João Oscar

Sol Terra Planeta

Dia do Planeta Terra também conhecido como Dia da Mãe Terra

Celebrado em 22 de abril, o Dia do Planeta Terra — também conhecido como Dia da Mãe Terra — é uma data dedicada à conscientização global sobre a importância de preservar o meio ambiente e adotar práticas sustentáveis. Criado em 1970 nos Estados Unidos, a partir de uma proposta do senador Gaylord Nelson, o dia tornou-se um marco mundial para refletir sobre os impactos da ação humana sobre o planeta e reforçar o compromisso coletivo com a sua proteção. A iniciativa surgiu em um contexto de crescentes preocupações com a poluição e a degradação ambiental provocadas pela industrialização e pela exploração desenfreada dos recursos naturais. Desde então, o 22 de abril passou a mobilizar governos, empresas, organizações e cidadãos de todo o mundo, incentivando debates, ações práticas e políticas públicas voltadas à sustentabilidade. A data ganhou reconhecimento global e foi oficialmente adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mãe Terra. Atualmente, os principais desafios ambientais enfrentados pelo planeta incluem o desmatamento, a crise climática, a poluição atmosférica e hídrica, o descarte incorreto de resíduos e a perda acelerada da biodiversidade. O Dia da Terra se apresenta como um chamado à ação frente a essas ameaças. Práticas como o uso consciente da água e da energia, a redução de plástico descartável, o incentivo à reciclagem, o apoio a fontes de energia renovável e a valorização da agroecologia são passos fundamentais para promover uma convivência mais equilibrada entre os seres humanos e a natureza. Além das reflexões, o dia é marcado por atividades simbólicas e educativas em escolas, comunidades e instituições. Plantio de árvores nativas, campanhas de coleta seletiva, mutirões de limpeza em espaços públicos e até ações artísticas, como murais ecológicos e pinturas infantis sobre o planeta, são algumas das formas de engajar a sociedade. Em algumas localidades, iniciativas como apagar as luzes por um minuto lembram a urgência de repensar nossos hábitos de consumo, evocando eventos como a Hora do Planeta, que promove a mesma proposta no mês de março. Em tempos de pandemia e de intensificação das mudanças climáticas, o Dia do Planeta Terra surge como um lembrete de que proteger a natureza é também cuidar da saúde e da vida — nossa e das próximas gerações. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Morte Papa Francisco

