O desaparecimento da idosa Nair Rotundário Braga, de 76 anos, ocorrido no município de Queimados, na Baixada Fluminense, reacende uma dolorosa e persistente realidade enfrentada por milhares de famílias brasileiras: a dor da ausência repentina, do silêncio, da incerteza. Desde o dia 17 de julho de 2025, data em que foi registrada pela última vez por câmeras de segurança nas imediações de sua residência, Nair está desaparecida.

A filha, Grace Rotundário Braga de Assis, deu falta da mãe apenas no dia seguinte, 18 de julho, ao visitá-la e se deparar com uma cena que imediatamente levantou suspeitas: a casa estava trancada por fora, a torneira do banheiro permanecia aberta, luzes acesas e um tablet ainda conectado à tomada, como se tivesse sido interrompido repentinamente. Todos esses sinais indicavam que Nair deixou o local de forma abrupta — ou foi impedida de permanecer ali.

O caso foi oficialmente registrado no dia 19 de julho, às 11h33, na 55ª Delegacia de Polícia de Queimados, sob o número de protocolo 055-04120/2025. A ocorrência foi classificada como “desaparecimento” e “desaparecimento outros”, e está sob investigação da policial Nata Oliveira da Silva. Nos dias seguintes, a filha compareceu também à Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que conta com um departamento especializado em casos de pessoas desaparecidas.

A situação é particularmente sensível por envolver uma mulher idosa e em situação de vulnerabilidade. Segundo Grace, Nair é de baixa estatura, magra, branca, cabelos loiros, e faz uso regular de medicamentos controlados. Ela também tem histórico psiquiátrico, alcoolismo e episódios de uso de entorpecentes, mas não apresentava, nos dias anteriores ao desaparecimento, nenhum comportamento que sugerisse um surto ou crise. O fato de a casa estar trancada por fora e não apresentar sinais de arrombamento levanta a possibilidade de envolvimento de terceiros, incluindo ação criminosa ou negligência por omissão de socorro.

Além de Grace, o filho de Nair também participa ativamente das buscas. Ambos percorreram locais que a mãe costumava frequentar, inclusive a igreja da qual era membro. O pastor confirmou que Nair não compareceu aos cultos naquela semana, fato que agrava o mistério sobre seu paradeiro e contribui para o sentimento de urgência entre familiares e amigos.

Desde então, a família segue mobilizada, com apoio da sociedade civil e de organizações de defesa de direitos humanos, como a ComCausa – Defesa da Vida, que passou a acompanhar o caso por meio da iniciativa Acolher: Desaparecidos.

A luta coletiva contra o silêncio

Foi justamente em meio a cenários como este que nasceu o projeto Acolher: Desaparecidos, uma iniciativa construída a partir da dor compartilhada entre familiares de pessoas desaparecidas e que conta com o apoio direto da ComCausa Defesa da Vida. O projeto surgiu como resposta ao descaso histórico com o desaparecimento de pessoas no Brasil, especialmente entre crianças, adolescentes, mulheres e idosos.

A proposta é romper o ciclo de silêncio e invisibilidade que marca historicamente esses casos, transformando a dor em mobilização por justiça, memória e verdade. Em vez de silenciar, o projeto busca dar voz às famílias e garantir que ninguém enfrente esse tipo de sofrimento sozinho.

No caso de Nair, o Acolher tem atuado na divulgação do desaparecimento, na conexão com redes territoriais da Baixada Fluminense, no acompanhamento direto com a DHBF e na articulação de apoio público e institucional à família. A presença da ComCausa no caso reforça que o desaparecimento de uma pessoa é, acima de tudo, uma violação de direitos humanos, que exige resposta imediata e estruturada do Estado e da sociedade.

Resumo da Ocorrência – Registro Nº 055-04120/2025
• Delegacia: 55ª DP – Queimados
• Data de registro: 19/07/2025, às 11h33
• Investigadora responsável: Nata Oliveira da Silva
• Descrição da cena: Casa trancada por fora, torneira do banheiro aberta, luzes acesas, tablet carregando, sem sinais de arrombamento
• Data provável do desaparecimento: 17/07/2025
• Perfil da vítima: Mulher, 76 anos, branca, magra, baixa estatura, cabelos loiros, uso contínuo de medicação controlada

Contatos para informações
• Filha – Grace Braga: (21) 97753-8245
• Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF):
WhatsApp: (21) 98596-7220 / 98596-7146
• Instagram Oficial da DHBF: @dhbf_delegacia_homicidios

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