A família de Sophia dos Santos e Souza, de 14 anos, cobra providências urgentes das autoridades para localizar a adolescente, desaparecida desde 15 de abril de 2026, após ter sido encaminhada ao Abrigo Municipal de Crianças de Queimados, na Baixada Fluminense.

O caso chegou à ComCausa por meio de familiares, após encaminhamento feito pela organização Mães da Sé. A instituição realizou o acolhimento inicial da família, ouviu os relatos, recebeu documentos, organizou as informações disponíveis e passou a apoiar os encaminhamentos institucionais, com o objetivo de contribuir para que o caso seja tratado com urgência pela rede de proteção, pelo sistema de justiça e pelos órgãos de segurança pública.

Segundo familiares, Sophia vivia com a avó, Sônia, desde a infância. A avó afirma que acompanhava a rotina escolar, os cuidados de saúde e a vida cotidiana da adolescente. De acordo com o relato familiar, Sophia estava matriculada na rede municipal de ensino e frequentava a escola regularmente.

No dia 15 de abril, segundo Sônia, ela foi surpreendida pelo Conselho Tutelar de Cabuçu, em Nova Iguaçu, com uma decisão judicial determinando o acolhimento institucional da adolescente. Sophia foi então levada ao Abrigo Municipal de Crianças de Queimados.

A família afirma que a adolescente desapareceu no mesmo dia em que chegou à unidade. No entanto, segundo a avó, a comunicação sobre a fuga ou evasão só teria sido feita pelo abrigo no dia 22 de abril, uma semana depois.

“Peço que me ajudem a encontrar Sophia, pois já são muitos dias sem qualquer notícia”, relatou a avó em mensagem encaminhada à ComCausa.

Registro de ocorrência teria sido feito cinco dias depois

Um dos principais pontos questionados pela família é a data do Registro de Ocorrência. De acordo com o material reunido, o RO nº 055-02374/2026 foi registrado na 55ª Delegacia de Polícia, em Queimados, no dia 20 de abril, com início às 11h10 e finalização às 11h21.

A família sustenta que, se Sophia desapareceu no dia 15 de abril, o registro policial teria sido feito cerca de cinco dias depois. Além disso, segundo o relato da avó, ela só teria sido informada no dia 22 de abril, dois dias após o registro da ocorrência.

Para os familiares, essa sequência precisa ser esclarecida oficialmente: quando Sophia entrou no abrigo, quando a evasão foi constatada, quem comunicou os órgãos competentes, quando a família foi avisada e por que o RO não teria sido feito imediatamente após o desaparecimento.

Documentos apresentam divergência de datas

Outro ponto considerado grave pela família é a divergência entre documentos. O Termo de Entrega e Responsabilidade do Conselho Tutelar de Cabuçu indica que Sophia foi encaminhada ao abrigo em 15 de abril de 2026. Já o Registro de Ocorrência apresenta, na descrição do fato, a data de 16 de abril, por volta das 20h30, como referência para a fuga de Sophia e de outra adolescente.

No entanto, em Termo de Declaração prestado posteriormente por Andrea Catiene Sena de Oliveira, apontada como coordenadora do abrigo, consta que Sophia e a outra adolescente teriam se evadido juntas da instituição no dia 15 de abril, por volta das 21h.

Para a família, essa divergência é central. A definição correta da data e do horário do desaparecimento pode impactar diretamente a investigação, a busca por imagens de câmeras, a identificação de trajetos e a apuração de eventual demora no acionamento da polícia e da rede de proteção.

Adolescente teria saído do abrigo acompanhada

Segundo a dinâmica registrada no RO, Sophia teria saído do abrigo acompanhada de outra adolescente. O documento relata que ambas teriam ido até a estação de trem da SuperVia, em Queimados, e seguido em direção à Central do Brasil.

Ainda conforme o registro, as adolescentes teriam conhecido um jovem que teria dito se chamar Kaique e ter 18 anos. O relato atribuído à outra adolescente menciona que elas teriam ido para Santa Cruz, onde teriam passado a noite.

Na manhã seguinte, segundo a dinâmica registrada, Sophia teria retornado à Central do Brasil e conhecido outro homem, aparentemente de 25 a 30 anos, que a teria convidado para morar com ele em local incerto. A outra adolescente teria ficado com medo e procurado abrigo.

A família pede que essas informações sejam apuradas com máxima prioridade, já que Sophia tinha apenas 14 anos e estava em situação de vulnerabilidade após sair de uma unidade de acolhimento institucional.

Família pede investigação de possível aliciamento ou exploração

A família solicita que o caso não seja tratado apenas como “evasão de abrigo”, mas como desaparecimento de adolescente em situação de vulnerabilidade, com possível risco de violência, exploração, aliciamento ou tráfico de pessoas.