Morre aos 88 anos Papa Francisco o primeiro papa latino-americano

O Papa Francisco, líder supremo da Igreja Católica, faleceu aos 88 anos na madrugada desta segunda-feira (21 de abril), em sua residência na Casa Santa Marta, no Vaticano, em Roma. A informação foi confirmada pelo cardeal Kevin Farrell, que destacou a serenidade do pontífice em seus últimos momentos. Francisco lutava contra complicações respiratórias decorrentes de uma pneumonia dupla, que o manteve internado por cerca de 40 dias antes de seu falecimento. Nos dias que antecederam sua morte, o Papa Francisco ainda demonstrava resiliência. No sábado (19 de abril), apareceu publicamente na Basílica de São Pedro, e no Domingo de Páscoa (20 de abril), abençoou milhares de fiéis na Praça de São Pedro. Em seu último discurso, fez um apelo emocionado: “Peço aos responsáveis políticos que não cedam à lógica do medo, mas usem os recursos para ajudar os necessitados, combater a fome e promover o desenvolvimento”. Suas palavras ecoaram como um testamento de seu compromisso com os mais vulneráveis. O histórico de saúde do pontífice sempre foi delicado. Desde a juventude, enfrentou problemas respiratórios — chegou a ter parte de um pulmão removido —, e nos últimos anos, crises de bronquite e dores crônicas no joelho limitaram suas atividades. Em fevereiro de 2025, foi internado novamente devido a um grave quadro de bronquite, exigindo transfusões de sangue. Apesar dos esforços médicos, as complicações infecciosas foram irreversíveis. Trajetória: do subúrbio de Buenos Aires ao VaticanoNascido Jorge Mario Bergoglio em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, na Argentina, Francisco era filho de imigrantes italianos. Formado em química, abandonou a carreira científica aos 20 anos para ingressar no seminário da Companhia de Jesus. Ordenado sacerdote em 1969, destacou-se por seu trabalho nas periferias argentinas durante a crise econômica de 2001, onde ganhou o apelido de “bispo dos pobres”. Sua ascensão na hierarquia católica foi marcante: tornou-se arcebispo de Buenos Aires em 1998, cardeal em 2001 e, em 2013, foi eleito o primeiro papa latino-americano da história, sucedendo Bento XVI após sua renúncia. Adotou o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da humildade e da conexão com a natureza. Legado de reformas e desafiosFrancisco será lembrado como um líder progressista que desafiou tradições seculares. Promoveu diálogo com grupos marginalizados, incluindo a comunidade LGBTQ+, e em 2025, o Vaticano aprovou diretrizes permitindo a entrada de homens gays em seminários, desde que vivessem em castidade. Também enfrentou escândalos de abuso sexual na Igreja com firmeza, reunindo-se pessoalmente com vítimas em Portugal em 2023 e criticando a omissão de líderes religiosos. Sua encíclica Laudato Si’ (2015) tornou-se um marco na defesa do meio ambiente, enquanto Fratelli Tutti (2020) reforçou seu chamado à fraternidade global. Apesar das críticas de setores conservadores, sua abordagem pastoral — marcada por gestos como lavar os pés de presidiários e abraçar refugiados — conquistou o coração de milhões. Reações globais e sucessãoLíderes mundiais lamentaram a perda. O presidente argentino Javier Milei decretou três dias de luto nacional, lembrando o trabalho de Bergoglio nas favelas de Buenos Aires. Joe Biden, presidente dos EUA, classificou-o como “uma luz em tempos sombrios”, e António Guterres, secretário-geral da ONU, destacou sua “incansável busca pela paz”. O Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, líder ortodoxo, chamou-o de “irmão que ensinou a ver Deus nos pequenos”. Enquanto isso, o Vaticano prepara o velório na Basílica de São Pedro, com um funeral que promete reunir multidões. O conclave para eleger seu sucessor ocorrerá em até 20 dias, em meio a expectativas sobre o futuro de uma Igreja dividida entre reformas e tradição. Um pontificado para a históriaFrancisco deixa um legado de compaixão e coragem. Sua vida, dedicada aos excluídos, e sua morte, cercada pelo mesmo silêncio humilde que marcou seu papado, consolidam-no como um dos papas mais influentes da era moderna. Como ele mesmo disse: “A verdadeira força não está no poder, mas no serviço”. Seu chamado para “construir pontes” seguirá como desafio para um mundo em busca de esperança. Líderes mundiais lamentam a morte do Papa Francisco, nesta segunda-feira (21). O pontífice morreu na madrugada desta segunda-feira (21), às 2h35 – 7h35, no horário do Vaticano. Argentina O presidente da Argentina, Javier Milei, encontra-se com o Papa Francisco no Vaticano em 11 de fevereiro de 2024. O presidente Argentino, Javier Milei, publicou uma nota de pesar em uma rede social dizendo ter recebido a notícia da morte de Francisco com profunda tristeza. “Foi com profunda tristeza que soube nesta triste manhã que o Papa Francisco, Jorge Bergoglio, faleceu hoje e agora descansa em paz. Apesar das diferenças que hoje parecem pequenas, ter podido conhecê-lo em sua bondade e sabedoria foi uma verdadeira honra para mim. Como Presidente, como argentino e, fundamentalmente, como homem de fé, despeço-me do Santo Padre e estou ao lado de todos nós que hoje lidamos com esta triste notícia”, escreveu o mandatário. Presidente da Argentina, Javier Milei, lamenta a morte do primeiro papa Argentino. Brasil Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que “a humanidade perde uma voz de respeito e acolhimento ao próximo” e citou a atuação do papa à frente da Igreja Católica. Lula decretou luto oficial de sete dias no Brasil pela morte do papa. “Com sua simplicidade, coragem e empatia, Francisco trouxe ao Vaticano o tema das mudanças climáticas. Criticou vigorosamente os modelos econômicos que levaram a humanidade a produzir tantas injustiças. Mostrou que esse mesmo modelo é que gera desigualdade entre países e pessoas. E sempre se colocou ao lado daqueles que mais precisam: os pobres, os refugiados, os jovens, os idosos e as vítimas das guerras e de todas as formas de preconceito.” Nota de pesar do presidente Lula pela morte do papa Francisco França Papa Francisco em encontro com o presidente francês Emmanuel Macron na sexta-feira (26) — Foto: Vatican Media/Handout via REUTERS O presidente da França, Emmanuel Macron, relembrou a trajetória do pontífice. “De Buenos Aires a Roma, o Papa Francisco quis que a Igreja levasse alegria e esperança, especialmente aos mais pobres. Que ela trabalhasse pela união entre os Homens, e entre a

