Em 17 de abril de 2012, Hugo Leonardo Silva, de 33 anos, foi morto por policiais militares na Rocinha, na zona sul do Rio, durante a ocupação que antecedeu a instalação da UPP na comunidade. Segundo o relato da família e de moradores, ele descia um beco perto de casa para buscar o sobrinho na creche quando foi abordado por cinco PMs, mandado parar e levantar a camisa. Mesmo obedecendo à ordem, acabou baleado no abdômen e na cabeça.
Ainda de acordo com esses relatos, os agentes tentaram alterar a cena do crime logo depois dos disparos. O corpo de Hugo teria sido enrolado em um lençol retirado de uma casa próxima e levado à força até uma viatura, com ajuda imposta a moradores da região. A denúncia sustenta que ele foi colocado no carro de forma violenta e retirado do local em alta velocidade.
Hugo foi morto cinco meses depois da ocupação policial da Rocinha, iniciada em novembro de 2011, e antes da inauguração formal da UPP da comunidade, que só ocorreu em 20 de setembro de 2012. Naquele momento, a Rocinha já estava no centro da política de “pacificação” do estado, apresentada como vitrine da segurança pública no Rio. A unidade inaugurada na favela foi anunciada como a 28ª UPP, com efetivo de 700 policiais para patrulhar 25 subáreas de um território de cerca de 840 mil metros quadrados.
O caso se tornou um dos episódios mais graves associados à ocupação. Hugo morava na Rocinha, era casado, pai de dois filhos e trabalhava carregando material de construção. A mãe dele, Fatinha Silva, artesã e moradora da comunidade, passou a cobrar publicamente a responsabilização dos agentes envolvidos e a abertura de um processo judicial capaz de romper a longa espera por resposta do Estado.
A demora é o ponto central da denúncia da família. Passados 14 anos, o caso segue sem desfecho conhecido e permanece como símbolo da dificuldade de transformar investigações sobre mortes provocadas por agentes do Estado em responsabilização efetiva. Em situações como essa, quando há homicídio doloso de civil por militar estadual, a legislação prevê julgamento pelo Tribunal do Júri.
Além da violência da execução, o episódio expõe uma camada recorrente em operações policiais em favelas: a suspeita de adulteração da cena, remoção irregular do corpo e constrangimento de testemunhas. Quando essas práticas aparecem, comprometem a preservação de provas e tornam ainda mais difícil o avanço do inquérito. No caso de Hugo, a ausência de resposta definitiva prolonga o luto da família e mantém aberta uma ferida que atravessa a história recente da Rocinha.
O caso é retratado no ‘Auto de Resistência – O Filme’.
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