O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o maior país do mundo a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho como problema de saúde pública. O anúncio foi antecipado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na sexta-feira (15), durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov. A certificação oficial será entregue nesta semana, após visita de representantes da OMS e do Unaids ao país.
Nas favelas do Rio de Janeiro, o acesso ao pré-natal gratuito e contínuo permitiu que gestantes realizassem o teste rápido de HIV ainda no início da gravidez. O exame, oferecido de forma sigilosa e sem custo, possibilita o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento. Quando a gestante vivendo com HIV segue corretamente o acompanhamento médico e utiliza a medicação fornecida pelo SUS, a chance de transmissão para o bebê é praticamente zero.
O impacto dessas políticas é concreto no cotidiano das comunidades. Mulheres que antes enfrentavam longas distâncias, estigmas e falta de informação passaram a encontrar atendimento perto de casa, com agentes comunitários, enfermeiros e médicos que acompanham toda a gestação. O cuidado se estende ao momento do parto e ao acompanhamento do bebê, garantindo prevenção, exames e orientações adequadas após o nascimento.
Segundo Padilha, o reconhecimento internacional é resultado direto do fortalecimento das políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as ações decisivas estão a ampliação do acesso ao pré-natal, a oferta de testes rápidos de HIV nas unidades básicas de saúde e o fornecimento gratuito de medicamentos para gestantes que vivem com o vírus.
O ministro destacou que o país conseguiu superar um cenário histórico marcado por altas taxas de transmissão vertical. “Havia uma época em que existiam abrigos específicos para crianças que nasciam com HIV. Essa realidade ficou no passado”, afirmou. Hoje, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, o risco de transmissão de mãe para filho foi reduzido a níveis considerados residuais pela OMS.
O reconhecimento reforça o papel do SUS na Defesa da vida e na garantia do direito à saúde, especialmente para mulheres e crianças em situação de maior vulnerabilidade. Para especialistas, a certificação também coloca o Brasil como referência internacional no enfrentamento ao HIV, demonstrando que políticas públicas universais e gratuitas são capazes de produzir resultados concretos e sustentáveis.
Durante a entrevista, Alexandre Padilha também apresentou outras iniciativas recentes do Ministério da Saúde. Uma delas é o Observatório Saúde de Apostas Eletrônicas, criado para monitorar e enfrentar os impactos das apostas online na saúde mental da população. Entre as medidas anunciadas estão uma ferramenta no aplicativo Meu SUS Digital que permite o bloqueio de contas em sites de apostas e a implantação de teleatendimento psicossocial.
De acordo com o ministério, o atendimento remoto tem mostrado maior adesão dos usuários, ampliando o acesso ao cuidado em saúde mental. As ações fazem parte de uma estratégia mais ampla para responder a novos desafios sanitários e sociais, mantendo o foco na prevenção, no cuidado integral e na promoção da saúde.
ComuniSaúde e o impacto nas favelas
O ComuniSaúde é uma iniciativa que difunde o direito à saúde e valoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais, fortalecendo redes comunitárias em favelas e periferias por meio de ações formativas, comunicação cidadã e articulações locais que ampliam o acesso ao atendimento básico, à saúde mental e a campanhas educativas. O projeto atua como ponte entre moradores e serviços públicos, oferecendo também um canal telefônico para orientação, mediação de conflitos e cobrança junto aos órgãos competentes sempre que houver negativa ou omissão no atendimento.
ComCausa ComuniSaúde Baixada: 21 96942-1505 e acesse: comunisaude.org.br
Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro
Desde 2021, mais de R$ 22 milhões foram investidos em projetos de saúde nas favelas cariocas, com apoio da Lei Nº 8.972/20 e do Fundo Especial da ALERJ. Instituições renomadas como a Fiocruz , IFF, UENF, UFRJ, UERJ, PUCRJ, SBPC, Alerj e Abrasco fazem parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de garantir que os serviços de saúde alcancem as áreas mais necessitadas.
Essa articulação interinstitucional é fundamental para reduzir desigualdades históricas e promover o acesso universal à saúde como um direito humano básico e inalienável.
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