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Chacina do Borel

Memória: Chacina do Borel

No final da tarde do dia 16 de abril de 2003, quatro jovens foram executados à queima roupa por policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar na favela do Borel, zona norte do Rio de Janeiro. Carlos Alberto da Silva Ferreira, pintor e pedreiro; Carlos Magno de Oliveira Nascimento, estudante; Everson Gonçalves Silote, taxista; e Thiago da Costa Correia da Silva, mecânico, foram assassinados durante uma operação policial do 6º Batalhão de Polícia Militar no morro do Borel, Zona Norte do Rio de Janeiro. Impedidos de se identificarem, foram atingidos na cabeça, tórax, braço e antebraço. O laudo cadavérico atestou uma “alta energia cinética” na saída dos projéteis, o que demonstra que alguns dos disparos foram efetuados à “queima roupa”. Naquela tarde, Thiago foi encontrar Magno, seu amigo de infância, na barbearia que fica na Estrada da Independência, uma das principais vias do morro e por onde é possível transitar de carro. Quando Magno e Thiago saíram do barbeiro, escutaram tiros e correram. Carlos Alberto, o “Carlinhos”, outro morador da comunidade, que tinha acabado de chegar na barbearia, também correu. Os três rapazes atravessaram a via e entraram numa vila bem em frente, a Vila da Preguiça. Ao entrarem na Vila, foram alvejados. Magno, que tinha apenas 18 anos, morreu na hora. Levou seis tiros, três pelas costas e três pela frente. Thiago, que tinha 19 anos, ainda agonizou no chão pedindo socorro e dizendo que era trabalhador. Morreu após levar cinco tiros, quatro pela frente e um pelas costas. Carlinhos tinha 21 anos. Sofreu doze disparos, sete deles pelas costas, além de fratura no antebraço e no fêmur. Cinco dos disparos atingiram a parte interna do seu antebraço direito e mãos direita e esquerda – o que demonstra que tentava se defender dos tiros efetuados contra ele. Outra vítima fatal da operação foi Everson Silote. O taxista voltava para casa a pé quando foi rendido por policiais militares na Estrada da Independência. Como trazia na mão um envelope com todos os seus documentos, tentou se identificar e, por esse motivo, teve seu braço direito quebrado por um golpe do policial. Afirmando ser trabalhador, insistiu em mostrar os documentos, mas foi executado antes de apresentá-los. Everson tinha 26 anos. Levou quatro tiros pela frente e um pelas costas. Nenhum morador conseguiu se aproximar das vítimas, nem mesmo seus familiares, pois os policiais impediam dizendo: “Quer ver? Então vai lá no Andaraí” (referindo-se ao hospital). Os policiais registraram as mortes como “autos de resistência”. No entanto, as investigações do caso, que contaram com perícias realizadas pela Polícia Federal (maio/2003) e pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (junho/2003), acompanhadas pelo Corregedor Geral da Polícia Unificada do Rio de Janeiro, concluíram que os quatro rapazes haviam sido mortos numa emboscada. A indignação uniu toda a favela aos familiares das vítimas. O coletivo das mães se reuniu e decidiu criar o “Movimento Posso me identificar? ”, que no ano seguinte teria como desdobramento a criação da “Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência”. Depois de diversas mobilizações, cinco dos dezesseis policiais envolvidos na chacina foram indiciados por homicídio qualificado. A partir de 2004, tiveram início os julgamentos dos PMs indiciados. Muitos recursos foram utilizados pela defesa dos policiais para adiar audiências, torcer informações ao júri popular e inclusive ANULAR o único julgamento no qual um dos responsáveis pela chacina havia sido condenado. Em abril de 2014, os Desembargadores da Quinta Câmara Criminal determinaram, por unanimidade, que fosse realizado novo julgamento do caso – o documento, assinado pelo desembargador Sergio Verani explicita que “as circunstâncias da ação policial demonstram a necessidade processual e democrática de ser feita, pelo Júri, uma nova avaliação”. Ainda assim, familiares e apoiadores da luta seguem aguardando que seja feita justiça pelos mortos nesta chacina. Os policiais alegaram legítima defesa e o caso foi registrado inicialmente como “auto de resistência”. Testemunhas, familiares das vítimas, e evidências forenses indicavam que se tratavam de execuções extrajudiciais. As investigações concluíram que os quatro jovens foram executados, que os policiais não agiram em legítima defesa e identificou os policiais responsáveis. No entanto, quinze anos depois, ninguém foi responsabilizado. A chacina do Borel ganhou repercussão internacional. Em 2003, a relatora especial da ONU para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Asma Jahangir, esteve na favela para ouvir os relatos dos parentes das vítimas e incluiu o caso no seu relatório sobre sua missão ao Brasil. Ainda no ano de 2003, a secretária-geral da Anistia Internacional, Irene Khan, também visitou o Borel para conversar com os parentes das vítimas. As investigações se arrastaram por muitos anos e, apenas em 2018, o júri popular indicou por 4 votos a 3 que o crime dos policiais seria enquadrado como culposo – sem a intenção de matar. Para os jurados, o sargento Washington Luiz de Oliveira Avelino, o cabo Marcos Duarte Ramalho e o soldado Paulo Marco Rodrigues Emilio cometeram homicídios decorrentes de intervenção policial. Assim, acabaram absolvidos da acusação por crime hediondo por 4 votos a 3. Durante toda a investigação, os depoimentos mudaram diversas vezes, bem como os familiares apontaram erros na condução do processo. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Dom Angélico Sândalo Bernardino símbolo da Igreja comprometida com os direitos humanos

