A operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro deixou um saldo de mais de 100 mortos nesta terça-feira (28), dados oficiais falaram em 64, mas a população empilha corpos na praça da Penha. A ação, que ocorreu simultaneamente nos complexos do Alemão e da Penha, teve como alvo membros do Comando Vermelho (CV), uma das principais facções criminosas do estado. Durante mais de 12 horas, a capital fluminense e a região metropolitana enfrentaram intensos confrontos. Em resposta à incursão policial, criminosos bloquearam vias importantes e atearam fogo em veículos. A cidade amanheceu nesta quarta-feira (29) com as ruas liberadas, mas ainda sob forte tensão. Entre os mortos, estão quatro policiais, o que evidencia a dimensão do embate. Durante a madrugada, moradores do Complexo da Penha relataram um número ainda maior de vítimas. Segundo o portal G1, ao menos 50 corpos foram levados por moradores até a Praça São Lucas, um dos pontos centrais da comunidade. Ainda não se sabe se esses corpos estão incluídos no balanço divulgado pelas autoridades. A operação teve início com o objetivo de desarticular bases do Comando Vermelho, suspeito de envolvimento em diversas ações violentas nos últimos meses. Segundo a polícia, a facção vinha ampliando seu domínio territorial e organizando ataques contra forças de segurança. Entidades da sociedade civil, como a ComCausa, que atua na promoção de direitos humanos e na Defesa da vida, criticaram a letalidade da ação e cobraram mais transparência nas investigações. Organizações nacionais e internacionais já pedem apuração independente para verificar possíveis excessos e violações de direitos. A Defensoria Pública do Estado e o Ministério Público acompanham o caso e afirmam que vão apurar denúncias de execuções sumárias. O número elevado de mortos, somado à mobilização popular nas favelas, reacende o debate sobre a política de segurança pública no Rio de Janeiro, frequentemente marcada por operações de alto impacto e pouca efetividade a longo prazo. Operação Contenção mira chefes do CV Batizada de Operação Contenção, a ação que deixou 64 mortos no Rio de Janeiro foi planejada por mais de um ano com o objetivo de frear o avanço do Comando Vermelho (CV) sobre comunidades da capital e da Baixada Fluminense. Considerada a operação policial mais letal da história do estado, ela mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança e teve como alvo 94 integrantes da facção, segundo a Polícia Civil. A ofensiva ocorreu nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, áreas que, de acordo com as investigações, abrigavam lideranças do CV e pontos estratégicos para o tráfico de drogas. Entre os alvos estavam Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP – ambos presos em presídios federais, mas apontados como mandantes da expansão territorial da facção no estado. Relatórios da inteligência policial revelam que Doca comandou a tomada de quase 50 comunidades nos últimos quatro anos. As ordens vinham por grupos de mensagens, onde os líderes tratavam desde punições a moradores, que envolviam tortura e execuções, até estratégias de segurança para proteger bocas de fumo. A operação também expôs o nível de preparação dos criminosos. As equipes policiais relataram ter sido recebidas com tiros, barricadas e até bombas lançadas por drones. O confronto se estendeu por mais de 12 horas, provocando o fechamento de vias importantes, que só foram liberadas na manhã seguinte. A ação, no entanto, levanta sérias preocupações sobre o uso excessivo da força. A ComCausa, organização voltada à promoção da cidadania e Defesa da vida, questiona a letalidade da operação e pede investigações independentes. Há denúncias de execuções extrajudiciais e desaparecimentos de corpos, como os supostos 50 levados por moradores à Praça São Lucas, na Penha, durante a madrugada. Apesar da magnitude da Operação Contenção, especialistas alertam que ações pontuais, sem políticas sociais e urbanas de longo prazo, tendem a reforçar ciclos de violência, sem garantir segurança duradoura para as populações dessas comunidades. Comando Vermelho sofre maior ofensiva do Rio Fundado na década de 1970 dentro do presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande, o CV atua no tráfico de drogas e exerce forte controle territorial nas favelas. Segundo autoridades, o grupo está presente em 26 estados brasileiros e impõe regras próprias nas comunidades dominadas, funcionando como um governo paralelo, decidindo desde penas a moradores até horários de funcionamento do comércio local. A ação policial, que envolveu 2.500 agentes, foi resultado de um ano de investigação, com o objetivo de cumprir quase 100 mandados de prisão contra 94 membros da facção escondidos nos complexos do Alemão e da Penha. Segundo a polícia, os agentes foram recebidos com tiros, barricadas e até bombas lançadas por drones. Entre os mortos estão 60 suspeitos e quatro policiais, cujas identidades foram confirmadas: Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51, chefe de investigação; Rodrigo Velloso Cabral, 34, policial civil recém-ingresso; Cleiton Serafim Gonçalves, 42, sargento do Bope; Heber Carvalho da Fonseca, 39, sargento do Bope. Segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), esta é a operação com o maior número de mortos já registrada no estado. Das quatro mais letais da história, três aconteceram na atual gestão do governador Cláudio Castro (PL): Jacarezinho (2021), com 28 mortos, Vila Cruzeiro (2022), com 23, e agora Penha-Alemão (2024) com 64. O balanço da ação também aponta: Organizações como a ComCausa, voltadas para os direitos humanos e a Defesa da vida, questionam a letalidade e pedem investigações independentes. Moradores denunciam desaparecimentos de corpos e possíveis execuções. O Ministério Público e a Defensoria Pública acompanham os desdobramentos. O caso reacende o debate sobre a eficácia e os limites da atual política de segurança, baseada em confrontos armados e pouco investimento social nas áreas afetadas. Operação impacta 280 mil moradores com ônibus sequestrados e escolas fechadas Além de ser a mais letal da história do Rio de Janeiro, a Operação Contenção causou profundos impactos no cotidiano de cerca de 280 mil moradores, segundo o secretário de Segurança Pública do estado, Victor Santos. As comunidades dos complexos do Alemão e da Penha viveram um