Em 2026, o Movimento Mães da Sé completa 30 anos de uma trajetória marcada por acolhimento, solidariedade, mobilização social e luta por respostas para famílias de pessoas desaparecidas em todo o Brasil.
Criado em São Paulo, em 1996, o movimento nasceu a partir da dor de mães e familiares que, diante do desaparecimento de seus filhos e filhas, encontraram na união coletiva uma forma de enfrentar o silêncio, a falta de informações e a ausência de políticas públicas efetivas.
Ao longo dessas três décadas, as Mães da Sé se tornaram uma das principais referências brasileiras na busca por pessoas desaparecidas e no apoio às famílias que vivem essa realidade.
A história do movimento está diretamente ligada à trajetória de Ivanise Espiridião, uma de suas fundadoras e uma das vozes mais reconhecidas do país nessa causa.
Após o desaparecimento de sua filha Fabiana Esperidião da Silva, em 1995, Ivanise transformou sua dor pessoal em uma missão coletiva. Sua caminhada passou a representar milhares de mães, pais, irmãos, filhos, filhas e familiares que vivem o drama da ausência sem resposta.
O desaparecimento de uma pessoa provoca uma dor profunda e contínua. Diferente de outras formas de luto, as famílias convivem com a incerteza diária: não sabem se a pessoa está viva, onde está, o que aconteceu ou se algum dia terão uma resposta.
Essa realidade, muitas vezes descrita como um “luto sem corpo”, revela a dimensão humana, emocional e social do desaparecimento.
Mais do que um movimento de busca, as Mães da Sé construíram uma rede de acolhimento.
Ao longo dos anos, o movimento orientou famílias, divulgou rostos e histórias de pessoas desaparecidas, denunciou a falta de estrutura do Estado, cobrou políticas públicas e ajudou a manter viva uma pauta que muitas vezes permanece invisível para grande parte da sociedade.
A relevância dessa luta se torna ainda maior diante dos números nacionais. O Brasil registra dezenas de milhares de desaparecimentos todos os anos.
São crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos cujas histórias interrompidas mobilizam famílias inteiras. Cada número representa uma vida, uma casa em sofrimento e uma busca que não termina.
Nesse contexto, os 30 anos das Mães da Sé não são apenas uma data simbólica. São um marco de resistência e memória.
Representam três décadas de presença pública, de escuta, de apoio e de cobrança por respostas.
Representam também a importância de transformar a dor individual em mobilização coletiva, para que nenhuma família precise enfrentar sozinha o desaparecimento de uma pessoa amada.
A ComCausa esteve este ano junto com Ivanise, reconhecendo sua trajetória e a importância histórica das Mães da Sé para o Brasil.
A presença da organização reforça o compromisso com a defesa dos direitos humanos, com a visibilidade das famílias e com a construção de uma sociedade mais sensível, responsável e solidária diante dos casos de desaparecimento.
No próximo dia 28 de junho, a ComCausa participará de mais um encontro das Mães da Sé, na Praça da Sé, em São Paulo. Durante a atividade, serão realizadas entrevistas em vídeo com familiares, apoiadores e pessoas envolvidas nessa caminhada.
O material fará parte de uma minicobertura especial sobre os 30 anos do movimento, registrando depoimentos, memórias e reflexões sobre a importância dessa luta.
O encontro será realizado:
Data: 28 de junho
Horário: a partir das 9h
Local: Praça da Sé, em frente à Catedral — São Paulo
Familiares de pessoas desaparecidas, especialmente mães, pais e parentes de São Paulo que buscam por seus filhos, filhas e entes queridos, estão convidados a participar. A presença de apoiadores, organizações sociais, comunicadores, voluntários e pessoas sensíveis à causa também é fundamental para fortalecer essa rede. Os 30 anos das Mães da Sé nos lembram que o desaparecimento de pessoas não é apenas um problema familiar.
É uma questão social, humanitária e de direitos humanos.
Exige atenção do poder público, compromisso da sociedade, investigação adequada, integração de informações, acolhimento psicológico e respeito à memória das famílias.
Cada cartaz, cada fotografia, cada nome pronunciado na Praça da Sé carrega uma história que não pode ser esquecida.
Cada mãe presente reafirma que a busca continua.
Cada apoiador ajuda a ampliar a voz de quem ainda espera por respostas.
Mães da Sé: 30 anos transformando dor em luta, ausência em memória e esperança em mobilização.
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