Morre Dom Angélico Sândalo Bernardino símbolo da Igreja comprometida com os direitos humanos

Faleceu nesta terça-feira, 15 de abril de 2025, em São Paulo, aos 92 anos, Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito da Diocese de Blumenau. A notícia foi recebida com grande pesar por comunidades católicas e movimentos sociais de todo o país, que reconhecem nele uma liderança pastoral marcada pelo compromisso com os pobres, a justiça social e os direitos humanos. Nascido em 1933, em Saltinho (SP), Dom Angélico foi ordenado sacerdote em 1959 e nomeado bispo auxiliar de São Paulo em 1974, durante o regime militar. Atuou de forma destacada junto às pastorais sociais, comunidades de base e movimentos populares, sendo uma das vozes mais firmes da ala progressista da Igreja Católica. Em 2000, assumiu como o primeiro bispo da recém-criada Diocese de Blumenau (SC), onde permaneceu até sua aposentadoria em 2009. Mesmo após deixar o governo pastoral da diocese, manteve-se atuante na defesa de causas sociais e democráticas. Em 2022, celebrou o casamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Rosângela da Silva, demonstrando sua proximidade com lideranças populares e seu engajamento nas lutas por um país mais justo. Nota da Diocese de Blumenau Com profundo pesar, a Diocese de Blumenau comunica o falecimento de Dom Angélico Sândalo Bernardino, ocorrido hoje, 15 de abril, às 18h23, na residência do Padre Antônio Leite Barbosa Júnior. Unimo-nos em oração a todos os que partilham deste momento de luto, especialmente aos familiares, amigos e fiéis que caminharam com ele ao longo de sua vida e ministério. Dom Angélico exerceu seu episcopado com dedicação, marcando a história da Igreja no Brasil como bispo auxiliar de São Paulo e como primeiro bispo da Diocese de Blumenau, desde sua criação em 2000. Neste momento, elevamos nossas preces a Deus, com confiança na Sua misericórdia e na promessa da vida eterna. Que o Senhor acolha Dom Angélico em Sua paz e o recompense por todo o bem que realizou ao longo de sua caminhada. “Na casa do Pai há muitas moradas…” (Jo 14,2)Que ele descanse na luz e na paz do Cristo Ressuscitado. Infância e Formação Religiosa Dom Angélico Sândalo Bernardino nasceu em 19 de janeiro de 1933 no então distrito de Saltinho, município de Piracicaba, interior de São Paulo​. Filho de Duilio Bernardino e Catarina Sândalo – ambos descendentes de imigrantes italianos –, ele foi criado em uma família católica numerosa e humilde​. Desde cedo demonstrou inclinação religiosa; aos 11 anos de idade, manifestou o desejo de ser padre, ingressando no seminário ainda adolescente. Dom Angélico estudou Filosofia no Seminário Central do Ipiranga, em São Paulo (1952-1955), e Teologia no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, em Viamão (RS), entre 1956 e 1959​. Além da formação eclesiástica, cursou Jornalismo em Ribeirão Preto (SP), o que lhe proporcionou ferramentas para atuar na comunicação da Igreja​. Essa sólida formação intelectual e pastoral refletiu seu lema de vida, “Deus é Amor”, e fundamentou sua opção pelos pobres e pela justiça social, inspirada pelos ideais do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín​. Ordenação Sacerdotal e Primeiros Anos de Ministério Angélico Sândalo Bernardino foi ordenado sacerdote em 12 de julho de 1959, na cidade de