A ComCausa produzirá uma minicobertura audiovisual especial sobre os 30 anos do Movimento Mães da Sé, uma das mais importantes referências do Brasil no acolhimento, na orientação e na mobilização de familiares de pessoas desaparecidas.

A iniciativa será realizada com recursos do Prêmio Periferia Viva, reconhecimento que fortalece ações populares, comunitárias e sociais voltadas à valorização dos territórios, à defesa de direitos e ao enfrentamento das desigualdades. A proposta da ComCausa é registrar, por meio de entrevistas em vídeo, depoimentos, memórias e relatos de familiares, apoiadores e lideranças que mantêm viva essa luta histórica.

No próximo dia 28 de junho, a equipe da ComCausa estará na Praça da Sé, em frente à Catedral, em São Paulo, a partir das 9h, acompanhando mais um encontro das Mães da Sé. Durante a atividade, serão realizadas entrevistas com familiares de pessoas desaparecidas, apoiadores do movimento e representantes dessa trajetória de três décadas de resistência, acolhimento e busca por respostas.

O material captado será utilizado na produção de uma minicobertura em vídeo sobre os 30 anos das Mães da Sé, com o objetivo de valorizar a memória do movimento, ampliar a visibilidade da causa e contribuir para que a sociedade compreenda a dimensão humana, social e política do desaparecimento de pessoas no Brasil.

O Movimento Mães da Sé nasceu em 1996, em São Paulo, a partir da mobilização de mães e familiares que, diante do desaparecimento de seus filhos e filhas, encontraram na união coletiva uma forma de enfrentar a dor, a falta de informação, a ausência de respostas e a insuficiência de políticas públicas. Ao longo dessas três décadas, o movimento se consolidou como espaço de escuta, orientação, denúncia, solidariedade e mobilização.

A história das Mães da Sé está profundamente ligada à trajetória de Ivanise Espiridião, uma de suas fundadoras e uma das principais vozes do Brasil na luta por pessoas desaparecidas. Após o desaparecimento de sua filha Fabiana, em 1995, Ivanise transformou sua dor pessoal em compromisso coletivo. Sua caminhada passou a representar milhares de mães, pais, irmãos, filhos, filhas, avós e familiares que vivem a angústia diária de não saber onde está uma pessoa amada.

O desaparecimento de uma pessoa não atinge apenas uma família. Ele rompe rotinas, desorganiza vidas, produz sofrimento permanente e impõe uma espera que muitas vezes dura anos ou décadas. Diferente de outras formas de luto, as famílias de pessoas desaparecidas convivem com a incerteza: não sabem se a pessoa está viva, onde está, o que aconteceu, quem pode ter visto, se houve crime, acidente, violência, exploração, abandono ou omissão.

Por isso, a atuação das Mães da Sé é tão importante. O movimento não apenas denuncia a ausência de respostas, mas também acolhe famílias que muitas vezes chegam sem orientação, sem apoio emocional, sem informações sobre como registrar, divulgar e acompanhar um caso de desaparecimento. Em muitos momentos, essas famílias encontram no movimento aquilo que deveria ser garantido de forma estruturada pelo Estado: escuta, respeito, encaminhamento e solidariedade.

A produção audiovisual da ComCausa pretende dar visibilidade a essas histórias e contribuir para que a pauta das pessoas desaparecidas seja tratada com a seriedade que merece. Cada depoimento gravado será parte de um registro coletivo sobre memória, resistência e direitos humanos. A proposta é mostrar que, por trás de cada cartaz, de cada fotografia e de cada nome anunciado na Praça da Sé, existe uma vida interrompida, uma família em sofrimento e uma busca que não pode ser esquecida.

A escolha do formato audiovisual também tem um sentido estratégico. O vídeo permite preservar vozes, expressões, emoções e relatos que muitas vezes não cabem em números ou documentos. Ao registrar as falas das mães, familiares e apoiadores, a ComCausa busca construir uma narrativa sensível, pública e acessível, capaz de circular nas redes sociais, dialogar com novos públicos e fortalecer a mobilização em torno da causa.

O tema segue urgente no Brasil. Todos os anos, dezenas de milhares de pessoas desaparecem no país. São crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos que deixam famílias inteiras em busca de respostas. Esses números revelam que o desaparecimento de pessoas não pode ser tratado como um problema isolado ou exclusivamente familiar. Trata-se de uma questão social, humanitária, de segurança pública e de direitos humanos.

Ao completar 30 anos, o Movimento Mães da Sé reafirma sua importância histórica. Sua trajetória demonstra a força de mulheres que transformaram dor em ação, ausência em memória e sofrimento em mobilização coletiva. Ao mesmo tempo, esse marco chama a atenção para a necessidade de políticas públicas mais eficientes, integração de informações, investigação adequada, acolhimento psicológico, apoio jurídico e respeito às famílias.

A presença da ComCausa neste encontro também reforça seu compromisso com a defesa dos direitos humanos e com a valorização de iniciativas populares que atuam onde a dor social é mais profunda. Ao utilizar recursos do Prêmio Periferia Viva para produzir essa minicobertura, a organização reconhece que comunicar também é uma forma de cuidar, denunciar, preservar memória e fortalecer redes de solidariedade.

O encontro do dia 28 de junho, na Praça da Sé, será mais uma oportunidade para reunir familiares, apoiadores, organizações sociais, comunicadores, voluntários e pessoas sensíveis à causa. Todos os familiares de São Paulo que têm filhos, filhas ou parentes desaparecidos estão convidados a participar, assim como apoiadores que desejam somar força a essa luta.

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