluminense e no Brasil.
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