Ribeirão Preto (SP)​. Nos anos seguintes, dedicou-se com entusiasmo ao ministério pastoral naquela região. Exerceu a função de diretor espiritual do seminário diocesano em Brodowski (SP) entre 1961 e 1962, contribuindo para a formação de novos sacerdotes​. Também serviu como cura da Catedral de Ribeirão Preto, coordenador arquidiocesano de pastoral e diretor do jornal Diário de Notícias, onde colocou em prática seus conhecimentos de jornalismo​. Nesse período, atuou intensamente junto a movimentos leigos: foi assistente eclesiástico do Movimento Familiar Cristão, das Equipes de Nossa Senhora e dos Cursilhos de Cristandade, entre outros grupos de apostolado laical​. Tais experiências nos anos iniciais do sacerdócio revelaram seu perfil pastoral agregador e aberto ao diálogo com a sociedade, preparando-o para missões ainda maiores. Bispo Auxiliar de São Paulo Em 12 de dezembro de 1974, durante o pontificado do Papa Paulo VI, Angélico foi nomeado bispo titular de Tambeae e auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Sua ordenação episcopal ocorreu em 25 de janeiro de 1975 – festa da Conversão de São Paulo –, sendo sagrante principal o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo metropolitano de São Paulo​. Como bispo auxiliar, Dom Angélico recebeu sucessivamente a responsabilidade por diferentes regiões episcopais da arquidiocese, incluindo as regiões Belém (zona leste), São Miguel Paulista (extremo leste) e Brasilândia (zona norte) da capital paulista​. Nessa função, destacou-se pela proximidade com as comunidades periféricas e pela defesa dos mais pobres. Dom Paulo Arns confiou a Dom Angélico a coordenação da Pastoral Operária arquidiocesana – o serviço da Igreja junto aos trabalhadores – e o encargo pela Cáritas no Regional Sul-1 da CNBB (estado de São Paulo)​. Paralelamente, Dom Angélico também dirigiu o jornal arquidiocesano O São Paulo, usando os meios de comunicação para dar voz às causas sociais e evangelizar​. Sua atuação firme e carismática logo o tornou um dos principais representantes do setor progressista da Igreja Católica paulistana, alinhado às diretrizes de Dom Paulo Arns em favor da justiça e dos direitos humanos. Defesa dos Direitos Humanos durante a Ditadura Militar Durante os anos de chumbo da ditadura militar brasileira (1964-1985), Dom Angélico teve participação pastoral marcante, tornando-se símbolo da ala progressista da Igreja engajada na defesa dos direitos humanos. Influenciado pela renovação do Concílio Vaticano II e pelo espírito de Medellín, ele assumiu a opção preferencial pelos pobres como princípio de sua missão​. Entusiasta da Teologia da Libertação, enfrentou corajosamente os abusos do regime autoritário. Como bispo auxiliar em São Paulo, mostrou-se solidário aos movimentos sociais e engajou-se em lutas populares, desde campanhas por moradia digna e saúde na periferia da Zona Leste até a organização de greves e sindicatos de trabalhadores​. Dom Angélico esteve ao lado do Cardeal Arns em momentos críticos, como na denúncia da tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975 e do operário Manuel Fiel Filho em 1976, bem como na comoção pelo assassinato do operário metalúrgico Santo Dias em 1979​. Participou ativamente das vigílias e missas em memória desses mártires, consolando suas famílias e exigindo justiça. Nos

