Após acompanhar a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo, a ComCausa apresentou um balanço dos aprendizados, articulações e registros construídos durante o encontro. A cobertura feita pelo Ponto de Cultura e Ponto de Mídia Livre Comunicando ComCausa reforçou a Cultura Viva como política pública essencial para a defesa da vida, da memória social, da comunicação popular, da justiça climática e dos direitos humanos nos territórios.
A Teia reuniu debates, vivências, apresentações culturais, rodas de conversa e atividades formativas que evidenciaram a força da cultura comunitária no país. Ao longo da programação, a Cultura Viva apareceu como uma política pública capaz de dialogar com educação, juventude, economia solidária, saúde, meio ambiente, soberania alimentar, direito à cidade, povos tradicionais e participação social.
Para Adriano Dias, que representou a ComCausa durante a cobertura, a Teia mostrou que os Pontos de Cultura continuam sendo espaços fundamentais de articulação comunitária. “A Teia confirmou que a Cultura Viva não é apenas uma política cultural. Ela é uma estratégia de cuidado, memória, participação e defesa da vida nos territórios”, afirmou.
A presença de gestores públicos, representantes institucionais, movimentos culturais e organizações da sociedade civil também marcou o encontro. A participação do Ministério da Cultura, da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz, da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e de parceiros institucionais reforçou a importância da construção compartilhada da agenda pública da Cultura Viva.
O balanço, porém, também apontou desafios. Para que a política avance, ainda são necessários orçamento regular, editais acessíveis, formação continuada, descentralização, pactuação federativa, indicadores públicos, cadastro atualizado, diálogo permanente com municípios, reconhecimento das comunidades tradicionais, simplificação de processos e comunicação pública mais constante.
“A presença do poder público foi importante, mas a continuidade precisa aparecer no orçamento, nos editais, na escuta dos territórios e na capacidade de transformar participação social em política permanente”, destacou Adriano Dias.
A Teia também reafirmou que a cultura comunitária nasce nos territórios e não nos gabinetes. A política pública deve reconhecer, fomentar e proteger aquilo que as comunidades já realizam em bairros, periferias, aldeias, quilombos, zonas rurais e espaços urbanos populares. A Cultura Viva parte justamente dessa compreensão: a cultura já existe, já organiza vínculos, já produz memória e já fortalece identidades.
Entre os temas acompanhados pela ComCausa estiveram memória social, comunicação popular, juventude, povos indígenas, soberania alimentar, racismo ambiental e justiça climática. A abertura da série com TT Catalão destacou a importância da memória da Cultura Viva e das trajetórias que ajudaram a consolidar os Pontos de Cultura no Brasil.
As discussões sobre juventude também ganharam destaque, especialmente a partir do Agente Jovem Cultura Viva, da comunicação digital e da renovação da rede. O encontro apontou que a permanência da Cultura Viva depende da participação das novas gerações, da ampliação do acesso às tecnologias e do fortalecimento da comunicação comunitária.
A presença dos povos indígenas teve papel central no debate sobre território, memória e políticas culturais. As atividades relacionadas ao Plano Nacional das Culturas dos Povos Indígenas, à Aldeia Comboios, à Aldeia Irajá e à cultura Tupinikim reforçaram a necessidade de políticas públicas que respeitem modos de vida, línguas, espiritualidades, territórios e formas próprias de organização.
A justiça climática também atravessou a programação. Debates sobre racismo ambiental, sementes tradicionais, soluções climáticas e soberania alimentar mostraram que os impactos da crise climática atingem de forma desigual populações negras, indígenas, periféricas, rurais e tradicionais. A Teia reforçou que enfrentar essa realidade exige saneamento, moradia digna, saúde, educação, cultura, assistência social, participação popular e proteção ambiental.
“A defesa da vida passa pela cultura, mas também passa pela terra, pela água, pela alimentação, pela memória e pela comunicação. A Teia mostrou que esses temas não podem ser tratados separadamente”, avaliou Adriano Dias.
Por meio do Ponto de Cultura e Ponto de Mídia Livre Comunicando ComCausa, a organização registrou debates, ouviu participantes, fortaleceu contatos e ampliou articulações com iniciativas culturais de base comunitária. A experiência também reforçou o compromisso da ComCausa com a comunicação de interesse público, a prevenção de riscos, os direitos humanos e a valorização das políticas culturais populares.
Com o fim da 6ª Teia Nacional, a ComCausa afirmou que seguirá acompanhando pautas ligadas à Cultura Viva, memória social, justiça climática, juventude, povos tradicionais, comunicação popular e defesa da vida. O balanço aponta que a Teia terminou como evento, mas a rede permanece ativa nos territórios, nas políticas públicas, nas memórias e nas lutas por direitos.
“A Teia terminou, mas a Cultura Viva continua nos territórios, nas políticas públicas, nas memórias e nas lutas por direitos. O desafio agora é transformar os encontros, as escutas e as articulações em continuidade concreta”, concluiu Adriano Dias.
A ComCausa – Cultura de Direitos e Defesa da Vida, por meio do Ponto de Cultura e Ponto de Mídia Livre Comunicando ComCausa, atua na promoção dos direitos humanos, da memória social, da cidadania, da comunicação popular e da cultura de direitos. A iniciativa fortalece a comunicação de interesse público como ferramenta de participação social, defesa da vida, valorização dos territórios e visibilidade das políticas culturais de base comunitária.
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