As escadarias da Câmara dos Vereadores, na Cinelândia (Centro do Rio), foram ocupadas nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, por um encontro que foi muito além de uma confraternização de fim de ano.
A Confraternização “Luz de Esperança” marcou o último ato de 2025 do Encontro Mensal em Prol dos Desaparecidos e reuniu familiares de pessoas desaparecidas, redes de apoio e organizações parceiras em um momento público de memória, acolhimento e mobilização — reafirmando, com firmeza e dignidade, que o desaparecimento de pessoas não pode ser tratado como rotina, “caso comum” ou estatística invisível.
Ao longo da manhã, o espaço público se transformou em território de voz e presença. Em cada abraço, em cada relato, em cada fotografia segurada com cuidado, estava a mesma mensagem: a dor não termina com o calendário. E, justamente por isso, a proposta do encontro — organizada com sensibilidade e perseverança — foi reafirmar que o encerramento do ano não significa pausa, mas o fortalecimento de uma caminhada que continua, mês após mês, na busca por respostas, justiça, políticas públicas e acolhimento integral.
O Encontro Mensal é organizado pelas Mães Virtuosas do Brasil e Mães Braços Fortes, grupos que se tornaram referência por sustentarem, com coragem e constância, uma mobilização permanente em defesa das famílias. As organizações têm construído um espaço de encontro que combina o que muitas vezes falta nas estruturas formais: escuta real, rede de apoio, cuidado e insistência pública para que o desaparecimento não seja empurrado para o silêncio.
Presença parlamentar com destaque
Um dos pontos relevantes do encontro foi a participação e o apoio da vereadora Tânia Bastos. Reconhecida pelas famílias e pela rede como uma presença institucional importante, a parlamentar contribuiu para ampliar a visibilidade da pauta em um espaço simbólico do poder público e reforçou, na prática, a mensagem de que o tema precisa ser tratado como prioridade, com responsabilidade e continuidade.
A presença da vereadora foi destacada como um gesto de peso — não apenas pela formalidade do cargo, mas pela sinalização pública de escuta e compromisso. Em um cenário em que muitas famílias relatam sensação de abandono institucional, a participação parlamentar funciona como reforço concreto: a dor das mães e familiares não pode ser ignorada, e a construção de políticas públicas para enfrentar o desaparecimento depende também de presença, articulação e cobrança institucional.
Ao somar apoio a essa mobilização, Tânia Bastos fortalece um caminho que exige ações permanentes, políticas integradas e proteção social. O reconhecimento das famílias se dá por entenderem que, quando o poder público se faz presente e escuta, cria-se um ambiente mais propício para avançar em medidas efetivas, como protocolos, fluxos de atendimento, integração de dados e fortalecimento de redes psicossociais.
ComCausa: apoio, articulação e compromisso com visibilidade e cuidado
Com o apoio da ComCausa – Defesa da Vida, o encontro teve também caráter de articulação ampliada: foi, simultaneamente, gesto de cuidado coletivo e cobrança pública por respostas. A ComCausa atua ao lado das famílias no fortalecimento de redes, na mobilização social e na defesa de direitos, compreendendo que o desaparecimento de pessoas é uma violação grave que atravessa a saúde emocional, a rotina, a renda, os vínculos familiares e o próprio sentido de segurança nas comunidades.
Entre homenagens, falas e manifestações de solidariedade, as famílias reforçaram um ponto central: o encerramento do calendário anual não representa interrupção da luta — a ausência não entra em recesso. A vida segue, mas com um vazio que não se apaga. E, justamente por isso, é necessário que a sociedade e o poder público respondam com políticas permanentes, não com medidas pontuais.
Entrevista à TV Câmara: compromisso com comunicação pública e apoio psicossocial
Durante a mobilização, Adriano Dias, coordenador de ações da ComCausa – Defesa da Vida, concedeu entrevista à TV Câmara (Câmara dos Vereadores do Rio), reforçando o compromisso institucional da organização em contribuir para tirar os casos de desaparecimento da invisibilidade.
Na entrevista, Adriano destacou que, sem visibilidade pública, muitos casos acabam se perdendo no silêncio social, o que amplia o sofrimento das famílias e dificulta a pressão por respostas. A ComCausa reafirmou a importância de fortalecer a comunicação pública, a mobilização social e o diálogo com instituições e redes parceiras, para que a pauta seja tratada com a seriedade necessária — sem sensacionalismo, mas com responsabilidade, ética e foco na proteção das famílias.
Adriano também ressaltou como prioridade a ampliação do apoio psicológico e psicossocial às famílias, reconhecendo os impactos prolongados do desaparecimento na saúde emocional, na rotina e na organização familiar. A ComCausa reafirmou que o acolhimento precisa ser contínuo, com escuta qualificada, orientação e articulação de encaminhamentos, para que as famílias não sejam obrigadas a sustentar sozinhas — e por anos — o peso da busca e da ausência.
Projeto Acolher a partir de 2026
Outro destaque do encontro foi a participação da psicóloga Alessandra Santana, que esteve junto aos familiares e à rede de apoio durante a atividade. A ComCausa – Defesa da Vida afirmou que Alessandra Santana conduzirá o Projeto Acolher a partir de 2026, coordenando uma retomada organizada e sistemática das frentes de cuidado, escuta qualificada e fortalecimento de vínculos com as famílias.
A proposta é consolidar uma agenda estruturada, com metodologia de acolhimento e continuidade, combinando encontros periódicos, rodas de conversa, encaminhamentos e articulação com a rede de serviços. A iniciativa parte de uma compreensão fundamental: o desaparecimento produz impactos profundos e prolongados — e, por isso, exige respostas integradas, com proteção social, cuidado emocional e orientação permanente.
Retomada do Acolher: Desaparecidos e do Memória e Justiça
Durante a mobilização, a ComCausa – Defesa da Vida confirmou a retomada sistemática de duas frentes estruturantes do seu trabalho: Acolher: Desaparecidos e Acolher: Memória e Justiça, com continuidade, calendário e presença territorial. A proposta prevê encontros com familiares, espaços de escuta, ações públicas e instrumentos de memória.
Entre as ações previstas estão os Varais da Memória, intervenções de rua que reúnem fotos, nomes e mensagens, reafirmando que cada história permanece viva e que a sociedade não pode aceitar o apagamento. Outro eixo é a construção e o fortalecimento de memoriais virtuais, ampliando o acesso a registros e informações de forma responsável, preservando histórias e sustentando a mobilização pública.
Próximas ações anunciadas para 2026
Como encaminhamento direto do ciclo encerrado com a “Luz de Esperança”, a ComCausa informou as primeiras datas e atividades previstas para 2026, reforçando que a pauta seguirá com organização e presença.
• 10 de janeiro de 2026 – início do Acolher: Desaparecidos, com barraca de acolhimento e orientação na Praça Rui Barbosa, ampliando o acesso das famílias à escuta, informação e encaminhamentos.
• 17 de janeiro de 2026 – roda de conversa de acolhimento no escritório da ComCausa no Rio, com escuta qualificada, fortalecimento de vínculos e encaminhamentos, consolidando o início de um calendário contínuo para 2026.
Ao encerrar 2025 com esse encontro público na Cinelândia, as famílias e organizações envolvidas deixam um recado claro: memória é presença, acolhimento é proteção, e justiça exige continuidade. E, enquanto houver nomes sem resposta, a mobilização seguirá ocupando espaços, construindo rede e exigindo que ninguém seja obrigado a desaparecer — nem que uma família seja condenada ao silêncio.
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