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Luna Gonçalves

Memória: Caso Luna Gonçalves uma menina de 11 anos encontrada morta em casa

No dia 14 de abril de 2022, a cidade de Timbó, em Santa Catarina, foi palco de um crime que chocou o Brasil. Luna Gonçalves, uma menina de 11 anos, foi encontrada morta em sua casa, no Bairro Imigrantes, antes mesmo de ser transportada ao Hospital OASE. Inicialmente, a família alegou que a morte ocorrera durante o trajeto ao hospital, mas investigações posteriores revelaram que a criança já estava sem vida quando os serviços de emergência foram acionados. Os primeiros indícios de violência surgiram com o relato de hematomas generalizados no corpo de Luna e sangramento na região genital. A mãe, Bruna Gonçalves, e o padrasto, identificado como Jhonatan Gabryel de Jesus, foram levados à delegacia, mas liberados após afirmarem que a morte fora resultado de uma queda acidental da escada. A versão, porém, desmoronou diante de provas contundentes: exames cadavéricos comprovaram que Luna foi vítima de feminicídio, tortura continuada e estupro de vulnerável, inclusive horas antes de morrer. Em um segundo depoimento, a mãe assumiu a autoria do crime, mas o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) desvendou uma teia de violência sistemática. As investigações apontaram que Luna sofria agressões diárias, incluindo socos, tapas, surras com mangueiras de jardim e ameaças psicológicas, além de cárcere privado. A menina e seus irmãos — uma irmã de seis anos e um bebê de nove meses — viviam isolados do mundo exterior. A mãe justificava a reclusão citando uma suposta síndrome do pânico, que a impedia de sair de casa ou permitir que as crianças brincassem na rua. O MPSC revelou ainda que, após o assassinato em 13 de abril, os acusados apagaram registros de celulares e limparam a residência para ocultar evidências. A mãe chegou a assumir falsamente a culpa pelo feminicídio, numa tentativa de proteger o companheiro. No entanto, laudos periciais confirmaram que Luna foi agredida no rosto, cabeça e tórax, e que o padrasto participou ativamente das violências, incluindo o estupro. Em novembro de 2023, o Tribunal do Júri de Timbó condenou Jhonatan Gabryel de Jesus a 56 anos de prisão pelos crimes de feminicídio, tortura continuada, estupro de vulnerável, cárcere privado e fraude processual. Bruna Gonçalves recebeu pena de 14 anos por tortura continuada e omissão de socorro, mas foi absolvida da acusação de homicídio. Segundo os Promotores de Justiça Alexandre Daura Serratine e Tiago Davi Schmitt, a decisão considerou que a mãe não aplicou o golpe fatal, mas permitiu o ambiente de terror que culminou na morte da filha. O caso expôs falhas cruciais na proteção à criança. Vizinhos relataram nunca ter visto ou ouvido sinais de agressão, mesmo com a família residindo por meses no mesmo local. A invisibilidade de Luna, aprisionada em uma casa transformada em cenário de horrores, tornou-se símbolo de um sistema que falhou em resgatá-la a tempo. A condenação dos réus encerrou um capítulo jurídico, mas deixou perguntas sobre como uma criança pôde ser submetida a tamanha crueldade sem que ninguém interviesse. Para a Justiça catarinense, Luna não foi vítima apenas de seus algozes, mas de uma sociedade que, por silêncio ou indiferença, normalizou o intolerável. | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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Saúde Mental