Entre os pedidos feitos estão a identificação do jovem chamado Kaique, a identificação do segundo homem mencionado nos documentos, a busca por imagens da SuperVia, da Central do Brasil, de Santa Cruz e do BRT, além da oitiva formal e protegida da adolescente que teria saído com Sophia.

A família também pede que sejam preservados registros internos do abrigo, como livro de ocorrência, relatório de plantão, escala da equipe, prontuários, imagens de câmeras e comunicações feitas ao Judiciário, Conselho Tutelar, Ministério Público, Polícia Civil e familiares.

Avó relata dificuldade para ser ouvida

A avó de Sophia afirma que tem buscado atendimento na 55ª Delegacia de Polícia para registrar sua versão dos fatos e acompanhar o caso, mas relata dificuldade para ser ouvida e para obter informações.

Segundo a família, o advogado que acompanha o caso também teria enfrentado demora para conseguir acesso ao processo. Em transcrições enviadas à ComCausa, o advogado teria afirmado estranhar a demora na habilitação, por considerar incomum a dificuldade de acesso em procedimento já em andamento.

A família pede que a avó seja formalmente ouvida, que sua versão seja incorporada à apuração e que o advogado tenha acesso às informações necessárias para acompanhar o caso.

Saúde e vulnerabilidade aumentam preocupação

A avó informou ainda que Sophia fazia acompanhamento no CAPSi Dom Adriano Hipólito, em Nova Iguaçu, e que usava medicação regularmente enquanto estava sob seus cuidados.

Por envolver dados sensíveis de saúde de uma adolescente, essas informações não devem ser divulgadas em campanhas públicas. No entanto, a família entende que elas devem ser consideradas pelas autoridades na busca e proteção da jovem.

Para os familiares, a possível interrupção do acompanhamento e da medicação aumenta a urgência do caso.

Acolher ComCausa encaminha o caso aos órgãos competentes

Após ser procurada por familiares de Sophia, a demanda foi recebida pelo Acolher ComCausa, frente de acolhimento, escuta e orientação da ComCausa Defesa da Vida. O Acolher é o espaço inicial de atendimento da entidade, responsável por ouvir famílias e pessoas em situação de violação ou ameaça de violação de direitos, receber documentos e relatos, organizar informações, orientar sobre cuidados na divulgação e encaminhar os casos aos órgãos competentes.

No caso de Sophia, o Acolher ComCausa ouviu os familiares, reuniu os documentos enviados, organizou a linha do tempo do desaparecimento e identificou pontos que precisam de apuração, como a data exata da entrada da adolescente no abrigo, a data da evasão, a demora no registro da ocorrência, a comunicação tardia à família e as divergências entre documentos oficiais.

A partir desse acolhimento, o caso está sendo encaminhado aos órgãos competentes da rede de proteção, justiça e segurança pública, para que sejam adotadas providências urgentes de localização, investigação e garantia de direitos.

A ComCausa reforça que sua atuação é de apoio institucional, mediação em direitos humanos e articulação da rede, sem substituir a investigação policial, o trabalho do Ministério Público, da Defensoria Pública, do Judiciário ou do advogado da família. A entidade também orienta que a divulgação seja feita de forma responsável, com foco na localização de Sophia e na proteção da adolescente, sem exposição de dados pessoais, informações sensíveis ou detalhes que possam prejudicar a investigação ou revitimizar a família.

Pedido da família

A família pede que qualquer pessoa com informações sobre o paradeiro de Sophia dos Santos e Souza entre em contato com a avó Sônia, pelo telefone 21 96809-3370.

As informações também podem ser repassadas de forma anônima aos canais oficiais de denúncia e busca por pessoas desaparecidas:

Disque 100 — Direitos Humanos: ligue 100. O serviço recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos envolvendo crianças e adolescentes, e funciona 24 horas por dia.

Disque Denúncia RJ: ligue (21) 2253-1177, na Região Metropolitana, ou 0300-253-1177, nas demais regiões do estado. Também é possível usar o WhatsApp Desaparecidos: (21) 98849-6254.

FIA/RJ — SOS Crianças Desaparecidas: ligue (21) 2286-8337 ou (21) 98596-5296. Também é possível encaminhar informações pelo e-mail soscriancasdesaparecidas@fia.rj.gov.br.

Informações urgentes também devem ser comunicadas imediatamente às autoridades policiais.

“Queremos Sophia de volta e queremos saber o que aconteceu. Ela estava sob responsabilidade de uma instituição de acolhimento. A família precisa de respostas”, afirma a família à ComCausa.

Sophia dos Santos e Souza, de 14 anos, está desaparecida desde 15 de abril. A família questiona a demora no registro da ocorrência, a comunicação tardia sobre o desaparecimento e divergências encontradas em documentos oficiais.

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