Nesta semana, a Revista Menó, uma das publicações digitais mais relevantes do cenário editorial independente periférico, trouxe uma entrevista extensa, sensível e politicamente potente com Adriano Dias, fundador da ComCausa, ativista de direitos humanos, comunicador, músico, produtor cultural e referência da resistência periférica na Baixada Fluminense.

A entrevista, intitulada “Adriano Dias: Punk Rock, Direitos Humanos e Comunicação de Guerrilha como resistência viva da Baixada Fluminense”, foi conduzida pelo jornalista Pedro Santos e mergulha nas mais de quatro décadas de atuação de Adriano, que tem articulado cultura, cidadania e comunicação como ferramentas de transformação cotidiana, sem abrir mão da coerência, da escuta e do afeto como princípios éticos.

A Revista Menó e sua linha editorial crítica e contra-hegemônica

A Revista Menó é uma publicação digital independente que se consolidou nos últimos anos por abordar, com linguagem acessível e engajada, temas contemporâneos como feminismo, sexualidade, política, arte, literatura, cinema e questões sociais, sempre sob um viés crítico e provocador. A revista se destaca por valorizar perspectivas não hegemônicas, vozes marginalizadas e narrativas que escapam ao mainstream. Seus conteúdos vão de ensaios e entrevistas a resenhas e colunas opinativas — todas atravessadas por uma linguagem que mistura análise profunda, ironia e afeto.

Ao publicar a entrevista com Adriano Dias, a Menó reafirma seu compromisso editorial com histórias que emergem das bordas sociais, trazendo à tona a potência de sujeitos que constroem suas lutas fora dos centros de poder, das grandes redações e das plataformas convencionais.

Militância que nasce do chão da Baixada

A trajetória de Adriano não se explica por teorias nem se resume a cargos ou títulos. Forjado na Baixada Fluminense, começou sua caminhada militante ainda nos anos 1980, em um contexto de redemocratização nacional que não chegava às bordas urbanas com a mesma velocidade. Enquanto o país celebrava as eleições diretas, ele compreendia nas ruas que a violência institucional, o racismo estrutural e a exclusão social seguem vivos, mesmo sob governos democráticos.

“As lutas não são compartimentos isolados. Quando a causa vira parte da sua identidade, você não apenas organiza tarefas: você vive aquilo”, diz Adriano à Menó.

Ao longo da entrevista, ele compartilha como essa consciência moldou sua atuação em diversas frentes — da fundação da ComCausa, ao trabalho direto com cultura e juventude, passando pela promoção de campanhas de cidadania e o enfrentamento de violações institucionais contra crianças.

Rock ComCausa: quando o som vira ferramenta de cidadania

A entrevista dedica atenção especial ao projeto Rock ComCausa, iniciativa que integra arte, memória e direitos humanos por meio da linguagem do punk rock e do metal. Com raízes nos encontros musicais das décadas de 80 e 90, Adriano transformou sua vivência cultural em um projeto político e formativo. O Rock ComCausa atua na articulação de bandas independentes, produção de conteúdo, criação de campanhas e realização de eventos que usam o som pesado como instrumento de crítica e mobilização.

“A ideia é transformar o barulho em voz, fazer da guitarra uma arma simbólica contra a exclusão”, afirma.

Na entrevista, ele relembra como letras de músicas como Matapacos (da banda Skorno) ou Paiol em Chamas (do Armahda) funcionam como cápsulas de memória histórica e de formação crítica, possibilidade que o rock lher deu de acessar estas informações desde a décade de 1980

O punk rock da Desordem SA

O retorno aos palcos com a banda Desordem SA também ocupa espaço na entrevista. Formada por amigos da velha cena punk carioca, a banda mistura memória, humor e rebeldia em canções autorais que atualizam as pautas da década de 1980 para o presente de retrocessos e resistências. Com passagens por coletâneas internacionais, ensaios no Estúdio Lux, em Nova Iguaçu, e shows celebrando os 40 anos da cena punk, a Desordem SA carrega a essência do “faça você mesmo” — com moicano, atitude e letras afiadas.

“A gente se junta como quem joga bola no fim de semana — só que com distorção e crítica social”, brinca Adriano.

Crianças com Direitos: transformar dor em compromisso

Num dos momentos mais emocionantes da entrevista, Adriano relata como a dor pessoal de enfrentar uma tentativa de alienação parental contra seu próprio filho deu origem ao projeto Crianças com Direitos. Criado para acolher e denunciar situações de violência institucional contra crianças e adolescentes, o projeto se fortalece com cada novo caso que ganha visibilidade, enfrentando o silêncio e a omissão do Estado.

“Foi da experiência mais devastadora da minha vida que nasceu um projeto com força para transformar. Não quero que nenhuma criança passe pelo que meu filho passou”, diz Adriano à revista.

Na entrevista Adriano menciona outros casos emblemáticos violêntos com envolvimento de quem deveria pretegrer, as propias mes que levaram a moret de das maes — como os de  como exemplos de como o sistema falha em proteger quem mais precisa. O projeto busca atuar tanto na escuta e acolhimento, quanto na articulação política e jurídica.

Na entrevista, ele também menciona casos emblemáticos que chocaram o país pela brutalidade e pela omissão institucional — como os de Henry Borel e Maria Sofia —, ambos marcados pela participação direta ou conivência de quem deveria zelar pela integridade das crianças: as próprias mães. Adriano aponta essas histórias como expressões de uma falha sistêmica do Estado e da Justiça, que se mostra incapaz de agir com a firmeza e a sensibilidade necessárias para proteger os mais vulneráveis.

Portal C3: jornalismo posicionado e necessário

A entrevista também destaca o trabalho de Adriano à frente do Portal C3, projeto de comunicação periférica que teve origem no antigo fanzine Consciência Nacional na década de 1980, qeu completa 40 anos agoara em agosto de 2025, e se transformou em uma das plataformas mais respeitadas da Baixada.

“A gente não transforma dor em conteúdo. A gente transforma em mobilização. E isso exige escuta, coragem e afeto.”

Além do Portal, Adriano também coordena o redeDH.org.br, voltado ao monitoramento e articulação de pautas de direitos humanos no território fluminense.

Repercussão e importância da publicação

A escolha da Revista Menó em entrevistar Adriano Dias não é apenas editorial: é um gesto político. Ao abrir espaço para uma figura da Baixada Fluminense, que articula arte, dor, resistência e afeto com profundidade, a revista reafirma sua missão de dar visibilidade a vozes não hegemônicas, periféricas, insurgentes. Ao publicar essa narrativa, a Menó inscreve a história de Adriano em um campo simbólico e político mais amplo — o das memórias que resistem, mesmo quando tudo tenta apagá-las.

Recado final de quem escolheu nunca abandonar

A entrevista se encerra com um recado que resume toda a trajetória de Adriano:

“Quero deixar um salve cheio de amor e gratidão a quem está comigo — nos palcos, nas calçadas, nas trincheiras silenciosas. Promover os direitos humanos é um ato de amor. É saber que ninguém deveria caminhar só. E é por isso que sigo.”

Leia a entrevista completa na edição desta semana da Revista Menó.
Acesse em: revistameno.com.br ou nas redes sociais da @revistameno

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