Desde que o caso Henry Borel veio à tona, a ComCausa Defesa da Vida buscou acompanhar seus desdobramentos de forma permanente, entendendo desde o início que não se tratava apenas de mais um processo criminal de grande repercussão, mas de um caso profundamente revelador das falhas do sistema de proteção à infância no Brasil. Ao longo dessa trajetória, a organização manteve atenção contínua sobre o tema, ajudando a preservar a memória de Henry, a ampliar o debate público e a reforçar a cobrança por justiça.
Esse acompanhamento se insere no trabalho desenvolvido pela ComCausa por meio do CRDH Acolher – Memória, cuidado e Justiça, programa que articula acolhimento, defesa de direitos, produção de memória e incidência pública em torno de casos marcados por violência e graves violações. Dentro dessa perspectiva, lembrar Henry Borel nunca foi apenas revisitar uma tragédia que comoveu o país, mas afirmar que vidas interrompidas pela violência não podem ser reduzidas ao silêncio, ao esquecimento ou à frieza dos autos judiciais.
Ao acompanhar o caso, a ComCausa também reforça uma compreensão central: a morte de Henry não pode ser vista como um episódio isolado. Ela expõe, de forma contundente, a vulnerabilidade de crianças submetidas à violência dentro do espaço doméstico, a dificuldade de resposta rápida das instituições e a necessidade de fortalecer redes de proteção, escuta e prevenção. É nesse ponto que memória e justiça passam a caminhar juntas. Para a organização, lembrar é também denunciar, cobrar, mobilizar e transformar a dor em ação coletiva.
Por isso, o julgamento de Henry Borel ultrapassa a responsabilização penal dos acusados. Ele carrega um peso simbólico muito maior. Coloca em evidência a capacidade do sistema de justiça de oferecer uma resposta à altura da gravidade do caso e recoloca no centro do debate a urgência de políticas públicas efetivas para proteger crianças e adolescentes. O que estará em jogo no plenário não será apenas a reconstrução dos fatos, mas também a força das instituições diante de um crime que abalou o país.
Até a realização do júri, a expectativa é de intensa movimentação processual, com a consolidação das estratégias de acusação e defesa, a definição das testemunhas e os preparativos para uma sessão que deve mobilizar atenção nacional. Ainda assim, para além dos ritos formais do processo, permanece a dimensão humana e política do caso. Na leitura da ComCausa, Henry Borel precisa ser lembrado não apenas como vítima de uma violência brutal, mas como símbolo de uma luta maior: a luta para que nenhuma criança seja tratada como invisível e para que a justiça, quando finalmente chamada a agir, esteja comprometida também com a memória, com a verdade e com a defesa da vida.
Linha do tempo – Caso Henry Borel
8 de março de 2021 – Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morre no Rio de Janeiro. Laudos apontaram lesões incompatíveis com acidente, incluindo hemorragia interna e laceração hepática.
24 de setembro de 2023 – Aplicação da Lei Henry Borel pelo Conselho Tutelar de Niterói em caso de maus-tratos contra criança.
3 de agosto de 2024 – Novo depoimento da babá Thayna de Oliveira, afirmando que a avó materna teria sido informada sobre agressões de Dr. Jairinho.
8 de março de 2025 – Quatro anos após a morte: justiça e a dor da família diante da demora no julgamento.
10 de setembro de 2025 – Justiça aceita testemunhas do Ministério Público e garante o depoimento de Leniel Borel, pai de Henry, no júri.
22 de janeiro de 2026 – Novo laudo pericial em 3D descarta queda acidental e reforça a tese de agressões físicas como causa da morte.
23 de março de 2026 – Começa o julgamento de Monique Medeiros e Dr. Jairinho no II Tribunal do Júri da Capital.
26 de março de 2026 – Leniel Borel recorre contra decisão que concedeu liberdade provisória a Monique Medeiros.
10 de abril de 2026 – Ministério Público do Rio recorre da soltura de Monique Medeiros.
Abril de 2026 – Ministro Gilmar Mendes restabelece a prisão preventiva de Monique Medeiros, recolocando o caso no centro do debate público.
25 de maio de 2026 – Retomada do julgamento do Caso Henry Borel
26 de maio de 2026 – Primeiro dia do julgamento do caso Henry Borel termina sem ouvir testemunhas
27 de mai de 2026 – Julgamento do caso Henry Borel avança com depoimento sobre mensagens da babá
27 de mai de 2026 – Médica afirma em júri que Henry Borel chegou morto ao hospital
02 de junho de 2026 – Monique Medeiros afirma que Jairinho foi o responsável pela morte de Henry Borel
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