O Plano Integrado de Saúde nas Favelas completou seis anos como uma das maiores iniciativas de saúde territorial do país, com mais de um milhão de pessoas beneficiadas em 175 comunidades de 33 municípios do Estado do Rio de Janeiro. Criado em 2020, durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, o programa reúne 146 projetos voltados à promoção da saúde e à segurança alimentar.
A iniciativa nasceu de uma articulação entre a Alerj e a Fiocruz, com investimento inicial de R$ 20 milhões da Assembleia Legislativa, R$ 3 milhões da Fiocruz e R$ 700 mil em emendas parlamentares federais. O objetivo inicial era responder à emergência sanitária nas favelas, onde a pandemia aprofundou desigualdades históricas no acesso à saúde, renda, alimentação e informação.
O balanço dos seis anos foi apresentado na sexta-feira, 29 de maio, no campus da Fiocruz. Durante o encontro, foram anunciados novos editais de parceria, cursos de atenção básica comunitária e a produção de um documentário sobre o impacto do trabalho nas redes locais.
O programa se consolidou por atuar a partir dos territórios, com participação de lideranças comunitárias, organizações locais e redes de cuidado já existentes nas favelas. Essa lógica fortaleceu ações de prevenção, acolhimento, segurança alimentar e promoção de direitos em áreas frequentemente marcadas pela ausência ou insuficiência de políticas públicas permanentes.
Durante a atividade, o ex-presidente da Alerj André Ceciliano recebeu homenagem pelo apoio dado à criação do plano. Ele afirmou que a iniciativa surgiu em um momento de grande vulnerabilidade e seguiu ativa após a fase mais grave da pandemia.
A deputada Renata Souza destacou que o programa representa uma mudança na forma como o Estado deve olhar para as periferias, historicamente tratadas de maneira prioritária pelo viés da segurança pública.
Além do financiamento, a articulação inicial contou com cerca de 450 visitas presenciais e 60 reuniões de coordenação, modelo que ajudou a construir uma governança compartilhada entre instituições públicas, pesquisadores e representantes dos territórios.
Para o coordenador do comitê executivo pela Fiocruz, Richarlls Martins, o investimento permitiu transformar uma resposta emergencial em uma rede permanente de cuidado, construída com valorização do saber local e participação comunitária.
Seis anos depois, o Plano Integrado de Saúde nas Favelas se afirma como uma experiência estratégica para pensar políticas públicas em territórios populares. O desafio agora é garantir continuidade, ampliar recursos e transformar práticas bem-sucedidas em políticas permanentes de saúde, prevenção e proteção social.
Por que esta publicação existe
Esta publicação integra o ComuniSaude da ComCausa, uma linha de comunicação pública que transforma a saúde — especialmente a saúde coletiva e o cuidado territorial — em informação clara, útil e acessível, com linguagem direta e compromisso com a vida real das pessoas.
O ComuniSaúde amplia o acesso da população das periferias do estado e das favelas do Rio a conteúdos que ajudam a compreender direitos, serviços, políticas públicas, prevenção e caminhos de cuidado, reafirmando a valorização do SUS como patrimônio coletivo.
Além de informar, o ComuniSaúde também contribui para articular o acesso a equipamentos públicos e redes de atendimento — como unidades básicas de saúde, clínicas da família, CAPS, UPAs, hospitais, vigilância em saúde, conselhos e serviços parceiros — ajudando pessoas e territórios a se orientarem e a buscarem cuidado com mais segurança.
Rede 146x Favelas: articulação comunitária em saúde
A participação do ComuniSaúde também dialoga com a Rede 146x Favelas, uma articulação de projetos e iniciativas comunitárias de saúde integral nas favelas do estado do Rio de Janeiro, construída a partir dos próprios territórios e conectada ao ecossistema do Plano Integrado de Saúde nas Saúde nas Favelas – Programa Saúde das Favelas.
.Em vez de ações isoladas, a rede funciona como uma malha de resposta territorial, reunindo cuidado, prevenção, comunicação e mobilização com base em vínculos comunitários e evidências técnicas. Entre os parceiros e instituições que sustentam e fortalecem essa articulação estão Fiocruz e Fiotec, com apoio e financiamento da Alerj, universidades e centros de pesquisa como UFRJ, UERJ, PUC-Rio, IFF e UENF, entidades científicas como Abrasco e SBPC, além de instâncias do SUS como o CONASEMS-RJ
No centro de tudo estão coletivos e organizações comunitárias, que executam ações no cotidiano dos territórios e garantem capilaridade, troca de metodologias e maior capacidade de resposta diante de emergências e vulnerabilidades históricas.
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