A ComCausa publica nesta quinta-feira, 21 de maio, uma nova etapa da campanha “A Chuva Não Mata Sozinha”, com foco em prevenção comunitária antes da próxima chuva. A ação prevê cartilha eletrônica, cards educativos, publicações digitais, circulação por WhatsApp, Portal C3, RedeDH e atividade territorial em Tinguá, em Nova Iguaçu.
A campanha parte de uma mensagem central: a chuva é natural, mas a tragédia não. Enchentes, alagamentos e deslizamentos se tornam desastres quando encontram ruas sem drenagem, encostas vulneráveis, valões cheios, moradias inseguras, ausência de informação acessível e demora do poder público.
O material educativo reúne orientações sobre sinais de risco, cuidados antes, durante e depois da chuva, doenças transmissíveis, canais úteis e responsabilidade pública e comunitária. Entre os alertas estão rachaduras em paredes e no solo, árvores ou postes inclinados, fendas, barulhos no terreno, água barrenta descendo de encostas, barreiras encharcadas, bueiros entupidos e subida rápida da água.
A prevenção precisa começar antes da sirene. Dados nacionais mostram que o Brasil reúne registros oficiais de desastres desde 1991 em plataforma pública usada para mapear ocorrências, perdas e impactos por município. O monitoramento também foi ampliado em 2026: desde 17 de março, 1.295 municípios passaram a integrar a rede acompanhada pelo Cemaden, com prioridade para áreas vulneráveis a deslizamentos, enxurradas e inundações.
Em Nova Iguaçu, o risco recente mostra a urgência da mobilização. Em fevereiro de 2026, um temporal gerou 135 ocorrências, impactou 1.550 pessoas, deixou 86 desalojadas, interditou 11 imóveis e provocou 54 deslizamentos de barreira e 29 pontos de alagamento. Tinguá esteve entre os bairros afetados.
A campanha também chama atenção para grupos que precisam de plano de cuidado específico: crianças, idosos, pessoas com deficiência, mulheres, pessoas LGBTQIA+, famílias vulnerabilizadas, pessoas acamadas e animais. A proposta é transformar informação em prática comunitária, com vizinhos atentos, escolas mobilizadas e lideranças preparadas para agir antes do agravamento do risco.
O enfoque evita culpar vítimas que vivem em áreas vulneráveis. Muitas famílias permanecem em locais de risco por falta de moradia digna, saneamento, urbanização, contenção de encostas e políticas públicas permanentes. Por isso, a prevenção também exige responsabilidade do poder público, investimento nos territórios e comunicação acessível.
Campanha “A Chuva Não Mata Sozinha: Memória e Justiça Climática no Rio de Janeiro”
Esta matéria faz parte da campanha “A Chuva Não Mata Sozinha: Memória e Justiça Climática no Rio de Janeiro” é uma iniciativa da organização ComCausa Defesa da Vida, realizada entre 18 e 25 de maio de 2026, com ações de mobilização social, educação comunitária e comunicação digital voltadas à prevenção de desastres climáticos em periferias e áreas de risco.
A proposta integra a 9ª Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir — Cidades Sem Risco, ligada ao debate sobre adaptação climática, redução de riscos e proteção da vida, em articulação com instituições como o Ministério das Cidades, Cemaden Educação/MCTI e MEC. A campanha defende que tragédias causadas pelas chuvas estão relacionadas à desigualdade urbana, à falta de saneamento, drenagem, moradia segura e políticas públicas de prevenção.
A campanha também vai lançar a cartilha eletrônica “A Chuva Não Mata Sozinha: Guia Popular de Memória e Justiça Climática no Rio de Janeiro”, além de cards educativos, vídeos, linha do tempo das tragédias climáticas.


