O desaparecimento de uma pessoa é uma experiência que interrompe brutalmente a rotina de uma família. Em instantes, o que era cotidiano se torna angústia, e o tempo, antes aliado, transforma-se em fonte de desespero. No Brasil, milhares de pessoas desaparecem todos os anos. Apesar da gravidade do problema, ainda é comum que familiares se sintam desorientados e desamparados diante do que fazer. Informação, agilidade e apoio são, nesse cenário, ferramentas essenciais.Durante muito tempo, consolidou-se no imaginário popular a ideia de que somente após 24 horas do sumiço seria possível registrar o desaparecimento de uma pessoa em uma delegacia. Essa crença, que não tem respaldo legal, infelizmente ainda é reproduzida em muitos círculos sociais e até por profissionais mal informados. Contudo, a legislação brasileira é clara: o registro pode — e deve — ser feito assim que a ausência for percebida.

A lógica por trás dessa orientação é simples e vital: o tempo é um fator determinante nas primeiras horas de desaparecimento, especialmente no caso de crianças, adolescentes, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. A demora no início das buscas pode comprometer seriamente as chances de localização segura da pessoa desaparecida.

Onde e como registrar o desaparecimento

O primeiro passo é dirigir-se à delegacia de polícia mais próxima para registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) ou Registro de Ocorrência (R.O.). A partir desse momento, a pessoa passa a ser oficialmente considerada desaparecida, e as autoridades podem iniciar as buscas e investigações.

Ao registrar a ocorrência, recomenda-se apresentar:

  • Documento de identidade da pessoa desaparecida, se disponível
  • Documento de identidade da pessoa responsável pelo registro
  • Fotografia recente, nítida e preferencialmente colorida da pessoa
  • Descrição detalhada das roupas, calçados e acessórios usados no momento do desaparecimento
  • Informações sobre locais que frequentava, rotina diária, possíveis situações de vulnerabilidade, uso de medicamentos ou condições de saúde

A própria delegacia pode elaborar um cartaz oficial de desaparecimento, que deve conter o número institucional da unidade policial. Para evitar golpes, extorsões ou trotes, nunca se deve divulgar contatos pessoais da família nos cartazes de desaparecimento.

Para casos envolvendo crianças e adolescentes

Lei nº 11.259/2005, estabeleceu oficialmente a busca imediata para casos envolvendo crianças e adolescentes, mas, na prática, nenhuma delegacia pode se recusar a registrar uma ocorrência de desaparecimento de qualquer pessoa, independentemente da idade ou das circunstâncias. O registro é um direito de todos os cidadãos, e as autoridades têm a obrigação de recebê-lo e agir dentro dos protocolos previstos.

O registro do desaparecimento é um direito assegurado a todos os cidadãos, e cabe às autoridades policiais acolher a denúncia e adotar os procedimentos cabíveis sem demora. Assim, a ideia de que é preciso esperar 24 horas para notificar oficialmente o desaparecimento não encontra respaldo legal nem justificação operacional. Trata-se de um mito que ainda persiste e que precisa ser superado com informação qualificada. O desaparecimento de uma pessoa é uma emergência, e deve ser tratado com urgência desde o primeiro momento.

Nos casos que envolvem crianças ou adolescentes, é fundamental, além de procurar a delegacia, acionar a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), órgão do Governo do Estado do Rio de Janeiro voltado à proteção dos direitos da população infantojuvenil. A FIA oferece acolhimento psicossocial às famílias e atua em conjunto com a rede pública de proteção.

Fundação para a Infância e Adolescência (FIA)
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, nº 120 – Botafogo, Rio de Janeiro (ao lado do metrô)
Telefones: (21) 2286-8337 / (21) 98596-5296
E-mail: sosfia@fia.rj.gov.br

Outra instituição de referência é a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), especializada na investigação de casos de desaparecimento. A unidade está localizada na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, e atende diretamente familiares e responsáveis. Telefone: (21) 98322-0228

Além das instituições públicas, o Disque Denúncia Desaparecidos é um dos principais canais de mobilização social no enfrentamento do desaparecimento de pessoas. O serviço recebe informações anônimas sobre o paradeiro de pessoas desaparecidas e atua em articulação com autoridades policiais, veículos de imprensa e organizações civis.

Disque Denúncia – Desaparecidos (Rio de Janeiro)
Telefone fixo: (21) 2253-1177
WhatsApp exclusivo: (21) 98849-6254
Site: www.desaparecidosdd.org.br

Por meio do site, é possível consultar pessoas desaparecidas, acessar cartazes, enviar denúncias e colaborar com informações sigilosas que podem contribuir significativamente para as investigações.

https://comcausa.org.br/casasdacomcausa/

Informação, agilidade e mobilização

A experiência do desaparecimento não pode ser naturalizada. Cada segundo conta, cada pista é valiosa e cada esforço pode significar um reencontro. A atuação rápida, o uso correto dos canais institucionais e a mobilização da comunidade são fundamentais. Informar-se, agir sem demora e manter a busca viva são atos de resistência e humanidade. Porque desaparecimento não é sumiço — é um grito por visibilidade. E nenhum desaparecimento deve ser ignorado.

Se você souber de qualquer informação sobre uma pessoa desaparecida, entre em contato com o Disque Denúncia. O que pode parecer pouco para alguns, pode ser tudo para uma família que espera por respostas. Toda vida importa. Toda ausência merece resposta.

Imagem de capa ilustrativa

https://comcausa.org.br/quemsomos/

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