ComuniSaúde: nossa ação pela saúde nas favelas e homenagem ao legado da neurocirurgia brasileira

No dia 14 de abril, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Neurocirurgião, nós da ComCausa aproveitamos a data para lançar mais uma frente de atuação pela defesa da vida e da saúde pública: o projeto ComuniSaúde. Nossa missão com essa iniciativa é clara — melhorar o acesso ao atendimento básico, promover a saúde mental e fortalecer as redes comunitárias nas favelas da Baixada Fluminense, onde o direito à saúde muitas vezes ainda é negado ou negligenciado. Vamos implementar o ComuniSaúde nas principais comunidades de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, em parceria com as secretarias municipais de saúde e com instituições locais que já atuam nesses territórios. Mas o verdadeiro coração desse projeto são os moradores. É com eles — e por eles — que vamos mapear as necessidades reais de cada território, organizar rodas de conversa, oficinas educativas e articular caminhos para que a saúde chegue de forma humana, acolhedora e eficiente. Escolhemos iniciar essa mobilização no dia 14 de abril como uma forma de também homenagear o médico Paulo Niemeyer Soares, nascido nesta data em 1914, e que se tornou um dos maiores nomes da neurocirurgia brasileira. A trajetória do Dr. Paulo Niemeyer é símbolo de inovação, dedicação e compromisso com o conhecimento e com a vida. Ele ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, foi pioneiro na especialidade e levou o nome da medicina nacional ao reconhecimento internacional. Seu legado nos inspira a seguir acreditando no poder transformador da ciência e da saúde. Ao levar o ComuniSaúde para as favelas da Baixada, queremos garantir que o cuidado com a mente e com o corpo não seja privilégio de alguns, mas um direito de todos. Acreditamos que saúde se constrói com informação, presença e articulação comunitária. Por isso, estamos unindo profissionais da saúde, agentes populares, lideranças locais e instituições parceiras para transformar os territórios em espaços de escuta, acolhimento e transformação. Nesse Dia do Neurocirurgião, afirmamos: seguimos firmes na construção de uma saúde pública verdadeiramente acessível, comunitária e orientada pela defesa da vida. ComuniSaúde e o impacto nas favelas  O ComuniSaúde visa melhorar o acesso ao atendimento básico, promover saúde mental e fortalecer as redes comunitárias nas favelas da Baixada Fluminense. O projeto será implementado nas principais favelas de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Mesquita, em colaboração com secretarias municipais de saúde e instituições locais. O envolvimento dos moradores será crucial para mapear as necessidades e garantir que a campanha atinja todos de forma inclusiva. O lançamento da plataforma digital ComuniSaude.org.br também será parte importante do projeto, fornecendo informações detalhadas sobre os serviços de saúde disponíveis. A ComCausa também disponibilizará um número de telefone com aplicativos de mensagens para fornecer suporte durante a campanha, garantindo que a população tenha fácil acesso a orientações sobre os serviços de saúde. Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro  Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a  Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas. Mais notícias | Fale conosco! | Nos conheça | Projeto Comunicando ComCausa | Portal C3 | Instagram C3 Oficial ______________ Compartilhe:

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